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domingo, 30 de novembro de 2025

Celina, a ruiva!

 Já que as minhas últimas matérias não vos têm levado a escrever qualquer tipo de comentário, vou voltar ao assunto "namoradas" que tem andado esquecido.


A Celina não foi, propriamente, uma namorada, foi antes uma paixoneta de adolescente. Aos 16 anos, com as hormonas todas aos saltos, qualquer figura de mulher mais atraente nos obrigaria a dizer aquilo que eu disse, na altura: - que espectáculo de mulher, é assim que eu quero uma namorada!

Terminei os exames do 5º Ano do Curso dos Liceus, em Julho de 1960, na cidade onde hoje resido, e rumei à minha terra natal para gozar as férias grandes. Depois de um ano escolar muito exigente e num meio a que não estava habituado, eu precisava mesmo de umas férias para descansar o cérebro e preparar-me para um futuro ainda desconhecido, pois o meu pai já me avisara que não tinha condições financeiras para eu continuar a estudar.

A minha mãe era costureira e dirigia um atelier de costura em que havia uma meia dúzia de empregadas, entre ajudantes e aprendizas. Ela fazia a feira de Barcelos, a cada quinta-feira, e quando não tinha roupa para fazer por encomenda trabalhava para a feira, ou seja, fazia uma meia-dúzia de vários artigos que costumava vender com facilidade. Aventais, algibeiras e sacas com uma fita de correr para as fechar e uns berloques pendurados nos cantos eram artigos que tinham sempre saída.

As ajudantes eram antigas aprendizas que ainda não tinham conseguido reunir uma freguesia que lhe pagasse as sopas e vinham ajudar a minha mãe, meio por favor e meio para receber um magro ordenado que a minha mãe podia pagar. Algumas até apareciam às quartas feiras, sem serem convidadas, para dar alguma ajuda de última hora na preparação dos artigos para a feira do dia seguinte, ou para afiar a língua, simplesmente.

Nesse longínquo mês de Julho de 1960, quando entrei na sala de costura da minha mãe, caíram-me os olhos numa ruiva de grande cabeleira cacheada que, de perna traçada, como costumam trabalhar as costureiras, se ocupava de chulear umas quantas peças que tinham vindo das máquinas de costura. A minha mãe, habitualmente, só cortava e nas máquinas trabalhavam as ajudantes ou aprendizas mais adiantadas. Para as outras ficavam as operações de chulear, rematar e pregar botões, molas ou colchetes.

Fiquei de olho na ruiva e uns dias depois acompanhei-a num recado que a minha mãe a mandou fazer a casa de uma cliente que não morava longe. É sabido que os homens, quando vêem uma mulher, fixam os olhos no pormenor (ou pormaior) que mais ressalte à vista. No caso da Celina, depois da cabeleira que parecia a juba de um leão (as leoas não tem juba!), era a exuberante peitaça que espreitava através da pequena abertura da sua blusa, ou se podia adivinhar dentro dela.

Ela deveria ser 2 anos mais velha que eu e nunca tive a mais leve esperança de me agarrar a ela e testar a firmeza das suas "maminhas", mas acompanhei-a sempre que pude, naquele inesquecível verão que foi o último da minha vida em liberdade plena. E sonhava com ela todos os dias e com a possibilidade de arranjar um emprego (nessa altura sonhava ser bancário ou empregado das Finanças) que me permitisse pedi-la em namoro e depois em casamento.

Foi um sonho que durou pouco, ao fim de 3 meses a minha mãe dispensou toda a gente, encerrou o atelier para seguir o meu pai que tinha, finalmente, arranjado um emprego fixo, com salário mensal e abono de família para os filhos, na cidade grande. Adeus vida de aldeia minhota e convivência (sã e simples) com gente que vivia da lavoura. Semear e colher milho e tratar de videiras para uma boa colheita de vinho que eram as duas bases da vida daquela gente.

Com o fecho do atelier deixei de ver a Celina e depois a viagem até Vila do Conde apagou-lhe o rasto que ainda pudesse persistir na minha cabeça. Uma vez ou outra ainda pensei em viajar até à freguesia onde ela morava e fazer-me encontrado com ela, mas os meios de transporte à minha disposição eram poucos e acabou por nunca acontecer.

