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terça-feira, 18 de maio de 2021

Um forno garantido!

 

Este tem uma certa semelhança com o que havia na casa dos meus pais.

Tenho andado a pensar em fazer um forno,
lá no fundo do meu quintal.
Gostaria de cozer pão à minha moda, pois estou farto de comer o que fazem
os padeiros e que cada vez me agrada menos.
Fazer uns bolinhos de farinha de milho, como fazia a minha avó,
com umas tirinhas de toucinho gordo em cima
e talvez assar umas peças de carne
ou até
um cabrito inteiro, quem sabe!


Se calhar, o forno ficaria mais parecido com este
do que com o outro, devido á minha pouca experiência como construtor
de fornos e coisas semelhantes.
Mas o que mais me trava este desejo é pensar que, muito rapidamente,
recuperaria os mais de 20 Kilos
que entretanto perdi e tanto me pesavam nas pernas.
O ano de 2019 foi uma martírio, andei de muletas
e não saía de casa sem uma bengala.
No último trimestre desse ano
entrei numa dieta rigorosíssima,
que durou mais de um ano
e só parou por causa da pandemia.
Passei fome, bebi água em vez de vinho, comi
farelo de aveia, em vez de pão e só assim me livrei de um fardo
que carreguei ao longo dos últimos 20 anos.
Por causa de umas tiras de toucinho
de um pernil de porco assado,
ou até um cabrito do monte, não quero voltar ao peso de antigamente.
É melhor esquecer essa ideia do forno!
Nem sei onde ir buscar o barro para o construir,
pois não é com areia e cimento que se constroem, ou os tijolos refractários
que também são precisos.
E li em qualquer lado que se deve juntar um kilo de açúcar
na massa de barro e areia fina,
para dar consistência (e não sei mais o quê).
É muita confusão para a minha cabeça, definitivamente, vou pôr a ideia
de parte. Hei-de arranjar outra distracção!

sábado, 8 de maio de 2021

Cereja não, cabrito assado no forno!

 Sem qualquer assunto para preencher o calendário das minhas publicações e já que ontem vos falei do "Cabrita", hoje, viro de bordo e vou falar do cabrito. Há muitas formas de cozinhar o cabrito e gosto de todas, Ia dizer que todas são boas, mas para quem não gosta dessa carne, nenhuma das formas de o cozinhar lhes serve. Gostos são gostos!

Para mim a melhor de todas é «À Padeiro». Tudo o que é preciso para elevar o nosso paladar à máxima potência é escolher um bom vinho para acompanhar o assado. Quando ia (muitas vezes) à Covilhã (em negócios) não falhava um «Cabrito de Churrasco» que encontrava sempre no meu restaurante preferido, o Tomás, no Canhoso. O pobre Tomás que eu conheci nos bons velhos tempos, quando a Indústria Têxtil se reergueu, passado que foi o período revolucionário que por pouco não rebentou com ela, já não pertence a este mundo, mas a sua filha continuou com o negócio e os amantes do cabrito continuam a entrar pela porta dentro todos os dias.

E as minhas recordações levam-me até Metangula, nos idos de 1964, quando um pelotão da CF2 foi para lá destacado para proteger o Posto de Rádio (nessa altura não passava disso) dos ataques da Frelimo. Numa terra do fim do mundo, onde não havia nada, a não ser o mais primário, coube aos fuzileiros a tarefa de construir um forno e cozer o pão para o pessoal da Marinha, meia dúzia de telegrafistas, outra meia dúzia para a tripulação da Lancha Castor e o nosso pelotão, um total de 45 almas, a contar com o comandante, a sua mulher e a criada Maria (que viria a casar com o Neves e iniciar aquele restaurante-bar que ficou conhecido de todas as tropas que por ali passaram). Um negócio da China que ficava com todo o pré da marujada e restante tropa.

Mas, voltando à vaca fria que é como quem diz, ao cabrito de que vos falava, para inaugurar aquele forno-maravilha, construido pelos meus dois amigos e filhos da escola Enteiriço (que Deus já lá tem) e Salvador Barbosa que, como não poderia deixar de ser, era de Valongo, a terra dos padeiros, escolhemos um belo cabrito que fomos comprar à Messumba. Não sei se foi pela fome que o pessoal passava ou pela ocasião especial que festejávamos, aquele foi o cabrito que mais bem me soube em toda a vida. E regado a cerveja, pois vinho era um luxo a que raramente tínhamos acesso.

Não me lembro quem comeu e quem ficou a ver navios, mas aqueles 6 ou 7 quilos de carne não davam para muita gente. Não me devo enganar muito se afirmar que aquilo se ficou pelo pessoal do «Rancho da Porca» e a nova equipa da Padaria, a que me juntei por amizade (auto-nomeei.me ajudante de padeiro, tinha a meu cargo organizar a lenha necessária para aquecer o forno). Mandámos o cozinheiro, um negro a quem chamávamos "Cabeça de Morteiro", levar uma perna ao comandante, de modo a poder contar com ele para as nossas excentricidades.

E por hoje é tudo, bom apetite!