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domingo, 26 de abril de 2026

O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende a 311, com 1,07 milhões de pessoas afetadas, desde outubro, 24.229 casas parcialmente destruídas, 11.996 totalmente destruídas e 209.219 inundadas, com um total de 304 unidades de saúde, 109 locais de culto e 764 escolas afetadas em menos de seis meses, segundo atualização de 31 de março do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

Ao passar os olhos pelas notícias dei com os olhos nesta notícia sobre Moçambique, país que considero a minha segunda pátria por lá ter vivido quase 6 anos e na fase mais importante da minha vida, aquela em que se passa de rapaz a homem responsável por todos os seus actos. Preferi falar desta desgraça que, ano após ano, atinge os moçambicanos, em vez de dedicar a minha atenção à tentativa de assassinato de Donald Trump que , Deus me perdoe, parece uma encenação para lhe trazer alguns créditos públicos de que anda bastante necessitado.

Moçambique parece não ser capaz de acertar no caminho para a felicidade. Em 1962, foi fundada a Frelimo para lutar contra os portugueses e acabar com a colonização do seu (?) país. Uma Guerra Colonial que muito fez sofrer o povo, seguida de outra guerra entre irmãos que foi ainda pior que a primeira. Sim, porque nunca a tropa portuguesa fez sofrer os moçambicanos tanto quanto a Frelimo e a Renamo que tudo fizeram para se auto-promover, mas nada fizeram em favor do povo.

Eduardo Mondlane talvez tivesse sido um bom presidente e levado o país por bom caminho, coisa que Samora nunca foi capaz de fazer, porque já tinha vendido a sua alma ao diabo (entenda-se a Moscovo). Mas mataram-no antes de o poder concretizar e isso parece ter funcionado como uma maldição, pois desde esse dia até hoje tudo tem corrido mal para os moçambicanos.

Moçambique não é um país pobre, como de quando em vez se lê na comunicação social, pois tem alguns recursos naturais ainda por explorar. A sua capacidade agrícola é de assinalar e com o início da exploração do petróleo e gás na Bacia do Rovuma, a Economia deveria começar a dar alguns sinais positivos. Outros recursos minerais, como carvão, grafite, ouro e pedras preciosas estão a ser explorados aqui e ali, embora sem grandes investimentos de empresas mineiras. Recursos naturais, como madeiras e afins, estão a ser devastados pelos chineses que os levam a troco de assistência governativa.

O mal do país é a corrupção, a mesma que acabou com Mondlane e até Samora, As altas esferas do partido que se diz democrático, mas não passa de um esbirro de Moscovo e do seu actual mandante que é o nosso bem conhecido Vladimir Putin, fazem desaparecer toda a riqueza existente ou criada pelos moçambicanos distribuindo-a entre si, de modo a manter a coesão no grupo que tudo comanda e tudo decide. Como é apanágio dos regimes comunistas, para quem manda todas as benesses e para o povo nada, a não ser miséria e fome.

Ia eu dizendo que parece que foi um bruxedo, desde a fundação da Frelimo nada correu bem para os moçambicanos. De 1962 a 1964 foram ensinados, em Moscovo ou Argel, como se verem livres dos portugueses, mas esqueceram que os portugueses, mesmo sendo colonos tinham muito de humanistas e sempre trataram bem - salvo raras excepções - o povo indígena (como lhe chamavam). Eu e um grupo de amigos tínhamos uma casa alugada, em Lourenço Marques, onde guardávamos a roupa civil e dormíamos, quando fora de serviço. Para cozinhar uma refeição, lavar e passar a ferro, além de zelar pela limpeza, contratámos um moço que andaria pelos 22/24 anos, a quem pagávamos um salário e habitação.

Esse rapaz, Lourenço de seu nome, vivia feliz com tantos patrões que o tratavam bem e, de vez em quando, ainda lhe davam uma moedinha extra. Ele era da Zambézia, zona de Quelimane, e um dia veio ter comigo dizendo que tinha um problema e pedindo para o ajudar a resolver. Tinha namorada lá na terra, queria trazê-la para a capital e casar-se com ela, mas para isso teria que despedir-se e ir trabalhar noutro lado para comprar uma palhota e ir viver com ela para os arredores da cidade. A menos que ...

A menos que o quê, Lourenço, perguntei-lhe eu. A menos que o patrão deixasse ela dormir aqui comigo, respondeu ele, de imediato. E ela cabe na tua cama? Ih. ih, isso a gente arranja, patrão! Então não vejo grande problema nisso, como pretendes fazer para ela vir? Depois desta conversa, entre mim e os outros interessados, arranjamos uma passagem gratuita para ela num navio mercante que fazia a ligação entre Lourenço Marques e Quelimane e, mais ou menos, um mês depois já tínhamos a rapariga lá em casa. Foi uma alegria para o Lourenço e nós ganhámos uma empregada grátis. Ela cozinhava, ele limpava, ela lavava as nossas fardas e ele passava-as a ferro.

Mas, esquecendo isto que era o que corria bem e não representava qualquer problema, se nos focarmos no que se passou no mato, tanto durante a guerra contra os portugueses, de 1964 a 1975, como nos 16 anos de guerra civil, entre adeptos da Frelimo (comunistas) e da Renamo (não comunistas) não encontramos nada a que nos possamos referir como bom para o povo. As populações eram espoliadas de tudo o que tinham e obrigadas a seguir os guerrilheiros para onde eles fossem para lhes servir de escravas, no trabalho e no sexo. Isto no que respeita às mulheres, pois os homens ou alinhavam na guerrilha ou desapareciam do mapa, sem ninguém saber para onde foram.