Nunca mais via a Celina! Dois anos depois já tinha jurado bandeira, na Marinha, e estava a ponto de seguir para a África para defender as cores da nossa bandeira e as terras a que chamávamos nossas. Angola é nossa, Angola é nossa, cantava-se nessa altura e os terroristas negros tinham feito misérias, em Angola, no ano anterior. Por sorte, calhou-me ser destacado para Moçambique, onde a guerra começaria, apenas, no último trimestre de 1964.

Nessa data, já a minha «Companhia de Fuzileiros» estava pronta para regressar a Lisboa, mas o estourar da guerra, no norte da província, fez adiar o meu regresso. Só em fins de Março do ano seguinte recebemos ordem para regressar, mas isso é outra história e a Celina, a ruiva de formas provocantes, não fez parte dela! 

sábado, 12 de julho de 2025

Uma namorada de verão!

 


Corria o ano de 1965. Eu tinha acabado de completar 21 anos e era, por conseguinte, maior e vacinado. Estava na Escola de Fuzileiros e frequentava o Curso de 1º Grau para ficar apto à promoção a Marinheiro (posto) e ingressar no quadro da minha classe.

Já tinha dado umas voltas por Palhais, Santo António da Charneca e até pelo Barreiro tentando "catrapiscar" uma miúda que quisesse namorar comigo. O namoro é o estado que antecede o noivado, a que se seguirá o casamento se a relação se tornar séria e prometer um bom futuro, mas não era bem isso que eu tinha na ideia, quando dei essas voltas. O que eu procurava era uma companhia para o tempo morto que eu não sabia se duraria muito ou pouco.

O país estava em guerra e a Escola de Fuzileiros era uma fábrica de combatentes que, nessa altura, formava cerca de 2.000 por ano que seguiam para África, repartidos pelos 3 teatros de guerra, logo que terminavam a formação. Havia ainda os que já lá tinham estado e regressaram para continuar e aperfeiçoar a sua formação, como era o meu caso.

Nessa situação, um jovem de 21 anos não fazia a mínima ideia de qual seria o seu futuro e não podia, por essa razão, assumir grandes compromissos naquilo que a namoros respeita. Mas, não dando muita atenção a isso, eu continuei as minhas "pesquisas" e um certo dia conheci a Filomena. Ela era uma miúda engraçada, tinha uma voz rouca e apenas 17 anos de idade.

Ela trabalhava no Barreiro e um dia fui esperá-la, à paragem da camioneta da carreira que a trazia até Palhais. Acompanhei-a a casa e conheci a família (pai, mãe, irmão e duas irmãs) e não fiquei muito entusiasmado pelo que vi. Mas como um cabeça no ar com apenas 21 anos de idade, eu não dei muito valor a isso e "siga para bingo".

Num dos encontros seguintes, começava a ser tempo de trocarmos uns beijos, achei por bem perguntar-lhe se queria namorar comigo. Ela olhou para mim com cara de assustada e desatou a chorar. Muitos anos depois, eu aprendi que as lágrimas de uma mulher são um meio para quem as derrama obter o que quer, mas nessa altura eu ainda vivia no mundo da inocência e nem fazia ideia que isso pudesse acontecer no mundo real.

E ainda hoje, ao pensar nisso, acredito que a Filomena pensava que depois da confissão que estava prestes a fazer-me, eu viraria as costas e nunca mais lhe apareceria pela frente. Então, porque choras, perguntei eu enxugando-lhe as lágrimas? Porque eu estou desonrada e tu não vais querer namorar comigo, assim!

Porque não, disse eu armado em forte. Queres contar-me o que aconteceu, tens algum compromisso com o homem que te fez isso? Quando aconteceu isso, tu és ainda uma criança? Ela continuava a chorar e levei aquilo à conta do desapontamento que sentira ao ver que o responsável pelo acto não se interessara mais por ela. E se ainda pensava nele, o nosso namoro não prometia grande futuro.

Mas não, não era nada disso, ela nem conhecia o "cara" de lado nenhum. E então contou-me uma história que envolvia a irmã dela, mais velha 3 ou 4 anos, que andava de namorico com um camarada fuzileiro. Aquilo era muito mais que namorico, cada vez que se encontravam havia sexo a sério. E ela precisava da irmã para a encobrir aos olhos do pai e da mãe.

Antigamente era assim mesmo, não deixando a pecadora sozinha, havia menos hipóteses de ela cair em tentação. Vou passear com a mana, dizia ela à mãe, e lá partiam as duas para ela se encontrar com o seu fuzileiro. Suponho que já combinado com a namorada, ele, um certo dia, apareceu com um camarada que deveria emparelhar com a Filomena que nunca tinha namorado com ninguém.

