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segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Ecco qui a Roma!

 Que me perdoem os meus leitores, mas já que vim até Itália não quero regressar a casa sem vos falar (um bocadinho) de Roma. Roma é e será sempre uma capital importante para nós, portugueses. Afinal, pertencemos ao Grande Império Romano, durante alguns séculos e isso deixou marcas nunca mais se apagarão, a começar pela Língua que falamos.

Ainda faltavam uns 3 ou 4 séculos para Jesus Cristo nascer, em Belém, e já os romanos nadavam pela Península Ibérica à procura daquilo que fazia falta na capital do império. Sal, azeite e vinho foram as primeiras riquezas que nos levaram, mas depois veio a necessidade de encontrar minérios para sustentar a riqueza (e a despesa) do império. Ouro e prata foram os mais procurados e ainda há por aqui muitos resquícios das minas que eles iniciaram. Depois vieram ao ferro que precisavam para as suas espadas, escudos e lanças, porque sem armas não conseguiriam manter em respeito tantos milhões de pessoas por toda a Europa.

Como puderam verificar na minha publicação de ontem, as minhas viagens centraram-se mais na região de Florença e Milão, mas vivia em mim a ânsia de conhecer Roma. Tanto ouvira falar dessa cidade, tanto estudara a História de Roma e dos romanos que sonhava, há muito, com a oportunidade de lá ir conhecer o que sobrara do passado e enchia os livros de História. Um dia recebi um convite para ir visitar uma fábrica que produzia a ganga para confeccionar os famosos jeans da Wrangler, bem como outras telas de algodão, ou algodão com polyester para confeccionar roupa de tralho. Foi a oportunidade que esperava, alô Roma aí vou eu!

A fábrica ficava a cerca de 80 Kms a sul de Roma, o que me permitiu ficar num hotel da capital, reservar um dia inteiro para visitar a fábrica e falar de negócios e depois regressar a Roma outra vez para continuar as minhas explorações. Cheguei a Roma ao fim da tarde de um sábado muito chuvoso, fui procurar o hotel que me tinham reservado e logo que pousei a mala no quarto, saí pela porta fora, em direcção ao Coliseu que é o centro de tudo. Era fevereiro, estava frio e depressa começou a chover. Seguindo um trajecto marcado num folheto que apanhara no hotel, eu vestia um sobretudo de pelo de camelo que depressa ficou encharcado, mas tinha decidido ir ver o coliseu antes de jantar e não haveria chuva que me fizesse desistir

Lá chegado, era noite escura e não se via vivalma por aqueles sítios. Às tantas chovia tanto que tive que me abrigar e já tremia de frio, quando uma aberta me permitiu encetar o regresso ao hotel. Lá chegado, livrei-me da roupa molhada, tomei um banho quente, rezando a todos os santos para não apanhar uma constipação, e fui jantar. Não foi grande coisa essa minha primeira abordagem a Roma, mas no dia seguinte era domingo e tinha o dia todo por minha conta para conhecer a cidade.

Depois do Coliseu, tinha planeado ir até à Via Appia conhecer a rua mais antiga do império e que conserva, ainda hoje, a calçada em pedra por onde rolavam os carros romanos e desfilavam as Legiões Romanas quando saiam ou regressavam das suas guerras. Havia tanta coisa para ver que eu nem sabia por onde começar. Depois de percorrer a Via Appia e dar umas voltas na zona dos monumentos em ruínas, arrumei o carro e gastei o resto do dia zanzando de um lado para o outro.

É engraçado que nessa primeira visita nunca me passou pela cabeça ir ao Vaticano e ver o Papa. Isso aconteceria numa outra viagem que fiz e sem ter sido planeado, fui pernoitar a um hotel nas margens do Tibre a a menos de 500 metros da Praça de S. Pedro. Como acordo sempre cedo e não sou de ficar na cama acordado, saí do hotel pouco passava das 6 da manhã e fui dar uma volta para espantar o sono, antes de me sentar para tomar o pequeno almoço. Poucos passos andados, vi-me na praça que cheia de cadeiras que estava a ser preparada para a habitual missa domingueira, assistida por grupos de fiéis vindos de todo o mundo para  receber a benção de Sua Santidade o Papa de Roma.