Finda a guerra civil, por volta de 1990, e com o país num completo caos, o partido no poder, sempre o mesmo até aos dias de hoje, foi obrigado a mendigar ajuda a todas as entidades internacionais e assim continuam ainda hoje, seja por causa das cheias, das doenças incontroláveis ou da falta de meios para se valerem a si mesmos. Sempre de mão estendida a mendigar uma ajuda, enquanto os seus líderes vivem à grande, na capital, depois de terem "herdado" tudo aquilo que os portugueses deixaram para trás e esbanjarem o dinheiro que ganho, oferecido ou emprestado passa pelas suas mãos.

E mais não ponho na carta, pois acho que a minha mensagem já foi compreendida. Eu gostaria muito de ver aquele povo feliz, mas enquanto a democracia plena não chegar lá, isso não será possível. Os meus dias estão perto do fim e não antevejo uma solução, antes que eu me vá deste mundo. Além de que a maneira de ser dos africanos, demasiado tribal, não augure nada de bom, como se pode ver em "quase" todos os países vizinhos de Moçambique! 

Lourenço Marques

Maputo    

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Dia de Moçambique!

 Moçambique é a minha segunda pátria, como já aqui afirmei várias vezes. Estou a ouvir o Daniel Chapo a discursar neste dia em que foi investido como 5º presidente da república de Moçambique. Pelo que diz não vai preso, veremos como será nos actos.

À primeira vista, parece-me muito mais capaz que o seu antecessor que parecia um autêntico filho da tabanca, careca, baixinho e gordinho de tanto comer Xima com caril. Este novo é muito diferente, embora também sofra da falta de cabelo. Pelo menos é grande, se a guerra fosse à lambada, como nos tempos pré-históricos, ele seria um sério candidato à vitória.

O candidato da oposição diz que a cerimónia de hoje não tem qualquer valor e que o vencedor nas eleições de Outubro passado foi ele mesmo. Muito barulho, e não só, têm feito os seus apoiantes por todo o país, mas temo que isso não sirva para nada. Aqui, como na Venezuela ou qualquer outro país comunista, as Forças Armadas estão do lado do poder, pois são os que melhor vida têm e assim sendo de pouco adianta a revolta popular. Servirá apenas para levar mais uns quantos moçambicanos para a prisão ou, pior ainda, para o cemitério.

De qualquer modo, gostei do seu discurso (de 48 minutos) e se ele for capaz de fazer metade do que disse, a vida dos moçambicanos poderá melhorar um pouco. Os recursos naturais, como os minerais e florestais e, agora, também os hidrocarbonetos, para além da capacidade agrícola devem ser geridos de forma séria e não dados/vendidos ao desbarato ou trocado por armas vindas da China. E o seu produto usado para melhorar o país e a vida do seu povo.

Gostaria muito de ver a Frelimo apeada do poder, mas parece que ainda não vai ser desta. Dar a oportunidade a outros políticos com ligações a outros países que vivem em democracia plena seria muito melhor, mas parece que terei que esperar mais 4 anos!

quinta-feira, 7 de março de 2024

A Praça 7 de Março!

Que todos os juízes, e todos os habitantes da cidade, e todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol. Não obstante, atendam os lavradores com plena liberdade ao cultivo dos campos; visto acontecer amiúde que nenhum outro dia é tão adequado à semeadura do grão ou ao plantio da vinha; daí o não se dever deixar passar o tempo favorável concedido pelo céu.

Quem passou por Lourenço Marques sabe o significado disto

Há dias, se bem se lembram, eu mencionei a Praça 7 de Março, em Lourenço Marques, onde a minha namorada sul-africana me fez uma bela surpresa. Hoje, vivemos nessa data e eu quis saber de onde teria surgido o nome da tal praça que ficava no extremo sul da Rua Araújo. Tudo o que encontrei foi o «Édito de Constantino» que data do Século III da nossa Era, mais precisamente, em 7 de Março do ano da graça de 321. Será esse o motivo pelo qual a praça foi baptisada? Desconfio que não, mas não tendo encontrado outra razão dou um viva ao dia do Sol.

Em contraste, não esquecer que vivemos no hemisfério oposto, hoje não se avista o sol, temos um dia sem sol e com frio e chuva. Saudoso Lourenço Marques, capital do Império Português onde me fiz homem. Foi ali que, em 9 de Março de 1965, comemorei o meu 21º aniversário e me tornei membro da sociedade socialmente responsável. Até essa data, respondia por mim o meu pai e na falta dele o meu comandante de Companhia, a 2 de Fuzileiros, única até então, naquela nossa Província Ultramarina. O Salazar determinou que assim se chamasse para podermos afirmar, perante o mundo, que o nosso Império ia do Minho até Timor.

Em 1970, morreu o ditador português (e também a minha muito querida avó Maria) e todos esses sonhos imperialistas seriam apagados da nossa mente com o fim da Guerra Colonial e a entrega das nossas colónias aos comunas negros que eram apoiados pelos comunas brancos de Moscovo e Pequim. O nosso império mede-se agora em largura, de Badajoz até à ilha mais ocidental do arquipélago dos Açores a das Flores.

1957 Iniciaram-se há 66 anos as emissões regulares da RTP, nos antigos Estúdios do Lumiar, em Lisboa. No mesmo dia, mas em 1980, sob a presidência de Soares Louro (1933-2007), a RTP começou as emissões a cores, com a transmissão do Festival da Canção.

Por curiosidade, acrescentei esta outra efeméride que é importante para nós (pequenos lusitos), mas que acredito eu, nada tinha a ver com Moçambique e a cidade de Lourenço Marques. Uma última nota que quero aqui deixar como uma pista para quem quiser completar estas minhas notas, é o nome de Joaquim Araújo, fundador da cidade de Lourenço Marques, que deu o nome à rua que une a Praça Mac-Mahon à Praça 7 de Março. Quem sabe se o nome da praça está ou não relacionado com esta personalidade ou algum evento com ele relacionado.

