sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Sexta 13!

 

Montalegre em festa

Se para alguns a vida está mais negra que nunca - por azar até o nosso PM é negro, Montenegro - para outros não tem corrido nada mal. É o caso de Montalegre! Por causa da muita neve que caiu este inverno, os visitantes foram aos magotes para gáudio dos comerciantes e da indústria hoteleira. De seguida veio a feira do fumeiro que, segundo ouvi, foi sempre a bombar. Olhando ao preço das carnes fumadas podia pensar-se que a clientela faria um manguito aos criadores do porco bísaro, mas parece que isso não aconteceu.

Para fechar este ciclo positivo, hoje à noite, há a noite das bruxas. Ainda devem ter resistido uns quantos farrapos de neve e os produtos do fumeiro nunca faltam, somando isso às bruxas que hoje dominam Montalegre, este fim de semana será sucesso garantido. Os restaurantes mais famosos pelo cozido barrozão estão esgotados para o jantar de hoje e amanhã e o mesmo acontece com os almoços que são ainda mais concorridos que os jantares. Há gente que não passa cartão às bruxas e vai lá apenas para ferrar o dente naquelas carnes de salgadeira!

Aos de Coimbra, Montemor, Santarém, Abrantes e Alcácer-do-Sal calhou a sorte negra, foi tudo por água abaixo. Até Torres Vedras e Arruda dos Vinhos, além de todos que vivem na margem esquerda do Tejo, desde Constança até ao Barreiro, viram a sua sorte e o previsto Carnaval ir para o brejo, pois carnaval só se fosse à moda de Veneza!

É assim a porca da vida, há uns a quem tudo corre bem, enquanto a outros tudo corre mal. O nosso mal-amado PM que todos odeiam e gostariam de ver pelas costas é capaz de ficar na História se garantir ao Povo tudo o que tem prometido nas suas andanças pelo país, nestes últimos dias. Até inventou um PRR das Cheias, especial para Portugal. Ninguém ficará esquecido, prometeu ele. Lá para o verão, quando a água se tiver ido para o Atlântico e o calor fizer ferver os miolos, ouviremos as queixas daqueles que não receberem um chavo.

E agora, outra coisa, como complemento da minha publicação de ontem, se fosse eu a comandar as operações, na área do Mondego, mandaria abrir, imediatamente, a faixa sul-norte da A1 reservada apenas ao trânsito de pesados. Em Condeixa e Mealhada, ordenaria o trânsito em duas filas, com separadores em betão, obrigando os ligeiros a divergir para Coimbra e os pesados a seguir em frente. É muito maior o problema que os pesados causam ao atravessar Coimbra do que o risco que correm ao passar na A1 na zona do colapso da faixa do lado poente.

 Além disso, durante a noite, a operação de tapar o buraco correu bastante bem e acredito que a água do rio não causará maiores problemas, no que se refere à segurança da autoestrada e dos seus utilizadores. E a Brisa agradece, pois tantos dias sem cobrar portagens vão querer ser ressarcidos do prejuízo e pode calhar aos mesmos de sempre pagar esse custo!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O Pânico!

 Qualquer noticiazita menos bem filtrada faz a minha mulher entrar em pânico. Hoje, foi a questão da água de consumo doméstico. Alguém apareceu na TV a dizer para não bebermos água da torneira, pois os rios galgaram as margens e a água andou por sítios que ninguém pode imaginar, antes de chegar à torneira da sua casa. Veste-te e calça-te e vai buscar o carro, temos que ir ao hiper buscar garrafões de água, pois a da torneira está imprópria para consumo, gritou-me ela!

Dei-lhe logo dois gritos e chamei-lhe uns quantos nomes que a fizeram ir pela porta fora, em passo de corrida para a pastelaria onde costuma tomar o desjejum com o clube do serrote que leva muitos anos de prática desse desporto praticado por quase todas as donas de casa. Não me vale a pena tentar mudar a minha companheira, ela já vai nos 80 e se não aprendeu até agora nem vale a pena tentar.

Cabe à Câmara de cada concelho saber onde é recolhida a água que servem aos seus clientes (que a pagam bem cara, devo acrescentar) e se houver razão plausível para tal, então sim, emitir um aviso à população para ter alguns cuidados ou, em caso limite, fechar a torneira até nova ordem. Para minha felicidade a água aqui de casa vem do rio Cávado, um dos menos poluídos de Portugal e é pescada bem perto do Gerês, onde, no máximo, existem grandes depósitos de cinzas que sobraram dos incêndioa de verão e podem representar algum risco.

A escala hierárquica que é preciso percorrer até poder garantir ou proibir o uso dessa água começa no engenheiro da Câmara que é responsável por esse serviço. Este deve contactar a hidráulica que bombeia a água do rio até ao depósito municipal. Daí para cima, até chegar ao Ministério do Ambiente, não conheço os caminhos, mas eles sim, pois são pagos para isso. Além do mais, não conheço qualquer exemplo de que tenha sido necessário suspender o consumo público de água, excepção feita àquela zona das pocilgas de Leira que transforma o rio Liz num canal de esgoto, durante o verão.

Quando viajei para a Índia (em serviço) o primeiro aviso que me fizeram foi para beber água apenas de garrafa e ser eu mesmo a abri-la para não correr o risco de a terem enchido na torneira mais próxima. Fiz tudo direitinho, como me recomendaram e, mesmo assim, ao 3º dia fui acometido por uma diarreia incontrolável que por pouco não pôs em risco o programa que ali me tinha levado.

Lembrei-me de quantas vezes andei no mato, em Moçambique, e bebi água em qualquer poça ou regueiro que nos aparecia pela frente. Com o calor e a sede a nossa língua cola-se às paredes da boca e é muito doloroso o processo de soltá-la e continuar a respirar. Encher a boca de água para enxaguar a língua e depois cuspi-la fora para evitar o risco de fazer entrar no estômago uma caterva de micro-organismos, sabe Deus de que família.

Mas a notícia mais falada de ontem, à noite, foi a queda de um troço da A1 (?!?!?!) nas águas do rio Mondego. Num lugar como aquele que tem um histórico de cheias e episódios repetidos de acidentes diversos, como é que a engenharia que construiu aquela autoestrada assentou o tapete betuminoso em cima de um talude de saibro? Lugares bem menos perigosos, como o Vale do Vouga, por exemplo, têm longos viadutos que atravessas a zona de cheias de lés-a-lés.

A A1 foi a primeira autoestrada do país e foi feita aos bochechos. No tempo de Salazar, construíram-se dois troços, um de Lisboa a Vila Franca e o outro do Porto até aos Carvalhos. Depois foram precisas muitas empreitadas, de cerca de 30 Kms cada, para unir Vila Franca aos Carvalhos. A última dessas etapas foi de Condeixa até à Mealhada, já nos tempos de Cavaco Silva e do seu ministro das Obras Públicas, Ferreira do Amaral, nos fins de 1991.

E refiro isso, porque sendo o último troço foi feito nos tempos mais modernos, onde os recursos eram melhores e a tecnologia de construção de pontes e viadutos já não tinha segredos para ninguém. O cruzamento de todos aqueles terrenos alagadiços do Vale do Mondego, merecia um viaduto mais longo, mais alto e com fundações apropriadas para o suportar. Ontem viu-se como um pequeno rego de água perfurou o talude fez desmoronar um trecho do tapete betuminoso com a maior facilidade.

Agora, estão todos reunidos, no local do crime, para estudar um método de tapar a brecha e reabrir o trânsito. O taxista do Ferreira do Amaral que viveu por conta das portagens da ponte 25 de Abril e ainda da Vasco da Gama, nestes últimos 30 anos), deve estar regalado, em casa, a assistir ao espectáculo que as televisões (todas) lhe fazem chegar ao seu televisor, sem sentir o mínimo remorso de ter deixado fazer aquilo e ainda receber os parabéns, quando a obra foi inaugurada.

Sempre quero ver quem vai garantir a qualidade do remendo que lá vão fazer à pressa, pois a A1 tem que ser aberta em questão de algumas horas!

Rombo do Eng. Ferreira do Amaral

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Com a cabeça na Lua!

  

Elon Musk já não quer Marte: agora o foco é construir uma cidade na lua!
Foi através da sua rede social X que Elon Musk revelou que a sua empresa SpaceX mudou o foco de Marte para a Lua.

