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sábado, 5 de novembro de 2022

Grande poder inventivo!

 


Liguei a televisão e dei com uma dupla a tentar explicar a razão dos nomes estranhas que têm algumas localidades do nosso Portugal. Na minha opinião há nomes que não têm qualquer explicação ou não existe ninguém vivo que se lembre como a coisa começou. Na minha terra natal há um «Lugar da Mulher Morta» e eu próprio me encarreguei de escrever uma historieta que explicava a origem do nome. E o município copiou-a para o jornal do concelho tornando-a oficial.

São milhentos os nomes que tenho lido nas placas topográficas espalhadas por essas estradas fora, uns mais engraçados que outros e eu escolhi mais um para vos mostrar, pensando no momento futebolístico do FCP (que já viu melhores dias).

Esta estrada deve conduzir-vos ao lugar onde mora o actual treinador do clube de futebol da Cidade Invicta (e Mui Nobre), o Sérgio Conceição! Hoje não haverá problema, pois defronta o desgraçado Paços de Ferreira que não consegue ganhar a ninguém. E quando assim é, o Sérgio Porta-se como um anjinho!

segunda-feira, 13 de março de 2017

Actualização!


Já li as notícias de hoje e, para além de perceber que há muito boa gente à espera que o Benfica perca, logo à noite, e que o Sócrates seja entalado contra a parede pelos procuradores do Ministério Público, a grande notícia que me caiu debaixo dos olhos e me encheu as medidas é aquela que refere que o nosso craque da bola, o mais que famoso CR7, encomendou mais dois filhos. Assim mesmo, o rapaz não é de meias medidas e quer fazer concorrência á Angelina Jolie e à Madona que têm pr'aí uma meia dúzia de adoptados. Só que para marcar a diferença, ele quer que tenham o seu ADN. Neste mundo cão, quem tem dinheiro pode permitir-se tudo.


Se eu tivesse dinheiro com fartura, como ele tem, metia-me num projecto diferente. Ia viver para Metangula e punha aquela terra num brinquinho. Começava com uma central de produção de energia solar, continuava com um sistema de bombagem e tratamento de água e, se me dessem licença para isso, construía uma nova pista de aterragem, mais larga e mais comprida, do outro lado da baía, em frente à Torre do Farol. E para completar o panorama, numa daquelas colinas sobranceiras à baía, construía uma bela casa, onde descansar o gozar o resto dos milhões que tivessem sobrado.


E claro que não podia faltar um belo campo de futebol e uma escolinha para ensinar os putos daquela terra, a qual eu construiria na ponta norte da nova pista de aterragem e a umas centenas de metros da minha mansão, mais ou menos no lugar onde a estrada que vem de Maniamba entra em Metangula.
Estão a imaginar a cena? Ah, em anexo à escolinha de futebol teria um ginásio e uma enfermaria para ir tratando da saúde aos atletas e garantindo que não sofreriam de nenhuma daquelas doenças africanas que são o terror de toda a gente.


Muito melhor que pôr a avó Dolores a criar netinhos feitos na Califórnia e com genes de uma mãe que pode bem ser de marca rosca e passar a herança para os putos!

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Andar na Boémia!

Sempre sonhei andar na Boémia, coisa que até hoje ainda não consegui. Agora que a vida se aproxima do fim a passos largos, começo a pensar que é melhor abandonar a ideia por completo. A Praça do Almada, ponto central da Póvoa de Varzim onde se situa a Câmara Municipal, dista da minha casa uns míseros 250 metros e representa o limite da minha mobilidade. Ir mais além só montado em cima de qualquer coisa que me carregue. Assim sendo, Boémia nem pensar. Com muita pena minha tenho que deixar a Boémia para quem puder e gostar disso.
A Boémia é fantástica, tem coisas que não há em mais lado nenhum e uns bons oito séculos de história. No fim da I Guerra Mundial passou a designar-se por Checoslováquia e nos finais do Século XX perdeu parte do território e assumiu-se como a República Checa que hoje conhecemos. Praga é a sua capital e considerada por muitos como a mais bonita e romântica cidade da Europa central.


