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terça-feira, 22 de março de 2022

Há greve na mina!

 


A minha atenção foi atraída por uma notícia que dava conta de um pré-aviso de greve nas Minas da Panasqueira. Muito tenho ouvido falar dessas minas - devo ter fixado o nome devido à ligação do nome aos panascas que estão no top da moda em Portugal - mas nem imaginava o que eram, onde ficavam e o que extraíam da terra.

Fui perguntara ao Sr. Sabe Tudo (Google) e fiquei a saber que se situam perto do Fundão, mas ainda no concelho da Covilhã, nas margens do Rio Zêzere, o tal que enche a Barragem do Castelo do Bode e dá de beber a Lisboa. E muitas outras coisas que, se calhar, pouco interessarão a quem ler estas linhas que escrevo sem destinatário preciso.

Olhando para o pedaço de mapa (acima) que copiei para vos sintonizar comigo, vejo estradas e lugares por onde andei, durante os meus mais de 30 anos ligados à indústria têxtil e de confecções. A Serra da Estrela que tantas vezes tive que atravessar e outra não consegui, tendo que ir dar a volta por Unhais da Serra ou pela Guarda, somando muitos quilómetros a uma viagem já longa e cansativa, é o centro de tudo. O Rio Zêzere que nasce na encosta nascente e corre para norte, até à vila de Manteigas e depois guina para sul, indo ao encontro do Tejo, em que desagua.

Hoje há auto estradas que nos levam até lá em pouco tempo, mas quando entrei nessa vida, eram seis horas de condução difícil para ir de Vila do Conde até à Covilhã. Antes da construção do IP5 que ligava Aveiro à fronteira de Vilar Formoso, subir a Estrela, em direcção à Guarda, atrás de fumarentos camiões à velocidade de tartaruga, era um teste à paciência humana. Mas se estivesse mau tempo, ou houvesse neve na serra, o remédio era fazer cara alegre e andar para a frente. E havendo grandes nevões até esta via ficava cortada também, era necessário arranjar dormida do lado de cá e esperar que os limpa-neves abrissem o caminho.

Tortozendo, uma das vilas mais industrializada daquelas bandas que fica a meio caminho entre a Covilhã e as referidas minas da Panasqueira, ainda a conheci em pleno funcionamento, mas logo sobreveio o 25 de Abril, de má memória para a Indústria Têxtil, que afundou a maioria das empresas e a transformou na capital do desemprego da Beira Interior. Mais de 50% da população vivia das fábricas do têxtil e sem elas ficaram sem o pão-nosso-de-cada-dia.

E aquela estrada que circunda a serra, pelo lado sul, são 75 quilómetros de puro prazer. Demorava uma hora certinha a fazer o caminho até Seia, mas era preciso manter o pé sempre na tábua e os travões afinadinhos. Quando tinha uma hora de folga nos meus horários atribulados, era essa a estrada que escolhia para regressar ao mundo civilizado do Litoral Norte. No Alto das Pedras Lavradas, onde dizia que iria passar a nova autoestrada a ligar Coimbra ao Fundão, mas nunca passou de um sonho, podia seguir a direcção de Coimbra, em vez de seguir para Seia. Tudo dependia de ter ou não algo que fazer em Seia. Alvôco da Serra, Vasco Esteves, Valezim, antes de chegar à terra do socialista Almeida Santos que foi advogado e homem rico, em Lourenço Marques, antes da Guerra Colonial, e depois S. Romão, já na planície da Beira Alta. Pelo caminho podia parar para mercadejar uns queijinhos da serra ou trazer meio cabrito para o almoço de domingo.

Pernoitei muitas vezes no Fundão, terra do nosso conhecido socialista Guterres (que há quem acuse de ter começado a esbanjar o dinheiro dos fundos europeus que vieram para Portugal e nunca serviram para os fins em questão) e deixei lá alguns amigos que nunca mais vi. A última vez que por ali andei já foi há 9 anos, em 2013, passei pela festa da Cereja (que não comprei, pois são mais baratas aqui na minha terra), regressei pela serra, Pendas da Saúde, Torre até Seia.

Vem aí o tempo bom, se tiverem tempo disponível e euros para o gasóleo, vão até lá que vale a pena. Pelas vistas, pela gastronomia, vinhos, queijos, etc., verão que não se arrependem"

sábado, 4 de setembro de 2021

Vem aí o Outono!

 O Inverno é um gelo! O Verão é uma seca! A Primavera e o Outono é que são as estações da minha preferência. A primeira porque empurra o Inverno para longe de nós e nos presenteia com lindas flores e a segunda porque é um espectáculo de cores que a natureza nos oferece na despedida do Verão.

Hoje encontrei alguém que disse, perentoriamente, que o Outono é a sua estação preferida e eu estou pronto a concordar com isso. Agora não tanto, mas quando era mais novo gostava de conduzir por lugares ermos, com muita natureza e pouco trânsito. Vocês nem imaginam as maluqueiras que eu fiz por causa disso e vou contar-vos um desses episódios, deixando a classificação do meu acto ao vosso critério.

Na Serra da Estrela há dois lugares de referência, um em que eu passava muitas vezes e outro em que era raro eu passar. O primeiro chama-se Penhas da Saúde:


O segundo chama-se Penhas Douradas e fica um pouco mais para noroeste e num ponto, ligeiramente, mais alto. É aí que está uma estação meteorológica e no inverno é também muito bonito com a neve.


Quando ia para aqueles lados, as viagens eram longas e a horas pouco próprias (muitas vezes de noite) para apreciar a natureza. Mas houve um dia em que ia a caminho da serra e lembrei-me da beleza rara que é a estrada que desce das Penhas Douradas para Manteigas, durante a estação Outonal. Saí da estrada que segue para a Guarda (antigo IP5) e rumei a Gouveia, lugar de onde se sobe para as Penhas Douradas. Tinha planeado ir jantar à Covilhã, mas tanto podia ser aí como em Manteigas ou Belmonte. Tinha ainda duas ou três horas antes de o sol se despedir e daria tempo para fazer esse desvio e admirar a beleza da floresta serrana, em princípios de Outubro. O caminho habitual era por Seia, subir à Torre e descer, pelas Penhas da Saúde, até à Covilhã. Era o mais rápido e sempre escolhido, quando não havia neve na serra, mas nesse dia ia ser diferente.


Eu não seu dizer-vos os nomes das árvores que vão desfilando na beira da estrada, mas há-as com folhas de todas as cores. Nem das cores conheço os nomes, elas são cor de ouro, de ferrugem ou de vinho e muitas em vários tons de castanho. A estrada é sempre a descer e convém ir com cuidado para evitar algum acidente. São talvez uns 15 a 20 minutos em que é difícil tirar os olhos da natureza. Melhor seria arranjar alguém para tomar conta do volante e sentar-me no lugar do pendura para gozar o espectáculo como ele merece, mas infelizmente seguia sempre sozinho nessas viagens.

Se se sentirem entusiasmados, como eu, com esta festa da natureza já sabem, apanhem a A25, a caminho da Guarda, saiam em direcção a Mangualde e depois Gouveia, subam até às Penhas Douradas e desçam, depois, em direcção a Manteigas. Durante os meses de Outubro e Novembro, na Serra da Estrela, a natureza oferece-nos um espectáculo imperdível.