Há tanto que ver, em Roma, que se torna difícil escolher por onde começar. Sempre quis ir conhecer as famosas Catacumbas, mas informaram-me que estavam encerradas para obras  Nas várias viagens que fiz a Roma acabei por ter tempo de ver tudo e mais que uma vez. Um dos lugares mais falados é a Piazza del Pópulo e confesso que não lhe achei piada nenhuma. Talvez cheia de povo, pois é lá que se realizam os grandes encontros, tenha outro fulgor, mas vazia como eu a encontrei não me fez mexer o coração.

Andei pelas margens do Tibre, fui ver a Fontana de Trevi, visitei meia dúzia de igrejas, cada uma com uma história mais completa que a outra, andei para cima e para baixo na Via Nazzionalle que Liga a Estação de comboios à Baixa, zona dos Monumentos. Depois de ver tudo aquilo que tinha sonhado ver, pouco mais havia que despertasse o meu interesse. Andei pelas "tratorias" romanas, à procura de comida caseira e não aquela que era servida aos turistas. Um belo "arrosto misto" e uma caneca de vinho sem marca é o melhor que se pode desejar e que eu acabei por encontrar.

Só me falta falar na aventura que é entrar ou sair de Roma, ao volante de um carro alugado, sem conhecer o caminho a seguir. Há as vias principais que nos conduzem ao centro de Roma e há uma monumental circunvalação, em perfil de autoestrada que dá a volta a toda a cidade. Tudo o que é preciso é saber qual a saída certa para te levar ao destino escolhido. Quando regressei da visita feita à fábrica dos algodões, cheguei a Roma em hora de ponta e sem ter planeado a viagem em pormenor, passei horas ao volante até chegar ao hotel.

A última vez em que lá estive ainda decorria o século XX (talvez 1998) e muita coisa deve ter mudado, a começar pelos automóveis, pois juraria que metade dor romanos conduziam um "topolino" (Fiat 500) que era fácil estacionar em qualquer buraco, numa cidade enorme e saturada de automóveis.

domingo, 22 de janeiro de 2023

Prato!

 Prato é uma cidade italiana situada nos arredores de Florença que vive da Indústria Têxtil. É uma espécie de Covilhã à italiana! Hoje, com a globalização, já é muito diferente, mas nos anos do pós-Grande Guerra Prato vivia 100% pendurada na Indústria Têxtil. Herança do passado era ali que se situavam as grandes fábricas de transformação de lãs das muitas ovelhas na Cordilheira Apenínica em que Prato está inserida.

O rio Bizêncio que desce das montanhas e ruma a sul, depois de ter atravessado Prato, de norte para sul, fornecia de água as fábricas que foram nascendo nas suas margens. Quem viaja de Prato para norte, seguindo o curso desse rio. fácilmente, entenderá como funciona o mundo têxtil. Lavar as lãs, fiá-las, tecê-las, tingi-las gasta muita água em cada uma das suas fases, água que depois de usada é devolvida ao rio e segue o seu curso até chegar ao mar.

Nos tempos mais modernos, depois da Grande Guerra, o desenvolvimento da indústria obrigou a construir um parque industrial, desta vez na planície que se estende das montanhas até ao mar, perto de Pisa, de enormes dimensões que alberga milhares de empresas têxteis, como não há em mais parte nenhuma do globo terrestre. Muitas dessas empresas têm apenas 3 pessoas, o patrão, uma secretária para tratar das papeladas e um condutor que movimenta as mercadorias de um lado para o outro. Todas essas empresas funcionam naquilo que se chama o «Sistema Horizontal», o sistema em que cada interveniente faz apenas uma operação de todo o processo. Uns lavam e tingem lãs, outros fiam, tecem, lavam e acabam o produto para entregar ao cliente final.

