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sábado, 19 de agosto de 2017

Presidentes da República - Período revolucionário!

Com o 25 de Abril terminou o Estado Novo e até à eleição de Ramalho Eanes, 1º presidente da 4ª República, tivemos dois presidentes de transição, António de Spínola e Costa Gomes.
António de Spínola (1974-1974) - Talvez por ter publicado aquele livro - Portugal e o Futuro - que abriu as portas da revolução aos capitães milicianos que estavam fartos de andar no mato, atrás dos "turras", enquanto os oficiais de carreira viviam no bem bom e viam as suas contas bancárias engordar, tivesse sido a única razão que levou à sua escolha para 1º presidente pós-revolução.
Ele fazia parte da Junta de Salvação Nacional que liderava o MFA, era aliás o seu chefe, mas não estava muito de acordo com o programa que o movimento desenhara para o nosso país. A «Maioria Silenciosa», uma manifestação convocada por ele para ver quem estava do seu lado, não correu nada bem e acabou por levar à sua demissão, em Setembro de 1974. Uns míseros cinco meses como número um de Portugal souberam-lhe a pouco e sempre teve intenção de voltar.
Assim, em Março do ano seguinte, meteu-se na aventura de tomar o poder pela força, correndo com os comunistas que estavam em força no governo, até o Saramago lá estava ao lado de Vasco Gonçalves. Correu-lhe tudo muito mal e teve que dar às de Vila Diogo para salvar a pele, primeiro para Espanha (que estava mesmo ali ao lado) e depois para o Brasil.
Costa Gomes (1974-1976) - Com a demissão de Spínola tomou o seu lugar o número dois do MFA, o general Francisco da Costa Gomes.
Desde o início do conflito armado em Angola, em 1961, sempre defendeu que a solução a implementar devia ser política e não militar. Mesmo assim foi destacado para Moçambique, onde ficou durante quatro anos, e depois para Angola, onde conseguiu reduzir a actividade dos "turras" a quase nada. Diz-se que, em 1974, quando sobreveio a revolução na Metrópole, estava Angola pacificada e poderia, calmamente, ter discutido a auto-determinação com Portugal e continuar a viver em paz. Assim não quis o destino.
Durante o seu mandato celebraram-se os Acordos de Alvor que poderiam ter resolvido o problema das ex-colónias, se tivessem sido cumpridos pelas partes. Teve que lidar com o golpe direitista movido por Spínola, no 11 de Março de 1975 e com  a tentativa esquerdista de fazer o mesmo, no 25 de Setembro do mesmo ano. E foi eleita a Assembleia Constituinte encarregada de redigir uma nova constituição que substituísse a de 1933 que tinha sido feita à medida de Salazar.
Epílogo:
Já de acordo com a Constituição de 1976, foram marcadas as primeiras eleições livres, depois de muitos anos de forrobodó, desde as primeiras repúblicas ao Estado Novo, onde os paridos e os políticos que os dominavam faziam aquilo que lhes dava na real gana. Vendo bem as coisas, ainda hoje continua a ser assim e o povo vive enganado como uma criancinha a quem dão um rebuçado para lhe tirarem o biberão.
Dessas eleições saiu como presidente o General Ramalho Eanes, o salvador da Pátria, em 25 de Setembro de 1975, quando o Otelo e os seus amigos comunas se preparavam para nos entregar a Moscovo. Ele foi o 1º presidente desta a que resolveram chamar a 4ª república, exerceu dois mandatos consecutivos e todos os que se lhe seguiram fizeram o mesmo até hoje.
E por aqui me fico, nesta incursão pela História de Portugal que espero tenha servido para alguma coisa. Dos presidentes que se seguiram ao Ramalho Eanes prefiro nem falar, pois não sou fã de nenhum deles, em particular, e as coisas só melhoraram um bocadinho com a eleição do último, o Professor Marcelo que me parece menos conotado com os partidos que os seus antecessores.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Presidentes da República - Américo Tomás!

