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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Os juros!

Quem paga juros numa situação de inflação, acaba sempre por ficar a ganhar. O contrário acontece, quando vivemos numa situação de deflação que é o nosso caso presente. Não é, portanto, de admirar que os juros da dívida pública tenham crescido mais que aquilo que o governo esperava. Se esperava outra coisa é porque anda distraído, diria eu. E isso não é bom sinal para os zés-pagantes, entre os quais me incluo.


Vejo o Teixeira dos Santos a coçar a cabeça. Talvez porque reconheça que vivemos uma situação financeira da qual não vai ser fácil sair. E até é capaz de ter razão, com um governo socialista em funções, um orçamento (eleitoralista) que tem que estar pronto em menos de 30 dias, as perspectivas não são nada animadoras. O mais provável é que continuemos a escorregar pela ladeira abaixo.


Não me lembro de o ter visto a coçar na cabeça, quando era ministro das finanças do governo de Sócrates e o deixou afundar o país na desgraça que todos conhecemos. Nessa altura é que devia ter dado um murro na mesa e fazer parar a loucura do Zé. Talvez ainda tivesse ido a tempo de evitar a falência do BPN.
Agora é tarde, não acredito numa palavra que lhe sai pela boca fora!

sábado, 5 de novembro de 2016

Fábrica de merda!

Tenho tentado manter-me à parte neste caso da nomeação dos administradores da CGD, porque diga eu o que disser não vai alterar em nada aquilo que está a acontecer. Mas isto começa a ser demais para qualquer lusitano que se preze. Em primeiro lugar são administradores a mais. Em segundo lugar, com ordenados tão elevados que nada justifica. E em terceiro lugar, exigindo privilégios especiais que até obrigaram o governo a criar uma lei de propósito para os proteger. Vejo-me obrigado a dar a minha opinião, recuso-me a ficar calado.
A Caixa Geral de Depósitos (escrito por extenso para que não restem dúvidas a quem me refiro) transformou-se numa autêntica fábrica de merda. Para além de gerar só prejuízos é um covil de corruptos do mais alto nível. Quem não é corrupto quando entra, acaba por sair de lá corrompido por quem está ao leme do tráfico de influências que tem ali um dos seus três vértices. O Governo e o Banco de Portugal completam o triângulo. Eles fazem o que querem e sobra-lhes tempo, nem a Cosa Nostra, em Itália, funciona tão bem.
A falta de vergonha é tanta que até o Presidente da República veio a terreiro para tentar injectar um pouco de senso comum na cabeça do António Costa (e seus pares) que parece terem ensandecido. Para não gastar mais do meu latim, limito-me a deixar aqui uma reprodução da nota publicada ontem pela Presidência da República. Ora leiam:

Nota do Presidente da República sobre a Caixa Geral de Depósitos

A reflexão acerca dos mais recentes debates públicos sobre o Decreto-Lei n.º 39/2016, de 28 de julho, suscita ao Presidente da República as seguintes considerações:

1. É do interesse nacional, e, portanto, de todos, Governo e Oposição incluídos, que a Caixa Geral de Depósitos tenha sucesso na sua afirmação como instituição portuguesa, pública e forte, que possa atuar no mercado em termos concorrenciais.

2. É do interesse nacional que a gestão da Caixa Geral de Depósitos disponha das melhores condições possíveis para alcançar esse sucesso.

3. Uma condição essencial é um sólido consenso nacional em torno da gestão, consenso esse abrangendo, em especial, a necessidade de transparência, que permita comparar rendimentos e património à partida e à chegada, isto é, no início e no termo do mandato, com a formalização perante o Tribunal Constitucional, imposta pela administração do dinheiro público.

4. O Decreto-Lei n.º 39/2016, de 28 de julho, incidiu apenas sobre o Estatuto do Gestor Público, constante do Decreto-Lei n.º 71/2007, de 27 de março.

5. Esse Estatuto nada diz sobre o dever de declaração de rendimentos e património ao Tribunal Constitucional.

6. Tal matéria consta da Lei n.º 4/83, de 2 de abril, na redação dada, por último, pela Lei n.º 38/2010, de 2 de setembro.

7. Ora, a Lei n.º 4/83, não foi revogada ou alterada pelo Decreto-Lei n.º 39/2016, de 28 de julho.

8. A finalidade do diploma de 1983 afigura-se ser, neste particular, a de obrigar à mencionada declaração todos os gestores de empresas, com capital participado pelo Estado, e em cuja designação tenha intervindo o mesmo Estado, estejam ou não esses gestores sujeitos ao Estatuto do Gestor Público. O que se entende, em termos substanciais, visto administrarem fundos de origem estatal e terem sido objeto de escolha pelo Estado.

À luz desta finalidade, considera-se que a obrigação de declaração vincula a administração da Caixa Geral de Depósitos.

9. Compete, porém, ao Tribunal Constitucional decidir sobre a questão em causa.

10. Caso uma sua interpretação, diversa da enunciada, vier a prevalecer, sempre poderá a Assembleia da República clarificar o sentido legal também por via legislativa.

Tudo sem que faça sentido temer que os destinatários possam sobrepor ao interesse nacional a prosseguir com a sua esperada competência, qualquer tipo de considerações de ordem particularista.

Palácio de Belém, 4 de novembro de 2016

domingo, 3 de julho de 2016

Com a cabeça no cepo!


