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sábado, 7 de março de 2026

Eu e as maçãs!

 Ou as maçãs e eu!

Dito ou escrito de uma maneira ou de outra, a minha ligação às maças nasceu comigo e comigo morrerá, logo que eu deixe de respirar. Eu nasci numa Macieira (freguesia) e comi maçãs desde que me lembro de ser gente. Havia, na aldeia onde nasci, variedade de maçãs que nunca encontrei em mais parte nenhuma, nem nas árvores em que elas amadurecem, nem tão pouco nas montras ou escaparates das lojas que as comercializam.

Havia as "maçãs de rosa", a maçã mais temporã e doce que já me desceu pela goela. Havia as "peneireiras" que eram tão ordinárias que apenas serviam para atirar contra algo ou alguém, como se de uma pedra de tratasse. E havia as "durazes" que eram as predilectas da mosca da fruta. Estas nasciam aos montes, como as cerejas, e começavam a cair ainda antes de atingir a metade do seu crescimento. Nasciam verdinhas, como todas as outras e começavam a amarelecer, ora por força dos bichinhos que viviam no seu interior, ora pela normal maturação.

E as maçãs de S. Tiago? E as de 3 ao prato? E as de pero limão? E as doces? Eram tantas variedades que nem de todas me conseguirei lembrar agora, depois de tantos anos terem passado. Nada de Starkings ou Jonagoreds ou Pink Lady ou até Fugi, como se vê agora em qualquer frutaria. Havia todas aquelas de que já falei e ainda as pardas, ou mulatas, ou reinetas, como agora são mais conhecidas. Por falar nisso, ontem visitei um horto/viveiro e de lá trouxe uma dessas macieiras para plantar na minha horta.

A macieira que dava as maçãs de rosa era uma árvore normalíssima que requeria algum cuidado e uma poda ajustada ao seu desenvolvimento. A das peneireiras era uma árvore de crescimento rápido e atingia uma altura e tamanho de copa acima do normal. Os lavradores gostavam muito delas para apoiarem as suas ramadas de videiras e por isso havia muitas espalhados pelos campos da vizinhança. A das maçãs durazes era uma árvore esquisita, crescia muito mal, deitava rebentos curtos e cheios de mazelas e havia poucos que as mantinham de pé. Uma aqui, outra ali que escapavam ao machado do lavrador e eu sabia da localização de cada uma delas, pois eram as primeiras maçãs em que se podia ferrar o dente, antes da chegada do verão.

Fiel àquele ditado (inglês) que garante que «An apple a day keeps the doctor away», eu tenho sempre maças em casa, ainda ontem passei pela loja em que costumo abastecer-me e trouxe mais duas caixas delas (cerca de 16 kilos). E até o meu "fiel amigo", o negro Nero, não dispensa uma que tenho que descascar-lhe e metê-la na boca, cortada aos bocadinhos. Já tentei que a levasse inteira, com casca e tudo para a roer à sua vontade, mas não aceita a minha oferta.

Como já devem ter percebido, eu sou um macieirense que come maçãs que nem um porco-espinho. Já plantei muitas macieiras na minha horta, mas não me sai nada de jeito, a variedade da fruta não sai nada daquilo que me prometeram, aquando da compra e muitas me têm secado sem eu perceber a razão. Ontem trouxe a reineta, logo que desligue esta maquineta, vou plantá-la e espero que desenvolva rápido, pois já não tenho muito tempo de vida para saborear os seus frutos! 

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Vermelhas são as maçãs!



A Maçã de Alcobaça inclui diferentes variedades de maçã, sendo elas a variedade Casa Nova, Golden Delicious, Red Delicious, Royal Gala, Fuji, Granny smith, Jonagold, Reineta e Pink.



Maçã é assunto que para mim é sagrado. Vi, hoje, nas notícias que começou a colheita das maçãs, na zona mais famosa, onde elas se produzem, Alcobaça. Dizem que as variedades desta maçã são 9 e, na lista acima, a Starking está a faltar. Será que essa variedade não é de Alcobaça? Ou mudaram-lhe o nome?
E disse o produtor que serão um pouco mais caras que no ano passado para recuperar os prejuízos do ano passado, motivados pelo aumento astronómico dos produtos químicos utilizados na cultura. Não são boas notícias para mim que gosto tanto de maçãs. Eu sigo, religiosamente, o conselho do médico inglês que afirmou "An apple a day keeps the doctor away" (uma maçã por dia mantêm o médico longe de nós).
Vermelha é também a cor do Benfica, mas não quero pensar nisso, hoje. Começar a época com uma derrota dói demais!

sábado, 21 de janeiro de 2023

Três-ao-prato!

