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segunda-feira, 14 de julho de 2025

Quem sabe, sabe!

 

O Valdemar foi o único a comentar a minha publicação de ontem. E provou que, como homem viajado que é, conhece os segredos do negócio. Eu nem imaginava que se pudesse viajar de barco desde o Oceano Atlântico até ao Mar Negro. E afinal é possível, basta mudar de rio duas ou três vezes e se houver algum desnível uma eclusa (espécie de elevador aquático) resolve o problema.

Iniciando o cruzeiro no Mar Negro sobe-se o Danúbio até Bamberg, aí muda-se para o Meno que nos despeja no Reno que é como uma autoestrada até à Holanda. Como não desisto de visitar Praga, talvez apanhe um avião até essa cidade, capital da Chéquia, e num pulinho chego a Bamberg, cidade alemã que também merece uma visitinha de um ou dois dias.

E depois é só embarcar num cruzeiro que me leve até Amsterdão, onde o Red District espera por mim. Como vive na Holanda (?) um dos meus irmãos, talvez aproveite para o visitar e rever as minhas sobrinhas que não vejo, há anos.

Quando crianças e o casamento do meu irmão com a mãe delas ainda durava, elas vinham a Portugal todos os verões e eu levava-as a jantar a uma pizzaria de que elas gostavam muito. Eu deixava-as escolher o que quisessem e elas abusavam nas sobremesas. Agora são umas senhoras com mais 20 anos e vivem sozinhas, como manda a tradição por aquelas bandas, e governam a sua vida com o produto do seu trabalho.

Fiquei curioso e com vontade de experimentar esta ideia do Valdemar. Quem sabe ainda acontece!!!

domingo, 13 de julho de 2025

A minha tournée pela europa clássica!

 


Durante anos, eu mantive o sonho de visitar Berlim, Praga, Budapeste e Viena. Talvez por serem cidades que viveram a II Guerra Mundial de muito perto, ou por conterem dentro de si uma parte importante da História da Idade Média e da Cultura que todos ambicionamos conhecer.

O meu sonho era voar para Berlim, passar por lá uns dias e depois alugar um carro e seguir viagem através das outras capitais, onde eu nunca tinha estado, até Viena de Áustria e de lá regressar de avião. Outra hipótese era apanhar um cruzeiro no Danúbio e descer o rio até Viena, mas de carro sempre teria a liberdade para fazer uns desvios e conhecer outras coisas, o que fechado num barco de cruzeiro nunca teria.

Os anos foram passando e o sonho ficando cada vez mais distante. Hoje, poderia aventurar-me a fazer uma coisa dessas, do ponto de vista financeiro poderia suportá-lo, mas teria que pagar a companhia de alguém para não ir sozinho. Dois compinchas com carta de condução para se irem revezando ao volante seria o ideal. No caso do cruzeiro pelo Danúbio poderia ir sozinho, mas seria uma seca, a menos que encontrasse uma companheira engraçada que me servisse de cicerone.

Mas prefiro o automóvel, gosto de liberdade e de parar onde e quando me apetecer. E talvez ir até Budapeste, deixar lá o carro e voar para Itália, de onde haverá mais facilidade de arranjar um voo para o Porto. Mas comecemos pelo princípio, em Berlim eu gostaria de visitar a Porta de Brandenburgo, lugar que foi partilhado pelas duas Alemanhas, de 1945 até 1989.

Outro lugar que teria que visitar seria a estação central, onde se passou toda a história de um livro que li, há muito tempo, de que já esqueci o título. Tinha a ver com droga e com uma jovem que ali viveu os piores anos da sua vida, imersa em drogas e prostituindo-se para as pagar.

Depois seria uma aventura no escuro, pois nada conheço de Praga, nem de Budapeste, ou até de Bratislava se decidisse passar por lá. Haveria de estudar um pouco a história de cada cidade para conhecer os pontos a visitar. Em Viena já passei um fim de semana, mas era Fevereiro e estava tudo coberto de neve. Até os barcos turísticos estavam encostados, pois tornara-se impossível navegar.

Se quiser ainda realizar o meu sonho tenho que apressar-me, pois sinto o terreno a faltar-me debaixo dos pés. A única companhia que vejo disponível seria a minha filha, pois a minha cara metade diz que agora só vai aonde as pernas a levarem e tem um raio de acção de pouco mais de 500 metros. E se regressasse por Itália ainda poderia servir de cicerone à minha filha para conhecer Milão e Florença.

