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terça-feira, 8 de agosto de 2023

São uns atrasos de vida!

 Em primeiro lugar, quero recordar uma data que foi importante na vida de minha mãe. No dia 8 de Agosto de 1967, já lá vão 56 anos, nasceu o primeiro neto, filho da minha irmã Silvina. Parabéns para o filho e para a mãe que a avó já não é deste mundo.

E vamos ao que interessa, só hoje recebi a Revista da Armada referente a Julho, quando devia ser o número de Agosto a chegar nesta data. Abri-a e fui direito à pagina das notícias pessoais, ver se tinha falecido algum camarada amigo ou filho da escola. Arregalei os olhos de espanto, só constavam nomes de oficiais e mesmo esses só os superiores. Oficiais subalternos, sargentos e praças ficaram no limbo do esquecimento colectivo.


Já na revista anterior foram esquecidos os registos pessoais em prol do Dia da Marinha que ocupou todo o tempo e espaço da Revista que saiu com um mês e tal de atraso. Não gostei e não me vou calar, na vida somos todos diferentes, mas na morte somos todos iguais e vamos deitados e com os pés para a frente.


Depois, ao folheara a revista, encontrei uma notícia que me diz muito, pois passou-se no tempo em que lá estive e fui testemunha de muitos desses passos que foram uma autêntica epopeia e vão ficar na História de Portugal e na da Marinha de Guerra Portuguesa, o transporte das lanchas de fiscalização e também das de desembarque, do mar para o Lago Niassa. Cerca de mil quilómetros pela savana africana, primeiro de comboio e depois de camião, quando se acabaram os carris do Caminho de Ferro.



Só quem viveu essa aventura sabe o que custou e quanta habilidade foi precisa para ultrapassar os obstáculos pelo caminho. Os viadutos da linha férrea que obrigaram a levantar as lanchas cerca de dois metros acima do nível dos carris para passar por cima dos parapeitos laterais. As pontes da estrada que não estavam preparadas para suportar o peso dos camiões e foi preciso atravessar o rio a vau. As subidas íngremes que obrigaram a engatar dois camiões, um a ajudar o outro, para arrastar a carga até ao cimo. Eu tenho algumas fotos que ilustram essas dificuldades, mas já as publiquei tantas vezes que admito já todos as viram.

Para terminar, a lancha Saturno que foi a minha base, no cais das lanchas, em Metangula, foi muito recentemente recuperada e rebatizada com o nome de Meponda e posta a navegar ao serviço do governo de Moçambique.

sexta-feira, 29 de março de 2019

Manhattan no Niassa!


Para quem conhece bem Metangula, esta porção de terreno, cuja imagem recortei do Google Earth, fica logo à entrada de Metangula para quem desce na estrada que vem de Maniamba e corresponde, exactamente, à da imagem abaixo. E é dessa imagem que vos vou falar.


Encontrei numa publicação qualquer (de que não me lembro o nome) este plano de urbanização que algum louco se lembrou de propor para a Vila de Metangula. Numa paisagem de habitações que ainda só usam capim e chapa de zinco para cobrir as suas casas feitas de matope ou, mais raramente, de tijolo, não imagino como ficaria o panorama com este agregado super moderno de habitações à beira do lago.
Ou há grandes interesses escondidos, quero dizer, alguém vai vender a bom dinheiro terrenos que até agora sempre foram públicos, ou vai nascer uma grande campanha para arrastar para aquele local mais uns milhares de pessoas que pouco benefício trarão para as gentes de Metangula. Os naturais de Metangula pouco mais têm que a agricultura para sobreviverem. Sem uma machamba ao pé da porta para plantar uns pés de mandioca ou semear algum milho, criar umas galinhas e algum cabrito, coisa que não parece possível com tantas casas encostadas umas ás outras, como e de que vão viver aquelas pessoas que para ali forem morar.
Há cidades na Europa (infelizmente poucas) que não autorizam a construção de prédios em altura e obrigam a um mínimo de 50 metros de distância para a casa do vizinho. Para não estragarem Metangula, era assim que as autoridades municipais deveriam decidir. E casa no meio de muito terreno, pois isso é o que não falta no Niassa. E as cidades, como Lichinga ou Metangula começam a ficar saturadas e mostrar problemas muito sérios de poluição que é provocada pelo excesso de população e sem as necessárias condições sanitárias.
Por isso, eu voto contra este aldeamento moderno na "minha" Vila!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Os anos passam ...!