Américo Tomás (1958-1974) - Se não tem acontecido o 25 de Abril, teria lá ficado até morrer. Não vou gastar muito do pouco latim que aprendi a falar deste presidente, pois foi nosso contemporâneo e toda a gente sabe, a respeito dele, tanto como eu.
Entrou na Escola Naval e, segundo reza a sua biografia, aos 24 anos já era 1º Tenente, coisa que me custa um pouco a acreditar. Como curiosidade posso dizer que foi nomeado Ministro da Marinha, no ano em que eu nasci, 1944, e por ali se manteve até ser eleito presidente ás ordens de Salazar.
E nesse cargo viveu sossegadamente até o porem na rua, em Abril de 1974. Teve azar com o número que lhe calhou na rifa, pois ao ser o 13º presidente da república alguma coisa de mal lhe havia de acontecer. Podia ser muito pior se a revolução tivesse descambado num banho de sangue, pois poderia ser uma das vítimas.
O seu mandato ficou marcado por nada de especial ter feito, a não ser comparecer em actos oficiais e inaugurações, razão por que lhe puseram a alcunha de «Corta-Fitas».
Aquando da sua visita oficial a Moçambique, em 1963, estava lá eu também e tive que suportar horas a fio, debaixo de um sol escaldante, na indispensável Parada Militar.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Presidentes da República - Craveiro Lopes!

Craveiro Lopes (1951-1958) - O que posso dizer deste presidente da república? Conheci-o quando entrei para a Escola Primária. Por cima do «Quadro Preto», lá estava o seu retrato, ao lado do de Salazar. Eram os dois manda-chuvas deste jardim à beira-mar plantado.
Foi militar a vida inteira e nunca quis saber de outras vidas. Desempenhou cargos em tudo que era Unidade Militar, tirou cursos uns em cima de outros, participou na I Guerra Mundial, defendendo as fronteiras de Moçambique das tropas alemãs que de tudo fizeram para nos ficar com a colónia. 
Foi para a tropa como voluntário e saiu oficial de Cavalaria, mas depois de regressar de Moçambique foi para França tirar o curso de piloto aviador e daí em diante a sua vida foi a Força Aérea. Foi ele quem negociou com os americanos o acordo da Base das Lajes, comandou a Base Aérea de Tancos e a Legião Portuguesa, tendo sido também governador da Índia.
Na política foi eleito como deputado pelo círculo de Coimbra, cargo que ocupou entre 1945 e 1951, ao mesmo tempo que desempenhava as funções de comandante da Base Aérea da Terceira. Com a morte de Carmona foi indigitado, pela União Nacional, para lhe suceder.
Não se conta nada de relevante, durante o seu mandato, pois como se sabe só o Salazar mandava e desmandava no nosso país. Ficou conhecido pela sua rectidão de carácter e por recusar receber prendas valiosas. O pouco que recebeu deixou-o no palácio de Belém, quando entregou a pasta ao seu sucessor.
Como era mais amigo dos oposicionistas do que de Salazar, em 1958, não viu o seu mandato ser renovado. Nas famosas eleições desse ano, competiram pelo cargo Américo Tomás e Humberto Delgado, com o resultado que todos sabemos.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Presidentes da República - Óscar Carmona!

Óscar Carmona (1926-1928) - Além de Mendes Cabeçadas (líder dos revoltosos de Lisboa) e Gomes da Costa (líder dos revoltosos do norte) houve um terceiro militar envolvido no 28 de Maio e que, depois de os outros dois terem tentado a sua sorte, sem sucesso, aceitou o cargo de presidente da república. Este período encerrou a história das duas primeiras repúblicas, ambas muito mal sucedidas, e serviu de interregno até começar o Estado Novo.
Durou esta presidência cerca de um ano e meio, até que pudessem ser marcadas eleições e escolhido um substituto. Vivia-se, em Portugal, uma autêntica Ditadura Nacional (Militar), de modo que nada mais natural que escolher um presidente que reunisse o consenso de quem mandava, ou seja, aquele que já se sentava na cadeira do poder.
Óscar Carmona 1928-1933) - Escolhido que foi, como candidato à presidência, e não havendo nenhum outro que se lhe opusesse, acabou por ser eleito. Com a Constituição da República suspensa desde o 28 de Maio e reconhecendo que era preciso alterá-la. E foi isso que fez o governo, durante este mandato de Carmona.

