Não podemos refazer a história e nós não podemos cometer o que seria uma enorme injustiça, que era tratar os professores, os magistrados e os militares de uma forma diferente daquela que tratamos a generalidade dos trabalhadores da administração pública ou mesmo a generalidade dos portugueses”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, em entrevista à RTP.
Augusto Santos Silva salientou que o compromisso do Governo “foi ultrapassar a austeridade, virar a página da austeridade, repor as carreiras, repor o tempo a contar, não foi recuperar o tempo perdido.
Estas palavras proferidas pelo nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros, eminente socialista e amigo de António Costa seriam de louvar se não fossem ditas de maneira a impressionar os ouvintes e prepará-los para a retórica política da campanha eleitoral que se avizinha. Ele sabe que os funcionários privados são mais que os públicos e precisa de contar com os seus votos nas eleições de Outubro próximo. Os políticos estudaram todos pela mesma cartilha, quem não os conhecer que os compre.
Os partidos com assento parlamentar juntaram-se todos contra o PS na questão da reposição do tempo de carreira dos professores. O António Costa enervou-se e não viu melhor maneira de se vingar do que anunciar a demissão do governo. Uma autêntica palhaçada, pois ele sabe que a demissão não terá qualquer efeito. Faltam apenas 5 meses para as eleições que já estão marcadas e com um mês de férias pelo meio e os 90 dias de prazo mínimo que o Presidente da República tem para uma nova convocação não é possível fazer eleições antes da data que já está marcada. Tudo o que pode acontecer é o presidente aceitar a demissão e manter este governo em gestão até à tomada de posse do próximo.
O PS vai fazer todos os possíveis por capitalizar os votos dos professores, dos outros funcionários públicos e também dos privados, atirando com as culpas de tudo para cima do PSD e do CDS que são os verdadeiros culpados de todo este imbróglio, pois conviveram com a troika e quiserem ir ainda além do que a troika exigia em termos de cortes. E esquecendo-se que foi o seu partido, com o Sócrates a chefiá-lo que deu cabo disto tudo e mandou chamar a troika para salvar o país do afogamento. Não sei porquê, mas há um diabindo sentado aqui no meu ombro esquerdo que me segreda que o actual PM está a seguir o meu caminho, sem tirar nem pôr.
Mas, voltando ao que interessa e às palavras do ministro, que reproduzi acima, o salário médio dos funcionários públicos aproxima-se dos 1.500 € mensais, enquanto que o dos privados ainda vai longe dos 1.000 €. Esse é que é o verdadeiro sinal da injustiça e espero que os eleitores pensem bem nisso, quando ouvirem as patacoadas que lhes vão despejar na cabeça, durante a campanha eleitoral que já começou. Como diz o povo e com razão, uns são filhos da mãe e os outros são filhos ... sabe-se lá de quem !!!