Clicar na imagem para uma leitura mais fácil

domingo, 24 de julho de 2022

Vira o disco e toca o mesmo!

"As nossas forças em operações abateram dezenas de terroristas e apreenderam material bélico e informático", disse Omar Saranga à comunicação social estatal em Macomia, durante uma visita à base Catupa, que era considerada estratégica para os rebeldes e que foi assaltada pelas forças governamentais há três semanas.

A base Catupa estava localizada numa mata densa do distrito de Macomia e albergava rebeldes que fugiram das operações militares que culminaram com a recuperação de Mocímboa da Praia, em agosto do ano passado.

Durante a operação para a tomada da base Catupa, as forças governamentais apreenderam material bélico, em quantidade não especificada, e computadores, bem como rádios de comunicação que eram usados pelos rebeldes para coordenar ações.


Isto parece o relatório de uma operação, feito por um qualquer comandante de uma unidade militar portuguesa, por volta de 1970, mas não é. São os "frelimos" (turras) a viver aquilo que nós vivemos, durante a Guerra Colonial. Nem mais!
Os TURRAS são os mesmos, só mudou a tropa que os combate. Antigamente, eram portugueses contra portugueses, agora são moçambicanos contra moçambicanos. E o motivo da guerra também é o mesmo, o descontentamento do povo com quem o governa. A coisa é clara, não vale a pena procurar outra explicação. Em 1975, ganharam a sua independência do governo de Portugal, talvez agora a solução para os Macondes seja ganharem a independência do governo de Moçambique.
Quem sabe, isso traria a paz para Cabo Delgado!

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Os novos «Turras»!

 


Durante a Guerra Colonial, passei 5 anos em Moçambique. A maior parte do tempo passei-o na cidade, mas ainda fiz uma perninha a correr atrás dos «frelimos» no Niassa. Ao Cabo Delgado nunca fui, mas a guerra era mais ou menos igual em todo o lado. Umas emboscadas, umas rajadas de metralhadora, umas morteiradas e, principalmente, muitas minas. Fui dar uma ajuda, em 1964, aquando dos primeiros tiros, depois vim a Portugal lutas pelas divisas de Marinheiro e voltei ao Niassa no ano de 1966, já a guerra ia em adiantado estado com os «turras» mais bem armados e organizados.

É engraçado como a História se repete. Os turras que lutam em Cabo Delgado são os mesmos de antigamente, o inimigo é que é diferente. Em vez de combaterem o "Colonialismo" que era o seu grande opositor, combatem agora o "Comunismo" da Frelimo que assumiu o poder, desde a independência, e se está a marimbar para a população. Enquanto os líderes do partido engordam, enriquecem e vivem à tripa forra, o povo moçambicano, principalmente no norte, vive privado de tudo.

Quase todos os países africanos sofrem do mesmo mal, falta de democracia. Libertados do jugo colonialista, na década de 60 do século XX, embriagaram-se com a liberdade e ainda não voltaram a ficar sóbrios. Vai ser preciso que morram todos os que estiveram envolvidos nesse processo e nasça gente nova que esqueça o tempo colonial e pense apenas pela sua cabeça. Quem tinha 20 anos em 1975 e viveu a euforia da libertação poderá viver ainda mais 30 anos e só depois disso será expectável que as coisas comecem a mudar.

Uma coisa que pode entravar esse processo são os muitos académicos formados na Rússia ou na China, ao abrigo de acordos bilaterais, tanto em Angola como em Moçambique. No entanto, eu conto com a esperteza do Povo para perceber que o ideário comunista não lhes serve para nada e só os atrapalha no caminho para um futuro bem sucedido.

Quando leio as notícias sobre a guerra desencadeada em Cabo Delgado mais me convenço que tenho razão. Os insurgentes, como são chamados, são apenas descontentes com o governo da Frelimo e se querem ver livres dele. E o presidente Nyusi sabe disso, razão pela qual demorou tanto em aceitar ajuda externa para pacificar o norte. Ele sabe que o problema é político e estaria na sua mão resolvê-lo. Mas teria que ir contra os membros do seu próprio partido e meter na ordem aqueles que têm abusado da sua posição dominante roubando o Povo e vivendo como autênticos marajás. Perder privilégios para os dar ao Povo é coisa que lhes não agrada e por isso é tão difícil encontrar a solução para o problema.

A intervenção estrangeira vai matar uns quantos desses "descontentes" e prender outros, mas o problema não ficará resolvido. Enquanto não forem criados outros partidos que dêem luta à Frelimo e a vençam nas eleições, Moçambique, tal como Angola, continuarão a ser uma espécie de Venezuela africana e não terão paz. Aparecerão outros insurgentes a dar luta à Frelimo, enquanto esta se mantiver no poder. Triste destino para um povo sofredor que merecia melhor sorte! 

sábado, 3 de abril de 2021

A coisa está preta!

Aviso -  Neste blog, sempre que há textos em "itálico", isso significa que não são da minha autoria, mas sim copiados de qualquer órgão de informação. 

Dezoito organizações da sociedade civil moçambicana exigiram ao Presidente da República, Filipe Nyusi, que "acione" pedidos de apoio internacional para combater os grupos armados no norte do país, considerando que a situação atingiu "proporções inaceitáveis". Pedem igualmente a valorização e reconhecimento dos jovens militares que tentam a todo o custo travar ação dos grupos armados.