As maçãs do Minho têm nomes tão particulares como Porta da loja (porventura a mais conhecida e com mais potencialidades económicas), Pipo de Basto, Três ao prato, Sangue de boi, Victória, Camoesa, Malápio, maçã dos Namorados, Beijo da rainha, maçã da Boa vontade, Abadia, entre muitos outros. Junto com as designações populares trazem histórias e lendas. A maçã Três ao prato deve o nome ao tamanho, grande ao ponto de três maçãs encherem um prato. A maçã Camoesa (há a de Coura, do Biribau, Rosa, Verde, Fina e outras mais) era apanhada em setembro ainda verde e colocada a amadurecer no cimo dos armários, perfumando o interior das casas. Há a maçã da Abadia, que amadurece em agosto, por altura da Nossa Senhora da Abadia.


PRATO é uma palavra portuguesa composta por 3 consoantes das mais utilizadas e 2 vogais que são, com certeza, as mais usadas da nossa Língua. Quase todas as palavras femininas terminam em A e as masculinas em O, o que só por si já nos dá uma ideia da quantidade de vezes que são usadas.
Esta palavra é usada em muitas situações e tem significados diferentes, conforme o caso. Prato pode ser uma peça de loiça ou o nome de uma iguaria. Ou o prato de uma balança ou de um gira-discos. Como podem ver na notícia que transcrevo acima, até há maçãs (no Minho) que têm essa palavra no seu nome.
Hoje tinha decidido escrever sobre PRATO e isto seria uma espécie de introdução da minha publicação. Como não sou adepto de textos muito compridos (que fazem alguns leitores desistirem antes de terminar a leitura), optei por separar a coisa em duas partes, hoje levam com esta das maçãs que havia na aldeia minhota em que eu nasci e amanhã trago-vos o resto!

P.S. - O Benfica ganhou e o regressado Gonçalo Guedes até marcou um golo, mas hoje prefiro deixar o futebol de lado!

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Que ricas maçãs!

Hoje a conversa é sobre maçãs, a minha fruta preferida. A «Red Delicious» é a melhor de todas, na minha opinião.

Os norte-americanos produziam-na às toneladas, mas começaram a reduzir a sua produção, pois começou a dizer-se que os consumidores não apreciavam a cor vermelha da maçã. Mas, como a globalização fez da China o maior cliente do mundo, não se pode perder uma oportunidade de negócio e toca a aumentar de novo a produção para exportar para a China.

"O vermelho, na China, durante centenas e centenas de anos, se não milhares, tem sido uma cor extremamente importante. Simboliza sorte, saúde, felicidade. Leva todos estes significados culturais consigo. E os frutos vermelhos fazem muito bem", diz David Smith, importador de Shanghai.
A maçã Red Delicious surgiu na década de 70 do século XIX, no Iowa. Começou por ser fruto de uma árvore teimosa, que o agricultou Jesse Hiatt tentou arrancar. Mas teve de se render: quando a maçã vingou, viu que era deliciosa.
Na década de 80 do século seguinte esta qualidade atingiu os 75% no top das maçãs produzidas em Washington. Actualmente, tudo mudou e começa a haver um decréscimo na produção. Mas não há motivo para temer o desaparecimento das emblemáticas maçãs: afinal, o mercado chinês descobriu-as mesmo a tempo.


Há outra maçã, muito vendida em Portugal, parecida com a Red Delicious, a Starking, mas não tem comparação com aquela. Para os compradores mais distraidos, chamo a atenção para dois pormenores que facilmente servirão para as diferenciar. A Red Delicious é redondinha e de cor mais clara, enquanto que a Starking é mais comprida, mais larga no pé e mais estreita em cima, e a sua cor é mais escura.
Depois desta, há mais duas maçãs que são do meu agrado. Em primeiro a Golden, muito doce e macia e, em segundo, a raineta pelo seu paladar e acidez. Mas, de um modo geral, eu trinco qualquer maçã que passe ao meu alcance. Fico a pensar que as coisas boas, maçãs e mulheres, começam todas por "M".
Nunca esquecer o conselho daquele médico inglês que diz:
- An apple a day keeps the doctor away! (Uma maçã por dia e não precisa de médico).