As lãs têm um ciclo de fabricação complexo que só quem lá andou compreende. Desde a tosquia até se ver um lindo tecido dá muitas voltas. Ela pode ser tingida em rama, em fio ou em tecido, depois há também vários sistemas de fiar, dependendo da qualidade da lã e do calibre de fio que se quer atingir. Em Prato, toda a gente com mais de 50 anos, quando por lá comecei a andar, é especialista nessa matéria, nos velhos tempos não havia outra coisa onde trabalhar e todas aprenderam na escola da vida, onde só havia ovelhas, pastores e lã que era preciso transformar em tecido.

E há ainda mais uma característica que define Prato e a separa de outras zonas de Lanifícios, só trata de lãs cardadas, enquanto que as lãs penteadas - para fios e tecidos mais finos - são tratadas no norte, nos vales dos pequenos rios que descem dos Alpes Suíços para a planície do Pó, talvez o maior rio de Itália. As melhores marcas de roupa são italianas, como toda a gente sabe, e é nessa zona que se abastecem de tecido para a sua confecção. No passado usavam apenas a lã das ovelhas da sua região, mas hoje recebem as lãs melhores e mais finas que há no mundo, desde a África do Sul, a Austrália ou Nova Zelândia. Os pelos de outros animais, como a cachemira, alpaca e outros similares chegam da América do Sul e são ali transformados.

A sul de Roma existe ainda uma zona têxtil especializada em algodões, mas foi sol de pouca dura, a globalização levou as fábricas para os países que produzem algodão e têm mão-de-obra muita mais barata, nomeadamente o Paquistão e a Índia. Entre Milão e a fronteira suíça, há muitas fábricas que nasceram a fiar e tecer algodão e, hoje, ganham a vida  misturando tudo aquilo que os outros não querem, ou não podem, tratar. Linho ou seda, fibras artificiais ou sintéticas, misturadas com algodão ou umas com as outras - diz-se em Portugal que há mil maneiras de matar pulgas ou cozinhar bacalhau - faz-se o mesmo em Itália no mundo dos tecidos.

Mas, comecei a falar de Prato e perdi-me, falando do resto do mundo têxtil que existe naquele país. Das muitas viagens que fiz a Itália passei sempre por Prato e, não raras vezes, era ali que passava todo o tempo da minha viagem que, habitualmente, durava uma semana. E tudo por causa das agências de viagens que faziam um preço muito mais em conta a quem saía no sábado e regressava no domingo, uma semana depois. Assim fui obrigado a inventar trabalho e visitar fábricas para matar o tempo que me sobrava e aprender algo mais sobre aquele mundo, onde mergulhei, pouco depois de sair da Marinha.

E assim conheci hotéis, restaurantes, tascas e afins, aeroportos e estações de comboio como poucos tiveram hipótese de conhecer. Pagar 20 contos de reis para dormir uma noite não era a minha praia e cheguei a dormir em casa de família, de borla ou quase. Fui levado (por fornecedores ávidos de me agradar) aos melhores restaurantes e comi em muitas espeluncas, às vezes, por falta de outra alternativa. Uma vez, por curiosidade, fui até comer a uma cooperativa, em Prato, que dava de comer aos mais desvalidos da sociedade pratesa, tipo uma diária dos tempos que correm. Todos pagavam 7.500 Liras (cerca de 750$00) e tinham direito a uma sopa, um de dois pratos a escolher, uma sobremesa pequenina e vinho. Como sou curioso quis ver como viviam os mais pobres e comi lá uma macarronada que não me desiludiu. O vinho é que era uma espécie de água-pé, mas não me faltaram ocasiões de beber bons vinhos

Na maior parte das vezes fiquei no Art-Museo Hotel que era o mais conhecido e a minha agência de viagens tinha na sua lista, mas quando viajava por minha conta e risco, o que acabava por ficar mais barato para a minha empresa - embora nunca mo tenham agradecido -  ficava onde calhava, às vezes em buracos que nem o diabo conhecia.