Já não recordo se foi no primeiro encontro ou num dos seguintes, a irmã aconselhou-a a avançar para coisas mais sérias (???) que era para prender o namorado. Estavam elas de visita a uma irmã mais velha (só pelo lado da mãe) que vivia em frente da Escola de Fuzileiros, à entrada da Mata da Machada que era uma espécie de campo de treinos dos fuzileiros. A irmã andava na lide dela e os quatro namorados foram-se afastando, lá para o fundo do quintal.

E foi nesse dia que tudo aconteceu, o fuzileiro avançava e a irmã piscava-lhe o olho, como que a dizer que lhe abrisse as portas, ao mesmo tempo que ela com o seu namorado já iam a meio do assunto que ali os levara. Faz como eu, parecia ela dizer à irmã, vês como meu namorado gosta de mim e nunca me larga?

Coitada da Filomena, no meio de um mar de lágrimas e beijos foi desonrada para gáudio da irmã que depois lhe segredou, "isto é um segredo só nosso, não contes a ninguém que eu também faço o mesmo". E depois daquele episódio, muitas vezes a ameaçou de contar tudo à mãe, quando tinham uma qualquer desavença. A irmã andava à rédea solta, ia aos bailes ou ao cinema, à noite, ao Barreiro e por aí fora. A Filomena garantiu-me que nunca mais se encontrou com o vilão que a tinha desonrado, mas eu fiquei sempre na dúvida se isso seria verdade.

Confesso que não tinha a mínima ideia de regressar a Moçambique, mas acabado o curso começou a falar-se do nosso futuro e alguns amigos vieram ter comigo e dizer-me que nós seríamos incorporados numa nova Companhia que estava a formar-se para ir para Moçambique, ou numa outra que seria formada a seguir e iria para a Guiné. Haveria sempre alguém que não iria para lado nenhum e muitos camaradas meus da CF2 meteram o requerimento para passar à disponibilidade e conseguiram que fosse aprovado.

Eu, no entanto, pensava seguir na Marinha e não queria ir bater com os ossos na Guiné, portanto segui o conselho do Valter que era o mais interessado em regressar para os braços d namorada que deixara em Lourenço Marques, e ofereci-me como voluntário para a Companhia 8. Comigo e com o Valter seguiram cerca de 20 elementos da antiga CF2 e, no fim de Outubro, já estávamos, de novo, na mesma caserna do Aquartelamento da Machava de onde saíramos em Março.

 E a Filomena, perguntarão vocês? Foi bom enquanto durou, respondo eu, e não durou muito. Quando chegou a hora da partida, preferi não lhe contar nada nem ficar preso a um namoro por correspondência. Achei que ela me esqueceria depressa e teria ainda tempo de encontrar um homem bom que a fizesse feliz. Quando eu regressasse de Moçambique, se regressasse, logo veria se havia uma hipótese de reatar com ela.

Mas isso não aconteceu, pois ela, entretanto, casara com um camarada fuzileiro. Nunca cheguei a descobrir se era o tal ou outro qualquer. Soube que ela teve um filho, logo no primeiro ano do casamento, e ainda houve quem afirmasse que o pai era eu! Talvez devesse, mas nunca quis tirar isso a limpo!

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Podia ser pior!

 

14 Obras da Misericórdia

As 14 Obras da Misericórdia

Obras Corporais:
1ª Dar de comer a quem tem fome;
2ª Dar de beber a quem tem sede;
3ª Vestir os nús;
4ª Dar pousada aos peregrinos;
5ª Assistir aos enfermos;
6ª Visitar os presos;
7ª Enterrar os mortos.

Obras Espirituais:
1ª Dar bons conselhos;
2ª Ensinar os ignorantes
3ª Corrigir os que erram;
4ª Consolar os tristes;
5ª Perdoar as injúrias;
6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;
7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos..

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Transcrevi da internet o texto acima e preferi deixá-lo tal como veio sem o reformatar, como faço a tudo.

Hoje acordei a pensar na minha namorada Isabel, a quem tratava por Belita, que por ordem alfabética foi a minha segunda namorada, depois da Alda que passou na minha vida como um foguete. Nem sei como me lembro dela de tal forma o romance foi rápido e sem muito contacto físico, como já vos contei.

