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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Deus de Abraão, Isaque e Jacob !

A receita de hoje é religião, preparem-se!


No tempo em que toda a gente no mundo adorava mamarrachos, a que chamavam ídolos, surgiu um povo que dizia adorar um Deus espiritual que não era representado por nenhuma imagem. Esse povo morava em Canaã, zona que se atribui ao norte do actual estado de Israel e ao sul da Síria. Como se tratava de um povo nómada, andava sempre cá e lá e torna-se difícil ser preciso nesta matéria.
Ora bem, numa certa época da História, esse Deus decidiu manifestar-se ao chefe da tribo, o famoso Abraão. Depois de velho e de muito rezar ao seu Deus por um filho, sem o conseguir, resolveu seguir os conselhos da sua mulher, Sara, e deitou-se (que é como quem diz fornicou) com a sua escrava Agar para tirar dúvidas sobre as suas capacidades para engravidar a sua esposa.
E de Agar nasceu Ismael. Tempos depois Deus manifestou-se de novo a Abraão e prometeu-lhe que ele teria um filho com Sara. Abraão já muito velho e de pernas bambas, custou-lhe a acreditar naquilo, mas Deus é Deus e todo poderoso. E assim nasceu Isaque.
É importante fixar bem estas duas personagens, Ismael - o filho da escrava - e Isaque - o filho do casal - a quem Deus prometeu que seria o líder do seu povo - o Povo Eleito. Ele e o seu filho primogénito, Jacob. Jacob teve apenas um irmão, Esaú, enquanto que o seu tio Ismael encheu a tabanca de filhos, perto de uma dúzia.
E aqui começa a grande divisão das religiões, o povo de Jacob e seus descendentes são os «Judeus» que hoje conhecemos. Os filhos de Ismael, embora adorando o mesmo Deus dos seus primos, foram divergindo nas suas crenças e convicções e formam o mundo muçulmano que tanto luta contra os ditos primos (e os outros).
Por aquilo que nos conta a Bíblia Sagrada, as coisas não andavam muito bem entre os primos, havia demasiadas guerras entre eles e até ídolos voltaram a adorar. E Deus resolveu mandar o Seu Filho cá abaixo para tentar pôr ordem nas coisas. Nasceu pequenino, como todos nós, cresceu e meteu mãos à obra que seu pai lhe encomendara. Decidiu baptizar o seu povo e chamou o seu primo João para o ajudar. Este enfiou-se no rio Jordão, com água até aos joelhos e despejava água pela cabeça abaixo de todos aqueles que a ele se dirigiam.
E aqui começa a segunda grande separação das religiões. Os que aceitaram baptizar-se são os cristãos de hoje. Os que recusaram o baptismo permaneceram, até hoje, como judeus e seguem o Judaísmo. Anos mais tarde, os cristãos foram emigrando para ocidente, seguindo o Apóstolo Pedro que assentou praça em Roma e ali fundou a Igreja Católica, tal como Jesus Cristo lhe ordenou que fizesse.
Na velha terra de Canaã ficaram poucos cristãos, a metade do Povo de Deus que preferiu não baptizar-se e os descendentes de Ismael que nunca aceitaram misturar-se com os seus primos judeus e formaram sempre um povo à parte.
Aí uns 600 anos depois do nascimento de Cristo apareceu Maomé, o grande profeta, nascido no seio da tribo descendente de Ismael. E foi esse o trunfo final, tanto quanto sabemos, na separação das três grandes religiões da actualidade que seguem o mesmo Deus, embora chamando-lhe nomes diferentes e atribuindo-lhe diferentes poderes.
E aí temos:
Em primeiro lugar os baptizados que seguem as instruções de Jesus Cristo e S. Pedro, ou Cristãos.
Em segundo lugar, os que rejeitaram a mudança proposta por Jesus Cristo e preferiram manter-se fiéis aos conselhos dos velhos profetas do Povo de Deus, os Judeus.
Em terceiro lugar, os outros, os descendentes da escrava Agar. Já se tinham esquecido dela? Nunca se podem esquecer estes pormenores, filho de escravo, escravo será. E assim se prova a origem da vida desgraçada do povo muçulmano que povoa o Oriente Médio. E não fosse o aparecimento do petróleo seria muito pior.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O histórico ano de 1917 !