Isto para conversa de um domingo de manhã não está nada mal, mas duvido que tenha coragem de ir seja onde for, pois as minhas pernas recusam-se a colaborar comigo e concretizar os sonhos que habitam no cocuruto da minha cabeça de octogenário.

Divirtam-se, gozem a vida, enquanto têm pernas para isso. Bom domingo de Julho que é tempo de férias, embora para o distrito de Braga esteja prevista a visita de uns pingos de chuva para fazer baixar a poeira!

domingo, 5 de março de 2023

O Adolfo!

 Histórias verídicas com pessoas inventadas!

O Adolfo era filho de um empresário que, devido aos problemas políticos relacionados com a Revolução dos Cravos, decidiu vender a sua empresa e tornar-se gerente da empresa compradora. Ou seja, deixou de ser um pequeno empresário para ser gerente de uma grande empresa. Se pensam que os seus problemas ficaram resolvidos com esta mudança de vida ... estão bem enganados. Os comunas tomaram conta da empresa que entrou em auto-gestão e ele preferiu dar de frosques e arranjar emprego noutro lado. Fez bem, tornou-se meu colega de trabalho e por ali se ficou até (quase) ao fim dos seus dias.

Entretanto o Adolfo, adolescente a caminho dos 20 anos de vida, portava-se mal, não fazia aquilo que os pais mandavam, experimentou o mundo da droga e foi viver com um tio que era menos chato que o seu pai. Os anos foram passando, os estudos iam de mal a pior e os namoros desagradavam aos seus pais, especialmente à mãe. A mudança de residência para uma cidade do litoral, com muitas mais possibilidades de proporcionar uma "vida airada" ao nosso artista, convenceu-o a regressar a casa dos pais.

Uma vez que os estudos não o levavam a lado nenhum, o pai decidiu tirá-lo da escola e arranjar-lhe um emprego. E assim foi parar à empresa que o pai geria e tornou-se também meu colega de trabalho. Anos depois, o pai ganhou coragem para se tornar de novo empresário, arranjou crédito bancário e comprou a empresa que geria. Ainda teve que conviver com um restinho de sindicalistas de esquerda, mas rápido, rápido, essa fase passou de moda e as pessoas começaram a preocupar-se mais com as suas vidinhas que com as ideias avermelhadas do Dr. Álvaro Cunhal e seus apaniguados.

O Adolfo que, nos entretantos trabalhava comigo, na tentativa de aprender alguma coisa da Indústria de Confecções, de um dia para o outro viu-se promovido a patrão, com gabinete próprio, em cuja porta eu tinha que bater pedindo licença para entrar. Engraçado, o pai tratava-me como um igual e depositava plena confiança nos meus actos, enquanto que o filho fazia de patrão e me tratava como um simples empregado.

Ele já se tinha esquecido dos primeiros anos que passámos juntos e das viagens que juntos fizemos para ele conhecer os contactos comerciais da nossa (agora dele) empresa. Levei-o a Itália e corremos as zonas têxteis, de fio a pavio. Levei-o comigo à Índia para ele conhecer um mercado têxtil cada vez mais importante para nós europeus. Nessas viagens fui mais que pai dele, velando-o enquanto dormia, depois de enormes bebedeiras para lhe diminuir o medo de andar de avião.

Talvez esse medo tenha vindo de uma viagem que fizemos a Itália. O avião em que seguíamos teve uma avaria, ficou despressurizado e o comandante teve que descer até aos 5 mil pés para conseguirmos respirar, uma vez que o sistema das máscaras de oxigénio não funcionou e vivemos verdadeiros momentos de pânico, até diminuir a altitude. Alguns passageiros com taquicardia, uma senhora com um bebé de colo que quase morreu do coração ao ver que o seu filho não respirava. Alguém lho tirou das mãos e lá conseguiram acalmá-la. Parece que havia um médico a bordo que meteu debaixo da língua um comprimido aos dois velhotes que estavam mais aflitos.