Primeiro, a campanha eleitoral, depois as intempéries tiraram o foco das notícias internacionais. Há que tempos não sabemos de notícias da guerra na Ucrânia! Ou no Médio Oriente! Ou das tropelias de Trump e a sua troupe que pôs o mundo às avessas, durante todo o ano de 2025. Será que o Maduro ainda está preso? E o tal super-porta-aviões já chegou ao Golfo Pérsico para meter o Aiatolah na ordem?

Ninguém sabe! Os nossos jornalistas, sejam eles da rádio, da TV ou dos jornais, diários e semanários, têm outros interesses maiores! Espiolhar a vida do Ventura e dos seus pares do partido CHEGA foi mais importante, na tentativa de evitar que ele entrasse no Palácio de Belém. Pois bem, já o conseguiram! E agora? Vão actualizar-nos sobre a actualidade internacional ou ainda é cedo?

Trump, Rute, Von der Leyen, António Costa, Putin e Zelensky, Starmer, Merz, Tusk, Kamenei que é feito de toda esta gente? Eles continuam a trabalhar todos os dias, mas não sabemos, absolutamente, nada do que eles têm andado a fazer nas últimas semanas! Desde o 7 de Outubro de 2023 Israel entrou na guerra mais sangrenta da sua História. E agora? Acabou a guerra sem uma explicação plausível? Não sabemos ainda, pois os senhores jornalistas não nos contam nada!

De vez em quando, aparece um iraniano a barafustar na televisão. Eu suponho que ele está a chamar cães infiéis aos americanos que é o que sempre fizeram, mas não sei muito bem nem há quem me explique. Será que o Irão tem mesmo poder para se opor aos americanos, ou limitar-se-á apenas a bombardear os judeus de Israel que estão ali mais à mão? Pelo que se diz eles estão a fornecer armas á Rússia para a guerra na Ucrânia. Que armas? Mísseis, drones, granadas de mão?

Palavra de honra que estou a ficar "afinado" com esta situação! A TVI/CNN mantém o Sérgio Furtado em Kiev, mas ele já não justifica o salário que recebe, pois não dá um pio sobre o que lá se passa! E a Casa Branca, ainda continua branca ou já a pintaram de outra cor? O Luís Costa Ribas vive nos EUA, desde 1984, e deve falar inglês mais bem que metade da população daquele país, mas também ele tem estado mudo como um peixe!

Tenho andado a matutar porque será que o Trump não faz uma operação de "extracção", em Moscovo, e leva o Putin para a América para juntar ao Maduro. Eles entendem-se bem e poderiam passar o tempo juntos a jogar às cartas, às damas ou ou Monopólio e sem a mínima preocupação com o mundo cá fora, pois teriam cama e mesa garantidas por um longo período, quem sabe, para sempre!

E a China que está a tornar-se o maior gigante deste planeta, porque não vai a Taipé e faz o mesmo ao sucessor de Chiang Kai Shek, acabando com aquela polémica sobre a propriedade da Ilha Formosa que já foi portuguesa, num passado longínquo, e agora é um pomo de discórdia que envolve chineses e americanos, quando todos poderiam viver na santa paz de Cristo Nosso Senhor.

O mundo é mesmo complicado! E, como se não tivéssemos já problemas suficientes, na Terra, o Musk anda com a cabeça na Lua e garante que vai lá fundar uma cidade habitável para terráqueos, onde nos poderemos refugiar, se e quando este planeta em que vivemos, desde que saímos da Arca de Noé, der o "peido" mestre. Diz ele que Marte está muito longe e é difícil viajar para lá, por isso quer concentrar-se em objectivos mais próximos e palpáveis. Estou de acordo com ele, para quê irmos para tão longe se temos aqui a Lua a "apenas" 48 horas de viagem num dos foguetões da Spacex?

Afinal, descobriram que há gelo na Lua!
E gelo é água e água é vida!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Uma nova era socialista!

 Depois dos Cavacos e dos Marcelos que também não acrescentaram grande coisa à miséria nacional, um limitou-se a destruir tudo em troca de muitos milhões de fundos vindos de Bruxelas, o outro não fez mais que dar abraços e beijinhos a todos que queriam era que a sua vida saísse do sufoco em que mergulhou, nos últimos 4 anos.

Podem dizer que a culpa foi da Rússia por ter invadido a Ucrânia, mas foi mais porque o Costa não fez grande coisa para levar o país para a frente e o Marcelo deixou que assim continuasse. Até foi um milagre aquele famoso parágrafo que fez cair o governo e interrompeu a nossa vertiginosa queda para os últimos lugares da UE. A dupla que nos governará, a partir de 9 de Março (data célebre em que eu completarei 82 anos de vida e experiência), terá no governo um PM mais à direita e um PR mais à esquerda.

Será que dá melhores frutos que a dupla Costa e Marcelo? Todos esperamos que sim, embora eu tenha as minhas dúvidas. Penso que o PR eleito ontem é um fraquinho e não será capaz de contrariar o nosso Primeiro Ministro, se ele enveredar por um caminho que nos deixe pior do que já estávamos. Eu espero uma reunião urgente do Conselho de Estado que analise a nova situação política e ajude o presidente a tomar as medidas certas para segurar as rédeas do governo.

Portugal precisa de grandes reformas, a começar pela Constituição e pela Lei Eleitoral, e estas só serão possíveis num momento como o actual em que a Direita está nas mãos de Montenegro e Ventura e a Esquerda reduzida à ínfima espécie, como nunca esteve depois do 25 dos cravos. Num segundo bloco de temas importantes está a Habitação, a Educação e a Saúde, cada uma mergulhada num buraco mais fundo que a outra.

Claro que isso é uma competência do Parlamento, mas alguma influência terá um presidente que conseguiu reunir, ontem, dois terços dos votos dos portugueses. Se ele aconselhar e liderar essas reformas, o sucesso será garantido, se não o fizer nem preciso de vos dizer qual será o resultado. Como o nosso Povo sofre de preguiça mental, dentro de 5 anos votará, novamente, Seguro, se ele se candidatar. E serão 10 anos de pântano socialista garantido.

Em 2036 já não andarei por cá para tecer elogios a quem melhorou o meu país, ou acirrar-me contra quem nada fez por isso, por conseguinte não contem comigo para uma nova campanha eleitoral nem para indicar o melhor caminho para a saída do buraco. No buraco já estarei com o esqueleto, livre de qualquer vestígio de carnes que os vermes já terão comido, na posição horizontal e com os ossinhos das mãos cruzados sobre o peito, como é costume entre os católicos, pois cremado não quero ser!

Boa sorte, portugueses!

Sua Excelência
O 21º Presidente da República Portuguesa
e 8º da III República (Pós-Estado Novo)

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Verbotten!

 


Hoje, é proibido falar de política. Só a partir das 20.00 horas, depois de fecharem as urnas, nos Açores, poderemos abrir a boca e dizer o que nos vai na alma, quanto às eleições.

Metade de Portugal vai votar no candidato errado, por falta de melhor opção, mas já é isso tem andado a fazer, desde 1975. Não gosto deste por causa disto, não gosto daquele por causa disso, naquele não voto que é nazi, nem no outro que é anti-qualquer coisa, ou seja, não há nenhum que preste e se me tivessem perguntado eu indicaria a pessoa certa para o cargo.

Cada um é rei em sua casa e na opinião dele ninguém manda, portanto nunca chegaremos a acordo. Há os que gostam de carne, mas há outros que preferem o peixe, só aqui temos 80% da população, mas não podemos esquecer os restantes 20% que podem ser vegans, indianos ou budistas, se não forem coisa mais esquisita ainda. Houve alguém famoso que disse: - penso logo existo! E eu também, acrescento eu!

Mas de futebol pode falar-se à vontade, não há ninguém que possa proibir! Mesmo assim não aconselho a quem ande pelo Porto a falar mal do FCP. Aquilo está em polvorosa por causa das bocas do presidente desse clube a que o presidente do Sporting respondeu com um grito de guerra. Mas eu sou do Benfica, um clube popular em que toda a gente se dá bem e pode falar o que quiser.

