Realiza-se de 28 de abril a 3 de maio a Festa das Cruzes, a primeira grande romaria do Minho. Durante estes dias, muitos são os motivos para visitar Barcelos e viver bons momentos com um programa diversificado, com atividades que incluem a religião, a tradição, o folclore, a etnografia e a animação. Desde as arruadas com os Zés P´reiras ao folclore de rua, aos concertos e despique de Bandas Filarmónicas, ao Desfile Etnográfico protagonizado pelos grupos de Folclore do concelho, à mítica Batalha das Flores, aos espetáculos com os artistas nacionais de renome, a culminar com a grandiosa Procissão da Invenção da Santa Cruz, a escolha é variada para, em Barcelos, passar bons momentos de lazer. Nestes dias, pode ainda apreciar os Arcos de Romaria, realizados pela população das freguesias do concelho com o intuito de mostrar as suas tradições, os tapetes de Pétalas de Flores do Templo do Senhor Bom Jesus da Cruz, um dos cartões de visita desta festividade e divertir-se na Feira Popular, localizada no Campo da Feira, bem no centro de Barcelos.
Este fim de semana deveria ter ido para Barcelos e só voltar para casa no dia 4, depois de encerradas todas as festividades. O programa era de arromba, começando com um grande jogo de futebol, em que o clube local, o Gil Vicente, enfrentava o grande Benfica que traz multidões atrás de si. Melhor início de festa não poderia ser e só não teve nota 10, porque o meu Benfica tinha que ganhar e fraca é uma festa com uma derrota às costas.
Isto foi no sábado, no domingo houve outra oportunidade de fazer Barcelos brilhar. Com a presença de muitos galegos, nossos vizinhos do norte, realizou-se a Batalha das Flores, em que todas as 89 freguesias do concelho participam fornecendo a sua quota parte de flores para a batalha ter mais valor. Diziam os galegos que nunca tinham visto tanta flor nem faziam ideia onde as tinham ido buscar.
Ontem, foi o Dia do Trabalhador e teve que se esquecer um pouco a festa da cidade para dar colorido à luta dos trabalhadores contra patrões exploradores e governo pouco atento àquilo que se passa no mundo do trabalho. Hoje, é um dia de descanso para ganhar novo fôlego para o dia da festa, esta mais religiosa com procissão e tudo que é amanhã, dia 3 de Maio.
A criançada, nos carroceis e barracas de doces, são os que mais aproveitam da festa. A juventude, ainda sem grandes responsabilidades na vida, só pensa em namoricos e encontros de amor e cada festa das cruzes é um novo capítulo da sua história pessoal que guardarão para sempre nos seus arquivos da memória. Uns mais felizes e bem sucedidos que outros, mas todos escreverão esse capítulo da sua vida e quanto mais escreverem mais terão aproveitado.
Os mais velhotes, como eu, servem para pouco mais que pagar aos netos as suas extravagâncias, dos churros e doces aos carroceis e poço da morte. Se mais dinheiro houvesse mais viagens fariam, parece que o cansaço nunca os aflige. Isto a mim faz-me lembrar a festa de Moita que foi a melhor coisa que me aconteceu na juventude, mas isso são outras histórias que não são para aqui chamadas.
Como acabei por não ir, nem sábado ver o Benfica jogar, nem domingo atirar flores às moças mais bonitas que me passassem à frente dos olhos, talvez vá amanhã ver a procissão e a tal Cruz, uma das 3 que se festejam na região (o Senhor de Matosinhos mandou dizer ao de Fão que não esquecesse que também é seu irmão), além das outras coisas que haverá para ver. E se não for, fica para o ano, pois como é costume dizer-se: - para o ano há mais!