O comandante foi obrigado a desviar o avião para o aeroporto de Barajas, em Madrid, voando a baixa altitude e baixa velocidade, onde chegamos na hora em que devíamos estar a aterrar em Milão. Esperámos meia dúzia de horas até a TAP arranjar um avião de substituição para nos levar a Itália. Vi-me grego para convencer o Adolfo a reembarcar, ele queria voltar a casa de comboio, estava mesmo em pânico. Mais um uísque duplo e lá o consegui enfiar no avião. Daí em diante foi difícil fazê-lo andar de avião, até ao momento em que se tornou patrão e teve que puxar dos galões e fazer-se homem.

Com a falência da nossa (dele) empresa perdi-o de vista. De vez em quando, chegam-me notícias dele, mas nunca mais o vi! O pai já morreu, há muito, ainda antes da falência, e o Adolfo teve que armar-se em forte e seguir em frente. Como não faltava dinheiro na família, acredito que tudo tenha corrido às mil maravilhas e já se deve ter esquecido dos sustos que apanhou a 40 mil pés de altitude! 

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

A Beira Alta que poucos conhecem!

 


Quem viaja de Coimbra para a Guarda pela Estrada da Beira pode virar à direita, antes de chegar a Oliveira do Hospital, indo parar a um buraco, na encosta da Serra da Estrela, por onde desliza o rio Alba. Debaixo da «Ponte das Três Entradas» passam o rio Alba e o rio Alvoco, razão que levou à construção da estranha ponte. Entrando pelo lado poente, vindo da povoação de Avô, pode tomar-se o caminho da serra, com destino às Pedras Lavradas e passando por Vide e Teixeira.

Passei por ali muitas vezes, a caminho da Covilhã, quando havia neve na serra e as autoestradas não tinham ainda sido inventadas. Do porto até Águeda, pela N1, dali até Mortágua e Santa Comba Dão, pelo meio da serra (da Pala) coberta de eucaliptos por todo o lado. Se bem me lembro, foi nessa estrada e por causa desses eucaliptos que morreu uma meia dúzia de bombeiros encurralados pelo fogo. De Santa Comba seguia por Tábua até Vendas de Galizes, atravessava a estrada da Beira e rumava a Avô e daí até à referida ponte. Depois era sempre a subir até às Pedras Lavradas, um lugar a meia altura da serra da Estrela de onde se podia virar à esquerda em direcção a Seia, ou à direita, em direcção ao Tortosendo e depois Covilhã, capital dos Lanifícios de Portugal.

Era um caminho difícil de fazer, tanto para o carro como para o condutor, mas o único possível, quando a estrada para a Guarda era cortada pela neve. Muitas vezes parei no Alto das Pedras Lavradas, de onde se avista quase toda a Beira Baixa, para respirar o ar puro, apreciar as vistas e sonhar com a prometida autoestrada que ligaria Coimbra ao Fundão e passaria ali perto. Logo que a construíssem eu teria a vida facilitada e poderia dizer adeus à ponte sobre o rio Alva que tinha 3 entradas, mas eu só usava duas.

A minha estrada de sonho para chegar depressa
ao outro lado da serra.

Entretanto, já se passaram mais de 30 anos, desde que ali passei pela última vez, mas a famosa autoestrada de Coimbra ao Fundão ainda não saiu do papel. A abertura da A25 - e antes dela do IP5 - veio resolver o problema da falta de acessos à Covilhã, quando havia nevões, e muito mais tarde a A23 que liga a Guarda ao Fundão, fechou o ciclo. Coimbra, Viseu, Guarda, Fundão faz-se em menos de 2 horas e deixou de haver justificação para contruir uma estrada pelo meio da serra que sairia caríssima aos cofres do estado e teria (mais uma vez) pouquíssimos utilizadores.

sábado, 25 de setembro de 2021

Da Cumieira até à N2!

Nasci numa aldeia pobre do Minho. Mas até nas aldeias pobres há gente rica, assim como remediada e pobre também. Na minha aldeia, o lugar mais pobrezinho de todos era a Cumieira. Ali, as casas não passavam de barracas, construidas com todo o tipo de materiais recolhidos na entulheira, desde chapas de zinco, tábuas mais ou menos apodrecidas, sacos de plástico que traziam os adubos para os agricultores, etc.