Teria muito que andar, na capital da Boémia, se lá pudesse ir, mas como atrás referi já não tenho pernas para isso e sou forçado a desistir em favor de quem o puder fazer. É triste reconhecer, mas para mim a Boémia acabou-se.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O seu a seu dono!

Há dias, publiquei qualquer coisa sobre os Caminhos de Ferro de Moçambique, à conta da renovação da linha férrea que está quase concluída entre Cuamba e Lichinga. Hoje, voltei a olhar para os comboios em Moçambique para perceber como funciona a ligação da Beira até ao Malawi.
Infelizmente, não podemos reclamar muitas medalhas pelos sucessos do desenvolvimento deste troço do Caminho de Ferro, pois se não fossem os ingleses interessados em trazer até ao mar os produtos do seu protectorado, a Niassalândia, ainda hoje não haveria linha. Falando de modo geral, há muito quem diga que os portugueses fizeram três coisas por Moçambique, muito pouco, quase nada ou absolutamente nada, dependendo da zona em análise.
A linha que do Malawi vem até à margem norte (esquerda) do rio Zambeze foi, portanto, construída pelos ingleses. Terminava numa povoação de nome Chindio, onde as mercadorias eram transbordadas, em batelões, para o outra margem do rio, onde passava a Linha da Beira que, da cidade do mesmo nome seguia até à Rodésia. Lembro-me de ouvir falar que havia quem viajasse de Lourenço Marques até à Beira usando esta linha que passava pela capital da Rodésia. Esta operação era demorada, dispendiosa e complicada e os ingleses não descansaram até resolver o problema.



Em 1935, foi construída, sobre o rio Zambeze, a Ponte de D. Ana (ferroviária) alterando e tornando mais curto o percurso para o Malawi e o transporte das mercadorias e passageiros até ao porto da Beira mais rápido e mais cómodo. Erradamente, o projecto dessa ponte tem sido atribuído ao engenheiro Edgar Cardoso que todos nós bem conhecemos. Por isso não ser verdade, resolvi deixar aqui alguns excertos daquilo que fui lendo na internet sobre este assunto, para que fiquem a saber tanto como eu.
A mentira:
«A construção da ponte foi efetuada pela britânica Cleveland Bridge & Engineering Company sob encomenda da Central African Railway e da Trans-Zambezia Railway, e projeto do engenheiro português Edgar Cardoso, entre 1931 e 1935[1], durante o período da Administração Colonial. Contudo, foi destruída por soldados da RENAMO durante a Guerra Civil Moçambicana (1977-1992), tendo sido reparada e adaptada ao tráfico rodoviário com a ajuda financeira dos Estados Unidos da América em 1995. Em Maio de 2009 a ponte reabriu ao tráfego ferroviário.»
A prova:
«Edgar Cardoso formou-se em engenharia civil na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto em 1937. Foi professor universitário e autor de algumas das mais belas pontes portuguesas, tendo sido agraciado com um doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.»
As obras de Edgar Cardoso:
Ponte de Mértola 
Ponte de Santa Clara, em Coimbra 
Ponte da Arrábida no Porto (na época o maior arco de betão armado do mundo) 
Ponte Governador Nobre de Carvalho, em Macau 
Ponte ferroviária de São João, no Porto 
Ponte do Vale da Ursa sobre o rio Zêzere, 
Ponte Edgar Cardoso, na Figueira da Foz. 
Extensão da pista de pouso do aeroporto da Madeira, executada em vigas de betão prefabricadas, assentes sobre pilares de betão armado. 
Ponte de Mosteirô, localizada no Douro entre Baião e Cinfães. Foi considerada por Edgar Cardoso como a sua melhor e mais bela obra.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

A sentir-me ... crítico!