... sem a gente dar por isso!
Há alguns anos, não sei precisar quantos, o Valdemar (Marinheiro) convidou-me para ir com ele a Condeixa, porque:
1º - Tinha lá um Centro de Recuperação de Vítimas do Alcoolismo que ele queria visitar.
2º - Morava lá um certo Zé Luís que tinha um projecto em Moçambique, mais precisamente no Niassa, que ele, por razões que não cheguei a compreender, queria encontrar.
Com o Valdemar era tudo assim, uma espécie de nebulosa através da qual não se conseguia enxergar a realidade com clareza. O Zé Luís pareceu-me um bon-vivant sem dinheiro que lhe permitisse ser altruísta e ajudar os necessitados em Moçambique. Vivia sozinho e gostava de cozinhar as suas próprias refeições, com um certo lirismo que só ele devia compreender. Mas lá fomos, eu e o Valdemar, visitámos o Museu de Conimbriga, onde o Zé Luís, pelo que me pareceu, era pessoa conhecida e com alguma influência e acabámos em casa do nosso hospedeiro a comer o almoço que, por artes mágicas, o seu fogão cozinhou, enquanto andávamos às voltas no Museu.
Em Agosto de 2012, o Valdemar morria, vítima de um cancro no esófago que lhe apareceu de surpresa e o levou da nossa companhia em três tempos. Ontem, no Facebook, perguntaram-me há quantos anos tinha o Zé Luís estado em Moçambique, por causa do tal projecto. Não soube responder, mas arrisquei dizer, "há cerca de 6 anos". Vejo agora que me devo ter enganado em cerca de 2 anos, pois a nossa visita a Condeixa foi mais de um ano antes de o Valdemar morrer e o Zé Luís tinha chegado de Moçambique uns meses antes.
Quem andar pelo Facebook e for membro do grupo «Amigos de Metangula» e, principalmente, se foi amigo do Valdemar e se lembrar de quanto ele gostava do Niassa, vai perceber a razão de eu ter vindo para aqui relembrar estas coisas. Há oito (8) anos que a «Associação Niassa Portugal Amizade» foi criada e os seus frutos lá estão, na pequena povoação de Nkolongué, para provar que valeu a pena.

domingo, 5 de agosto de 2018

Fuga para a água!

Mbuna Bay, meia dúzia de kilómetros a sul de Metangula.

Lá ao longe Meponda, terra conhecida de muitos combatentes
da Guerra Colonial que por ali passaram a caminho do norte.

Em Moçambique também faz muito calor que bem me lembro disso, mas já não consigo recordar se era mais ou menos intenso do que aqui vivemos nestes últimos dias. Diria que 35º era a temperatura máxima sentida nas margens do Lago. E ao mínimo sinal de excesso de calor, um mergulho para as águas límpidas do Niassa resolvia o problema.
Muitos portugueses - e outros que por cá andam - têm feito o mesmo, desde quinta-feira passada. Rios, albufeiras, lagos e lagoas servem para o efeito no interior, enquanto que no litoral é o mar que serve de abrigo aos encalorados.
Eu ainda não mergulhei em lado nenhum, tenho-me aguentado. E dizem que amanhã já não será preciso, talvez até precise do casaco para sair à noite. Hoje, talvez mergulhe num mar de verde tinto, pois tenho um almoço de família e alguma coisa se terá que beber para matar a sede.
Depois vos contarei o resultado da experiência!

domingo, 10 de setembro de 2017

Domingo, 10 de Setembro!