Esta Cumieira que aparece no cartaz das eleições de amanhã não sei onde fica, nem isso interessa, mas deve ficar à margem da N2, pois a recolhi com essa indicação. De facto, não era da Cumieira, nem tão pouco das eleições que vos queria falar, mas veio a talhe de foice e pelo nome do lugar da minha aldeia que me fez recordar a pobreza daqueles tempos do pós-guerra (1945 - 1960).


A N2 que atravessa Portugal de lés-a-lés, pelo interior do território - cujo diagrama podem ver na imagem acima - essa sim é o motivo da minha publicação de hoje. Fazer essa estrada, de Chaves a Faro, virou moda e já a comparam à Route 66 dos Estados Unidos. De carro, de mota ou de bicicleta, qualquer meio serve e cada um escolhe o que lhe agradar mais. É preciso não esquecer o roteiro, onde vêm descriminados os pontos de maior interesse, onde se come, bebe e dorme, assim como o passaporte que deve ser carimbado em todos esses pontos para depois mostrar aos amigos e publicar nas redes sociais. Uma loucura completa, mas bem moderna ao gosto de quem não tem iniciativa própria.


Seja em Trás-os-Montes, nas Beiras, ou no Alentejo, já percorri essas estradas mais que uma vez, mas não de uma única assentada e, se calhar, mais vezes a atravessei do que usei como via. A parte algarvia desta estrada não conheço, mas acredito, mas como andei à volta de Faro muitas vezes, algum pedaço dela devo ter pisado também.


Castro Verde Almodôvar e Faro, três lugares por onde passei mais que uma vez. Se hoje andasse por estas bandas faria uma paragem em Almodôvar para visitar o meu amigo Emídio que se mudou, recentemente, para o cemitério desta terra alentejana.


O marco quilométrico Nº 20 fica logo no primeiro troço da estrada, talvez na bonita zona do Vidago, terra das famosas Termas do Vidago e das Águas das Pedras que já pertenceram ao meu camarada da Marinha e filho da escola, Sousa Cintra (que é mais conhecido por ter sido presidente do SCP do que pela sua passagem pela Escola de Alunos Marinheiros). Depois de por ali passarem, ganhem coragem para dar ao pedal que ainda faltam 718 Kms para chegar a Faro e há muita coisa bonita para ver. Sem esquecer uns bons enchidos da Beira para trincar a arranjar forças para continuar a pedalar.
Boa viagem !!!


domingo, 19 de setembro de 2021

Hellas Verona!

 Estive a ver um pouco do jogo do Mourinho que levou a sua equipa té Verona para defrontar a equipa local. Quando desisti de ver o jogo, ainda o Mourinho ganhava por 1 a 0, mas sei que acabou por perder o jogo. Foi a sua primeira derrota, desde que regressou a Itália, mas se não fosse hoje outro dia aconteceria, pois não acredito que fizesse toda a época sem perder.


De qualquer modo, fez-me lembrar dos tempos em que eu andava por aqueles lados em viagem de negócios. A cidade de Verona é muito bonita, tem muita história e ficava-me a jeito, por isso a elegi como ponto de paragem e pernoita, quando estava no norte de Itália. E depois, as grandes fábricas de lanifícios que eu visitava ficavam nessa região, a norte da autoestrada que liga Milão a Veneza. E quando terminava essas visitas, ala que se faz tarde a caminho de Florença.


Um dos maiores rios de Itália, o Adige, vem do norte, onde nasce perto da fronteira da Austria, atravessa Verona e segue em direcção a leste, desaguando no Adriático, a sul de Veneza. Como eu voava do Porto para Milão ou Bérgamo, sempre ao sábado, passava a tarde e note desse dia, assim como o domingo, em Verona, à espera que viesse a segunda-feira para ir trabalhar.


Gastei muitas horas a calcorrear aquelas ruas e uns litros de gasolina, sempre que não me apetecia andar a pé. Na famosa arena de Verona organizam concertos de música e outros espectáculos. Num certo domingo, em vez de ir cedo para a cama, fui assistir a um desses concertos, só que não gostei muito e acabei por sair a meio. Não sou grande apreciador de música e a clássica só me dá sono.