A posição das organizações da sociedade civil (OSC) surge numa carta aberta dirigida a Filipe Nyusi, nais quais pedem que o chefe de Estado "acione apoio da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral [SADC], União Africana (UA) e outros parceiros internacionais" para o combate aos grupos armados que protagonizam ataques na província de Cabo Delgado.

Face ao ataque de grupos armados à vila de Palma, que se iniciou na quarta-feira (24.03) da semana passada, as organizações defendem o resgate de crianças, raparigas e mulheres que se encontram nas mãos de insurgentes.


Segundo o Nuno Rogeiro, isto está muito mais adiantado do que possamos pensar. Este grupo de terroristas é comandado de fora, armado e aconselhado por especialistas árabes que actuam ou já actuaram na Síria, no Iémen, no Iraque e também nos países africanos do Corno de África, local com grande importância estratégica. Os moçambicanos (islâmicos) que participam neste grupo são uma espécie de voluntários à força, arrebanhados sob coacção, ameaça ou promessas de uma vida melhor, num futuro que é raro acontecer. No geral são carne para canhão e os primeiros a cair, quando os combates acontecem.



Dizem os especialistas neste tipo de luta que os terroristas se misturaram com a população em fuga que eles próprios provocaram, para conseguir entrar em Palma. E lá chegados, foi só sacar das armas que levavam escondidas e começar a metralhar as gentes, a torto e a direito. Nos refugiados que estão, agora, a chegar a Pemba teme-se que possa estar a acontecer o mesmo e venham a ocorrer ataques dentro da própria capital da província de Cabo Delgado. Se o presidente Nyusi, a Frelimo e as altas esferas militares não decidirem levar o assunto a sério (e esquecer interesses pessoais) a coisa só pode piorar. E se isso vier a suceder ... que Deus (ou Alá) lhes acuda!

quarta-feira, 31 de março de 2021

Crise séria em Cabo Delgado!

 Um amigo moçambicano, com contactos entre a tropa que anda no Cabo Delgado a tentar controlar a situação, enviou-me estes dados que eu publiquei num grupo moçambicano. Não acredito que sirva de muito, mas pelo menos vai-se espalhando a notícia para que o povo não se deixe enganar pelos frelimistas que só querem saber do seu cu.

Emir Afande

Supostamente, foi este melro que vêem na imagem acima, quem liderou o ataque a Palma e causou o tremendo morticínio entre o pessoal civil. Diz a TVM que a situação já está controlada pelas tropas, mas sem eliminarem fisicamente os terroristas, há sempre o perigo de regressarem.

terça-feira, 30 de março de 2021

R.I.R.!

 


Em face daquilo que, nos últimos dias, se tem passado no norte de Moçambique, eu tenho uma teoria que pode não andar muito longe da realidade. Não podemos esquecer dois pormenores importantes. O primeiro é que, desde que morreu Dhlakama, a Renamo perdeu importância, mas não desapareceu. O segundo é que além da Renamo há muito boa gente que não se sente representada pela Frelimo de Nyusi e os seus cães de fila. Ou seja, há em Moçambique um terceiro poder, mais social que político, que acha chegada a hora de se afirmar no terreno.

Por outro lado e não menos importante, aquele cantinho de Moçambique sempre foi dominado pelos árabes, muito antes de Portugal ter imposto a sua presença como colonizador. O tráfico de escravos e de marfim foi o motivo da vinda e permanência dos árabes no norte de Moçambique, assim como no litoral da Tanzânia, e a sua influência, através da religião, mantêm-se até hoje. As muitas missões católicas fizeram o seu trabalho, mas a grande maioria da população das províncias do Niassa e Cabo Delgado continua a seguir o Islão.

Aproveitando todos estes elementos para pôr num dos pratos da balança, tendo no outro apenas a miséria ea fome do povo moçambicano, é fácil perceber para que lado se inclina o fiel dessa balança. A maneira de cativar a juventude para a sua causa é tão só prometer-lhes que os vão livrar da Frelimo e dos corruptos bem instalados na capital que nunca moveram um dedo para o desenvolvimento de Moçambique. A Frelimo e os seus caciques têm tudo e o povo, especialmente o do norte, não tem nada. Nem emprego para ganhar a vida, nem casa para morar, nem escolas ou hospitais dignos desse nome.

E depois não falta no mundo quem esteja de olho nos lucros da exploração do petróleo e gás que está quase a jorrar e transformar-se em dólares. Isto quer dizer que estão reunidas todas as condições para unir os descontentes e formar um novo país, usando uma fatia de Moçambique e outra, mais pequena, da Tanzânia, com a desculpa que é tudo por Alá e pelo sagrado Islão. A este novo país, cuja capital foi já declarada, ontem, Palma, dei eu o nome de R.I.R., como podem ver no mapa acima. São as iniciais de República Islâmica do Rovuma que terá uma fatia na margem norte e outra na margem sul deste rio, nos últimos 100 quilómetros, antes de desaguar no Índico.

Para quem quer apenas colher os lucros do petróleo, gás e pedras preciosas, aquele pedaço de terreno chega e sobra, ambicionar mais só lhes traria problemas. A nível turístico, aquele pedaço de costa marítima é o melhor que Moçambique tem e quando houver dinheiro para investir em infraestruturas, poderá nascer ali uma nova Flórida.

Sou eu que o digo e penso não andar muito longe da verdade. Fiquem atentos!

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Moçambique, um país adiado!

 


Os moçambicanos fartam-se de reclamar a sua independência, amaldiçoam os países colonizadores que sempre mantiveram o joelho no seu pescoço, mas é um facto provado e comprovado que não encontram maneira de viver sem a ajuda deles. Seja Portugal, a China, os Estados Unidos, a União Europeia, ou outro qualquer, tem que haver sempre alguém pronto a prestar-lhes ajuda para os livrar da "alhada"

Com a onda de terrorismo no norte e os ataques (supostamente da Renamo) ao centro mostra-se a polícia e as forças de segurança incapaz de controlar a situação. As zonas afectadas, assim como as populações deslocadas pelos ciclones do ano passado, continuam também por resolver, situação agravada pela chegada do Covi-19 que veio transformar o problema numa desgraça a todos os níveis.