Já ninguém se lembra do Relvas, aquele que também era doutor sem o ser, o que foi comprando as "cadeiras" que lhe faziam falta conforme encontrava quem lhas vendesse. Há uma coisa que ele teve coragem de fazer e que só peca por não ter ido mais longe. Estou a falar da reorganização administrativa do território nacional, distritos, concelhos e freguesias.
A coisa para ser bem feita devia começar por cima. Há distritos que talvez não se justifiquem, como o de Aveiro ou Leiria, assim como também há muitos concelhos que deviam desaparecer, pois não se justifica a sua existência. Mas não é assunto fácil de pegar para os políticos, pois reduzir a existência de pólos administrativos, significa reduzir poleiros (tachos) para eles e seus amigos (camaradas).
Assim, foi decidido mexer apenas nas freguesias, acreditando que seria possível conter o coro de reclamações que surgiria pela certa de norte a sul do país. Como não foi possível pôr de acordo os autarcas envolvidos no processo, a reorganização foi feita à força. Algumas coisas ficaram bem feitas, outras nem tanto e houve algumas que ficaram uma miséria. Eu culpo os autarcas pelo mau resultado conseguido, pois nunca se mostraram prontos a colaborar para optimizar o resultado, mais preocupados com os seus interesses e pontos de vista.
O mais importante seria reorganizar os concelhos e depois disso responsabilizar os autarcas pela reorganização das suas freguesias. Mas está quieto ó mau, nisso não acredito eu que venham a mexer. A não ser que venha por aí outra troika que os obrigue e eu vou rezar para isso.


A título de exemplo, daquilo que, hoje, me leva a sentir crítico, vou mostrar-vos aqui uma imagem do concelho de Guimarães que me caiu debaixo dos olhos por acaso e que é um bom exemplo daquilo que deve ser corrigido.
Vêem aquele pingarelho lá em cima, no canto superior direito do mapa? Pois aquilo eram duas freguesias, antes de o Relvas atacar. Depois do ataque transformaram-se numa só, mas o que devia ter acontecido era serem anexadas pelas freguesias do sul do concelho da Póvoa de Lanhoso. Reparem no mapa abaixo e vejam lá se não se nota a falta daquela fatia que ficou em Guimarães.


E é assim a vida, sobra a uns o que falta a outros e não há quem ponha ordem nesta bagunça. Ah troika, troika, por onde andas tu que tanta falta fazes aqui!

sábado, 22 de outubro de 2016

Eu não sou da Lourinhã!

A Língua Portuguesa (ou o pessoal que a utiliza) é cheia de expressões com duplo significado que a tornam mais rica ainda. Quando afirmo que não sou da Lourinhã (nasci em Barcelos e moro na Póvoa) quero apenas dizer que não sou nenhum tolo, tenho todos os parafusos bem apertados na minha mona. Tu és da Lourinhã é o mesmo que dizer, tu és um parvo.
Da mesma maneira se chama cabeça de abóbora a um gajo desmiolado que não funciona com os parafusos todos. Seu cabeça de abóbora!
Está aí a chegar o «Dia das Bruxas», efeméride muito festejada nos Estados Unidos, mas não entre nós, e as abóboras recortadas em forma de caveira e com uma velinha acesa lá dentro fazem a alegria da pequenada. Mas esquecendo a palermice a que as abóboras, sem culpa nenhuma, andam ligadas, é bom não esquecer que são importantes para a nossa alimentação, produto de fina pastelaria e, em última análise, uma fonte importante de alimento para os nossos animais domésticos, como a vaca ou o porco, que nos põem a carne na mesa.