Num outro dia, passeava pelas ruas comerciais a ver as montras e apreciar os tecidos e preços dos fatos de homem que era o meu negócio afinal. De repente, avistei uma placa que indicava "Casa do Romeu e Julieta" e lá fui eu seguindo os sinais até ao destino anunciado. Essa foi a primeira vez, depois regressei sempre lá em cada vez que passei por Verona. Não ficava muito longe do hotel, onde era costume eu ficar e, por conseguinte não era grande o sacrifício. Na minha primeira visita o sítio estava pouco limpo e mal cuidado, mas depois melhorou muito. E não foi porque eu tivesse reclamado, mas alguém o deve ter feito por mim.

Se puderem vão a Verona que vale a pena!

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

O Douro, o vinho, o Torga e muito mais!

 

Concelho de Sabrosa

O Relvas juntou as freguesias e armou um barulho co cacete, em Portugal. Já ninguém se lembra desse amigo do PPC (Pedro Passos Coelho) que podia ter feito melhor, se começasse por organizar os concelhos. O meu concelho, Póvoa de Varzim, é um bom exemplo de como o território nacional está mal dividido. Mas o concelho de Sabrosa não lhe fica atrás. Começa cá em baixo, junto ao rio Douro, e vai por ali acima ultrapassando mesmo o concelho de Vila Real. Basta olhar para o mapa para perceber que algo está errado.
Na semana passada, farto de estar confinado, fui dar uma volta até Trás-os-Montes para matar saudades. Foi uma volta comprida com muitos quilómetros percorridos, cheguei até Bragança, mas o meu enfoque é na zona de Vila Real. Ainda passei por Mirandela, à procura das famosas alheiras, mas vim embora sem elas. A loja da Amil fechou, imagino que por causa da pandemia, não tive tempo de ir à fábrica da Angelina e o resto não me convence.


Mas vamos lá falar de Sabrosa. O Pinhão é cá em baixo, na margem do Douro e a Torre do Pinhão é lá em cima, a norte da Autoestrada Transmontana, por conseguinte se quiser visitar essa freguesia não parta do Pinhão, mas sim de Vila Real. Tudo, neste concelho de Sabrosa, fala do Pinhão, mas afinal o Pinhão pertence ao concelho de Alijó. Oh, Relvas, anda cá concertar isto!


O Simão Sabrosa, ex-jogador do Benfica, não é de Sabrosa, embora muita gente ache que o nome dele é relativo a essa vila portuguesa. Mas não nasceu longe dali, foi em Constantim, concelho de Vila Real. Outras figuras que estão ligadas a Sabrosa são, em primeiro lugar, o Fernão de Magalães, o que é uma refinada mentira, e o Miguel Torga, o que é a mais pura verdade. Ambos fazem publicidade aos vinhos de Sabrosa que são de estalo, mas não se fiem na minha palavra, o melhor é ir atá lá e prová-los. O Miguel Torga era um doutor de Coimbra, foi ali que ele estudou, ensinou e passou a maior parte da sua vida de homem erudito que morreu a cantar loas à sua terra de origem.


Dos vinhos do Douro e de Sabrosa, em particular, não vou dizer mais nada, mas quero deixar-vos aqui mais uma imagem que é usada para convencer os turistas a ir até lá. Desde os barcos de turismo, as vinhas em socalcos, o comboio que vai a par do rio até aos vinhos, do Porto, mas não só, tudo são razões mais que suficientes para convencer o mais teimoso a sair do litoral congestionado e ir para o interior, onde as pessoas não se atropelam e se pode respirar ar puro.


Então, não consegui convencer-vos? Mau, mau, pensei que me sairia melhor nos meus intentos! Bom dia, boa semana e haja alegria que tristezas não pagam dívidas (e os portugueses estão carregados delas)!

segunda-feira, 29 de junho de 2020

As torres de Londres!

Bom povo cristão, vim aqui para morrer, de acordo com a lei, e pela lei fui julgada para morrer, e por isso não vou falar nada contra ela. Não vim aqui para acusar ninguém, nem para falar de algo de que sou acusada e condenada a morrer, mas rezo a Deus para que salve o rei e que ele tenha um longo reinado sobre vós, pois nunca um príncipe tão misericordioso esteve lá: e para mim ele será sempre um bom, gentil e soberano Senhor. E se qualquer pessoa ponha isso em causa, obrigá-la-ei a julgar os melhores. E assim deixo o mundo e todos vós, e sinceramente desejo que todos rezem por mim. Ó Senhor, tem misericórdia de mim, eu louvo a Deus a minha alma.