Bem, há sempre um certo número de ultras que não aceitam que se diga mal do seu clube, mas isso até entendo e deixo cair em saco roto, não me misturo com eles e assim está problema resolvido. Não havendo contraditório não há perigo de se incendiar o barraco, coisa que o Varandas fez, ontem e levou os portistas à loucura. Isso é lá com eles, eu até prefiro que o Sporting ganhe, para atrasar a caminhada do FCP, mas não esqueço que a nossa equipa tem que ganhar e isso não tem corrido muito bem.

Seis jogos fáceis são 18 pontos garantidos, disse o comentador Vitor Pinto. Pois bem, no primeiro desses 6 jogos já voaram 2 pontinhos. Temos que lutar pelos outros 15 pontos para juntar àquele que conquistamos com o empate no Caramulo. Hoje, às 20.30 horas recebemos o Alverca do Ribatejo e temos que ficar com os 3 pontos a esses adeptos da tauromaquia, touros é com eles, futebol é connosco!

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Escolher o mal menor!

 Numa situação em que não podemos escolher a melhor solução, teremos que optar pelo mal menor, segundo reza o ditado. E na situação em que nem o mal menor nos agrada fazemos o quê?

Quem está mal muda-se, diz outro ditado. Mas nem essa solução temos ao nosso alcance, pois não somos nós (este nós refere-se aos que pensam como eu) que temos que mudar. No caso presente trata-se de escolher quem nos vai governar nos próximos 5 anos e é isso que temos que mudar. O bom senso aconselha que não votemos nas mesmas forças políticas que têm ocupado esse cargo, nos últimos 50 anos, alternadamente, o PS (de Ramalho Eanes, Mário Soares e Sampaio) e o PSD (de Cavaco e Marcelo).

Votar no Tozé significa criar uma repetição dos 30 anos de governo socialista que provou ser uma escolha errada que nos manteve numa estagnação social e económica, enquanto todos os membros da europa comunitária foram sempre melhorando, sendo o maior exemplo a Irlanda que ia atrás de nós e hoje comanda o grupo da frente.

Votar no André, barulhento, refilão, benfiquista, é um risco, mas quem não arrisca não petisca, afirma um outro ditado. A sabedoria popular diz também que se o partido que te governou no último ciclo não aprovou deves votar no outro. Isto visto à luz dos EUA ou do Reino Unido, em que só há dois partidos a concorrer, é fácil, pois se o último não aprovou vira-se para o outro e está o problema resolvido (pelo menos adiado). No caso português é um pouco mais arriscado, pois o André não é carne nem é peixe, antes uma iguaria da qual desconhecemos o paladar.

Mas se os portugueses não quiserem regressar ao pântano do socialismo (dos tempos de Guterres) ou à loucura social (dos tempos de Sócrates) ou ao cinzentismo (dos tempos de Costa), mais vale dar um salto para a outra margem da ribeira e ver onde nos leva o caminho do André. Sabemos todos que quem vai a leme da Nau portuguesa é o PSD de Montenegro, mas se a coisa não agradar ao Povo (assim escrito com letra maiúscula) o PR pode sempre demiti-lo ou mesmo dissolver o Parlamento, no caso mais extremo.

Portanto, não vale a pena vir com aquele discurso de que o nosso PR é uma espécie de Rainha de Inglaterra que não manda em nada, pois ele está na posse da bomba atómica que serve para enviar o governo para o brejo, se e quando ele começar a mijar para fora do caco. Em caso de desgoverno, o PR chama o PM a Belém e tenta chama-lo à razão. No caso de ele ser cabeça dura e insistir no erro ... a porta da rua é a serventia da casa!

Isto tudo para dizer que amanhã temos que mostrar o que valemos e ir às urnas fazer a nossa escolha. Isto não é como no Benfica, ou no mundo dos Mosqueteiros do rei de França, um por todos e todos por um), cada português tem que escolher o candidato em quem acredita e depois viver com o resultado da sua escolha. Se der para o torto só lhe resta torcer a orelha e esperar por outro ano de eleições!

Só um pode ganhar!!!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O Alentejo mais profundo!

 

Um homem morreu devido à rápida subida das águas na bacia do rio Guadiana, em Serpa, junto à barragem da Amoreira. O homem estava a tentar atravessar o curso de água quando acabou por ser levado pela corrente.

Ler uma notícia destas é quase como ver pinguins no Cais das Colunas!

Passei duas ou três vezes, em Serpa, a minha já longa vida. Não é que tenha nada contra essa cidade fronteiriça, é apenas porque fica, completamente, fora de mão. Para passar em Serpa é preciso ir lá de propósito ou então vir de regresso de Espanha e pretender rumar ao Algarve. Foi o que me aconteceu num dia em que vinha de Madrid e tinha planeado passar o resto das férias em Vila Real de Santo António.

Talvez fosse mais fácil viajar até ao sul de Espanha e depois atravessar a ponte do Guadiana, mas quis aproveitar para visitar aquela parte do país por onde, raramente, passo. Estive em Serpa, depois em Mértola, em Castro Marim e Alcoutim até desaguar nas terras planas da margem direita do Guadiana e avistar Vila Real, logo a seguir.

Uma outra vez que me lembro de ir a Serpa foi mesmo de propósito para conhecer a cidade onde Nicolau Breyner concorreu a presidente da Câmara, em 1993. Só me lembro de estar tanto calor que mal conseguia respirar. Um ar seco, daqueles que secam a garganta e não há água que nos acalme. Beber cerveja ou água até doer a barriga para combater o calor daquela espécie de inferno que é Serpa em pleno mês de Agosto.

O rio Guadiana, um escasso fio de água que envergonha quem é do norte, como eu, e está habituado a ver água a correr nas valetas em pleno verão, tem agora mais água do que alguma vez teve. E o pobre do homem que talvez tenha sido a primeira vez que viu tanta água, deixou-se levar por ela!

Lembro-me de ter estado junto desta muralha,
mas já não recordava que foi em Serpa!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Noites mal dormidas!

 Ontem, acordei cansado, depois de uma noite mal dormida!

Hoje, não foi igual, mas quase! Há mais de 24 horas com uma dor de cabaça penetrante na zona occipital, fui buscar a minha caixinha de paracetamol para engolir um comprimido, antes de me deitar, mas quando reparei na data de validade, já expirada, há 7 longos meses, hesitei. Será que não vai actuar ou fazer-me mais mal que bem? Como os prazos de validade valem pouco mais que nada - o que as farmacêuticas querem é que a gente os ponha de lado e vá à farmácia comprar outros - decidi engolir o comprimido e mandar a preocupação com as datas para trás das costas.

O meu mau-dormir não devia ter nada a ver com a dor de cabeça e passei uma segunda noite a contar carneirinhos - garantem que se adormece antes de chegar aos mil, mas eu engano-me sempre na contagem e tenho que recomeçar de novo - e acordei mal disposto. Nas horas sem sono o nosso cérebro tem que se ocupar com qualquer coisa, o meu, de forma geral, faz uma revisão das vivências do dia anterior e pergunta se haverá repetição ou será tudo diferente neste dia, prestes a começar.

Como a minha publicação de ontem foi sobre o coração que é uma espécie de motor a 4 tempos, os meus pensamentos levaram-me uns anos atrás em que o meu primeiro veículo motorizado tinha um motor a 2 tempos, um motociclo da marca Java ou CZ, não sei bem se é a mesma coisa ou versões similares. O meu actual veículo é uma Ford Station Wagon de 2.000 de cilindrada com motor a gasóleo de 4 tempos.

Fiz a revisão mental da composição do coração humano, com 4 cavidades, 2 aurículas e 2 ventrículos e uma séria de válvulas que se fecham e abrem para aspirar ou injectar o sangue na circulação, tal e qual como acontece nos motores de 4 tempos (admissão, compressão, explosão e escape). O funcionamento dessas válvulas é o segredo para a nossa sobrevivência. No meu caso há uma avaria na válvula mitral que me tem dado grandes dores de cabeça.

Mas, de repente, o meu pensómetro levou-me por outros caminhos. Actualmente, a moda é motores elétricos, tanto nos carros como nos motociclos, velocípedes e até comboios. E quantos tempos terão esses motores? Dois, quatro, mais ou menos? Comecei por pensar que não sabia responder a essa pergunta, mas depois reagi com uma palmada na testa, pois conheço muito bem o motor elétrico e sei que tem um movimento contínuo, por conseguinte, sem tempos.

