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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Salto no desconhecido!


Para nós, portugueses, o Brexit é um pouco como aquele ditado brasileiro que diz - pimenta no cu dos outros ... - ou seja, não adivinhamos ainda como nos pode afectar, mas lá poder pode e vai afectar. O nosso maior problema - do ponto de vista de alguns - é saber quem ganha a guerra de audiências na televisão, o Goucha ou a Cristina.
Por outro lado, para os ingleses, a coisa começa a esquentar, já sentem o cu colado nas calças. Quem viu as notícias, ontem à noite, talvez tenha reparado em alguns trabalhadores, ameaçados de perder o seu rico emprego, perguntando o que será deles agora. Marido e mulher empregados na mesma fábrica e ambos despedidos. Filhos a estudar na faculdade, como vai ser para pagar as despesas? É muito diferente perguntar a um inglês comum o que pensa de deixar a UE, ou perguntar a um que acabou de ser despedido duma fábrica de automóveis.
O Parlamento exige à Primeira Ministra um plano B para o caso de o acordo assinado não ser votado favoravelmente pela Câmara, mas os da oposição vão mais longe e já exigem a demissão da Theresa May e eleições antecipadas. Que o caso é grave e deve ser o povo a tomar uma posição nas urnas. Esses esquecem-se que toda a eleição é "trabalhada" pelos políticos para levar ao resultado que eles querem e o povo, por mais avisado que esteja, deixa-se sempre enrolar.
Bem gostariam de adivinhar o que irá passar-se no caso de um sim ou um não, mas isso não é possível, só depois de saltar se verá onde vão cair. Mas ninguém tem dúvidas sobre um mais que certo arrefecimento da economia, há quem calcule uns 8%, mais coisa menos coisa, mas é imprevisível o efeito dominó provocado pelo desemprego, cobrança de menos impostos e aumento das despesas sociais.
Para não falar na questão da fronteira entre as duas Irlandas que é o osso mais duro de roer. Voltar mil anos atrás e unificar a Irlanda republicana e católica seria a solução ideal, mas quem mete isso na cabeça dura dos enfatuados e anglicanos súbditos da Rainha Isabel II? Só por cima do meu cadáver, responderia ela se lho perguntassem.
Pois é, amanhã termina o prazo dos 3 dias dados pelo Parlamento à Milady Theresa e não vai haver qualquer plano B que os europeus não são parvos. Demoraram 20 meses a negociar aquele acordo de 858 páginas e não vão voltar à estaca zero, só para fazer o jeito aos bifes.
Salta e logo vês o que acontece, quando tocares com os pés no chão!