A pandemia vai obrigar a muitas restrições, nos meses que aí vêm, e todos sabemos como é difícil obrigar pessoas a respeitar regras, quando lhes falta tudo o que é necessário à sua subsistência, desde os bens mais essenciais ao apoio na educação e saúde. E pensando que os protegidos do regime têm direito a tudo e mais alguma coisa, deixando os pobres mais pobres ainda, é-me muito difícil acreditar que que as coisas se endireitem. Não com a Frelimo no poder.

Na semana passada, alguém encontrou uma mina (perdida desde os tempos da guerra) no mato e trouxe-a para casa. Ao tentar abri-la, com um monte de gente à sua volta, fez com que explodisse matando 7 pessoas e ferindo mais algumas. É apenas mais um incidente na história conturbada de um povo que esperava ser feliz depois da partida dos portugueses, mas não encontra o caminho dessa felicidade.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Uma ponte para a outra banda!

Com um vão de 700 metros e duas rampas com pouco mais de dois quilómetros cada, a ponte Maputo-Katembe foi feita para permitir a ligação por terra entre as duas margens da baía da capital moçambicana, a norte e a sul.
A entrada em funcionamento do empreendimento une por estrada o sul, centro e norte de Moçambique, fazendo jus à famosa palavra de ordem "do Rovuma ao Maputo", oficialmente usada para reafirmar a demarcação e a indivisibilidade do território nacional, através dos seus extremos norte e sul.


Vai ser inaugurada amanhã. No Maputo vai viver-se um dia semelhante ao 6 de Agosto de 1966, quando foi aberto o trânsito na Ponte Salazar, em Lisboa. Dar a volta pela Matola, por estradas fracas e congestionadas, ou optar pelo ferry que atravessa a baía foram as soluções deixadas pelos colonizadores portugueses. Era mau, mas não houve dinheiro (nem vontade) para fazer melhor. Amanhã, começará uma nova vida para quem tem pressa de chegar ao seu destino e meticais no bolso para pagar a portagem. Do Maputo até à Ponta do Ouro, passando pela reserva dos elefantes, em cerca de uma hora de condução é um novo luxo para quem quer ir até uma praia linda e tem dinheiro para o pagar.
No meu tempo só se ia à Catembe para comer uns camarões grelhados. O Restaurante Marisol era o destino escolhido. Tudo o resto, naquela zona fronteira à capital, era uma desgraça pegada e uma pobreza franciscana e tudo por causa da água que separava os dois lugares. Com a abertura da ponte tudo vai mudar. Em breve começarão a aparecer construções, armazéns, serviços de apoio ao porto de mar, depósitos de contentores e outras coisas mais que já não cabem na velha capital.
A parte negativa da coisa é a monumental dívida contraída com os chineses que são os novos colonizadores de Moçambique, mas isso já não é assunto que me preocupe.

domingo, 10 de setembro de 2017

Domingo, 10 de Setembro!

Toda a gente sabe que hoje é domingo, assim como também sabe que é o décimo dia deste mês de Setembro. O que ninguém sabe é o que ele significa para mim, é uma espécie de "day after" (o dia seguinte).
Ontem, fui até Mirandela para encontrar-me com o Manuel Filipe, camarada fuzileiro que não via desde o dia 2 de Outubro de 1962. Claro que a desculpa era abastecer a minha despensa de produtos da região transmontana, tais como vinho, azeite, linguiça e alheiras, mas aquilo que motivou a viagem foi rever um camarada que não via há 20.066 dias. Passaram-se, exactamente, 54 anos e mais 342 dias, daqui a 23 dias seriam 55 anos. É obra!
Ninguém quer saber disso, mas destes quase 55 anos que, entretanto, decorreram, 14 deles foram bissextos. Muitas coisas aconteceram, durante todo esse tempo, na vida do Filipe, assim como na minha. Ele fez duas comissões, em Angola e uma, em Moçambique, tendo abandonado a Marinha depois disso. Esteve em Metangula e no Cobué, como eu estive também, mas em tempos diferentes.
Na sua vida civil, depois da Marinha e da Guerra Colonial, foi emigrante. Andou pelo Médio Oriente e depois foi parar a Paris. Trabalhou nas obras até encontrar o seu caminho definitivo. Em Paris recomeçou os estudos que tinha interrompido quando se alistou, antes ainda de fazer 17 anos, na Marinha de Guerra Portuguesa, e conseguiu terminar o Curso de Contabilidade. Depois disso, com o "canudo" na mão, arranjou um emprego, onde havia alcatifa e ar condicionado, livrando-se do frio, neve e chuva que fustigam Paris durante boa parte do ano.


Ele, agora, está reformado e vive mais tempo em Portugal, na terra que o viu nascer, no concelho de Olhão. E tem mais tempo para dar umas voltas e esquecer a vida de trabalhos que levou até agora. Foi isso que o trouxe, ontem, de Olhão a Mirandela e fez com que o nosso reencontro fosse possível.


Não é qualquer amigo que merece uma deslocação de 176 Kms, mas para o NMA 16491 que partilhou comigo aquelas sessões de «Ordem Unida», sob o comando do sargento Bicho, durante 6 meses, tudo é justificado. Tempos inesquecíveis que, ontem, durante cerca de três horas, tivemos oportunidade de recordar. A buzinadela do autocarro que pretendia prosseguir a viagem pôs fim ao nosso encontro.