Baseado em energia eléctrica transformada em energia mecânica para movimentar (neste caso) as rodas do veículo. Duas peças apenas ( indutor e induzido com cargas magnéticas opostas) que giram sem parar de modo a transmitir ao veículo a sua capacidade para se mover. Tudo simples, como simples são todas as coisas já descobertas e testadas milhares de vezes.

O próximo passo, no caso de motores para veículos, será usar o hidrogénio existente na água para provocar a explosão que dará movimento às bielas e à cambota para pôr o motor em marcha. Mas aí para a procissão, pois o padre que vai na frente tem várias dúvidas. A primeira que é sobre a capacidade de explosão do hidrogénio que pode representar um perigo para os utentes do veículo. A segunda é uma dúvida muito maior que a primeira, será que os conglomerados de empresas ligados à extração, refinação e venda de petróleo e seus derivados vão gostar desta solução?

Neste ponto, dei ordem aos meus pensamentos para sossegarem um pouco e levantei-me para ir preparar o pequeno almoço, depois do qual me dedico a estes escritos que submeto à vossa apreciação, num ritmo diário, sempre que não surge algum impedimento. Gastei alguns minutos a confirmar a minha tese e recolher as imagens que podem ver acima, usando a bendita internet que, hoje, tudo governa e controla!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

É uma chatice, mas ...!

 Hoje foi dia de ir ao controlo do pacemaker. Não me tenho sentido muito bem, ultimamente, e soube, hoje, a razão para tal. O aparelhito que me meteram debaixo da pele do ombro vai tentando aguentar a máquina, mas não é todo poderoso. Da última vez pedi para aumentarem o ritmo de 50 para 60 BPM, pois mal conseguia respirar. Hoje, teve que passar para 70 BPM para tentar reduzir os falhanços que acontecem com alguma frequência e passam abaixo dos 50 BPM.

As duas técnicas que me atenderam bem tentaram meter juízo na maquineta, mas tiveram que desistir, pois não foram capazes de alterar os parâmetros que controla essa coisa. À laia de despedida a médica disse: ele não aceitou a alteração a bem, vai ser a mal. Segundo ela, a capacidade de variação do aparelho que anda à volta de 5% manterá o ritmo entre 65 e 75 BPM que será suficiente para eu não apagar de repente.

Espero que elas saibam da poda e tenham razão no que afirmam, eu é que frequentei essa escola e, por conseguinte, não tenho direito a opinião. Temos que aceitar isto, pois a segunda opção é chamar o cangalheiro e encomendar o sobretudo de madeira para não raparmos muito frio no cemitério. Eu tinha-me proposto ultrapassar a longevidade do meu velhote que se aguentou até aos 90, mas começo a ter algumas dúvidas se consigo aguentar os 8 anos que me faltam para atingir essa meta.

Como diz um amigo meu que não é de grandes teorias, o nosso objectivo imediato é acordar vivo todos os dias e o resto logo se vê! Por falar nisso, um vizinho meu vai ser internado no sábado para uma intervenção ao coração, na próxima segunda feira e, a esta hora está reunido com a sua mulher e mais um casal amigo que lhe tem dado algum apoio na doença, num restaurante para um almoço que, diz ele, pode não se repetir. Ele está com medo de não sair vivo do bloco operatório!

Eu bem lhe tentei incutir ânimo dizendo que a medicina está muito avançada e para os especialistas isso é como tirar um dente. Pois é, respondeu-me, pimenta no cu dos outros para mim é refresco!

A mecânica do bicho!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Nossa Senhora das Candeias!


«Se Nossa Senhora das Candeias vier a rir [se fizer bom tempo], o Inverno está para vir; se a Senhora vier a chorar [se chover], o Inverno está a acabar.»

«Se a Senhora das Candeias chorar, está o Inverno a passar; se está a rir, está o Inverno para vir.»

Ontem, ouvi citar este provérbio e pensei que o mau tempo se está a despedir de nós até ao próximo Outono ou Inverno. Da maneira que tem chovido, no nosso país, e a dar crédito ao provérbio, é uma questão de poucos dias até termos de volta o bom tempo.

Aliás, mais que uma vez aqui referi que os primeiros veraneantes da Póvoa aparecem na segunda quinzena de Janeiro, altura em que costuma aparecer o sol com cara de verão. Todos aqueles que gostam de ter a pele tostadinha começam logo em Fevereiro para fazerem inveja aos "branquelas", quando começam a frequentar a praia, a partir de Maio.

Mas, para um benfiquista apaixonado pelo seu clube como eu, o dia de ontem ficou marcado como o dia em que o FCP sofreu a primeira derrota desta época. Jogo complicado num relvado em mau estado que não permite que os verdadeiros artistas mostrem o seu potencial, acabou numa derrota por 2 a 1 e na primeira vitória de todos os tempos dos "Gansos" contra os Dragões. O auto-golo do craque brasileiro Tiago Silva e o cartão vermelho de outro brasileiro, o William Gomes, foram os pontos negativos da jornada portista.

Eu tinha pedido um desejo ao meu santo protetor, que o Sporting e o Porto perdessem um jogo, senão nunca mais chegaríamos perto deles. E o meu pedido veio satisfeito, no dia da festa das Candeias (mãos vazias, mas barrigas cheias). Agora, compete ao Benfica fazer o resto, ou seja, ganhar os dois jogos que vai disputar com eles, de modo a ganhar 3 pontos a cada um. O resto terão que fazer eles anulando-se um ao outro nos confrontos directos.

Uma nova esperança para o Mourinho que mal acabe a maluqueira da Champions, onde o Benfica ficará pelo caminho, terá que agarrar.se com unhas e dentes ao campeonato, já que nada mais lhe resta que possa conquistar. Ou isso ou passar pela vergonha de ter conseguido menos que o seu conterrâneo Bruno Lage que deixou o Benfica, após a derrota com o Qarabag.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O Benfica é!

Grande entre os grandes!

E pequenino entre os pequenos!

É o que posso dizer depois do jogo de ontem, na serra do Caramulo, que terminou empatado a zeros!

Depois de uma noite empolgante, contra o Real Madrid, a meio da semana, um fiasco no fim de semana para o campeonato. Na verdade, o tempo não ajudou e o relvado estava um lamaçal, o que prejudica grandemente os jogadores mais tecnicistas. Se a cena já era cinzenta, agora ficou escura, como se tivessem apagado a luz. Esta época está perdida e só me resta esperar que comece a próxima, mas já disse isto tantas vezes que já nem tenho esperanças que venha a acontecer.

Pelo contrário, a vida corre de feição ao nosso adversário que mora do lado de lá da Segunda Circular. Teve o condão de escolher um avançado para substituir o Gyokeres que provou não ficar atrás do nórdico e ainda goza do beneplácito arbitral que deixa o jogo continuar, após esgotar os 90 minutos e ainda os dados pelo árbitro como compensação do tempo perdido, quando o jogo está empatado e assim deveria acabar. Por duas vezes, nos últimos dois jogos, o tal avançado aparece e marca o golo do desempate e aí sim, o árbitro apita para o final do jogo.

 O presidente Varandas tomou conta do Sporting numa situação bem complicada e, como que por artes mágicas, conseguiu resolver todos os problemas, começando pelos financeiros, os que dão maiores dores de cabeça. Foi buscar o Rúben Amorim a Braga e arrancou a ferros dois títulos consecutivos para o seu clube. Este ano estão na fase final da Liga dos Campeões e com uma belíssima classificação.

No meu clube acontece tudo ao contrário, não acertam na escolha dos artistas e até com um dos melhores treinadores do mundo, à frente da equipa, só conseguem arrancar empates e ficar cada vez mais para trás na classificação. O FCP e os seus dirigentes devem fartar-se de rir, lá na frente da classificação, pois cada vez parece mais difícil alcançá-los.

Os melhores 10

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Inspira, expira, respira!

 Ontem já estava pouco inspirado e dei-vos o Bruce Lee para disfarçar, hoje estou ainda pior e apetecia-me falar da Ucrânia, mas tanto pela ausência de notícias - as nossas televisões viraram-se todas para a desgraça que nos atingiu, mais no centro que no sul ou no norte - como para o impasse que parece acontecer, tanto nos combates como nos esforços dos mediadores para lhes pôr um fim.

