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sábado, 11 de fevereiro de 2023

Turquia sem terramotos!

 


Depois de tantos dias a ouvir falar na Turquia e na cidade de ADANA, resolvi escolher esse assunto para a minha publicação de hoje. Só fiz uma viagem à Turquia e depois de passar pelo aeroporto de Orly, em Paris, e pelo Ataturk, em Istambul, aterrei em Adana, terra que conhecia apenas de nome e pouco. Aí pegaram em mim e levaram-me de carro até Mersin, na costa, que me fez recordar a Póvoa.

Mas isso é assunto que merece mais algumas palavras para além desta introdução. Deixaram-me num hotel que devia ficar num destes prédios à beira-mar, pois, de manhã, quando acordei e abri a janela, foi esta a vista que tinha perante os meus olhos. Era noite, quando cheguei, já tinha passado a hora de jantar e fui até ao bar do hotel comer uma sandocha e beber uma "birra". Estava a ser transmitido um jogo de futebol com o Galatsaray e muita gente a assistir. Eu fui apenas mais um, um turista acidental.

Saí cedo do Porto para apanhar a ligação para Istambul, em Paris. Tinha comprado uns sapatos novos, bem bonitos por acaso, e no tempo gasto em Paris, a andar de um lado para o outro a fazer horas, já tinha os calos a arder. Sem conhecer os meandros do aeroporto francês e sem me ter preparado, só tarde e a más horas me apercebi que o meu voo sairia de outro terminal que não aquele em que me encontrava. Pus-me a caminho, sem saber o tempo que isso me levaria e, além de ter rebentado com os meus pés, quase perdia o avião. Num último esforço corri os últimos metros e cheguei mesmo a tempo de passar a porta de embarque, antes de esta ser fechada. Fui o último dos últimos a embarcar.

Claro que não vi nada de Adana, era noite quando aterrei e atravessei a cidade duas vezes, sempre de carro, no sábado de noite, a caminho de Mersin e na segunda-feira, de manhã, a caminho da fábrica têxtil, onde iria trabalhar todo o dia. Lembro-me de termos passado em Tarso (que fica no trajecto entre Mersin e Adana), terra de S. Paulo e o nosso condutor encarregou-se de nos contar as histórias que se contam a respeito do santo. E disse "nos", porque comigo ia um sueco que era o meu contacto entre a fábrica que fornecia o tecido e o cliente a quem se destinavam os fatos, milhares deles, que seriam confeccionados por nós, em Vila do Conde.

Gente importante, como eu era (bom cliente é sempre assim), tive direito a um almoço especial, com vários pratos, servido numa sala que a Direcção da empresa tinha reservada para esse fim e na companhia dos cabeças grandes que geriam o negócio. Quando me perguntaram se tinha alguma limitação no que se refere aos alimentos ingeridos, em terras de outra religião é preciso cuidado, disse-lhes que podiam estar à vontade, o que visse marchava. Como já tinha estado na Índia, no ano anterior, já estava à espera disso e correu tudo bem. Muitos temperos novos, muitas especiarias, e um modo diferente de servir, mas comigo não há problema, andei na guerra, no mato de norte de Moçambique, e depressa me habituo a tudo.

No dia seguinte, à noite, despacharam-me para Istambul e nunca mais ouvi falar de Adana, até acontecer este terramoto que ma trouxe de volta em imagens de desgraça. Em Istambul, fui visitar o palácio do sultão mais famoso da História, Suleiman, e a Mesquita Azul que são as coisas mais famosas para turista ver. Ah, e aturar os vendedores de tapeçarias que não largam o cliente por nada deste mundo. Um deles até me levou a casa dele e me ofereceu um chã de maça (?) para beber, enquanto me tentava convencer a ficar com uma carpete que valia mil euros!

Ainda pensei em atravessar a ponte e pôr um pé na Ásia, mas o taxista disse que era difícil, ficava caro e demorava mais tempo do que eu dispunha. Num dos dias que lá passei, recomendaram-me ir jantar a um restaurante português, situado numa das praias do Mar de Mármara. De português pouco mais tinha que o nome, Lisboa, e o dono do restaurante que era um lisboeta que se apaixonara pela Turquia. Nessa altura, o custo de vida era muito inferior ao nosso e com marcos alemães no bolso era fácil gostar daquilo. 

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Hoje, sinto-me cipriota!

A Ilha de Chipre fica ali entalada entre países que se dão mal uns com os outros, entre muçulmanos, otomanos, gregos e cristãos de confissões diferentes e quis a História que acabasse grega, contra a vontade da Turquia que, em meados do Século XX, entrou por ali adentro e não mais de lá saiu. Depois dos Romanos, no início da nossa Era, quem mais influência exerceu foram os britânicos. Começou com o rei Ricardo Coração de Leão, no tempo das Cruzadas, pois lhe dava jeito atracar ali as naus com as suas tropas, antes de se atirar aos sarracenos na Terra Santa. E esta ligação continuou até ao Século XX, como entreposto importante na carreira da Índia, através do Canal de Suez. E ainda hoje lá tem umas bases militares com a desculpa que está a fiscalizar a Rússia, em favor do Ocidente que não é vermelho nem socialista.


Nunca lá fui, mas poderia ter ido, pois houve um tempo em que passei um fim de semana bem chatinho, na cidade turca de Mersin que lhe fica mesmo em frente. Esqueci-me de perguntar, mas deve haver por ali uns barcos a fazer a ligação para a ilha, por ser um dos pontos civilizados mais próximos. Nunca fui um grande turista, nem o dinheiro abundava nos meus bolsos, por isso só hoje fiz esta visita e, mesmo assim, teve que ser virtual.


Nos tempos em que andei pela Guerra em África, lembro-me de ter ouvido falar no Arcebispo Macário e na sua vontade de entregar a ilha aos gregos, mas os turcos não estiveram pelos ajustes e, mesmo a vinda da União Europeia não conseguiu resolver a situação que se vive em Chipre, onde metade é grego, metade é turco e tem uma enorme faixa, ao meio, que é Terra de Ninguém e onde manda a ONU. Enfim, não é o único canto do mundo onde impera a discórdia. Pensaram que era só em Hong Kong ou Taiwan? Não, é um pouco por todo o lado. A foto abaixo faz-me lembrar de Metangula, com o lago, a planície por onde se estende a povoação e a cordilheira montanhosa do Tchifuli. Mas não é, trata-se de uma vista de Chipre.


Voltando à costa da Turquia e à cidade de Mersin, aquilo é uma espécie de Póvoa de Varzim à beira do Mediterrâneo. Muito mar, muita praia, muito calçadão para as gentes se passearem, além de muito sol e um clima fantástico.


Dizem as notícias que aquilo, agora, está muito estragado pelo excesso de construção e de turismo. Mas onde é que eu já ouvi isto?