O chefe de Estado português levou duas horas a percorrer este trajeto, pela Avenida dos Combatentes da Liberdade da Pátria, grande parte do tempo acenando empoleirado na porta da viatura onde seguia acompanhado pela ministra de Estado e dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, Suzi Barbosa.
Marcelo Rebelo de Sousa saiu várias vezes do carro para ir ao encontro da multidão efusiva, provocando grande agitação nas forças de segurança. À sua passagem, pessoas corriam e gritavam “Presi, Presi”, outras agradeciam a sua vinda, ao fim 31 anos sem uma visita oficial de um Presidente português a este país.
Olha se o Marcelo ia perder uma oportunidade destas! Ele é muito mais Moçambique que Angola ou Guiné, mas "dá o cu e três tostões" por um momento de popularidade, de partilha com o Povo que o aclama. O "reino" dele está na recta final e não poderia desperdiçar uma oportunidade que não se voltará a repetir. Ele gostas dos vivas, das palmas, das selfies e de aparecer nas notícias, está-lhe no sangue.
O Mário Soares (pai da descolonização) foi o último a pôr os pés na Guiné. Os presidentes que lhe sucederam não têm laços afectivos com o povo africano. Como antigo colonizador e membro da CPLP seria forçoso que todos os presidentes e primeiros-ministros fizessem uma visita a cada um dos países da CPLP, durante a validade do seu mandato. Para manter a nossa ligação às gentes com quem vivemos mais de 400 anos e validar possíveis formas de negócio vantajoso para as duas partes. Portugal, como membro da União Europeia, pode ser de grande ajuda para todos os membros dessa Comunidade, pois é uma porta larga para o mundo desenvolvido, a terra dos mais ricos do planeta. Não podemos esquecer que é da mesa dos ricos que caem as melhores migalhas.
Espero que os próximos presidentes da nossa república se lembrem disso, durante 400 anos chulamos aquela gente e é chegada a hora de lhe devolver alguma coisa. Visitá-los e perguntar se podemos ajudar em alguma coisinha é o mínimo que se exige aos nossos governantes!