Para terminar, vou só mencionar 3 localidades, situadas nos arredores de Prato, onde fui muitas vezes, umas vezes em negócios e outras à procura de petiscos que sabia lá existirem. Começo com Montemurlo que é uma espécie de extensão de Prato, onde existe o restaurante La Rocca (a rocha), no cimo de um monte e que é frequentado por quem ganha acima da média. Depois Pistóia que alberga metade das fábricas têxteis que visitei e ainda Montale onde ia sempre almoçar, quando estava sozinho, por causa da cozinha e dos petiscos que servia. Só as "Entradas" davam para satisfazer o apetite de um homem normal.

E fico-me por aqui, pois aceito que muita gente não tenha paciência para ler aquilo que não lhes diz nada, embora para mim seja «a minha vida»!

domingo, 19 de setembro de 2021

Hellas Verona!

 Estive a ver um pouco do jogo do Mourinho que levou a sua equipa té Verona para defrontar a equipa local. Quando desisti de ver o jogo, ainda o Mourinho ganhava por 1 a 0, mas sei que acabou por perder o jogo. Foi a sua primeira derrota, desde que regressou a Itália, mas se não fosse hoje outro dia aconteceria, pois não acredito que fizesse toda a época sem perder.


De qualquer modo, fez-me lembrar dos tempos em que eu andava por aqueles lados em viagem de negócios. A cidade de Verona é muito bonita, tem muita história e ficava-me a jeito, por isso a elegi como ponto de paragem e pernoita, quando estava no norte de Itália. E depois, as grandes fábricas de lanifícios que eu visitava ficavam nessa região, a norte da autoestrada que liga Milão a Veneza. E quando terminava essas visitas, ala que se faz tarde a caminho de Florença.


Um dos maiores rios de Itália, o Adige, vem do norte, onde nasce perto da fronteira da Austria, atravessa Verona e segue em direcção a leste, desaguando no Adriático, a sul de Veneza. Como eu voava do Porto para Milão ou Bérgamo, sempre ao sábado, passava a tarde e note desse dia, assim como o domingo, em Verona, à espera que viesse a segunda-feira para ir trabalhar.


Gastei muitas horas a calcorrear aquelas ruas e uns litros de gasolina, sempre que não me apetecia andar a pé. Na famosa arena de Verona organizam concertos de música e outros espectáculos. Num certo domingo, em vez de ir cedo para a cama, fui assistir a um desses concertos, só que não gostei muito e acabei por sair a meio. Não sou grande apreciador de música e a clássica só me dá sono.


Num outro dia, passeava pelas ruas comerciais a ver as montras e apreciar os tecidos e preços dos fatos de homem que era o meu negócio afinal. De repente, avistei uma placa que indicava "Casa do Romeu e Julieta" e lá fui eu seguindo os sinais até ao destino anunciado. Essa foi a primeira vez, depois regressei sempre lá em cada vez que passei por Verona. Não ficava muito longe do hotel, onde era costume eu ficar e, por conseguinte não era grande o sacrifício. Na minha primeira visita o sítio estava pouco limpo e mal cuidado, mas depois melhorou muito. E não foi porque eu tivesse reclamado, mas alguém o deve ter feito por mim.

Se puderem vão a Verona que vale a pena!

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Bergamo, Atalanta e Benfica!

Bérgamo é uma cidade italiana que conheci nas minhas andanças profissionais por Itália. Várias vezes fui lá parar sem eu saber muito bem como. Ora era aeroporto de Milão que estava indisponível, ora era a Agência de Viagens que achava que era o sítio certo para me pôr a dormir. Na primeira vez, recordo-me, foi uma empresa da zona que me convidou a visitá-la e lá organizou (e pagou) a minha estadia. Era assim naqueles tempos, cliente grande tinha direito a certas mordomias.
Em Bérgamo há um clube de futebol que tem estado na berra pelos bons resultados conseguidos e foi ao ler as notícias do futebol que me lembrei de dizer algo mais sobre a cidade, sobre o futebol de sucesso praticado pelo Atalanta e ainda sobre o seu treinador Gasperini. Desde 2016 que este homem tem feito milagres ao serviço desta equipa e pergunto-me porque não pensa o LFVieira em contratá-lo, em vez de insistir em trazer o Jesus de volta do Brasil. Pelo dinheiro que o Jesus exige ao Benfica, acho que daria para pagar a este italiano de sucesso. Por razões disciplinares seria melhor termos um treinador estrangeiro, nas actuais circunstâncias.