Vem tudo isto a propósito da feira da abóbora que começa hoje e dura uma semana, na Lourinhã. Como não poderia deixar de ser, a gastronomia estará em primeiro lugar nesta feira e desde uma suculenta sopa até uma bela torta de abóbora, passando por muitas outras variantes desse produto, tudo estará ao alcance de quem quiser dar um saltinho até lá.
Aquilo não vai ser parvoíce nenhuma, vai ser uma coisa mesmo a sério!

sábado, 8 de outubro de 2016

Andorra e o resto!

Estava eu a ver a habilidade dos nossos craques da bola (finalmente o CR7 fez algo que se visse na Selecção) e a pensar em Andorra, o pequeno país no alto dos Pirinéus onde nunca fui. Nunca fui, mas estive lá perto. Como sabem, montanhas quer dizer ovelhas, ovelhas querem dizer lã e lã quer dizer tecido. Comprar tecido era a minha profissão e assim lá fui parar, por alturas de 1980, para conhecer a maior fábrica de lanifícios (tecidos de lã cardada) existente em França.
A pouco mais de 100 Kms a norte de Andorra, encontra-se a cidade de Lavelanet que era, nesses tempos, a capital dos tecidos de lã e do fois-gras. Olhem para a imagem abaixo e imaginem Andorra lá ao fundo, nas alturas dos Pirinéus.


Uma curiosidade sobre esta pequena cidade francesa é estar no centro da zona de criação de patos e gansos que dão origem a duas indústrias muito particulares. A dos edredões de penas e a do foie-gras. Isso mesmo, engordar patos até eles caírem para o lado (mortinhos da Silva) e depois depená-los e tirar-lhe o fígado para fabricar o mais famoso paté do mundo. Ir a Lavelanet significa comer paté desde o pequeno almoço até ao jantar, antes, durante e depois das refeições. Uma perfeita loucura, eu passei por isso.


Conhecer todo o processo de produção dos tecidos de lã foi coisa que tive que fazer e que me deu muito gosto. Sempre fui muito curioso, no que respeita ao funcionamento de máquinas, e ver tudo aquilo a funcionar como um relógio suíço, transformando a lã acabada de tosquiar em fio e depois num belo tecido pronto e passado a ferro, deixava-me feliz da vida. Quando se gosta do que faz, trabalhar é um prazer.


A máquina que vêem na imagem acima é a coisa mais estrambólica que me foi dado conhecer nas minhas andanças. Como se vê pela posição das pernas do operário, a máquina desloca-se para trás e para frente, numa distância de cerca de 8 metros, e ele tem que acompanhá-la no seu percurso. Chama-se «Fiacção de Carruagem», a parte mais alta que se vê à esquerda é fixa e o resto é móvel. No movimento que a afasta do cavalete, onde estão penduradas as mechas (fios por torcer), a máquina vai torcendo o fio e no movimento de retorno gira os fusos e vai enrolando o fio entretanto torcido, oito metros em cada vai-e-vem. Um processo lento, mas que fazia o fio mais perfeito do mundo. Agora existe apenas nos museus. Nada escapa à voragem do progresso.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Mudar? Só para melhor!

À conta das comemorações republicanas de ontem, estive a recapitular aquilo que se passou em África e, em especial, nas nossas antigas colónias. Os países colonizadores (europeus) começaram a abandonar as suas colónias africanas por volta de 1950. Portugal foi o último, fazendo-o apenas em 1974/1975. Ao sair, não houve um único que tivesse organizado as coisas de modo a que os novos governos que os substituíram fossem capazes de ter sucesso. Talvez Portugal tenha sido o pior de todos, entregando as suas antigas possessões aos amigos de Moscovo e Pequim.
Ao fim de todos estes anos pouco mudou e nem sempre para melhor. Os ditadores esmifraram as riquezas dos seus países e o povo vive pior agora que no tempo dos colonizadores. Um dos factores que servir para tornar as coisas ainda piores foi o ressurgir do Islamismo por falta da influência europeia que o vinha contendo desde há séculos. Os missionários católicos e anglicanos encarregavam-se de manter essa religião à distância para bem de todos. Agora é o que se vê todos os dias nas notícias, guerra, fome, miséria, raptos e morte.