No regresso, aproveitei para fazer um desvio e passar pela barragem da Foz do Tua, cuja construção acompanhei desde o primeiro dia. E assim, para regressar a casa tive que meter mais uns 229 Kms na minha carrinha Ford Mondeo que, a bem da verdade, estava já cansada de ficar aqui ao lado, a ganhar teias de aranha e acumular pó em cima do tejadilho.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Regresso ao passado!

Já lá vão muitos anos que virei as costas a Moçambique. Quis a sorte que nunca lá tivesse voltado, desde que, a bordo do Vera Cruz, regressei à Metrópole depois da comissão que fiz na CF8. É assim a vida, os caminhos do destino são insondáveis.
Hoje li nas notícias que começa hoje, no Maputo, melhor dizendo, em Marracuene, a grande feira internacional - FACIM - que já vem dos tempos em que os portugueses ainda eram reis e senhores daquela terra. Para vos falar nisso, juntei algumas fotografias alusivas á feira e à terra que me deixou saudades.

A torre que anuncia o lugar da feira


Desde 2010 que a feira mudou para Ricatla, nos arredores de Marracuene, pois na marginal de Maputo o espaço já era insuficiente para tantos participantes e provocava enormes constrangimentos no centro da capital.

Portão Nº 1
Na imagem está fechado, mas a esta hora já deve estar escancarado para receber os milhares de visitantes que são esperados.

Feira dos velhos tempos, quando ainda era na marginal, em Lourenço Marques.

Os cajus são para mim o melhor sinal daquela terra.


Aproveito também para vos deixar um mapa da cidade, ainda com as ruas denominadas à nossa moda, para não se perder quem quiser recordar os velhos lugares por onde passou. Eu já desci a Avenida de Angola, fui até ao aeroporto e depois regressei ao centro da cidade pela Avenida Craveiro Lopes. Nele, por ser antigo, ainda se vê a FACIM no sítio onde nasceu, pertinho do Comando Naval.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Actualização!


Já li as notícias de hoje e, para além de perceber que há muito boa gente à espera que o Benfica perca, logo à noite, e que o Sócrates seja entalado contra a parede pelos procuradores do Ministério Público, a grande notícia que me caiu debaixo dos olhos e me encheu as medidas é aquela que refere que o nosso craque da bola, o mais que famoso CR7, encomendou mais dois filhos. Assim mesmo, o rapaz não é de meias medidas e quer fazer concorrência á Angelina Jolie e à Madona que têm pr'aí uma meia dúzia de adoptados. Só que para marcar a diferença, ele quer que tenham o seu ADN. Neste mundo cão, quem tem dinheiro pode permitir-se tudo.


Se eu tivesse dinheiro com fartura, como ele tem, metia-me num projecto diferente. Ia viver para Metangula e punha aquela terra num brinquinho. Começava com uma central de produção de energia solar, continuava com um sistema de bombagem e tratamento de água e, se me dessem licença para isso, construía uma nova pista de aterragem, mais larga e mais comprida, do outro lado da baía, em frente à Torre do Farol. E para completar o panorama, numa daquelas colinas sobranceiras à baía, construía uma bela casa, onde descansar o gozar o resto dos milhões que tivessem sobrado.


E claro que não podia faltar um belo campo de futebol e uma escolinha para ensinar os putos daquela terra, a qual eu construiria na ponta norte da nova pista de aterragem e a umas centenas de metros da minha mansão, mais ou menos no lugar onde a estrada que vem de Maniamba entra em Metangula.
Estão a imaginar a cena? Ah, em anexo à escolinha de futebol teria um ginásio e uma enfermaria para ir tratando da saúde aos atletas e garantindo que não sofreriam de nenhuma daquelas doenças africanas que são o terror de toda a gente.


Muito melhor que pôr a avó Dolores a criar netinhos feitos na Califórnia e com genes de uma mãe que pode bem ser de marca rosca e passar a herança para os putos!

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O seu a seu dono!

Há dias, publiquei qualquer coisa sobre os Caminhos de Ferro de Moçambique, à conta da renovação da linha férrea que está quase concluída entre Cuamba e Lichinga. Hoje, voltei a olhar para os comboios em Moçambique para perceber como funciona a ligação da Beira até ao Malawi.
Infelizmente, não podemos reclamar muitas medalhas pelos sucessos do desenvolvimento deste troço do Caminho de Ferro, pois se não fossem os ingleses interessados em trazer até ao mar os produtos do seu protectorado, a Niassalândia, ainda hoje não haveria linha. Falando de modo geral, há muito quem diga que os portugueses fizeram três coisas por Moçambique, muito pouco, quase nada ou absolutamente nada, dependendo da zona em análise.
A linha que do Malawi vem até à margem norte (esquerda) do rio Zambeze foi, portanto, construída pelos ingleses. Terminava numa povoação de nome Chindio, onde as mercadorias eram transbordadas, em batelões, para o outra margem do rio, onde passava a Linha da Beira que, da cidade do mesmo nome seguia até à Rodésia. Lembro-me de ouvir falar que havia quem viajasse de Lourenço Marques até à Beira usando esta linha que passava pela capital da Rodésia. Esta operação era demorada, dispendiosa e complicada e os ingleses não descansaram até resolver o problema.