Mas isso são coisas do Vieira, ele é que sabe e ninguém lhe consegue dar a volta.
Voltando a Bérgamo, seleccionei estas 3 imagens que vêem acima para vos dar uma ideia da cidade que é muito antiga e tem uma arquitectura a condizer. Há duas partes bem distintas, a Cittá Alta que é o burgo medieval, instalado no topo de um monte (por razões de segurança) e a parte baixa e mais moderna da cidade. A ligar as duas há um funicular que se torna obrigatório para os visitantes, pois não há trânsito automóvel, lá em cima.



Outra particularidade desta época de pandemia, é que foi Bérgamo o epicentro da doença em Itália e morreram ali uns milhares de pessoas, nos primeiros tempos da doença. Desta "merda" não me ficam saudades, mas da cidade sim e do treinador Gasperini também. Oh, Vieira, abre os olhos !!!

sábado, 21 de março de 2020

A Lombardia, o Pó e o vírus!

A Lombardia é uma região da Itália setentrional, com 9,7 milhões de habitantes e 23 854 km², cuja capital é Milão. Tem limites ao norte com a Suíça, a oeste com o Piemonte, a leste com o Vêneto e com Trentino-Alto Ádige, e ao sul com a Emília-Romanha. É a região mais populosa da Itália.


Conheço a Lombardia bastante bem. Passei por ali metade da minha vida profissional no mundo dos farrapos. Este mundo divide-se em dois polos, um na Lombardia (Milão) e outro na região toscana (Florença). No polo lombardo há lãs e algodões de fiacção fina. No polo toscano há lãs, de fiacção grossa (cardados), fibras naturais como a seda e o linho, assim como toda a gama de fibras artificiais e sintéticas. Podia aqui dar-vos um curso sobre esta matéria, pois foi a minha formação profissional, mas parece-me que não estareis muito dispostos a aprender essas coisas, agora que a doença nos bate à porta.


Infelizmente, foi a indústria têxtil que levou o vírus da China até Itália, até à Lombardia, até Milão. Não há ninguém no mundo tão dependente desta indústria como os italianos, desde sempre, e os chineses, nos tempos modernos. As viagens de um lado para o outro são o pão nosso de cada dia e só um milagre poderia fazer com que o vírus não acompanhasse os viajantes.
No mapa acima vejo Milano que era a minha base, com aeroporto, carro de aluguer e hotel, onde ia dormir aos sábados à noite, viajando do Porto. Vejo também Varese e Sondrio, onde havia grandes fábricas de tecidos de algodão. E Bérgamo, a cidade mais fustigada pelo vírus que visitei algumas vezes, mais para matar o tempo do que por razões profissionais. E ainda Brescia que fica a meio caminho entre Milão e Veneza, onde pernoitei algumas vezes por razões estratégicas.


Falando de tudo isto, recordo os bons tempos que vivi em Itália e custa-me acreditar no pesadelo em que se tornou viver (e morrer) ali. A imagem acima mostra a expansão da doença, até aos dia dos meus anos, hoje é um tanto maior, mas as zonas de incidência são, praticamente, as mesmas. Um chinês de visita a Itália que ontem falava na televisão, disse que as autoridades italianas não atacaram logo o problema como deveriam ter feito e o que aconteceu parece dar-lhe razão. A situação é crítica e não dá sinais de melhorar, mortos às centenas todos os dias e o pânico geral da população. Eu estaria na mesma se lá morasse.


E por falar em morte, lembrei-me de vos mostrar também o mapa em que corre o maior rio de Itália, o Pó que corre de Oeste para Leste e atravessa toda a Lombardia, indo desaguar um pouco a sul de Veneza. A morte faz-me recordar aquelas palavras que o padre recita em cada funeral - e são tantos por estes dias, na Lombardia - «do pó vieste e ao pó hás-de tornar»!