A Comissão Europeia deu a Portugal mais 3 semanas para resolver o problema do Deficit. Como se isso tivesse solução. Nem em 3 semanas, nem em 3 meses e, se calhar, nem em 3 anos, pois uma economia como a nossa, sempre dependente do que se passa em casa dos nossos amigos e vizinhos, não responde como e quando a gente quer.
O que nós precisamos é de ajuda e não de ultimatos. E não me refiro a ajuda financeira, pois essa só cria vícios e dá mau resultado, mas sim a promoção dos produtos portugueses de modo a aumentar as exportações e investimento estrangeiro canalizado para o nosso país que crie emprego e aumente o nosso PIB.
Sempre me perguntei que razões terá a AIRBUS para não investir numa fábrica de componentes em Portugal, já que somos bons trabalhadores e com ordenados baixíssimos. Os alemães da Volkswagem fizeram isso em Palmela e nunca me constou que se tivessem arrependido. Aí é que eu gostava de ver a Comissão Europeia a trabalhar, empurrando para cá trabalhinho para os nossos desempregados.


Os altos dirigentes da Comissão, cujos principais nomes podem ler acima, ganham uma brutalidade de euros e mal se apercebem da realidade de um país com centenas de milhares de desempregados (grande parte sem qualquer contrapartida monetária) e com salários de vergonha para os que têm a sorte de ter emprego.
A Catarina Martins bem grita que quer um referendo para perguntar aos portugueses se querem imitar os britânicos e abandonar a União, mas ninguém lhe dá ouvidos. Ela é muito "baixinha" para se fazer ouvir. Nada que se compare ao ministro das finanças alemão que mesmo sentado numa cadeira de rodas, fala o que quer e lhe apetece e põe toda a Europa em sentido. É o poder do dinheiro a falar por ele!
Daqui a duas horas estarei a gritar com todas as minhas forças para que a França perca. Abaixo os poderosos!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O Pânico e o Terror!

No desempenho das minhas funções, na empresa onde trabalhei a maior parte da minha vida, quase toda desde que saí da Marinha, conheci pessoas, cujas histórias dariam para escrever um livro. Não sei que título lhe daria, talvez «Os Cromos da Minha Caderneta» fosse uma boa escolha.
Pensei nisto ao ler as notícias da Bolsa de Paris que sigo com a maior atenção, por causa das minhas economias que tenho por aí investidas. E porquê? Porque as notícias são tudo menos animadoras. Desde o princípio do ano, as perdas já ultrapassam os 10%, mas algumas das principais empresas cotadas na Bolsa perderam muito mais que isso. Basta tomar como exemplo a Shell que passou de 25€ para cerca de 17€, perdendo um terço do seu valor. Os 9.000€ que investi nela só valem 6.000€. Se eu fosse um magnata e tivesse investido 30 milhões, teria já perdido 10 desses 30. E diz-se que o petróleo vai continuar a descer.
O Banco Santander Totta (aquele que ficou com o Banif) é outro bom exemplo do grande risco que representa um investimento na Bolsa. Um banco de tamanho monumental e com contas sólidas, como afirmam todos os analistas, cai em cerca de 5 meses de 5.50€ para 3.75€, mais de 30%.
E agora regresso à Minha Caderneta de Cromos para vos falar de um vendedor que tinha por hábito visitar-me todas as semanas e escolhia o dia de sexta-feira, mesmo ao fim do dia, porque morando em Vila do Conde, dali seguia directo para casa quando acabava a conversa comigo. Raramente tínhamos algum negócio a discutir, pois a empresa onde trabalhava estava no último suspiro e a minha fugia dela a sete pés para evitar problemas.
Depois da pergunta da praxe - então como vão os negócios, há alguma coisa para mim? - e da minha já habitual resposta - não, infelizmente não, o negócio anda pelas ruas da amargura - vinha a meia-hora de conversa jogada fora que encerrava o seu dia de trabalho, onde havia sempre lugar para uma anedota. Isso já era tão habitual que às vezes, quando chegava e me apertava a mão, em vez de dizer - olá, como estás - dizia - a de hoje é muita boa, de escangalhar a rir.
Numa dessas célebres sextas-feiras, entrou logo a matar e, ainda apertando-me a mão, disparou:
- Sabes qual é a diferença entre pânico e terror?
- Não, respondi eu, sem me dar ao trabalho de pensar muito na coisa.
- Pânico, disse ele, é a primeira vez que não consegues dar a segunda. E terror é a segunda vez em que não consegues dar a primeira.
Pois, meus caros amigos, foi nisso que eu pensei de imediato, quando comecei a ler as notícias emitidas pelos analistas da Bolsa de Paris. O pânico foi na semana passada com as cotações a descer todos os dias, hoje é o terror pela quase certeza que as coisas não vão melhorar. Abaixo deixo-vos uma pequena notícia (mesmo em francês para vos obrigar a puxar pela cabeça), onde se pode ver a preocupação que domina os mercados.
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L'exercice risque d'être difficile pour la BCE aujourd'hui. «Les récentes secousses sur les marchés financiers, les craintes que les prix du pétrole puissent ralentir l'économie mondiale plutôt que de la dynamiser, et les inquiétudes autour de la Chine et des marchés émergents ont alimenté les spéculations autour d'une nouvelle action», de la Banque centrale européenne (BCE), souligne Carsten Brzeski, économiste chez ING.
Mercredi, tous ces facteurs ont à nouveau pesé sur les Bourses européennes, Francfort abandonnant 2,82%, Paris 3,45% et Londres 3,46%.
En ce qui concerne l'économie réelle, ajoute M. Brzeski, «la zone euro semble toutefois être préservée de cette tempête pour le moment (...), nous pensons que la BCE va garder en réserve les munitions qu'il lui reste, du moins pour cette semaine».