A Belita foi diferente, muito diferente! Conheci-a antes de ter feito 20 anos e ela levava-me uns bons 5 de avanço, ou seja, onde eu era ainda um aprendiz que procurava aplicar-me a sério em todas as matérias, ela era uma professora que sabia despertar o interesse do aluno pela matéria, cujo ensino tinha a seu cargo.

Se houve uma namorada que teve impacto na minha vida foi ela. Perita em observar a religião católica nos seus mais insignificantes pormenores, ela praticou comigo as obras de misericórdia, para ganhar o direito ao paraíso. Não sei nada dela há muitos anos, a última vez que me deram notícias (por altura da crise dos retornados de África) dela, soube que morava em Londres.

Eram ainda tempos do Apartheid, na África do Sul, e sendo ela mulata não sei como foi inserida na sociedade inglesa. Ela era professora de profissão e pode ter arranjado uma colocação nessa área, mas conhecendo os britânicos e o sentimento que nutriam pelos negros da África do Sul tenho as minhas dúvidas. Talvez em alguma escola particular destinada aos súbditos da rainha Elizabeth com a pele mais escura.

Mas isso agora não interessa nada, eu já era casado e pai de filhos, quando essa notícia chegou até mim, e não ia pôr-me à procura dela para reatar o romance, há tantos anos interrompido pelo meu regresso à Metrópole. Ela tinha seguido à risca o que reza o catecismo, no caso das Obras de Misericórdia - Corporais.

Logo no nosso primeiro encontro ela cumpriu a primeira - dar de comer a quem tem fome e no nosso último encontro, em Fevereiro de 1968, foi a sexta a ser cumprida - visitar os presos. É verdade, o maldito 2º Comandante da CF8 tanto tentou que conseguiu engavetar-me durante 15 dias, nas vésperas de regressarmos a penates, depois de cumprida a minha segunda comissão de serviço, em Moçambique.

Estava eu atrás das grades, quando a Belita chegou a Lourenço Marques. Eu já tinha gizado um plano para estar com ela durante essas férias de Carnaval. Aproveitando a coincidência de estar de Cabo de Quarto (serviço prestado na Marinha por um cabo que fica responsável por tudo que acontece na Unidade, entre as 8 da noite a as 8 da manhã) o meu amigo Enteiriço, alentejano de boa índole que o Criador já levou para junto dele, há mais de uma dúzia de anos, pus o meu plano em execução.

Escrevi uma carta à Belita e dei-a ao Enteiriço para ele a levar à cidade e entregar à destinatária. Ele tinha um carro comprado em 4ª ou 5ª mão que não era nenhuma máquina, mas servia para o efeito. Ele estava de serviço e teria que arranjar um camarada que o substituísse enquanto ia cumprir a missão. Ele não entendia uma única palavra de inglês e tudo teria que ser feito na base da mímica.

Hora do recolher na caserna, já tudo dormia e os sargentos e oficiais estavam recolhidos nas suas messes, onde funcionava o ar condicionado, 24 horas por dia, e um uísquesito com 3 pedras de gelo na mão, se não tivessem já decidido esticar-se ao comprido e entregar-se nos braços de Morfeu. Era hora de o alentejano-amigo entrar em acção. Últimas recomendações para que nada falhasse e carta na mão para que ele tivesse bem presente a missão a cumprir.

Ele conhecia a miúda pessoalmente e só tinha que ir à residencial, em que ela ficaria durante a semana de férias, e dizer "letter from Carlos", como bom papagaio treinado por mim. Na carta eu dizia que ela podia confiar no Enteiriço como se fosse eu próprio e que deveria segui-lo, pois ele a traria até mim.

E assim foi, correu tudo tão bem que, muitos anos depois, o Enteiriço ainda me dizia, "ela leu a carta e 5 minutos depois já rolávamos a caminho da Machava" e ainda " eu nunca acreditei que ela viesse e fiquei pasmo, quando ela saiu pela porta fora agarrada no meu braço". Aquilo parecia um filme ao jeito do 007 que estava em voga naquele tempo.

Ele retomou o lugar do camarada que o substituíra e foi buscar a miúda que ele, por gestos, mandara ficar quietinha e caladinha, dentro do carro. Meteu a chave na porta da prisão, abriu-a e enfiou a miúda lá dentro à pressa, antes que alguém o visse. Chave rodada em sentido inverso e lá foi ele para o seu retiro, sempre de pistola Walther no coldre que lhe garantia a autoridade inerente ao cargo que desempenhava.