Coitada da Ana Bolena, ficou sem cabeça uns minutos depois de fazer este curto discurso àqueles que tinham vindo assistir à sua decapitação. O seu marido, Henrique VIII de Inglaterra ficou famoso por muitas razões, uma delas por ter metido na sua cama a Maria Bolena e, mais tarde, também a irmã desta com quem queria casar, contra a vontade do Papa que não autorizava o seu divórcio da espanhola com quem estava casado. Uma grande bronca que acabou com a formação da Igreja Anglicana e auto-nomeação de Henrique VIII como primeiro papa dessa igreja que dura até hoje.
Mas isso não salvou a francesa Ana do seu destino, pois a fraqueza do rei eram as mulheres e logo que conseguia uma já pensava na próxima (recorram à Wikipedia e leiam a história deste espertalhão), assim depois da Maria Bolena foi a sua irmã Ana e depois delas de da rainha Catarina vieram ainda mais cinco. Pelo menos foi o que me contaram, quando me dediquei a estudar esse assunto. Para ter o caminho livre, o rei mandou fechá-la numa das torres que podem ver na imagem acima e depois cortar-lhe a cabeça, à boa maneira da época.


A «Torre de Londres» era o Palácio do Rei e nasceu antes da nossa lusa pátria, meados do Século XI, e fica situado na margem direita do rio Tamisa, relativamente perto da «Ponte da Torre» que mostro na imagem acima. Fui a Londres muitas vezes, sempre em trabalho e nunca tive tempo nem disposição para estas "trenguices" turísticas, se lá voltasse hoje outro galo cantaria.
Tarde piaste, dizia o outro !!!

domingo, 31 de maio de 2020

Vamos dar uma volta por aí?

Hoje é domingo, já estou farto de ficar em casa, querem vir comigo dar uma volta e provar um copo de vinho que é diferente do Douro, Dão, Alentejo, Terras do Sado ou Bairrada. Atenção que não escrevi melhor, escrevi diferente.
Vou contar-vos um segredo, fui até lá duas vezes e ambas guiado por uma amiga do peito que me fez companhia e tocou o copo comigo. A primeira era uma amiga virtual que morava em Trier e que conheci no BLOG.DE, onde andei a fazer uma perninha, durante alguns anos. A segunda era uma amiga da vida real que dividiu comigo a cama e a mesa, durante um certo período da minha vida.


Mas, a conversa é sobre vinhos e paisagens deslumbrantes, vamos lá a ter tento na língua. O Eifel não tem nada a ver com o Sr. Engenheiro que construiu a famosa Torre Eifel ou as não menos famosas pontes de ferro da Cidade Invicta. É antes o nome da região alemã, onde vivi nos meus tempos de emigrante, muito linda, por acaso, e cheia de atractivos que justificariam a visita de qualquer um. Fica entalada entre o rio Reno, a nascente, e a fronteira franco/luxemburguesa, belga, a poente.


A parte do Eifel mais a sul é atravessada, de oeste para leste, pelo rio MOSEL que nasce em França, atravessa o Luxemburgo e corre até se fundir com o grande RENO, no triângulo de Koblenz. Nos vales por onde deslizam as águas do rio e nos socalcos de uma e outra margem, existem vinhedos que fazem lembrar o nosso Douro.


A primeira amiga de que vos falei era alemã e morava em Trier, junto à fronteira com o Luxemburgo e tinha uma série de manias que, por vezes, me irritavam. Numa coisa ela tinha razão, o vinho Mosel era um néctar dos deuses e valia bem a pena a longa viagem para ir até lá e prová-lo. Foi o que fiz e não me arrependi.


A minha segunda amiga morava muito mais a norte, onde a paisagem começa a mudar e se transforma numa planície sem fim, onde se cultiva o trigo e a beterraba, esta para a indústria açucareira que é forte naquela zona. Ela trabalhava numa fábrica de automóveis, quando a conheci, e devido à falência da mesma mudou.se mais para o sul, indo viver bem lá no alto do montanhoso Eifel.

Confluência dos rios Mosel e Reno - Koblenz

Cidade de Trier, primeira grande cidade alemã do curso do Mosel

Num domingo, como hoje, em que estávamos para ali estendidos sem nada de interessante para fazer, desafiou-me para ir até ao rio mais famoso da zona, almoçar, beber um copo  do famoso néctar e passar por ali a tarde. Não vi razão para recusar tal convite e ... ala que se faz tarde.



