Andei a espreitar o que fazem aqueles que me visitam e por onde andam, pois de anónimos não quero saber. Sou como os americanos ou os russos que andam sempre a espreitar o que o outro faz para ser serem apanhados de surpresa. Mas acredito que conseguem ver mais do que eu, pois só com uma bolinha cor de rosa não ficariam a saber grande coisa.
Há um filho da minha escola que mora na costa oeste do Canadá e lá aparece a bolinha para me lembrar isso. Ele desertou da Marinha, teve que completar o tempo de tropa no Exército, foi para a pesca do bacalhau, casou lá (não sei se com uma portuguesa ou americana) e por lá ficou até hoje. Em 2010, veio até cá para confraternizar connosco, prometeu que voltaria no ano seguinte, mas nunca mais o vi. Faz-me lembrar os nossos políticos que andam aí pelas ruas a prometer tudo e mais alguma coisa, mas não têm a menor intenção de cumprir o que dizem.
Também fiquei de olhos arregalados ao ver a quantidade de gente que vive nas estepes russas e se dão ao trabalho de vir até mim para saber o que eu escrevo. Será que são portugueses, que falam português, ou são motivados por outra coisa qualquer?
E não posso esquecer-me do camarada da Marinha que mora em Sidney, cuja bolinha aparece ali a brilhar, como uma estrela em céu escuro!