Depois do encontro em Davos que o Trump transformou num circo com os palhaços escolhidos por ele, assim como do discurso de Zelensky a zurzir os europeus por falarem muito e não fazerem nada, não mais ouvi qualquer referência a essa guerra esquecida. O que está na moda é a viagem dos meios navais americanos que o presidente mandou deslocar do mar de Taiwan para o Golfo Pérsico para assustar os Aiatolas que estão armados em fortes, a fazer-me lembrar o Maduro da Venezuela.

O Maduro, num dia arengava que o povo estava com ele e que iam lutar para honrar a memória de Bolívar que parece ser o seu ídolo de estimação e no dia seguinte estava preso no interior de um vaso de guerra do inimigo americano que o raptou, algemou e levou para a Terra do Tio Sam para ser julgado, acusado de uma trintena de crimes que ele não se recorda de ter cometido.

Agora, chegou a vez dos aiatolas dizerem o mesmo. Que estão armados até aos dentes e que com eles ninguém brinca. Que o Trump não pense que somos a Venezuela, parecem dizer, aqui não conseguem entrar sem arcar com as consequências. O Trump, como fez no Mar das Caraíbas, limita-se a deslocar para ali uma força naval de respeito que inclui um porta aviões e toda a parafernália de outras unidades que lhe dão apoio e protecção.

Dizem os comentadores que o Trump não quer ficar atrás dos seus rivais comunistas (da China, Rússia e Coreia) e desatou a fazer toda a merda que lhe apetece sem respeitar as instâncias que zelam pela ordem mundial, como a ONU e a Nato, ou as leis que regem as relações internacionais. Ele já se meteu com o Canadá, ameaçando de o transformar no 51º estado da União, com a Dinamarca, dizendo que lhe vai ficar com a Gronelândia, com a Venezuela, aprisionando o Maduro, com a Síria, limpando o sarampo a quem levanta cabelo e agora quer proibir o aiatola de enriquecer urânio e prender ou matar quem se manifestar contra o regime que impuseram pela força, vai para 50 anos.

A China está de olho em Taiwan, a Rússia numa boa parte da Ucrânia e ele também quer cortar uma fatia do bolo para não lhes ficar atrás. O plano da Riviera do Oriente Próximo (que o médio fica um bocadinho mais para oriente) na cabeça de Trump está resolvido, ele já nomeou o «Conselho de Paz» que funcionará como um clube de investidores para reconstruir Gaza e a vender no mercado, como foi feito no Dubai.

Ah, o assunto era a Ucrânia, mas como vos disse não se fala muito disso nos nossos noticiários. Até aqueles famosos programas que davam pelo nome de Guerra e Paz e envolviam figuras conhecidas como Nuno Rogeiro ou Zé Milhazes, além de muitos generais que disputavam os canais e horários das nossas televisões, quase desapareceram do meu radar. O general comunista que é fã de Putin e acusa o Zelensky de ser o culpado de tudo ou o general Isidro que mudou de canal para ter uma palavra a dizer, mas colocaram num horário em que os portugueses já ressonam, cansados de tanta animação televisiva.

Antigamente, a moda era apenas na roupa que a cada estação mudava de cor ou de tamanho, ora eram as mini-saias, os shorts ou os vestidos a arrastar pelo chão, mas agora a moda também invadiu a política e o mundo das notícias. Nos últimos 3 anos temos andado entretidos com eleições e a moda é sondagens, enterrar vivos e desenterrar mortos. Esta semana calhou ao Salazar ser desenterrado por André Ventura - é uma animação este político, não sei o que será que virá depois dele - que disse serem precisos 3 salazares para endireitar o que o PS destruiu, nos últimos 50 anos.

Como já aqui afirmei, não voto em perdedores e se as sondagens, na próxima sexta-feira, garantirem que o Ventura perde, eu não me darei ao trabalho de ir votar. É muito incómodo para um resultado que não será afectado pelo meu voto, por isso prefiro engrossar o número da abstenção!

A Riviera judia

sábado, 31 de janeiro de 2026

A lenda de Bruce Lee!


Bruce Lee nasceu em 1940 e faleceu com 33 amos apenas!

Fez apenas 3 filmes que foram um grande sucesso. Quando todos esperavam pelo próximo filme, um sucesso esperado maior que os outros, ele teve uma série de achaques e foi levado para o hospital, onde já chegou morto. Nunca souberam explicar muito bem a razão da sua morte. O cérebro começou a inchar dentro da caixa craniana e provocou uma AVC que o levou para o outro mundo, com muita pena dos seus admiradores que nunca tinham visto melhor artista que ele nas Artes Marciais.

Recordo-me da loucura que era, quando os cartazes expostos pela cidade anunciavam mais um filme dele. Era difícil arranjar bilhete e os malabaristas do costume apareciam cedo nas bilheteiras e compravam uma dúzia para, mais tarde venderem ao dobro do preço. Aqui, na Póvoa, o rei desse negócio era o Carlos que dava pela alcunha de Bruxo.

Algumas vezes recorri a ele para arranjar entrada. Por ser para ti, disse-me uma vez, levas o bilhete ao preço da bilheteira! Como já era cliente antigo e conhecia o Bruxo de outros carnavais, eu tinha direito a essa atenção da parte dele. Os filmes do Bruce Lee deram-lhe algum dinheiro a ganhar e depois dessa moda arrefecer vieram os filmes indianos que esgotavam sempre e continuaram a render bom dinheiro ao Bruxo que morreu, há meia dúzia de anos sem nunca ter arranjado um emprego.

Ele sempre viveu de estratagemas. Depois do fecho do comércio, ele dava uma volta pelas lojas e recolhia o cartão que eles punham à porta para ser recolhido pelo camião do lixo. Depois ia vendê-lo a um sucateiro que tinha um armazém para os lados onde ele morava. Um dia encontrei-o a fazer trabalho de jardinagem em casa de um vizinho meu e perguntei-lhe: - Finalmente, arranjaste um trabalho? Não, vim só dar uma ajuda ao meu irmão que tem mais trabalhos contratados do que consegue fazer.

Acho que ele tinha vergonha de trabalhar! Sempre foi livre, nunca quis criar laços com ninguém, nunca namorou nem se casou. Depois da morte dos pais, já burro velho, ficou a viver com uma irmã, nessa casa que foi dos seus pais. Ela dava-lhe uma ajuda, tratava-lhe da roupa e assim viveu, como uma espécie de sem abrigo, até que a morte o levou, livrando-o a ele e à irmã de maiores trabalhos.

E é assim a minha vida de contador de histórias, o Bruce e o Bruxo foram a inspiração para a minha publicação deste sábado que é também o último dia do mês!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A Praça do Almada!

 

Praça do Almada

A Praça do Almada é o centro da cidade onde eu vivo. Ali existe a Câmara Municipal, o coreto da música, a estátua do Eça e outras coisas mais, como bancos, cafés e restaurantes que dão vida à cidade. Sem apoio técnico que me permita fundamentar a minha afirmação, eu diria que a "praça" está pouco acima do nível do mar, menos de 5 metros, e em dias de muita chuva, estando a maré cheia, os esgotos não conseguem entrar no mar, deixando o lugar com cerca de 20 centímetros de água, o suficiente para provocar o caos no trânsito.

Ao ver o que as depressões Ingrid e Kristin fizeram em Portugal e com as constantes referências à subida do nível do mar, começo a ficar preocupado com a minha situação. Costumo dizer à minha mulher que nós vivemos no céu e que aqui, no cimo de um enorme penedo onde foi erigida, há muitos anos, a Igreja Matriz da Póvoa, nunca o mar nos virá incomodar. Mas com o mar mais alto e ondas de 10 metros de altura, eu já não tenho a certeza de nada.

Se o mar invadir a avenida da marginal, como já aconteceu mais que uma vez, dali até à Câmara Municipal é sempre a descer e começo a imaginar as ondas a bater nas pernas do Eça que está ali plantado, com os seus livros, no topo leste da praça. O desnível desse lugar até à minha casa não chega a 10 metros, por isso já não me sinto assim tão seguro.