Estradas de montanha, cheias de curvas e povoadas de motociclistas em altas velocidades foram a minha companhia durante os perto de 100 Kms que percorremos até chegar à margem do rio. Pelo caminho que descia até às margens do Mosel viam-se vinhedos, em socalcos, a imitar o nosso Douro. Lá em baixo, a estrada corria plana acompanhando o curso do rio. De um lado água, do outro casas especializadas na prova e venda do produto da região, vinho, pois claro.



As pequenas localidades onde parei mais tempo foram Zell e Cochem. Numa delas almoçámos e no fim, de pança cheia, apanhámos um dos barcos que andam por ali a passear turistas. Navegámos cerca de 10 Kms para montante, fizemos uma paragem de cerca de 1 hora, para atestar mais um copo, e regressamos à origem. No caminho apanhámos uma eclusa, para vencer o desnível do rio, que fez a alegria de quantos iam a bordo e nunca tinham vivido aquela experiência.


E pouco mais tenho para vos contar. Não comprei nenhuma garrafa de vinho, pois aquilo era uma exploração do caneco, montada para depenar os turistas que por ali andavam. Num qualquer negócio da cidade grande, uma garrafa do mesmo vinho custava menos de metade. Mesmo aquele que bebi ao almoço custou-me os olhos da cara e, se não fosse pela companhia, sentir-me-ia roubado e arrependido de ali ter posto os pés.
Pronto, espero que tenham gostado da viagem e apreciado o Prosit que fiz convosco, com um copo (também este virtual) de vinho da «Região de Mosel». Vão até lá, quando passar isto da Covid-19 !!!

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Hoje, sinto-me cipriota!

A Ilha de Chipre fica ali entalada entre países que se dão mal uns com os outros, entre muçulmanos, otomanos, gregos e cristãos de confissões diferentes e quis a História que acabasse grega, contra a vontade da Turquia que, em meados do Século XX, entrou por ali adentro e não mais de lá saiu. Depois dos Romanos, no início da nossa Era, quem mais influência exerceu foram os britânicos. Começou com o rei Ricardo Coração de Leão, no tempo das Cruzadas, pois lhe dava jeito atracar ali as naus com as suas tropas, antes de se atirar aos sarracenos na Terra Santa. E esta ligação continuou até ao Século XX, como entreposto importante na carreira da Índia, através do Canal de Suez. E ainda hoje lá tem umas bases militares com a desculpa que está a fiscalizar a Rússia, em favor do Ocidente que não é vermelho nem socialista.


Nunca lá fui, mas poderia ter ido, pois houve um tempo em que passei um fim de semana bem chatinho, na cidade turca de Mersin que lhe fica mesmo em frente. Esqueci-me de perguntar, mas deve haver por ali uns barcos a fazer a ligação para a ilha, por ser um dos pontos civilizados mais próximos. Nunca fui um grande turista, nem o dinheiro abundava nos meus bolsos, por isso só hoje fiz esta visita e, mesmo assim, teve que ser virtual.


Nos tempos em que andei pela Guerra em África, lembro-me de ter ouvido falar no Arcebispo Macário e na sua vontade de entregar a ilha aos gregos, mas os turcos não estiveram pelos ajustes e, mesmo a vinda da União Europeia não conseguiu resolver a situação que se vive em Chipre, onde metade é grego, metade é turco e tem uma enorme faixa, ao meio, que é Terra de Ninguém e onde manda a ONU. Enfim, não é o único canto do mundo onde impera a discórdia. Pensaram que era só em Hong Kong ou Taiwan? Não, é um pouco por todo o lado. A foto abaixo faz-me lembrar de Metangula, com o lago, a planície por onde se estende a povoação e a cordilheira montanhosa do Tchifuli. Mas não é, trata-se de uma vista de Chipre.


Voltando à costa da Turquia e à cidade de Mersin, aquilo é uma espécie de Póvoa de Varzim à beira do Mediterrâneo. Muito mar, muita praia, muito calçadão para as gentes se passearem, além de muito sol e um clima fantástico.


Dizem as notícias que aquilo, agora, está muito estragado pelo excesso de construção e de turismo. Mas onde é que eu já ouvi isto?

sábado, 16 de maio de 2020

Não se pode ser bom!