«Documento fundador do Estado Novo em Portugal, o seu projecto foi elaborado, a partir de um primeiro esboço da autoria de Quirino Avelino de Jesus, por um grupo de professores de Direito convidados por António de Oliveira Salazar e por ele directamente coordenado. Marcelo Caetano, que secretariou o processo de revisão do articulado do projecto, destacou o papel técnico de Domingos Fezas Vital, professor de Direito Constitucional da Universidade de Coimbra.
O projecto foi objecto de apreciação pelo Conselho Político Nacional e publicado na imprensa para discussão pública. O texto final da Constituição foi publicado em suplemento ao Diário do Governo de 22 de Fevereiro de 1933 e objecto de plebiscito em 19 de Março do mesmo ano.
A Constituição entrou em vigor em 11 de Abril de 1933, data da publicação no Diário do Governo da acta de apuramento final dos resultados do plebiscito.»

Foi também durante este seu mandato que convidou Salazar para Ministro das Finanças, na última tentativa de pôr ordem nas contas públicas e a liberdade de actuação que foi obrigado a conceder-lhe viria a condicionar o futuro de Portugal, dali em diante, tendo sido pai e padrinho da nova constituição que vigoraria até à Revolução dos Cravos, em 1974.


Óscar Carmona (1933-1935) - Em 1933, ao abrigo da nova constituição, voltou a ser eleito e permaneceu no cargo até 1935, ano em que houve de novo eleições. Não encontrei explicação para isso, mas desconfio que foi cozinhado por Salazar, figura a que ninguém conseguia opor-se já. Nessas eleições foi mais uma vez eleito, mas por razões de saúde não pôde tomar posse, ficando Salazar a ocupar o cargo, interinamente, durante 15 dias.
Óscar Carmona (1935-1951) - Logo que se sentiu melhor de saúde Carmona reocupou o cargo e daí em diante foi sempre reeleito para mandatos sucessivos (em 1942 e 1949), tendo morrido, em 1951, antes de completar o último mandato. Dizem as más línguas que quem mandava, de facto, no nosso país, era Salazar e o Presidente da República não passava de uma figura decorativa. 

domingo, 13 de agosto de 2017

Presidentes da República - Dois em um!

A revolução do 28 de Maio pôs fim à 1ª República. Foram 16 anos de experiências, de lutas partidárias, com a I Grande Guerra pelo meio, que deixaram Portugal na ruína. O triumvirato militar que tomou conta do país depois da revolução, Gomes da Costa, Mendes Cabeçadas e Óscar Carmona viram-se e desejaram-se para pôr a coisa nos eixos e não o conseguiram.
José Mendes Cabeçadas, oficial da Marinha de Guerra Portuguesa que tinha capitaneado os revoltosos de Lisboa, aceitou o cargo de presidente, mas não chegou a aquecer o lugar. Ao fim de 15 dias foi substituído por Manuel Gomes da Gosta, o general que tinha vindo de Braga à frente dos militares revoltosos para meter os políticos de Lisboa na ordem.
A situação política e, em especial, a financeira era uma autêntica calamidade e depois de uma apressada reunião entre os revoltosos chegaram à conclusão que ele não seria capaz de controlar a situação e obrigaram-no a renunciar ao cargo.
Manuel Gomes da Costa tomou o seu lugar, mas não teve melhor sorte, o seu mandato durou apenas 10 dias. Óscar Carmona, o terceiro dos revoltosos do 28 de Maio, achou que com este presidente não se iria a lado nenhum, retirou-o do cargo e enviou-o para o exílio, nos Açores. Para não ficar como o mau da fita promoveu-o ao posto máximo do Exército Português, o de marechal.
Cerca de um ano depois, ele regressou à Metrópole e ainda exerceu algumas funções oficiais, mas de pouca importância. Dois anos depois morria em Lisboa, pobre e desligado dos círculos do poder. Triste fim para quem andou pela Índia e por África ao serviço da Pátria. Foi ainda o militar mais graduado a participar na I Guerra Mundial, como comandante da 1ª Brigada do Corpo Expedicionário Português que partiu para a Flandres em 1917.

