Falar português, refiro-me a falar bem, sem erros gramaticais ou de construção, não é tarefa fácil e requer grande treino, além dos conhecimentos de base. Os erros gramaticais são os mais fáceis de evitar e qualquer aluno mediano pode ser bem sucedido. Já os erros de construção são um bocadinho mais complicados e vejo-os todos os dias na Comunicação Social, tanto escrita como falada.
As lições, as ilações e as consequências:
Por causa daquilo que se passou na Câmara de Lisboa, acerca dos activistas russos, muita gente abriu a boca para tecer o seu comentário, até o Selfies, o nosso mais que famoso Presidente da República. Tirar lições daquilo que aconteceu ... está errado, as lições não se tiram, mas aprende-se com elas.
Eu sei que ilação e lição são palavras quase iguais, mas têm significados muito diferentes. Na construção da frase, o segredo está no verbo que deve acompanhar o substantivo. Ora vejam:
Com uma LIÇÃO aprende-se ...
Do que aconteceu tira-se uma ILAÇÃO ...
E, em última análise, sofre-se a CONSEQUÊNCIA de ...
Assim sendo, os verbos APRENDER, TIRAR e SOFRER ficam bem junto a um dos 3 substantivos e muito mal junto aos outros dois.
Vejo montes de gente a reclamar contra o Acordo Ortográfico, no Facebook (por exemplo), mas até nessas publicações cometem erros de palmatória. Eu também sou do contra, mas confiro cada palavra, antes de publicar seja o que for (também já vi escrito "seja o que seja") para evitar que me apontem o dedo. Penso sempre naquilo que se costuma dizer sobre apontar o dedo a alguém, 3 dedos ficam a apontar o autor do gesto.
Portanto, meus amigos, ouçam a notícia, tirem dela as devidas ilações, aprendam a lição de vida que essa notícia vos proporciona ou sofram-lhe as consequências, se for impossível evitá-las.
Em PORTUGUÊS nos entendemos!