O Eça com os seus livros

Talvez tenha que comprar um bote para ir até ao centro e voltar a casa e aí não sei como a minha cara metade se comportará, pois ela não sabe nadar e tem pavor à água. Para piorar as coisas, a porta das traseiras, ao fundo do meu quintal, está ao nível da Praça do Almada e nunca servirá de escapatória, se o mar decidir avançar até ali. Se te vires em perigo, digo eu à minha mulher, corre até ao adro da igreja, pois lá o mar nunca chegará!

Por volta do ano 1000 da nossa era, nos tempos da Dona Mumadona Dias, a Câmara da Póvoa estava cerca de 2.000 metros para o interior, na actual freguesia de Argivai, também conhecida por freguesia do Anjo (S. Miguel) e daí até à rebentação das ondas do Atlântico só havia dunas. Só no tempo de D. Dinis, no século XIV, se começou a ocupar esses terrenos que, até aí, apenas albergavam umas pequenas barracas em que os pescadores guardavam os seus apetrechos marítimos.

O mar acabará, mais cedo ou mais tarde, por reclamar o espaço que lhe roubaram, diz o povo. E todo o litoral poveiro, como em muitas outras cidades à beira mar, está coberto de prédios que ultrapassam os 10 andares de altura. Ao olhar para as imagens de Águeda ou Alcácer do Sal que as televisões nos têm mostrado, eu consigo imaginar o pessoal que mora nessa zona a andar de barco, em vez de automóvel para ir ao mercado, ao Café ou à igreja.

Podemos viver como em Veneza, deixando as caves e o rés-do-chão debaixo de água e morarmos nós do primeiro andar para cima. Só não vejo solução para os esgotos que debaixo de água não funcionarão e aí teremos a trampa a entrar em casa em vez de sair. Abandonar aquele casario todo, não acredito que vá acontecer, o povo pagou fortunas aos bancos por aqueles apartamentos e nunca aceitará ficar sem eles. Alguma solução terão que inventar para a questão dos esgotos!

Mas, para ser sincero, levará ainda muitos anos para isso acontecer, talvez um século ou dois, e eu não estarei cá para ver isso. Talvez nem os meus filhos e netos, senão começaria a recomendar-lhes que fossem morar para longe do mar. Agora que a Póvoa vai ter problemas, não tardará muito, pode-se adivinhar. O clima não está de modo a facilitar as coisas, cada vez há tempestades mais violentas, chove descontroladamente ou cai neve que entope tudo. Nomear uma grande equipa para a Protecção Civil para pouco serve, além de aumentar os custos do município.

Como diz aquele velho ditado que eu nunca esqueço: - Se vires as barbas do teu vizinho a arder põe as tuas de molho!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Não há pai pro Benfica!

 Ontem foi um dia não recomendado a cardíacos!

O Benfica ia jogar contra um dos 5 maiores clubes do mundo e tina que ganhar. Para além disso ainda tinham que acontecer umas quantas coisas difíceis para permitir que o Benfica se apurasse. O Benfica acabou por ganhar com alguma facilidade, os críticos dizem que deveria ter ganho por uma diferença de 5 golos. Mesmo assim, no final dos 90 minutos mais 5 de descontos dados pelo árbitro, o Benfica estava eliminado da prova. Só um golo milagroso poderia reverter essa situação e até isso aconteceu. Na última jogada do jogo a defesa do Real fez falta e o guarda-redes do Benfica que mede quase 2 metros foi lá ajudar os avançados na cobrança e enfiou a bola na baliza dos merengues com uma tremenda cabeçada.

Foi a loucura total! Mais uma medalha para o currículo do treinador Mourinho. Resultados impossíveis só mesmo com ele! De castigo, para passarmos à próxima fase, teremos que jogar com o mesmo Real Madrid ou o Inter de Milão. Aí é que o Mourinho ficava na Lua se conseguisse passar!

De qualquer modo, passe ou não passe, foi uma noite memorável para o clube da Luz e que ficará na História do maior de Portugal. Tenho quase a certeza que houve muito boa gente que não foi à cama esta noite e borracheiras devem ter sido mais que muitas. Nas redes sociais os likes e as partilhas foram aos milhares. Acredito que alguns benfiquistas foram hoje para o trabalho com os olhos piscos de sono e do álcool ingerido nas últimas 12 horas!

Não creio que seja possível o Mourinho voltar a treinar o Real, mas tem-se falado nisso, insistentemente, nos últimos dias!

Carrega Benfica !!!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O debate e as Bandidas!

 


Ontem, preferi não ver o debate entre os dois candidatos, aproveitei o tempo para ver um filme. Calhou-me na rifa o filme Bandidas, uma palhaçada ao estilo western passada no México, ou na zona de fronteira com esse país.

As bandidas eram duas brasas que assaltavam bancos para arranjar fundos para os revoltosos mexicanos comprarem armas e munições para alimentar a guerra contra o colonialismo espanhol (creio eu). Posso garantir que fiquei melhor servido com as aventuras e desventuras das bandidas do que se me tivesse entretido a ver o Ventura a desancar o Seguro e este sem saber onde se esconder.

O debate foi tão sem surpresas que nem os noticiários desta manhã a ele se referem, preferem andar a correr o país para ver o que a depressão Kristin deitou abaixo e mostrar-nos, como se isso fosse a coisa mais importante das nossas vidas. A Roda Gigante da Figueira, uma árvore aqui, outra ali, um morto esmagado dentro da sua carrinha de distribuição do pão é assunto para entreter as almas lusas. Nada que se compare com a Guerra da Ucrânia ou as tropelias do Trump que prometeu atacar o Irão (de novo) só para mostrar quem é o maior, mas dá para consumo interno.

Voltando ao debate, eu não sei se atribua a pouca qualidade daquilo aos candidatos ou aos jornalistas, um de cada um dos 3 canais generalistas, que lhes punham as questões. Esse tipo de conversa que tem muito mais a ver com o governo do que com a presidência deixa-me furioso. O PR é obrigado a publicar as leis que vêm do Parlamento, mesmo que as devolva duas vezes para que o texto seja ajustado àquilo que o PR quer ou o Tribunal Constitucional exige.

O Ventura aproveita para fazer o maior barulho possível, já a pensar nas próximas legislativas que hão-de aparecer no horizonte, mais cedo ou mais tarde. O Seguro dá a vitória por garantida, baseado no resultado das sondagens que os 3 canais encomendam às empresas que descobriram uma boa maneira de ganhar dinheiro à conta disso e da falta de assunto que os canais de TV enfrentam. Eles bem mandaram o Sérgio Furtado mudar de residência para a Ucrânia, mas aquela guerra já não entusiasma ninguém.

Desse jeito, tudo o que o Seguro tem de fazer é encher-se de paciência e deixar os ponteiros do relógio girar e consumir as horas e os dias que nos separam do dia 8 de Fevereiro, em que ele virá ler o discurso que já pode ir preparando, antecipadamente, pois nada fará mudar o rumo das coisas. Votem neste candidato que ele é seguro, diz D. Aníbal Cavaco Silva, do alto da sua prosápia, como, em tempos, disse para confiar no BES de Ricardo Salgado que era o banco mais seguro de Portugal.

Isto tinha sido preparado para acabar numa disputa entre os candidatos do PS e do PSD, à moda antiga, mas a candidatura do Chega deitou tudo por terra. E depois, o rodinha 26 do PSD, o famoso Ganda Nóia, estragou tudo ao ser acusado de ser um abre-portas, um facilitador de negócios que lhe encheram o bolso de euros, como afirmou (e com muita razão) o almirante. Ele acabou por se queimar na fogueira que acendeu para queimar o pequenote e deixou-nos nesta situação de ter que escolher entre o mau e o pior.

Não há-de morrer ninguém por isso! Já, em 1910, quando caiu a Monarquia, foi um Deus nos acuda para encontrar um presidente que prestasse, pois cada um que era escolhido tinha defeito e durava pouco tempo no cargo. Teófilo Braga, Manuel de Arriga, outra vez Teófilo Braga e Bernardino Machado ocuparam o cargo nos primeiros anos e houve outros ainda que ocuparam o lugar até ao General Gomes da Costa e depois Óscar Carmona porem a coisa (ou a casa) em ordem. Já com a ajuda de Salazar, devo acrescentar, para pôr um ponto final nesta minha publicação de hoje que já vai longa!


terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A Lei das Probabilidades!

 Quando estamos a saborear uma grossa fatia de pão com manteiga e ela nos cai da mão, é certo e sabido que ela cai com a manteiga para baixo ficando grudada na manteiga toda a porcaria que possa existir no local onde caiu!