sábado, 12 de agosto de 2017

Presidentes da República - Bernardino Machado!

Bernardino Machado (1925-1926) - Com a demissão de Manuel Teixeira Gomes, devido à enorme instabilidade social que se vivia no país, era preciso encontrar outro candidato para ocupar o lugar. Bernardino Machado, que já tinha sido presidente entre 1915 e 1917, candidatou-se e conseguiu ser eleito.
Como podem ver pela imagem, também este presidente passou pelas lojas maçónicas, aliás, isso parece ser um ponto comum dos governantes portugueses, ainda hoje. O Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, ainda está longe de lá chegar, mas já é chefe de loja, em Lisboa, eles sabem preparar o caminho.
Porém, durou pouco este segundo mandato. A revolta capitaneada por Gomes da Costa que, à frente de uma coluna militar veio de Braga até Lisboa, no fim de Maio de 1926, acabou com o seu sonho. Por toda a Europa se adivinhavam movimentos nacionalistas de raiz totalitária. Primo de Rivera, em Espanha, ou Benito Mussolini, em Itália, eram os casos mais conhecidos e discutidos em Portugal. A Junta Militar que assumiu os destinos do país, na sequência da revolução do 28 de Maio, mandou-lhe fazer a mala e, pouco tempo depois, lá foi ele de volta para o exílio, em Paris.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Presidentes da República - Manuel Teixeira Gomes!

Manuel Teixeira Gomes (1923-1925) - Quase poderia passar por cima deste presidente, pois não encontrei nada que valha a pena relatar a seu respeito. Ainda foi estudar medicina para Coimbra, mas pouco durou a vida de estudante. Gostava mais da boa vida e os pais tinham dinheiro para lhe permitir isso.
Algarvio de nascimento, mudou-se para Lisboa depois de ter posto de lado os estudos em Coimbra. Começou a frequentar um círculo de intelectuais e a dedicar-se à Literatura, chegando a colaborar com alguns jornais e revistas.
O cargo mais importante que desempenhou, nos primeiros anos da república, foi o de Ministro Plenipotenciário de Portugal, em Inglaterra. Como presidente fartou-se do cargo em menos de dois anos e pediu a demissão. E para cúmulo, exilou-se em Marrocos, onde ficou até à sua morte, mandando a sua pátria às urtigas.
Em 1950, foram exumados e trazidos para Portugal os seus restos mortais, o que deu uma grande trabalheira ao Salazar que já era o «Mestre de Orquestra» nessa altura.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Presidentes da República - António José de Almeida!