Qualquer bom português sabe que foi em 1917, no mês de Maio, que começaram as aparições da Virgem Maria, em Fátima. E aqueles que são mais atentos a essas coisas da religião católica também sabem que o primeiro pedido de N. Senhora foi para rezar pelo fim da guerra (Grande Guerra 1914-1918)  e pela conversão da Rússia. E porque seria isso? Por serem uns anjinhos, os russos, não foi com certeza.
Vamos, então, dar um passo em frente na nossa narrativa histórica. A Rússia envolvera-se também na Grande Guerra que pôs a Europa a ferro e fogo e sofreu pesadas baixas nas batalhas contra o exército alemão. Os políticos russos que desde há perto de duas dezenas de anos tentavam acabar com o regime czarista, aproveitaram o descontentamento do povo e depuseram o czar Nicolau II. 

O seu reinado terminou com a Revolução Russa de 1917, quando, tentando retornar do quartel-general para a capital, seu trem foi detido em Pskov e ele foi obrigado a abdicar. A partir daí, o czar e sua família foram aprisionados, primeiro no Palácio de Alexandre em Tsarskoye Selo, depois na Casa do Governador em Tobolsk e finalmente na Casa Ipatiev em Ecaterimburgo. Nicolau II, sua mulher, seu filho, suas quatro filhas, o médico da família imperial, um servo pessoal, a camareira da imperatriz e o cozinheiro da família foram executados no porão da casa pelos bolcheviques na madrugada de 16 para 17 de julho de 1918. É conhecido que esse evento foi ordenado de Moscou por Lenin e pelo também líder bolchevique Yakov Sverdlov. Mais tarde Nicolau II, sua mulher e seus filhos foram canonizados como neomártires por grupos ligados à Igreja Ortodoxa Russa no exílio.

E começou assim a «Revolução Russa» que comemora hoje 100 anos. O nosso contemporâneo comunista-mor, Jerónimo de Sousa, está hoje em festa. Só não consegui descobrir ainda se ele devia comemorar com risos ou com lágrimas. E ele também não.

Em novembro de 1917, o governo publicou a Declaração dos Direitos dos Povos da Rússia, que declarava que os grupos étnicos não-russos que viviam dentro da República tinham o direito de ceder da autoridade russa e estabelecer seus próprios Estados-nação independentes. Citando isso como justificação legal, muitas nações declararam independência: Finlândia e Lituânia em dezembro de 1917, Letônia e Ucrânia em janeiro de 1918, Estônia em fevereiro de 1918, Transcaucásia em abril de 1918 e Polônia em novembro de 1918. Logo, os bolcheviques incentivaram ativamente os partidos comunistas nesses estados agora independentes, enquanto em julho de 1918, no V Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia, foi aprovada uma constituição que reformou a República Russa na República Socialista Federativa Soviética da Rússia.

Além do czar, sua família e empregados que foram fuzilados uns meses depois, poucos russos sofreram na pele as consequências imediatas da revolução. Mas foi sol de pouca dura, pois anos depois começaram as viagens sem retorno para a Sibéria. Quem não acatava as directrizes do partido no poder era posto de lado imediatamente.
Uma das figuras da revolução e chefe do primeiro governo estável, criado depois da revolução foi este senhor que vêem aqui à esquerda, Vladimir Lenine, que morreu cedo, mas continua presente na vida do povo russo, embalsamado e depositado no «Mausoléu de Lenine», no centro da Praça Vermelha, em Moscovo.
Passados que são 100 anos, muita gente se pergunta o que ganhou o povo russo com a revolução. No tempo dos czares eram pobres e viviam mal, faltava-lhes tudo e mais alguma coisa. E depois da revolução? Continuaram na mesma ou pior e sempre com a ameaça de serem deportados para os campos de concentração, na Sibéria, pendente sobre as suas cabeças. Foi assim até à chegada da perestroika, em 1989 e mudou um pouco desde então. A mudança tem acelerado nos últimos anos, pois a tecnologia e a facilidade comunicação não têm fronteiras e, embora contra a vontade de quem manda, têm penetrado as fronteiras russas e feito o seu trabalho.
E, ao fim de tantos anos, os czares voltaram a reinar na Rússia. Diferente do passado, não é apenas um, mas sim vários. Eles são os donos do petróleo, do gás e das grandes empresas russas. Têm milhões, fazem o que querem e sobra-lhes tempo.
E o grande chefe deles também se chama Vladimir ... Putin !