Há lixo por todo o lado, cada vez mais!
E as pessoas cansam-se na busca de uma solução para dar conta dele, ou seja, para que não acabemos enterrados nele até ao pescoço!
Há por aí várias soluções, umas mais engenhosas que outras, para levar o povo a separar o lixo e permitir que se ganhe alguma coisa na sua reciclagem. Lembro-me de um Ecoponto, na Maia, que abriu há muitos anos e convidava os utentes a ir lá depositar o papelão, o plástico, o vidro e o metal, em contentores separados. No princípio o povo não gostou muito da ideia, ter trabalho extra sem receber nada em troca? Isso não cola na nossa maneira de ser!
Mais recentemente, com o advento do século XXI, começaram a aparecer, um pouco por todo o lado, esse tipo de ecopontos e a televisão a martelar-nos na cabeça que isso seria bom para todos. Aqui ao lado, em Vila do Conde, os ecopontos eram mais modernos e bem distribuídos, de tal modo que a "vila" até começou a espalhar a notícia que era a mais limpa de Portugal. Talvez fosse exagero, mas isso puxou pelo amor próprio dos "vileiros" e a coisa até resultou.
Aqui, nesta terra que me adoptou, nunca ligaram muito ao lixo. Colocaram contentores "gerais", onde se despejava tudo misturado, um pouco por todos os bairros. Para fugir ao trabalho do abre e fecha, o povo começou a deixar as tampas sempre abertas e o cheiro começou a incomodar. De tal modo que ninguém os queria por perto e empurrava-os mais para o lado do vizinho. Alguns ficavam cheios e de cogulo e até com saquinhos de lixo a toda a volta.
Depois vieram os selectivos, de várias cores, uns mais modernos que outros até chegarem aqueles que são enterrados no solo e sá fica à vista a goela onde se mete aquela comida toda para quem a quiser levar (sabe Deus para onde). Apareceram as empresas, muitas vezes camarárias para arranjar alguns tachinhos para os amigos, que separam o lixo e o enviam para os locais mais apropriados e o povo viu a factura da água a aumentar com um novo item, além do saneamento, devido pelo "tratamento do lixo".
Lixados ficamos sempre, quer a gente separe o lixo, como bom cidadão, ou o despeje em qualquer canto ou valeta e deixe os almeidas (que são pagos para isso) tratar dele como melhor lhes aprouver. O pessoal faz a campanha para as eleições, promete que vai fazer tudo melhor do que os outros fizeram e mal tomam posse só pensam em aumentar o orçamento da autarquia que o dinheiro faz falta para tudo. Tratar daquilo que nos incomoda é que é raro acontecer.
Nas últimas eleições, cá no meu burgo, elegeram, pela primeira vez, uma senhora. Não faltou quem dissesse que "agora é que vamos ver", pois elas é que sabem como se governa uma casa. A casa ou a casa de todos nós é um bocado diferente e esse tipo de conhecimentos não é garantia de que tudo corra pelo melhor. Isto tudo para dizer que ele inventou uma moda que ainda ninguém tinha inventado, um contentor fechado à chave com a dita entregue aos moradores da vizinhança.
No mandato anterior, o presidente deu início à recolha selectiva, porta a porta, mas só nos bairros históricos, aqueles onde não há prédios em altura e cada um é domo do espaço em frente da sua porta. Foram distribuídos contentores com as 4 cores da ordem e estabelecido um horário semanal para levantamento (ou despejamento) do material neles depositado. Os novos contentores, com chave, começaram a ser instalados nos bairros mais afastados do centro e eu fui logo agraciado com o primeirinho deles todos.
Quando perguntei pela minha chave, uma vez que os ditos contentores foram colocados a 20 metros da minha porta traseira, disseram-me que não tinha direito, pois já me tinham distribuído os contentores individuais que eu deveria colocar na porta da frente nos dias indicados no tal esquema. os ditos contentores ficaram arrumados, lá no fundo do quintal e nunca os utilizamos. O meu lixo biodegradável é espalhado no galinhairo e as minhas galinhas encarregam-se de o tratar. O cartão, plástico, vidro e metal, como cidadão exemplar, ia levá-lo a esses contentores que agora estão fechados á chave.
Não gostei nada da solução, quem tem um grande ecoponto a 20 metros da sua porta das traseiras, não gosta de andar a passear o lixo por dentro de casa até chegar à rua por onde passa o dito camião de recolha que nem da Câmara é, mas sim de uma empresa que deve cobrar bom dinheiro para fazer o serviço. Tudo muito bonito, muito organizadinho, muito como a senhora gosta, mas que a mim me criou um contratempo que ainda vou ter que estudar como resolver.
No tempo do António (de Santa Comba) Salazar era comes (nas fuças) e não bufas! Agora, em tempos mais modernos em que já somos guiados pela IA, é mais do género pagas e não bufas!
P.S. - Agora não tenho uma foto disponível, mas prometo ir fotografar o dito e moderno ecoponto e vir aqui publicar a foto, mis logo!
P.S.2 - Até me esqueci de explicar razão por que dei o título de vingança a esta publicação. Ouvi dizer que o povo descontente vai começar a depositar o lixo, em sacos, à volta do contentor, como forma de protesto!
