António José de Almeida (1919-1923) - Tem nome de pobre e se alguém me dissesse que tinha sido presidente da nossa república eu nunca acreditaria. Não me lembro de ter ouvido este nome alguma vez na minha vida, o que pressupõe que faltei a algumas aulas do meu 5º ano de Liceu, ano em que se estudava essa matéria.
Nasceu no distrito de Coimbra e em Coimbra estudou e se fez doutor. Como muitos outros estudantes daquela universidade, cedo enveredou pelos meandros da política e passou até pela prisão por publicação de escritos contra o rei, no jornal académico.
Depois de terminar o curso de medicina, rumou a Angola e depois a S. Tomé e Príncipe, onde exerceu a sua profissão, durante cerca de dez anos. Após esse período, regressou a Lisboa, onde montou consultório e passou a dedicar-se à política mais a sério. Aderiu a uma loja macónica - muitos dos nossos políticos o fizeram e continuam a fazer hoje - foi eleito deputado da nação e passou o tempo a dizer mal do rei D. Carlos que era o seu inimigo de estimação, desde os tempos de estudante. Por isso voltou a ir parar atrás das grades, pouco antes do assassinato do rei e do príncipe herdeiro. Depois da implantação da república, foi ministro e fundou um partido que dirigiu até ser eleito presidente.
Foi o único presidente da 1ª República que cumpriu o mandato até ao fim e empossou 16 governos durante o seu mandato. Só por isso dá para perceber a grande rebaldaria que se vivia no nosso país. É claro que a situação do pós-guerra que se vivia, o pagamento das dívidas por ela motivadas e o corte no apoio que os nossos velhos aliados ingleses nos davam, fizeram desse período um dos mais difíceis da nossa história republicana.
As «Visitas de Estado» oficiais tiveram início durante o seu mandato e a primeira visita foi ao Brasil, em 1922, para comemorar a independência dessa nossa antiga colónia. A viagem correu tão mal e as avarias foram tantas que tiveram que comemorar a data ainda a bordo, no meio do Atlântico. Mas não foi razão para desistir da viagem e esta acabou com grande aparato num baile que ficou famoso.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Presidentes da República - João de Canto e Castro!

João de Canto e Castro (1918-1919) - Não fazia a mínima ideia que a Escola de Alunos Marinheiros tinha funcionado em Leixões, mas é o que diz a biografia deste 5º Presidente da República Portuguesa e da qual ele foi dirigente nos primeiros tempos da república. Fez a Escola Naval, percorreu o Império Português de lés-a-lés, chegou a almirante e foi também governador de Moçambique. Foi também comandante da Escola de Artilharia Naval que funcionava a bordo da fragata D. Fernando, a famosa «Fragata» que estava fundeada no meio do rio Tejo, quando eu andei na Marinha, e que serviu de escola a alguns dos meus camaradas fuzileiros.
Já como Presidente da República foi tão rápida a sua passagem que quase nem se dava por ele, apenas dez meses à frente dos destinos do nosso país. Nesses conturbados tempos que sucederam à monarquia era assim mesmo, ninguém aquecia o lugar. Monárquico convicto passou o seu mandato a lutar contra os revoltosos que por várias vezes tentaram repor a monarquia, ou seja, lutando contra os seus próprios princípios. Foi membro do Parlamento, durante o reinado de D. Carlos e foi convidado para Ministro da Marinha, por Sidónio Pais, cargo que assumiu pouco tempo antes do assassinato do presidente, a quem depois sucedeu.
Procurei, mas não encontrei a razão por que durou tão pouco no cargo. Talvez tenham sido convocadas eleições por causa do assassinato de Sidónio Pais e este presidente tenha ocupado o cargo apenas enquanto estas não se realizaram e era escolhido um novo presidente. A lógica seria que ele também concorresse e, estando no cargo, ganhasse as eleições, mas nada encontrei a esse respeito naquilo que li.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Presidentes da República - Sidónio Pais!

O mês de Dezembro de 1917 foi marcante na vida da jovem república portuguesa. A participação do Corpo Expedicionário Português na I Grande Guerra não poderia estar a correr pior e as Aparições de Fátima, entre Maio e Outubro desse mesmo ano,  vieram acrescentar um aspecto mais surreal à situação política portuguesa que já era um autêntico desastre. Não admira, portanto, que tivesse acontecido a Revolução de Dezembro de 2017, capitaneada por Sidónio Pais, que demitiu e exilou o Presidente da República em exercício, assumiu o poder em Portugal e convocou eleições, nas quais viria a ser eleito no mês de Abril do ano seguinte.