Três ou quatro horas depois, a viagem em sentido inverso. a Belita com o coração aos saltos, seja pelo acontecido nas últimas horas, dentro daquela prisão, ou por medo de ser apanhada em infração e ficar também ela presa e entregue às autoridades de um país que não era o seu. Mas tudo correu conforme planeado e ela acordou na sua caminha na manhã seguinte.

Antes do regresso à Cidade do Cabo, ainda colocou uma carta no correio que eu recebi antes de ela chegar ao seu destino. E foi a última vez que a vi, de lá para cá ela vive apenas nas minhas recordações! Onde quer que estejas, Belita, be happy!!!

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Outra mal sucedida!

 Não querendo (ainda) falar do Benfica que continua a tremer como um junco ao vento, vou insistir no assunto das namoradas. É o que me resta, falar nisso, já que todo o resto me está vedado.


A Alda foi a primeira, por ordem alfabética, enquanto que a Verónica, que os mais chegados tratavam por Vonnie, foi a última. As últimas letras do alfabeto não me trouxeram qualquer namorada, todas se enciaxaram entre o A e o V da Vonnie que, hoje é a rainha do pedaço.

Foi a Isabel quem ma apresentou e foi ela que destronou a Isabel do trono que ocupava há anos e jugava seu por direito adquirido. A Isabel caiu por cansaço, assim a modos que um bacalhau à Brás que tantas vezes comido acabou por enjoar o comilão. Sou obrigado a confessar que uma ano depois, após o desaparecimento da Vonnie do terreno, voltei a reatar com a Isabel e guardo dela muito boas lembranças.

A Vonnie foi doença que me acometeu como um ataque de sarampo, surgiu de repente na minha vida, levou a minha temperatura a níveis nunca antes atingidos e passou à História como uma batalha perdida que não deixou grandes recordações. Devido ao afastamento físico, marinheiro nunca para muito tempo no mesmo porto, mantive correspondência com ela por algum tempo, mas dois polos muito afastados entre si raramente provocam faísca. E foi o que aconteceu, ela encontrou um rapaz decente que lhe propôs casamento que ela aceitou na hora.

Na primeira oportunidade em que a Isabel se voltou a encontrar comigo teve o cuidado de me desbobinar o filme completo do casamento, assim como do antes e depois para que eu fizesse um "erase" completo da mais remota memória que tivesse restado da pobre Verónica que passou por mim como estrela cadente, em noite de Agosto! 

terça-feira, 20 de agosto de 2024

Até logo!

 Deixo-vos aqui uma lembrança, enquanto vou para a rua tratar se uns assuntos inadiáveis!


Este sou eu, em pijama, quando perco o sono e venho para a sala de estar ler os vossos comentários e escrever os meus!

Tenho andado a pensar em contar-vos a história de todas as minhas namoradas, mas não sei como as senhoras, minhas fiéis seguidoras, iriam ver a minha iniciativa. De QQ modo, quer o venha a fazer ou não, teria que as listar em ordem alfabética e a primeira seria a ALDA.

Por piada foi o namoro mais curto de todos. Quando ela me escreveu uma carta a dizer que não tinha tempo para brincar, ou era para casar ou nada feito.

Engraçado pensar que apenas tinha saído uma vez com ela, na noite de S. João de Vila do Conde. Agradou-me o jeito da miúda e dei-lhe a minha direcção para me escrever, uma vez que seguiria para a Escola de Fuzileiros no dia seguinte.

E na primeira carta que escreveu, já nem me lembro se ela era boa de redacção ou nem por isso, veio-me com aquela conversa. Já foste, pensei eu com os meus botões, e nem respondi à sua carta. Poucos meses depois, já estava em Moçambique e as minhas preocupações nada tinham a ver com a Alda!

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Bis, segunda dose!

 


A receita do dia, ontem, deu mulher e, hoje, achei boa ideia repetir. Quando liguei a TV, esta manhã, estava a dar, na CMTV - ficou nesse canal, quando a desliguei, ontem à noite, depois de ver aquela desgraça de programa de futebol que eles fazem sem piada nenhuma - a história de uma estudante que foi violada na sua festa dos 18 anos. Mais que outra coisa, foi isso que serviu de percutor para o tiro de partida para a minha publicação desta sexta-feira, véspera de S. João.