Nas duas maiores possessões portuguesas em África, Angola e Moçambique, fomos substituídos por chineses que, embora não sejam reconhecidos por esse nome, funcionam como verdadeiros colonos. A China, com quase um quarto da população mundial, precisa de bens e matérias primas de toda a espécie para alimentar as suas indústrias de modo a criar riqueza para dar de comer a tanta gente. Angola e Moçambique têm muito daquilo que os chineses precisam, a começar por petróleo, gás, carvão, madeiras, minérios e oportunidades de investimento.
A reconstrução das vias de comunicação, estradas e caminho de ferro, assim como a construção civil, em geral, foram as primeiras áreas onde muitos milhões de dólares foram investidos. Mas há mais, muito mais e a dependência dos dólares que uns têm e aos outros fazem falta está a tornar estes países em verdadeiros escravos da China. A coisa já está feia, mas pode ainda piorar muito, especialmente se os governantes não conseguirem adoptar uma verdadeira democracia e diversificar os seus investidores, de molde a reduzir a exposição à China.
No próximo ano há eleições em Angola e já começa a ser tempo do J. Eduardo dos Santos entregar a pasta a outro. Talvez seja o ponto de inversão de marcha para Angola. Em Moçambique as coisas parecem mais fáceis, mas não há abertura do lado comunista. Acabar com a designação de Frelimo para o partido que está no poder seria um bom princípio, mas esse nome funciona como uma droga que mantém o povo adormecido.


A própria Renamo devia começar a pensar num novo nome para o seu partido de modo a agregar à sua volta todos aqueles que não se revêm na doutrina comunista ou prefeririam outros investidores em vez dos chineses. Moçambique poderia, por exemplo, tornar-se um grande entreposto comercial para servir os países centro-africanos, a começar com o Zimbabué, a Zâmbia e o Malawi e, mais tarde, com os países que confrontam com estes. Para tanto bastaria construir uma rede de estradas e de caminho de ferro, da zona da Beira ou Nacala para o interior. Acredito que isso também traria benefícios a esses países que não têm acesso ao mar. Vejo aí possibilidades ilimitadas!

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Arrivederci Augustus!

Bárbaros fomos até os romanos chegarem à Península Ibérica e nos ensinarem tudo aquilo que ainda não sabíamos. Muitas coisas que eles trouxeram e ensinamentos que nos transmitiram continuam por cá até aos dias de hoje. O nome do mês que hoje termina, Agosto, deve o seu nome a Júlio César, o imperador de Roma que usava o cognome de Augustus. Não me perguntem o porquê de o 8º mês do ano se chamar Agosto e não Augusto, como a personagem a quem deve o nome, pois não vos saberia responder.
O que sei é que Agosto termina hoje e isso representa uma mudança radical na vida de muita gente. A começar por aqueles que ainda fazem um mês de férias completo e exigem começar no dia 1 deste mês, o que significa que amanhã têm que se apresentar no trabalho e dizer adeus ao bem-bom que foram as férias. A seguir lembro-me dos treinadores de futebol que amanhã poderão respirar de alívio, pois não lhe poderão vender mais nenhum dos seus atletas.
Mas mais que tudo lembro-me de mim mesmo e dos meus conterrâneos que, a partir de amanhã, estaremos livres dos banhistas e dos seus automóveis que nos últimos dois meses transformaram a minha cidade num sítio em que é impossível viver. Sendo a praia da Póvoa a mais famosa do norte de Portugal (acima da foz do Douro) entende-se que todos aqui venham parar. E acredito que alguém tira vantagens disso, mas os desgraçados dos poveiros (como eu) é que pagam o patau, vivendo num autêntico pandemónio enquanto dura a época balnear, especialmente em Agosto.

A Póvoa como ela era quando cá cheguei, em 1960

A Póvoa de hoje. Dá para perceber a diferença?