Sidónio Pais  (1917 - 1918) - Nascido em Caminha, em 1872, estudou um pouco por todo o lado até acabar em Coimbra, onde se formou e acabou por ser professor também. Antes da Universidade de Coimbra tinha já feito a sua formação militar na Escola do Exército e enveredado pela carreira política.
Para chegar onde chegou com apenas 46 anos de idade, temos que admitir que era um gajo teso. Depois de ter demitido e exilado o anterior presidente, suspendeu a Constituição de 1911 que ele próprio tinha ajudado a redigir e aprovar, por discordar de alguns dos seus pontos e achar que ajudavam à grande rebaldaria em que a política se tinha tornado.
Em meados de 1918, conseguiu ser eleito presidente e iniciou aquilo a que chamou «República Nova», por causa das alterações introduzidas por ele. É claro que as tricas internas e as guerrinhas entre partidos nunca acabaram e não lhe faltavam inimigos. O desastre acontecido com o Corpo Expedicionário Português, na batalha de La Lys, em Abril de 1918, foi a gota de água que fez acabar o estado de graça em que vivia desde a revolução de Dezembro e levou a tentativas de assassinato que acabaram por ter sucesso, no fim desse ano.
As esperanças que o povo depositou nele para conseguir mudar o estado de coisas que se vivia no nosso país, desde a implantação da república, desapareceram com a sua morte e o país entrou numa rotação de governantes cada vez mais mal sucedidos que só terminaria com o início do Estado Novo e instauração da ditadura por António de Oliveira Salazar.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Presidentes da República - Bernardino Machado!

Bernardino Machado (1915 - 1917) - Depois de dois açoreanos tinha que vir um brasileiro para compor o ramalhete. Estive a estudar a sua biografia, de modo a trazer aqui algum facto relevante, algo que fosse realmente interessante, mas parei um tanto desanimado. Se vos contasse que aquilo a que achei mais piada foi ele ter nascido no mesmo mês que eu, em Março, e ter morrido no ano em que eu nasci, em 1944, chamar-me-iam maluco, mas a vida é mesmo assim, cada um é como é.
Para além de ter sido "chefe de loja" da Maçonaria e de lhe ter calhado a sorte de estar à frente do governo quando foi preciso decidir se Portugal devia ou não participar na I Grande Guerra, nada mais vi que me interessasse muito. Homem bem sucedido nos estudos, não o foi assim tanto na política. Andou sempre dentro e fora de tudo que era governo, movimento ou partido, foi presidente duas vezes e viveu metade da sua vida exilado em Espanha e França.
Foi Sidónio Pais que, em 1917, lhe impôs a demissão da Presidência da República e o primeiro exílio em França. Por lá continuou a sua luta política, entre escritos e conferências, tendo como principal alvo Sidónio Pais e a sua política. Quando este foi assassinado, em 1918, teve esperanças de regressar a Portugal e cumprir o resto do mandato para que tinha sido eleito, mas isso não aconteceu. Outros, tão ambiciosos como ele, lhe ficaram com o tacho.
Voltaria ainda a ser eleito, para um segundo mandato, em 1925, mas a revolução vinda de Braga com o General Gomes da Costa, em 1926, acabou-lhe rapidamente com o sonho e obrigou-o a partir de novo para o exílio, em França, de onde só voltou quando os alemães ocuparam Paris, no decurso da II Grande Guerra. Ao chegar a Lisboa encontrou Salazar no governo e recebeu ordem para fixar residência a norte do rio Douro e não se aproximar da capital.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Presidentes da República - Manuel de Arriaga!