Vem aí uma longa noite de festa, muita bebedeira e é natural que mais algumas mulheres sejam violadas se não se souberem proteger dos garanhões que estão sempre prontos para aproveitar uma oportunidade que se lhes ofereça. O S. João junta muitos milhares de jovens e posso garantir que os do sexo masculino pensam no sexo como a sua primeira prioridade. Portanto, já ficam avisadas as do outro sexo, o dito belo, que o melhor é jogarem à defesa.

Só falei nisso por causa do S. João que também é festa rija aqui no vizinho concelho de Vila do Conde. Eu moro na Póvoa, mas estou mesmo na fronteira, dou três passos e já estou em Vila do Conde, em consequência disso não posso alhear-me da festa. Mas o que eu vinha mesmo era falar de mulheres e é disso que se trata, a partir daqui.

Como homem, eu acordei para a vida aos 16 anos. A casa onde eu morava, num primeiro andar, tinha uma janela para a rua, onde o sol batia mal chegavam as dez da manhã. Costumava sentar-me ali com um livro na mão estudando a História de Portugal (que se dava no 5º Ano do Curso dos Liceus), a Geografia do mundo inteiro ou as Ciências Naturais - memorizando o nome das partes em que se divide uma planta ou uma flor - e, por vezes, nem para ele olhava. Mirava as raparigas que iam passando, umas mais novas, outras mais velhas, umas mais feias e outras mais bonitas e estas ia-as seguindo com os olhos até me desaparecerem da vista.

Em frente à minha janela, morava uma rapariga que se chamava Graça. Quando a via sair de casa, eu dava comigo a pensar se gostaria de, um dia, vir a namorar com ela. Ela usava óculos, tinha os cabelos pretos ligeiramente encaracoladas e não era uma daquelas mulheres que nos caem no goto à primeira vista. Dessa passei ao lado e ainda bem, pois ela está, hoje, viúva, meia cega e não se liga muito bem com o resto da família.

Terminada a época de exames, regressei à minha terra natal e logo me cruzei com a Maria que foi a minha iniciadora nas coisas do sexo, aquelas coisas que a gente com dez anos pensa, mas ainda não consegue executar, por desconhecimento e falta de preparação, além da necessária maturidade sexual, ainda não atingida. E logo me veio o pensamento: - poderá ser esta a minha primeira namorada? Acho que não, disse eu para mim mesmo e segui adiante.

A minha mãe tinha um atelier de costura com meia dúzia de aprendizas e os meus olhos caíram numa ruiva de cabelos ondulados, mulher capaz de encher o olho a qualquer homem e muito mais a mim que andava ainda à procura da minha primeira experiência. Andei de olho nela, durante alguns dias, ainda me fiz encontrado com ela na hora da saída, esperando uma oportunidade de a acompanhar até casa e explorar o terreno, mas ao fim de algumas tentativas abandonei o plano, pois ela era mais velha que eu uns bons 2 anos e nessa idade essa diferença nota-se muito..

Já nos meus tempos da 4ª Classe, eu tinha escolhido uma namorada, a Lurdes. Quando os outros rapazes perguntavam: - Quem é a tua namorada? Todos gostavam de ter um nome para dar e eu escolhi a Lurdes, porque não morava muito longe de mim e via-a todos os dias, quando ia ou vinha da escola. Lembro-me do Serafim, colega que emigrou para Angola, mal fez o exame da 4ª e lá ficou para sempre (morreu no ano passado e lá ficou enterrado, sem descendência) que um dia respondeu à tal pergunta da mesma maneira que eu. Ambos tínhamos escolhido a Lurdes e tivemos que disputá-la a soco para gáudio da turma inteira que assistiu à faena, do princípio ao fim.

Antes do fim desse ano, e antes de ter chegado aos 17 anos, voltei à Póvoa e dei com os olhos numa miúda magrela que eu costumava ver a passar debaixo da minha janela, mas que nunca atraíra a minha atenção. Como andava na tal fase de escolha, olhei para ela com os olhos e interessado e não me pareceu uma má escolha. Bonita ele era, rabina que baste e com umas maminhas que timidamente empurravam para cima a camisola que trazia vestida. Foi tiro e queda, terminaram ali os meus esforços na procura da mulher certa. Ainda dei umas voltas pelo mundo, passaram-se 7 anos, mas acabei por casar com ela e có nos vamos aturando um ao outro o melhor que podemos e sabemos.

Gostaram do filme? Ainda bem, visto que estou aqui para voa alegrar a vida e nunca vos viria chatear com uma história de arrancar lágrimas e soluços!