Hoje, à noite, teremos um debate entre os dois candidatos a Presidente da República, o Seguro e o Ventura, assim por esta ordem que é aquela que os órgãos noticiosos consideram que será o que as eleições vão confirmar. Quem tem medo de Ventura, apetece-me perguntar? Porque querem tanto que o Seguro ganhe se ele foi sempre um Zé Ninguém no mundo da política? Palavra de honra que não compreendo!

Será por ele ser novo demais, por ser imaturo, ou haverá outras razões que eu desconheço? Que ele é um desbocado, eu reconheço, por tudo e por nada lá está ele a botar a boca no trombone! Mas não será melhor assim do que ouvir e calar, mesmo que não concorde com aquilo que ouve? Fartos de gente que assiste à passagem da procissão sem nada fazer para que as coisas mudem para melhor estamos nós. É preciso que apareça alguém, na política, que seja capaz de atirar uma pedra para o charco e ver o que acontece.

O Ventura parece-me homem para isso, o Seguro não, de modo nenhum. O Seguro é o menino bem comportado, bem vestidinho, bem penteadinho que quer ser um modelo de virtudes neste país de gente mal comportada, mal vestida e cheia de fome. Se não de comida terá fome e muita de outras coisas que fazem a felicidade das pessoas.

O mundo está transformado num bordel, onde só os interesses de cada um importam, viu-se isso em Davos com a reunião do Conselho de Paz do Trump que mais parecia um congresso de agentes imobiliários à procura de boas oportunidades de negócio. O "poleiro de Belém" não é, propriamente, um pódio de homens de negócios bem sucedidos, mas sempre pode dar uma ajudinha para lá chegar.

Na minha opinião o André Ventura não é o homem indicado para colocarmos em Belém, ele é uma espécie de D. Sebastião de espada em punho e pronto a partir para a luta por aquilo em que acredita. E neste momento, ele acredita que o Socialismo, nas suas mais diversas formas, não é bom para Portugal. Se tivéssemos, em Portugal, um sistema presidencialista, como em França, no Brasil ou nos Estados Unidos, então sim, ele seria o homem indicado para tomar o leme e guiar-nos a um bom porto.

Ao contrário, Seguro não seria o homem indicado nem num sistema, como o actual, ou naquele que eu gostaria mais de ver implantado, em que o presidente é quem manda e tem no Primeiro Ministro um assessor para pôr em prática as suas políticas. Ele é cinzento demais e não o vejo a lutar contra ventos e marés para impor (no bom sentido) a sua vontade. Ele é mais de deixar andar e esperar que o tempo se encarregue de fazer as coisas acontecer.

O meu cérebro dá voltas dentro do crâneo e corre o risco de explodir, quando tento compreender as razões que levam gente como o Cavaco, o Paulo Portas e outros que tais a afirmar que a escolha certa é o socialista Seguro. Ele é bem comportado e muito educado, disse alguém tentando justificar a sua escolha. O que estou a adivinhar é que eles querem um presidente que "coma calado" para continuarem a fazer as suas negociatas, como têm feito, nos últimos 50 anos.

As sondagens que, na melhor das hipóteses, dão um resultado de 60/40, a favor de Seguro, vão fazer com que eu me abstenha nesta segunda volta. No Seguro não voto (nem morto) e votar num candidato que está destinado a perder, não justifica que eu abandone a comodidade do meu lar para depositar na urna uma espécie de voto em branco. Ou seja, aquele que traduz a nossa não concordância com qualquer dos candidatos, mas não quer participar na terceira opção, a da abstenção.

Prefiro esta última hipótese, vou abster-me !!!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Embirro com comunistas!

 Escusava de fazer esta afirmação, pois vocês já me conhecem de ginjeira e sabem quase tanto como eu a respeito dos meus sentimentos. Como ia desatar a falar do mui conhecido dos portugueses, Jerónimo de Sousa, foi só para avisar que não é para fazer publicidade a essa cambada que gasto o meu tempo e encho este espaço de letrinhas, umas encavalitadas nas outras que, espero eu, vos levem alguma alegria.

Quanto ao Jerónimo, a história é muito antiga, começou no ano de 1743, quando ele nasceu no mesmo lugar da mesma freguesia que me viu também nascer, dois séculos e uns quantos meses mais tarde. Ele foi o patrono do ramo feminino da minha família, avô da minha mãe na sétima geração. O seu apelido era Ferreira, o qual não chegou até mim, porque durante o século XIX pegou uma moda de serem as mulheres a transmitir o seu apelido aos descendentes.

O Jerónimo de Sousa era o tal comunista que me fazia ferver o sangue, cada vez que o via na televisão. Como a minha mãe, tal como a sua também, além da avó e do bisavô eram todos Sousa, eu parti do princípio que o meu avô Jerónimo teria também esse apelido. Lá está o meu avô Jerónimo a dizer asneira outra vez, pensava eu mal o via aparecer no ecran do televisor.

Ele foi Secretário Geral dos comunas de 2004 a 2022, mas já era deputado no nosso Parlamento desde o princípio de Dezembro de 1979. Foram muitos anos a ouvir aquele cromo que sucedeu a outro cromo que só era melhor que ele por ser formado em Direito, o Carlos Carvalhas, mais conhecido pela alcunha de "Cassete Carvalhas". Esse foi o escolhido por Álvaro Cunhal para lhe suceder, assim ao modo como acontece nos regimes monárquicos. Tal e qual como o Jerónimo escolheu outro ainda mais parvo que ele, o Raimundo, para lhe ficar com o lugar e que quase já não tem companhia na sua bancada do Parlamento.

Fico contente por ver que os parvos estão a diminuir em Portugal, embora tenha aparecido uma outra seita de palermas, ou melhor, duas que são conhecidas por comunas-caviar e comunas-letrados, uma quase a desaparecer do mercado, desde o abandono da Mortágua e a outra a subir impulsionado pelo Rui que passa os seu dias a fossar nos arquivos da Torre do Tombo e sabe de História muito mais que eu.

Mas basta de conversa comunista, eu queria era falar do meu avô Jerónimo que nasceu muitos anos antes da doutrina comunista tomar conta da Europa. Aquela casa, em que fui defumado, quando era criança, era pertença de um seu bisneto que se viu forçado a vendê-la por não ter outros meios de sustentar a família. Vendeu a casa com reserva de vida, isto é, o comprador só podia tomar conta da propriedade, o que aconteceu por volta de 1940, depois de ele e a sua mulher terem morrido.

Nessa altura, apareceu por lá o Sr. Laurindo exigindo que os remanescentes moradores abandonassem a casa. Ai, não pode expulsar-nos, pois não temos para onde ir, lamentaram-se eles! O homem que era mesmo um bom coração, propôs-lhes que construíssem uma pequena casa - com o resto do dinheiro que lhes sobrara da venda feita pelos seus pais - num terreno que ele lhe ofereceria, separando-o de uma propriedade maior, ali a uns curtos 200 metros de distância.

 A proposta foi aceite com alegria, pois ficariam a viver no mesmo lugar que era o lar de todos, ou quase, descendentes do avô Jerónimo. Em três tempos, foi levantada uma casinha em tijolo, com quatro pequenas divisões e uma cozinhita ao lado com o chão em terra batida e uma pedra de granito de grandes proporções para servir de lareira. Com o telhado em telha de barro francesa, a casa estava uns bons degraus acima daquela que abandonaram.

O casal e os seus 3 filhos pegaram nas trouxas e mudaram-se para a casa nova que tinha, ao lado, uma pequena horta com cerca de 400 metros quadrados. Foi o que lhes sobrou de uma herança que desde a morte do Avô Jerónimo foi sendo dividida pelos seus filhos, netos e bisnetos, com uma fatia cada vez menor a tocar a cada um. Alguns anos mais tarde e depois de analisar a sua situação e ver que nada lhe tinha sobrado para garantir a criação dos filhos, o Sr. António de Sousa, decidiu emigrar para o Brasil e tentar a sua sorte.

Ainda fui amigo de brincadeira e colega de estudos do filho mais novo, mas a diferença de idades era grande e depressa lhe perdi o rasto. Dei com ele, muitos anos depois, por alturas do 25 de Abril, ao balcão do Banco Português do Atlântico, aqui nesta cidade onde moro, transferido da Caixa Geral de Depósitos, noutra cidade, onde tinha iniciado a sua carreira de bancário.