Havia um bêbado na minha terra que ia à serra quando alguém gritava "Viva o Manuel de Arriaga". No fim do horário de trabalho era cliente fiel na taberna lá da aldeia. E quando os seus colegas sentiam que ele já estava mais p'ra lá que p'ra cá, começavam com os vivas e a taberna transformava-se num circo.
Manuel de Arriaga (1911 - 1915) - Foi o primeiro presidente da nossa república eleito segundo as regras e substituiu o anterior que tinha sido escolhido pelo governo provisório saído da revolta que abateu a Monarquia.
Não conseguiu completar o mandato. Em Maio de 1915 meteu-se em aventuras com alguns amigos e preparou um golpe de estado que tinha por fim instalar uma pequena ditadura que pusesse ordem na anarquia geral que se vivia na época. Dissolveu o Congresso da República e acabou por pôr toda a gente contra ele tendo que demitir-se. Acabou por ser demitido do cargo e os restantes cinco meses do seu mandato foram cumpridos pelo seu antecessor, Teófilo Braga.
Tal como o primeiro presidente, era também açoreano, nascido na cidade da Horta, em 1840. Estudou na Universidade de Lisboa, onde se formou como advogado. Grande orador foi parlamentar ainda nos tempos da monarquia e depois como membro do Partido Republicano. Antes de ser presidente da república foi ainda vereador da Câmara Municipal de Lisboa.
Depois da implantação da república foi nomeado reitor da Universidade de Coimbra e um mês mais tarde Procurador Geral da República, cargo que ocupou até à sua eleição para presidente da república, em 1911.
Morreu em 1917, depois de uma vida inteira dedicada à política.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Presidentes da República - Teófilo Braga!

Estava aqui a matutar no que poderia escrever e lembrei-me que, na época em que fui estudante, dei muito pouca matéria sobre o tempo da república e nem os nomes dos presidentes consegui fixar. Na Escola Primária só se tratava da monarquia, era preciso decorar os nomes dos reis, das suas mulheres e dos seus filhos, das guerras em que andaram metidos, do que conquistaram, do que descobriram, dos palácios onde viviam à grande, sem esquecer as amantes e os filhos bastardos. Era ainda uma coisa muito fresca a república e não havia ainda grandes compêndios sobre a matéria. Decidi fazer uma revisão dessa matéria e convido-vos para me acompanharem.
Em 5 de Outubro de 1910 foi-se a monarquia, com D. Manuel II a fugir para Inglaterra. Os primeiros tempos foram complicados e imagino que com tanto político à procura de tacho e a procurar meter a sua colherada em todos os assuntos da governação, não seria nada fácil aceitar o cargo e desempenhar as funções de presidente.
Teófilo Braga, foi o primeiro a receber o mandato das mãos dos revoltosos que puseram o último rei a correr daqui para fora. O seu primeiro trabalho foi limpar a casa de toda a tralha de partidos e políticos dos tempos de Suas Majestades. Depois, pôr a funcionar uma Assembleia Constituinte que redigisse a primeira Constituição da República Portuguesa e no seguimento da aprovação dessa constituição convocar eleições para eleger um novo presidente, segundo as regras estabelecidas pela nova constituição. Já não foi coisa pouca para um mandato que durou apenas até ao dia 3 de Setembro de 1911, menos de um ano.
Nasceu em Ponta Delgada, no ano de 1843, e foi grande interessado pelas coisas das Letras. Dos Açores veio para Coimbra, onde tirou o Curso de Direito. Anos depois mudou-se para Lisboa e continuou a estudar tirando um Curso de Letras. Poeta e ensaísta chegou a publicar alguns trabalhos antes de se meter na política. Depois, imagino que nunca mais teve tempo nem disposição para isso, pois a política é coisa que nos ocupa a 100% e dá cabo dos miolos a um santo.
Ainda voltou à presidência, em 1915, onde permaneceu 5 meses, para substituir o demitido Manuel de Arriaga e até è eleição de um novo presidente. Morreu viúvo, triste e sozinho, sentado na sua biblioteca onde se refugiava com os seus pensamentos por companhia, no princípio do ano de 1924.