Em 1935, foi construída, sobre o rio Zambeze, a Ponte de D. Ana (ferroviária) alterando e tornando mais curto o percurso para o Malawi e o transporte das mercadorias e passageiros até ao porto da Beira mais rápido e mais cómodo. Erradamente, o projecto dessa ponte tem sido atribuído ao engenheiro Edgar Cardoso que todos nós bem conhecemos. Por isso não ser verdade, resolvi deixar aqui alguns excertos daquilo que fui lendo na internet sobre este assunto, para que fiquem a saber tanto como eu.
A mentira:
«A construção da ponte foi efetuada pela britânica Cleveland Bridge & Engineering Company sob encomenda da Central African Railway e da Trans-Zambezia Railway, e projeto do engenheiro português Edgar Cardoso, entre 1931 e 1935[1], durante o período da Administração Colonial. Contudo, foi destruída por soldados da RENAMO durante a Guerra Civil Moçambicana (1977-1992), tendo sido reparada e adaptada ao tráfico rodoviário com a ajuda financeira dos Estados Unidos da América em 1995. Em Maio de 2009 a ponte reabriu ao tráfego ferroviário.»
A prova:
«Edgar Cardoso formou-se em engenharia civil na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto em 1937. Foi professor universitário e autor de algumas das mais belas pontes portuguesas, tendo sido agraciado com um doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.»
As obras de Edgar Cardoso:
Ponte de Mértola 
Ponte de Santa Clara, em Coimbra 
Ponte da Arrábida no Porto (na época o maior arco de betão armado do mundo) 
Ponte Governador Nobre de Carvalho, em Macau 
Ponte ferroviária de São João, no Porto 
Ponte do Vale da Ursa sobre o rio Zêzere, 
Ponte Edgar Cardoso, na Figueira da Foz. 
Extensão da pista de pouso do aeroporto da Madeira, executada em vigas de betão prefabricadas, assentes sobre pilares de betão armado. 
Ponte de Mosteirô, localizada no Douro entre Baião e Cinfães. Foi considerada por Edgar Cardoso como a sua melhor e mais bela obra.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

O último "Laurentino" do Benfica!

Morreu Mário Wilson (1929-2016), o velho capitão do Benfica!
Nasceu em Lourenço Marques, mas viveu em Portugal desde 1948, ano em que ingressou no Sporting. Liga-me a ele o Benfica, pelas razões que todos conhecem e também Moçambique que considero a minha segunda pátria.
A Académica de Coimbra foi, enquanto jogador de futebol, o seu clube do coração. Depois de um ano a jogar no Sporting teve que dar prioridade à sua vida de estudante e foi nessa condição que ingressou na Associação Académica, onde se tornou profissional de futebol e dos bons.
Ao Benfica chegou em 1975 como treinador, o que repetiu em 1979. Regressaria de novo, já quase no fim da carreira, em 1995, 1996 e 1997, terminando esta no Alverca, no ano seguinte.
A sua morte, acontecida ontem, fez-me recordar de outros dois jogadores, também eles "Laurentinos", que se tornaram famosos no Benfica.
O primeiro deles, não por ser mais famoso, mas sim por ser mais idoso e ter quase funcionado como pai adoptivo do segundo, foi Mário Coluna (1935-2014) que granjeou no Benfica o título de «Monstro Sagrado».
E o segundo, o mais novo dos três, Eusébio (1942-2014) que dispensa quaisquer comentários da minha parte. Com tantos títulos e honras recebidas é mais conhecido que o presidente dos Estados Unidos da América. 
Depois deles, não me lembro que quaisquer outros jogadores moçambicanos que tenham deixado nome por aqui e depois da revolução dos cravos o clima entre Portugal e Moçambique não era de molde a facilitar essas coisas. No ano passado, houve um jovem jogador que alinhou no Benfica, de seu nome Clésio, mas depressa desapareceu da minha vista. Disputou apenas um jogo na equipa principal e saiu lesionado aos sessenta e tal minutos. Depois ... depois foi parar à Grécia, mas não tem tido muito sucesso.

Época 2015-2016, jornada 9

domingo, 5 de junho de 2016

O Vale do Infulene!

Já que a Elvira se admirou de eu chamar Infulene à zona onde era a Estação Radionaval e Quartel dos Fuzileiros, cá vai a explicação. O Vale do Infulene é a depressão natural que acompanha o ribeiro que tem o mesmo nome, o qual corre de nascente para poente, passa junto à Fábrica de Cerveja 2M e vai deaguar na Matola. Se considerarmos a Machava um concelho, o Infulene é a maior das suas freguesias. Começa logo a seguir ao Jardim Zoológico e acaba depois do Estádio de Futebol (Salazar). Vejam a legenda da imagem abaixo:


1 - Jardim Zoológico
2 - Fábrica da Cerveja
3 - Estádio de Futebol
4 - Prisão
5 - Estação Radionaval
6 - Cantina Buiça Mali
7 - Machambas do Infulene

sábado, 4 de junho de 2016

Lembrar pecados velhos!


A Frelimo mudou os nomes todos em Moçambique. O das cidades, das ruas e sei lá mais o quê. Mas nunca conseguirá apagá-los da memória das pessoas que lá viveram e ficaram para sempre enamoradas daquela terra. Vila Cabral, cidade dos jacarandás, ou Lourenço Marques, capital das acácias, mas nunca Lichinga ou Maputo que são palavras sem significado para nós. Agora tudo tem nome de chinês, russo ou comunista que foram os padrinhos da Frelimo e a desgraça dos portugueses. Acredito que ainda hei-de ver os moçambicanos ficarem fartos dos chineses e correrem com eles de lá para fora.
De um mapa maior que me chegou às mãos, recortei este pedacinho que tem a ver com os sítios mais frequentados por nós, quando saíamos de licença. A Rua Araújo, local obrigatório para todos os militares que passaram por Lourenço Marques, mal se vê no canto inferior esquerdo do mapa, mas é facilmente localizável para quem não saía de lá até chegar o machibombo da meia-noite que nos levava de volta para a Machava (melhor dizendo, Infulene que Machava é muito mais para o lado da Matola.
As avenidas da Baixa traçadas a regra e esquadro, como não havia em mais nenhuma cidade portuguesa (que eu conhecesse), o Jardim Botânico, a Câmara Municipal, a Catedral, o Mercado ou a Estação dos Caminhos de Ferro eram tudo maravilhas ao nosso inteiro dispor. E nem quero falar dos camarões ou lulas grelhadas, da galinha à cafreal e outros petiscos que acompanhavam a Laurentina que escorregava pela goela abaixo como mel.
Eu não esqueço!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Os Vendilhões!