Quando lhe perguntei se tinham tido notícias do pai disse-me que não, mas contou-me que tinha recorrido ao tribunal para o declarar morto, pois havia coisas que precisava de resolver (heranças) que obrigavam à apresentação de uma certidão de óbito. Uns bons 20 anos mais tarde, eu soube por uma sua sobrinha (amiga do Facebook) que o velhote se tinha casado de novo, no Brasil, e constituído uma grande família. Quem lhes trouxe tal notícia é que eu não consegui saber!

 

Em memória do meu avô Jerónimo, cujo Assento de Baptismo
deixo aqui publicado!

domingo, 25 de janeiro de 2026

O fumo e o fumeiro!

 Nasci, fui criado e defumado numa antiga (e decrépita) casa de lavoura que o meu pai conseguiu alugar ao seu antigo patrão, quando se casou. A casa pertenceu e foi habitada, até pouco antes do casamento de meus pais, por membros do clã de Jerónimo Ferreira. A família que já ia na quinta geração a repartir heranças e cada vez era mais pobre, acabou por vender a propriedade a um lavrador abastado, o tal que garantiu emprego ao meu pai, no princípio da sua vida activa.

Olha que a casa está quase a cair e o telhado deixa entrar água, tal como uma cesta rota! Foram estas as palavras do Sr. Laurindo, herdeiro de uma das maiores fortunas (em terras, pipas de vinho e carros de pão) da freguesia em que o meu pai nasceu. Eles eram mais ou menos da mesma idade e ainda devem ter brincado juntos, nos tempos da escola primária, mas depois disso um virou trabalhador na lavoura e o outro o seu patrão.

Não lhe dê isso preocupação, Sr. Laurindo, arrende-me a casa e esse problema passa a ser meu. Foi assim que o meu pai lhe respondeu e a partir daquele momento tinha uma casa onde abrigar a mulher com quem queria casar e a sua mãe que com ela vivia. Nos dias seguintes, foi até a essa casa e deu um arranjo no telhado, focando-se nos dois pontos mais importantes, aquele que ficava por cima da cama onde iria dormir e a cozinha (enorme) na parte em que ardia a lareira e no canto onde ficaria a cama da sua sogra que seria também a cozinheira.

Corria o mês de Julho e teria que esperar pelas primeiras chuvas de Outono para ver se o arranjo provisório que dera no telhado era o suficiente. Casado de fresco e ainda sem filhos, a grande preocupação era arranjar trabalho que garantisse o sustento daquelas três almas e o pagamento da renda ao senhorio que esse era o primeiro dinheiro a pôr de parte, de modo a garantir que não teriam que viver como sem-abrigo.

A cozinha era "tocada" a lenha que se apanhava nas matas (bouças) das freguesias vizinhas, mas não havia grande fartura, devido à concorrência que era muita, e por vezes tinha que se queimar rama de pinheiro ainda mal seca. O resultado era uma fumaceira que vocês não serão capazes de imaginar, dentro daquela cozinha. O fumo ia-se escapando por entre as telhas do telhado, mas antes de encontrar o seu caminho fazia-nos arder os olhos e escorrer as lágrimas pela cara abaixo.

Lembrei-me destas passagens da minha vida, nos primeiros anos da minha infância, ao ver as notícias do "Fumeiro de Montalegre", um dos mais famosos de Portugal. Hoje é o último dia e não falta lá gente, levada pelo espectáculo da neve e pelo sabor dos enchidos que esperam saborear ao almoço, num dos muitos restaurantes que naquelas redondezas os servem. Eu só visitei essa feira uma única vez e não fiz um euro de compras, os preços são proibitivos. Na verdade, ainda não havia euros e os contos de reis que eu tinha no bolso serviriam para coisas mais necessárias que um pedaço de carne de porco vendido como se de ouro se tratasse.

Uma barriga de porco ou pernil que se compram, nos talhos, por meia dúzia de euros, custam ali uns belos e redondinhos 15€ só porque, dizem eles, é de porco bísaro criado quase como um membro da família, até lhe meterem a faca e o transformarem em chouriços. Pode ser bísaro ou porco preto do Alentejo, não podem é triplicar o preço só por o terem pendurado ao fumo, durante uns tempos. Eu também apanhei muito fumo e ninguém me dá mais valor por isso!

 Os preços praticados são proibitivos e a continuar assim acabarão com o negócio, E tanto vale ser em Montalegre, como em Vinhais, Bragança ou Mirandela, os vendedores correm as feiras todas e pedem um preço que todos sabemos que é um exagero. É só uma vez e por festa, dizem alguns, e depois vão a correr até à fábrica da Angelina, em Mirandela, onde se compram boas alheiras por 4.50€ por kilo. Eu que não sou parvo, faço,, exactamente a mesma coisa!

Este é que é o tal bísaro!

sábado, 24 de janeiro de 2026

À caça da Ingrid!

 Todos os repórteres de todos os canais de tv foram mandados para a rua para caçar uma imagem mais bonita ou mais impressionante que a do camarada do lado. Uns queixaram-se do lugar que lhe foi distribuído, na serra da Estrela ou em Montalegre sempre há mais hipóteses de nevar, e alguns voltaram a casa sem ter caçado nada.

Uns flocos de neve que ainda nem chegaram ao chão, uma ribeira que saiu das margens, um muro que desabou devido às imensas chuvadas que lhe caíram em cima e até meia dúzia de calhaus que o mar arremessou para a rua, tudo serve para mais uns minutos de transmissão a que se seguem os infindáveis minutos preenchidos com publicidade.

Foi um dia inglório para a maioria desse pessoal que é obrigado a fazer o que lhes mandam para garantir um salário (se calhar fraquinho) no fim do mês. Admirei a persistência de um rapaz que escolheu um lugar para fazer a sua reportagem, numa estrada deserta, na encosta de uma qualquer serra, apontou a câmara para os 4 pontos cardeais, vasculhou estradas, caminhos e carreiros, mas não encontrou nada que tivesse a mínima piada.

Os mais sortudos foram para Montalegre, onde além da prometida neve, havia uma feira de fumeiro que é sempre notícia e atrai muita gente. No Alto de Espinho, ponto mais alto do antigo IP4, lá estava a GNR, como de costume, para avisar uns do perigo que correm e multar os outros por não ligarem o mínimo aos avisos e alertas vindos de todos os lados para ficarem quietinhos em casa. Na cidade mais alta do país, onde reina D. Sancho II (se não estou enganado) a neve tardou, mas depois caiu com força.

Tive pena de um que mandaram para o Alentejo, pois queria-me parecer que ali, por mais que corresse de um lado para o outro, neve é que ele não conseguiria filmar para nos mostrar esta manhã. Mas enganei-me, ele subiu até ao ponto mais alto de Marvão, e encontrou mais neve que outros que andaram por sítios mais frios do que aquele.

Sorte grande calhou àqueles que foram até Castro Laboreiro, onde é garantido que cai neve se for o tempo dela e tiveram sorte de não ficar por lá atolados, pois aquilo é o fim do mundo civilizado, um beco sem saída, em que entras nas calmas e meia hora mais tarde já de lá não consegues sair. E os que foram às Portas de Montemuro tiveram tanto que filmar que se distraíram e ficaram presos na neve, teve que a GNR ir lá resgatá-los, senão ficaríamos sem a sua reportagem.

Aqui, no alto da Gralheira, onde fui por diversas vezes, quando foram montados os parques eólicos que por ali existem, há um restaurante de que eu não recordo o nome (mas o Sr. Google ajudará a encontrar a quem estiver interessado) que serve um cabrito assado no forno que é de comer e chorar por mais.

O mar estava bravo p?ra cacete, mas só se mete com ele quem é doido! Até os malucos das ondas gigantes da Nazaré ficaram em casa sossegadinhos a dar um descanso à prancha, Os repórteres de rua dispensaram uns minutos com ele, nos sítios do costume, e voltaram a casa tristes por não terem conseguido filmar nenhuma desgraça. Isto é tal e qual como aquele dito do agente funerário que vai dizendo: - eu não quero que ninguém morra, mas quero que a minha vida corra!