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Portugal é lindo!

Não tenho espírito nem corpo de lagarto e por isso não gosto de me estender ao sol. Por essa razão não frequento as praias nem gosto do reboliço que se cria à volta delas nos meses de verão. Assim sendo, quando me apetece dar uma volta, aponto a bússola para o nascente e lá vou eu.
Ontem, foi um desses dias. Após o pequeno almoço, mãos no volante e ala, por aqui é que é o caminho. Quando dei por mim e o estômago reclamava conforto, estava em Foz Coa. Uma sobrinha da minha mulher que lá mora fazia ontem anos e quisemos cantar-lhe os parabéns em conjunto com toda a família (maioritariamente a viver em França) que ali se juntou para o efeito.
Numa viagem de quase 600 quilómetros há muita coisa bonita para se ver, embora muita gente não aprecie esse tipo de vistas. Não me incomoda que os outros não gostem, gosto eu e isso basta-me. Muita montanha, muito arvoredo, muito ar puro, pouco trânsito e coisas desse género que não há nas cidades.

O rendilhado dos socalcos e vinhas do Douro

As ruínas do Castelo de Numão

Uma aguarela pintada pelas mãos de Deus

O Museu das gravuras do Côa que eu visitei, mas confesso
que não lhe achei grande piada. São gostos!

A viagem de regresso aconteceu algumas horas mais tarde do que eu tinha planeado. Sabem como são estas festas de aniversário com toda a família reunida, pessoas que já se não vêem há anos, muitos bolos para provar, muitos vinhos para os empurrar pela goela abaixo, o champanhe para brindar à aniversariante e desejar-lhe as maiores felicidades e para terminar ... a prova do «Vinho Fino», vinho do Porto fabricado em casa pelos velhos agricultores que o dão a provar à espera de ouvir um elogio do género: como este ainda não tinha bebido nenhum!
E com essas demoras nada de ver o jogo do Glorioso. Serviu-me de consolo ir ouvindo o relato, enquanto subia e descia pelas encostas do Marão. Do resultado final é que não gostei muito, mas acredito que haverá dias melhores.
Haja saúde!

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Quando o mar bate na rocha ...!

... quem se lixa é o mexilhão!
Estive a pensar seriamente em meter os pés ao caminho e ir visitar o Eduardo, lá no Almograve (que nem sei onde fica). Mas ao perguntar ao Google qual o melhor caminho, fiquei assustado com a distância. De Sines até lá ainda é um bom bocado e eu não tenho arranjado coragem para ir visitar o meu amigo Barbosa que mora em Sines. De Lisboa até lá já é longe que fará da Póvoa!


Sabendo que o Eduardo é madrugador e aí pelas 9 horas já vai a caminho da praia, pus-me à espreita, mas ainda não foi desta que o apanhei. Aquele do chapéu de pano bege que vai do lado esquerdo podia ser ele, mas não lhe consegui ver a cara. Mas não há problema, sem que ele anda por ali e isso basta-me.


Pelo que pude ver, nas imagens que encontrei no Google, nem só de areia são as praias daquela zona. Também há calhau com fartura, a fazer lembrar aquele ditado a que me refiro no título desta publicação.


E com tanto calhau não deve faltar por ali algum petisco que se possa apanhar na maré baixa. Pelo menos uns mexilhõezitos para servir de entrada ao jantar. Temperados com uma vinaigrette feita por quem sabe ... são de trás da orelha!
Boas férias!

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Estás aí, Eduardo?


Pela ausência de comentários do nosso amigo Eduardo, depreendo que a esta hora já se encontra na praia do Almograve a fazer-nos inveja. Se calhar está ali, entre as pessoas que se vêem na imagem, mas não consigo reconhecê-lo.
Que tenha umas boas férias é o que lhe desejo. E se tiver que fazer gazeta ao blog não há problema, nós esperamos pelo seu regresso.

sábado, 23 de julho de 2016

Calor é que é bom!