Em continuação da mensagem anterior, deixo aqui os nomes dos assinantes do Acordo de Lusaka. À esquerda, a assinatura do comprador e à direita as dos vendedores. Serve apenas para lembrar a quem devemos apontar o dedo, quando se fala de descolonização desastrosa.


Os «Tinhosos»!

Agora só se fala nos espoliados do BES e do BANIF, sem esquecer os do BPN que foram os primeiros a sofrer as consequências do descalabro político/financeiro/bancário acontecido neste desgraçado país. Mas todos já se esqueceram dos espoliados do Ultramar Português, aqueles que a seguir à revolução dos cravos tiveram que abandonar as ex-colónias deixando lá tudo o que ao longo de gerações tinham conseguido amealhar. Esses não perderam milhões, perderam tudo o que tinham.
A morte de Almeida Santos torna este assunto actual de novo. Ele também foi um retornado de Moçambique. Uma parte dos retornados ficaram conhecidos pela alcunha de «tinhosos» por dizerem que no Ultramar tinham isto e mais aquilo, o que em muitos casos não passava de gabarolice. Por aquilo que ouvi contar, pois escrito não o vi em lado nenhum, o agora falecido Presidente Honorário do PS era um verdadeiro tinhoso. Nos 22 anos que viveu em Lourenço Marques juntou fortuna e não me consta que tenha vindo embora abandonando tudo o que tinha.
Ele era tu cá tu lá com os frelimistas e o tempo que medeia entre o 25 de Abril de 74 e o seu regresso à Metrópole foi de intenso contacto com Samora Machel e Joaquim Chissano. Se não fosse a posição de subserviência da Frelimo a Moscovo e a consequente pressão para correr com todos os portugueses, talvez Almeida Santos acabasse por ser convidado a fazer parte do 1º Governo de Moçambique e possibilitasse uma descolonização pacífica mantendo a economia do país a funcionar.
Com o Samora a forçar a barra, pressionado pelos comunas, e um Mário Soares empurrado pelos esquerdistas do Movimento das Forças Armadas, tudo ajudava a que as coisas em Moçambique acabassem mal. Um mau Acordo de Lusaka e uma execução ainda pior.
Almeida Santos podia ter lutado contra Mário Soares, juntando-se a Machel e Chissano, para evitar o desastre que acabou por acontecer. Há momentos na vida que um homem tem que optar por aquilo que lhe parece mais certo, ou que mais lhe convém. Nessa altura ele optou por juntar-se ao Marocas e ficar na História de Portugal como um dos responsáveis pela desastrosa descolonização que aconteceu em todas as ex-colónias portuguesas. Ele sabia-o e nunca o negou.

Pequeno excerto da entrevista dada pelo Alferes Costa Monteiro ao «Diabo».

«Os verdadeiros traidores»

Fica claro das suas palavras que os militares portugueses estacionados em Omar e que o senhor comandava não foram traidores.
Nós, os militares portugueses em momento nenhum fomos traidores. Traição houve por parte do poder político português da altura, no quadro da trágica descolonização das ex-províncias ultramarinas.
Quer referir os nomes?
Mário Soares, Almeida Santos, Melo Antunes e Otelo Saraiva de Carvalho, entre outros. Estes é que são os grandes e verdadeiros traidores da Pátria portuguesa.
O que é que acha que Almeida Santos procura com o livro que escreveu?
A meu ver procura encontrar bodes expiatórios, procura sacudir a água do capote, eximir-se às muitas responsabilidades que teve.
Ainda por cima recorrendo a mentiras...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Mueda - Mais testemunhos!


Os contornos do massacre de Mueda permanecem incertos, tal como o número de vítimas atingidas pelo fogo das tropas portuguesa, de 14 a 600, segundo versões oficiais dos dois lados, após conversações entre emissários moçambicanos provenientes da Tanzânia e a administração portuguesa, sobre a exploração praticada nos salários e comercialização de produtos agrícolas e das liberdades que eram negadas à população local.
A expetativa sobre as negociações de dois destes emissários, Mathias Shibiliti e Faustino Vanomba, levou milhares de pessoas do planalto de Macondes àquele largo de Mueda, com a expetativa de que a independência de Moçambique, ou pelo menos daquela região, começaria naquela tarde. Mas o que viram foi o governador de Porto Amélia (atual Pemba), Garcia Soares, dar ordem de prisão aos dois nacionalistas.
A prisão de Shibiliti e Vanomba causou uma revolta dos populares e em todos os cantos ouvia-se uma pergunta a que ninguém poderia responder:
- Afinal viemos para ouvir o que Shibiliti veio dizer ao governador, ou para assistir a pessoas a serem algemadas?
Seguiu-se um coro de gritos, junto do carro, já de motor ligado para levar os dois presos:
- Daqui eles não vão sair!
Havia um cidadão moçambicano, que era catequista, e tinha escondido uma faca numa mochila de pele de gazela e queria esfaquear o governador que vinha de Porto Amélia. A primeira pessoa a levar o tiro foi ele, relata William André, guia do Museu, que mantém a versão de que as tropas abriram fogo por instrução do próprio governador.