Desde os bancos da Escola Primária que eu não ouvia falar no rio Ocreza, afluente do Tejo pela margem direita. Pois, voltei a ouvir ontem, da boca de um Sr. Engenheiro que tem a ver com a água que corre (ou corria) por esses rios de Portugal e é armazenada nas muitas barragens que temos espalhadas por todo o país. Temos muitas, mas não são ainda suficientes, segundo afirma este senhor. Os espanhóis acusam-nos de deixarmos seguir pelos rios abaixo, até ao mar, a água que nos faz falta e segundo ele têm alguma razão. Se não a soubermos guardar quando ela sobra, não a teremos quando nos faz falta.
Segundo ele esteve a contar - e eu a ouvir com toda a atenção - há muito está planeada uma nova barragem na bacia do Ocreza, antes de este despejar toda aquela água que escorre desde a serra da Gardunha, no caudal do rio Tejo. Ele afirma que existem condições para termos ali uma albufeira com a mesma capacidade que a do Alqueva. A coisa parece ser séria e quando assim é merece ser estudada.
Aliás, ele diz mais, afirma que já existe o projecto, que já foi discutido, mas não saiu do papel. Pergunto-me se será mais um dos pecados do Zé Pinóquio que preferiu investir no alcatrão, exactamente na mesma zona de Portugal, deixando a barragem esquecida no papel.
Alvito da Beira é uma pequena aldeia do concelho de Proença-a-Nova, perdida no meio do Pinhal do Interior e situada nas margens do pequeno rio que, em certos compêndios é até tratado por ribeira. Pergunto-me o que mudaria na vida daquela gente se o projecto da barragem for por diante.
Se no inverno escorrem pela serra abaixo milhões de metros cúbicos de água e ela nos faz falta - como se pode ver agora em Viseu - acho bem que ponham mãos à obra e muito rápido, pois não sabemos quantos invernos teremos ainda com chuva. Dêem razão aos espanhóis, segurem-na antes que ela escorra para o Atlântico que já tem água a mais com o gelo que se vai derretendo nos polos.
Já estou a olhar para esta imagem e a ver a água a subir, quando vierem as primeiras chuvas deste inverno. E a chorar por cada litro que se perde seguindo viagem em direcção ao Tejo que é já ali abaixo.
Desde a nascente, na Gardunha, até à confluência com o rio Tejo, há muitos lugares bonitos que podem ser apreciados. Com o novo espelho de água criado pela futura albufeira haverá muitos mais. É claro que serão precisos alguns sacrifícios, algumas coisas de que gostamos vão ficar debaixo de água, mas é o preço que teremos a pagar para não termos falta dela. É a tal história de optar pelo mal menor!