China e Índia, dois países vizinhos duas realidades diferentes. Nesta coisa da pandemia actual nunca poderiam ser muito diferentes se não houvesse tantos factores que os diferenciam. O primeiro de todos eles é o clima e o vírus gosta do clima da China e não se dá muito bem com o da Índia. Do lado contrário está a pobreza e o controlo estatal, em que uma é maior de um lado e o outro é, como todos sabemos, o «modus vivendi» na China maoista.
Como não poderia deixar de ser, o vírus também chegou à Índia e usou essas duas características para lhe servirem de muletas e se espalhar entre os indianos. A pobreza, por um lado, e a total falta de controlo sobre a imensa população, por outro, podem fazer da Índia um alvo fácil para o bichinho que ataca os pulmões e deixa as pessoas sem fôlego para continuar a viver. Só espero que o clima quente deste país venha em sua ajuda e não deixe o bicho espalhar-se, como fez nos Estados Unidos ou na Europa. No entanto tem vindo a crescer e já ultrapassou a China em número de infectados.


Esta reflexão fez-me recordar a viagem que fiz à Índia, em 1999. Fui directo a Bombaim (Mumbai na actual designação) e fiquei instalado no hotel mais caro da cidade, o Taj Mahal, que a minha agência de viagens tinha aproveitado por metade do preço numa campanha especial de promoção turística.
Descrever este país ou o que ali se passa é pouco menos que impossível. É preciso ir lá e mergulhar no meio do caos citadino, no comércio de rua e na miséria que envolve toda a cidade que tem mais habitantes que Portugal inteiro, para ficar a conhecer um pouco do que ali se vive. Uma coisa que me atingiu de repente foi a quantidade de crianças que andavam pelas ruas de Bombaim e se penduravam nos braços dos turistas pedinchando uma moedinha.
O meu segundo dia na cidade foi um domingo e, depois de ter engolido o pequeno almoço, resolvi ir até ao paredão da baía, em frente ao hotel e dar umas esmolas à criançada. Troquei uma nota de 10 dólares em notas de 10 rupias (que nem chegava para tomar um café), metias num bolso das calças e aí vou eu armado em Padre Américo. Dei uma nota à primeira criança que se aproximou e outra logo de seguida a uma mão que se estendia para mim. Depois disso, foi um reboliço total, fez-me lembrar das pombas que vivem na Praça do Almada, aqui na minha terra de acolhimento, quando alguém lhe atira um punhado de milho e elas mergulham todas ao mesmo tempo, batendo as asas em redor, mais para afastar as concorrentes do que para se equilibrar. Assim aconteceu comigo, uma miudita pendurou-se no meu braço direito e deixou-me sem acesso ao cofre das notas de 10 rupias.


Vi-me rodado de umas dezenas de crianças de braço estendido, algumas das quais se agarravam às minhas roupas para eu não lhes fugir. A muito custo consegui retroceder até ao hotel e o porteiro veio em meu auxílio, afugentando os meus perseguidores. Depois de ter corrido com a criançada para longe, veio ter comigo e avisou-me para nunca dar esmola na rua, pois me arriscava a ser assaltado, roubado e maltratado pelas crianças mais crescidas e até adultos que andam sempre por perto. Como resultado fiquei com a maior parte das notas de 10 no bolso e vi-me grego para me libertar delas.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Turismo virtual!

Trieste é uma cidade italiana que fica, praticamente, fora de Itália. Para mim, aquilo devia pertencer à Eslovénia, mas sabe Deus porquê, pertence à Itália. Resultado de guerras passadas, só pode ser.


Quando andei por aqueles lados a viajar, sempre pensei em ir até lá dar uma espreitadela, mas era tão longe e não tinha nenhuma desculpa plausível para me deslocar até lá que acabei por nunca o fazer. Hoje, como não tenho nada melhor para fazer e o gasóleo está mais barato, decidi-me a fazer a viagem.


Serras e mar são um chamariz para o turismo que não se faz rogado.


Uma visão mais ampla da cidade costeira.


Outra quase igual, mas mais apelativa.


Os grandes navios cruzeiros também já a descobriram.
E as companhias aéreas low-cost também.

É assim a vida, passear pelo mundo só depende da nossa vontade, o caminho está todo aberto!