Se eu tivesse dinheiro suficiente para viver como e onde me apetecesse escolhia o Brasil, ou mais precisamente a cidade de Florianópolis, no estado de Santa Catarina. Já estou cheio da nortada que se sente aqui na Póvoa, durante quase todo o verão. O único tempo que se aproveita é o da primavera, nos meses de Março, Abril e Maio, mas nem sempre calha de feição. Este ano, por exemplo, foi um autêntico desastre.
Vem isto a propósito da foto publicada no Figueira Minha, porque ao ver a matrícula da moto onde vão montadas as duas loiraças (Navegantes - Santa Catarina) abriu-se a caixa dos sonhos e comecei logo a ver-me gozando os ares daquelas paragens. Os ares e as belezas naturais, as de carne e osso e todas as outras que são muitas.


E se não pudesse ser Florianópolis, qualquer outra, como Navegantes ou Camboriú, serviria às mil maravilhas. O lugar eu não teria dificuldade em escolher, falta-me é o mais importante, aquilo com que se compram os melões, o pilim. Mas não é proibido sonhar, pois não?

sábado, 2 de julho de 2016

Geografia de Portugal!

Até ingressar nos fuzileiros, eu só conhecia a Serra da Arrábida dos livros de Geografia em que estudara as minhas lições. Sem ser um aluno brilhante nesta matéria, consegui fazer o 5º ano dos liceus (coisa da Pré-História) com 16 valores. Nada mal para quem o desporto principal era cabular.
Depois de passar pelos fuzileiros, a Arrábida tornou-se um ponto de referência e é proibido passar perto de Setúbal sem subir até lá acima e desfrutar da vista que vêem nesta imagem.


A serra com a sua beleza agreste e o mar com as suas águas geladas de cor azul turquesa são atractivos naturais que compensam quem tiver a ousadia de tomar a estrada da serra, em vez da estrada principal que leva directamente a Lisboa.
E ao descer, do lado poente, pode virar-se em direcção a Sesimbra e continuar a apreciar a beleza de uma zona de Portugal que está um tanto ou quanto afastada das vias principais. Quem subir ao castelo e lançar os olhos em direcção ao sul terá uma vista alargada do estuário do Sado que é a continuação da imagem acima.
A quem morar na margem sul do Tejo, aconselho uma viagem até Setúbal para um belo almoço de peixe grelhado, com regresso pelo caminho que acabei de indicar que é um verdadeiro espectáculo.

domingo, 5 de junho de 2016

O Vale do Infulene!

Já que a Elvira se admirou de eu chamar Infulene à zona onde era a Estação Radionaval e Quartel dos Fuzileiros, cá vai a explicação. O Vale do Infulene é a depressão natural que acompanha o ribeiro que tem o mesmo nome, o qual corre de nascente para poente, passa junto à Fábrica de Cerveja 2M e vai deaguar na Matola. Se considerarmos a Machava um concelho, o Infulene é a maior das suas freguesias. Começa logo a seguir ao Jardim Zoológico e acaba depois do Estádio de Futebol (Salazar). Vejam a legenda da imagem abaixo:


1 - Jardim Zoológico
2 - Fábrica da Cerveja
3 - Estádio de Futebol
4 - Prisão
5 - Estação Radionaval
6 - Cantina Buiça Mali
7 - Machambas do Infulene

sábado, 4 de junho de 2016

Lembrar pecados velhos!


