Tenho andado a documentar-me sobre a minha "nova" doença para saber como devo comportar-me, se devo seguir os conselhos dos médicos ou mandá-los bugiar e receitar tratamentos agressivos ao seu paizinho e mãezinha.
Os sintomas da leucemia linfática crónica não são exclusivos, podem aparecer noutras doenças. O facto de ter um ou mais dos sintomas aqui descritos não significa que tem leucemia linfática crónica
Com o passar do tempo, os linfócitos anormais preenchem a medula óssea, tornando difícil a substituição das células normais do sangue que vão morrendo.
Tal como é referido, ali acima, eu não tenho quaisquer sintomas e só as análises clínicas deram pistas aos médicos para me fazerem uma biópsia à medula e confirmarem que, de facto, estou doente. E quando a Drª Patrícia me disse que eu tenho dois cancros, poderia ter-me dito que a LLC (Leucemia Linfática Crónica) vem sempre acompanhada de um Linfoma (depreendo eu daquilo que li), uma coisa leva à outra, para não dizer que é uma doença bivalente, ou seja, não aparece uma sem a outra.
Gostava de ter perdido peso, mas ainda não aconteceu, algum apetite perdi, é um facto, não tive quaisquer hemorragias suspeitas e as dores articulares que me têm infernizado a vida, nos últimos 20 anos, podem vir daí ou de qualquer outra coisa. Ter areia na engrenagem dá cabo dos rolamentos, é uma constatação da mecânica. As nossas articulações mais importantes são aquelas que funcionam com rótulas (os rolamentos do corpo humano) e só me queixo dos joelhos e tornozelos, ancas e ombros estão como novos. Ia-me esquecendo que tenho o baço com quase o dobro do tamanho!
Daí que as minhas dores tenham sido sempre associadas ao meu peso que, quando era jovem bebedor e fumador andava pelos 85 kilos e depois dos 50, sem cigarros nem bebedeiras foi até perto dos 120 kilos. Uma vez houve um médico que me disse: - você carrega uma mochila de 25 kilos às costas, livre-se dela e as dores desaparecerão! Agora dizem-me que a LLC pode provocar imensas dores, como se fosse uma doença reumática que era a eterna desculpa das dores dos velhotes. Tem reumático que se há-de fazer!
Chego a um ponto que nem sei se é bom ou mau ser sabedor de todas estas coisas, talvez o melhor seja esquecer e deixar os médicos do nosso SNS fazer aquilo que julgarem melhor. Afinal gastamos muitos milhões do nosso OE para os manter e eles devem saber o que andam a fazer. Quero acreditar que não me vão pôr a fazer quimioterapia só porque sim, eles devem ter algumas bases que os levem a decidir dessa maneira.
Há um velho ditado que já ouvi muitas vezes e que vou citar aqui à laia de despedida. Quem não morre novo, de velho não escapa! E eu já estou velho, naquela situação em que já se avista a meta, lá ao longe, tal e qual como se vê uma estrada a fervilhar, assemelha-se a vapor de água a sair do alcatrão, num dia de verão, em terras de muito calor, como é Santarém, Beja ou Serpa!



