Toda a gente sabe que hoje é domingo, assim como também sabe que é o décimo dia deste mês de Setembro. O que ninguém sabe é o que ele significa para mim, é uma espécie de "day after" (o dia seguinte).
Ontem, fui até Mirandela para encontrar-me com o Manuel Filipe, camarada fuzileiro que não via desde o dia 2 de Outubro de 1962. Claro que a desculpa era abastecer a minha despensa de produtos da região transmontana, tais como vinho, azeite, linguiça e alheiras, mas aquilo que motivou a viagem foi rever um camarada que não via há 20.066 dias. Passaram-se, exactamente, 54 anos e mais 342 dias, daqui a 23 dias seriam 55 anos. É obra!
Ninguém quer saber disso, mas destes quase 55 anos que, entretanto, decorreram, 14 deles foram bissextos. Muitas coisas aconteceram, durante todo esse tempo, na vida do Filipe, assim como na minha. Ele fez duas comissões, em Angola e uma, em Moçambique, tendo abandonado a Marinha depois disso. Esteve em Metangula e no Cobué, como eu estive também, mas em tempos diferentes.
Na sua vida civil, depois da Marinha e da Guerra Colonial, foi emigrante. Andou pelo Médio Oriente e depois foi parar a Paris. Trabalhou nas obras até encontrar o seu caminho definitivo. Em Paris recomeçou os estudos que tinha interrompido quando se alistou, antes ainda de fazer 17 anos, na Marinha de Guerra Portuguesa, e conseguiu terminar o Curso de Contabilidade. Depois disso, com o "canudo" na mão, arranjou um emprego, onde havia alcatifa e ar condicionado, livrando-se do frio, neve e chuva que fustigam Paris durante boa parte do ano.


Ele, agora, está reformado e vive mais tempo em Portugal, na terra que o viu nascer, no concelho de Olhão. E tem mais tempo para dar umas voltas e esquecer a vida de trabalhos que levou até agora. Foi isso que o trouxe, ontem, de Olhão a Mirandela e fez com que o nosso reencontro fosse possível.


Não é qualquer amigo que merece uma deslocação de 176 Kms, mas para o NMA 16491 que partilhou comigo aquelas sessões de «Ordem Unida», sob o comando do sargento Bicho, durante 6 meses, tudo é justificado. Tempos inesquecíveis que, ontem, durante cerca de três horas, tivemos oportunidade de recordar. A buzinadela do autocarro que pretendia prosseguir a viagem pôs fim ao nosso encontro.


No regresso, aproveitei para fazer um desvio e passar pela barragem da Foz do Tua, cuja construção acompanhei desde o primeiro dia. E assim, para regressar a casa tive que meter mais uns 229 Kms na minha carrinha Ford Mondeo que, a bem da verdade, estava já cansada de ficar aqui ao lado, a ganhar teias de aranha e acumular pó em cima do tejadilho.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Actualização!


Já li as notícias de hoje e, para além de perceber que há muito boa gente à espera que o Benfica perca, logo à noite, e que o Sócrates seja entalado contra a parede pelos procuradores do Ministério Público, a grande notícia que me caiu debaixo dos olhos e me encheu as medidas é aquela que refere que o nosso craque da bola, o mais que famoso CR7, encomendou mais dois filhos. Assim mesmo, o rapaz não é de meias medidas e quer fazer concorrência á Angelina Jolie e à Madona que têm pr'aí uma meia dúzia de adoptados. Só que para marcar a diferença, ele quer que tenham o seu ADN. Neste mundo cão, quem tem dinheiro pode permitir-se tudo.


Se eu tivesse dinheiro com fartura, como ele tem, metia-me num projecto diferente. Ia viver para Metangula e punha aquela terra num brinquinho. Começava com uma central de produção de energia solar, continuava com um sistema de bombagem e tratamento de água e, se me dessem licença para isso, construía uma nova pista de aterragem, mais larga e mais comprida, do outro lado da baía, em frente à Torre do Farol. E para completar o panorama, numa daquelas colinas sobranceiras à baía, construía uma bela casa, onde descansar o gozar o resto dos milhões que tivessem sobrado.


E claro que não podia faltar um belo campo de futebol e uma escolinha para ensinar os putos daquela terra, a qual eu construiria na ponta norte da nova pista de aterragem e a umas centenas de metros da minha mansão, mais ou menos no lugar onde a estrada que vem de Maniamba entra em Metangula.
Estão a imaginar a cena? Ah, em anexo à escolinha de futebol teria um ginásio e uma enfermaria para ir tratando da saúde aos atletas e garantindo que não sofreriam de nenhuma daquelas doenças africanas que são o terror de toda a gente.


Muito melhor que pôr a avó Dolores a criar netinhos feitos na Califórnia e com genes de uma mãe que pode bem ser de marca rosca e passar a herança para os putos!