A Frelimo mudou os nomes todos em Moçambique. O das cidades, das ruas e sei lá mais o quê. Mas nunca conseguirá apagá-los da memória das pessoas que lá viveram e ficaram para sempre enamoradas daquela terra. Vila Cabral, cidade dos jacarandás, ou Lourenço Marques, capital das acácias, mas nunca Lichinga ou Maputo que são palavras sem significado para nós. Agora tudo tem nome de chinês, russo ou comunista que foram os padrinhos da Frelimo e a desgraça dos portugueses. Acredito que ainda hei-de ver os moçambicanos ficarem fartos dos chineses e correrem com eles de lá para fora.
De um mapa maior que me chegou às mãos, recortei este pedacinho que tem a ver com os sítios mais frequentados por nós, quando saíamos de licença. A Rua Araújo, local obrigatório para todos os militares que passaram por Lourenço Marques, mal se vê no canto inferior esquerdo do mapa, mas é facilmente localizável para quem não saía de lá até chegar o machibombo da meia-noite que nos levava de volta para a Machava (melhor dizendo, Infulene que Machava é muito mais para o lado da Matola.
As avenidas da Baixa traçadas a regra e esquadro, como não havia em mais nenhuma cidade portuguesa (que eu conhecesse), o Jardim Botânico, a Câmara Municipal, a Catedral, o Mercado ou a Estação dos Caminhos de Ferro eram tudo maravilhas ao nosso inteiro dispor. E nem quero falar dos camarões ou lulas grelhadas, da galinha à cafreal e outros petiscos que acompanhavam a Laurentina que escorregava pela goela abaixo como mel.
Eu não esqueço!

sábado, 9 de abril de 2016

D. Paio Peres!

É preciso recuar até ao Século XIII para encontrarmos o homem que deu o nome à Aldeia de Paio Pires que até eu ingressar na Marinha nem tão pouco sabia que existia. E mesmo assim não passava de uma placa de sinalização que se encontrava à nossa direita, quando viajávamos, em gozo de licença, de Coina para o Laranjeiro, a caminho da Base Naval, onde se apanhava a vedeta da Marinha para Lisboa. Viagem tantas vezes repetida que me basta fechar os olhos para visualizar a tal placa branca com letras pretas a dizer Paio Pires.
A faixa de terreno, na margem esquerda do rio Coina, foi doada pela Coroa ao fidalgo D. Paio Peres Correa por este se ter destacado na luta contra os infiéis muçulmanos que, tal como hoje ainda acontece, incomodavam toda a gente. Até à instalação da Siderurgia Nacional, aquilo era um paraíso de hortas, pomares e vinhas que davam de comer e beber a muita gente. Depois transformou-se numa terra feia, enferrujada, empoeirada, barulhenta e cheia de fumo que pouco agradava a quem a via. Serviu para dar emprego a muita gente, mas a Revolução de Abril deu cabo daquilo tudo e hoje só restam as recordações.


Decorria a primavera de 1962, comigo a bater tacões na Parada da Escola de Fuzileiros, em Vale de Zebro, e era esta a visão que eu tinha da Aldeia de Paio Pires, uma coisa negra, suja e feia. Até podia acontecer que no lado poente da aldeia tudo fosse mais bonito, mas nunca fui lá para ver. Aliás, nem nessa altura, nem depois, nem nunca até hoje, nunca virei à direita naquela placa de que falo acima e acreditem que tenho lá passado vezes sem conta. São coisas da vida, acontecem porque sim e não se discutem.
E perguntarão vocês que raio de assunto é este para um sábado à tarde, quando devia era estar a preparar-me para ir apreciar o Glorioso a disputar mais uma das finais que o hão-de levar até ao título. Pois não se apressem que eu, com a calma de um alentejano sentado á sombra de um chaparro, lá chegarei. Acontece que cada vez que abro o meu blog é certo e sabido que dou de caras com um visitante de Paio Pires. Naquela terra mora um camarada da CF8, o António J. Mestre, e mais ao lado, na Arrentela, o Silveira, também ele camarada fuzileiro que me acompanhou, em Moçambique, durante 6 anos. Fico a pensar se será algum deles, ou apenas algum curioso que se agrada daquilo que vou escrevendo aqui. Desafio-o a deixar aqui um comentário, para me tirar desta incerteza!