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domingo, 17 de novembro de 2024

Deutschland über alles!

 O título desta publicação é parte integrante do hino da Alemanha!

Após o fim da coligação entre o SPD, os Verdes e o FDP, o presidente federal, Frank-Walter Steinmeier, demitiu três dos quatro ministros do FDP do gabinete do chanceler Olaf Scholz (SPD).
Ao mesmo tempo, Jörg Kukies, consultor de política econômica de Scholz, foi nomeado o novo ministro das Finanças. O ministro da Agricultura, Cem Özdemir (Verdes), também assumirá o Ministério da Educação. O ministro dos Transportes, Volker Wissing, é o único político do FDP a permanecer no governo. Ele saiu do FDP. Steinmeier também o nomeou como o novo ministro da Justiça.

Há cerca de 15 dias começou a turbulência na Alemanha, a coligação do semáforo desfez-se e vai ser necessário convocar novas eleições que só acontecerão no Ano Novo de 2025. Quanto mais cedo melhor, dizem os políticos, pois "desgovernados" é que não podemos ficar!

Em um comunicado conjunto à imprensa, o vice-chanceler e ministro da Economia, Robert Habeck, e a ministra das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, lamentaram o término da coligação e o consideraram desnecessário. Ainda que houvesse soluções possíveis, o FDP “não estava preparado” para “seguir por esses caminhos”. Tendo em vista as novas eleições, Habeck disse: “Vimos o que acontece nos EUA quando o ódio e a agitação, quando o populismo e a divisão envenenam a campanha eleitoral e o debate político. A Alemanha pode fazer diferente, e a Alemanha fará melhor."

Entretanto, o demissionário chanceler foi até à Rússia tratar da vidinha que é como quem diz, mostrar serviço, para ver se convence os eleitores a votarem no partido dele, quando chegar a hora. Ele pensa e nisso eu estou de acordo com ele que a Alemanha e a Rússia são os dois países europeus mais prejudicados pela «Guerra da Ucrânia». E pensando bem, podiam juntar esforços e acabar com ela.

Já vamos a caminho de 3 anos de guerra e muitos milhões foram queimados nessa guerra fratricida. A Rússia está pouco menos que falida e a Ucrânia feita num monte de destroços. Vai ser preciso muito dinheiro, milhares de milhões para consertar uma e a outra e quanto mais cedo começarem, melhor será. Muita gente está convencida que foi a vitória de Trump, nos Estados Unidos, que motivou esta viagem de Scholtz a Moscovo e que será ele, como grande chefe da NATO a provocar a mudança que trará com ela a paz, naquele canto do mundo.

A Rússia é o maior país da Europa e segue-se a Alemanha, por conseguinte, tem toda a lógica que sejam os seus líderes a pôr o problema em cima da mesa e tentar resolvê-lo. Com maior ou menor cedência de ambos os contendores a paz é possível e mesmo não sendo a solução que agrada a todas as partes, sempre será melhor que continuar este morticínio. Entre russos e ucranianos já vai para lá de um milhão de mortos e, embora o Putin faça tudo para esconder essa verdade, há-de chegar o dia em que tudo se saberá e, nessa altura, não acredito que a popularidade do líder russo valha um caracol.

É preciso não esquecer que a Alemanha encerrou as suas minas de carvão, por razões ecológicas, e se ligou à Rússia, através do Mar Báltico, para receber o petróleo e gás que precisa para mover a sua indústria e aquecer os seus habitantes. Ora, as sansões impostas à Rússia, pelos países da Nato, obrigaram a encerrar o Nordstream I e II, deixando a Alemanha numa penúria energética. É claro que tudo se resolveu, mas a que custo?

A já anunciada política externa de Trump de não financiar a NATO para forrar as costas aos europeus é um recado claro para acabar com a guerra ou suportar os seus custos. E a União Europeia não está nada, mesmo nadinha, preparada para aguentar esse encargo, Nem o Reino Unido e outros parceiros europeus que têm um medo danado da Rússia e não sabem como resolver o assunto. Mas, pior que isso, faltam-lhe os meios para o fazer. Não há um único país que tenha as contas folgadas para aumentar a sua participação no orçamento da Nato.

Por isso, digo eu, a única solução é convencer o líder da Ucrânia a aceitar a situação como ela está, antes que piore, dando uma hipótese ao Putin de parar a ofensiva sem ficar muito mal na fotografia. E nisso a Alemanha, como maior potência europeia e parceiro da Nato, é o mediador preferencial para tratar do assunto. Ninguém me tira da cabeça que foi isso que o Olaf Scholz foi fazer a Moscovo.

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

A Turíngia!

 Entrou nas bocas de barulho dos últimos dias, por causa do resultado das eleições realizadas, há poucos dias. Como tenho uma ligação forte à Alemanha, já todos sabem porquê, qualquer assunto que venha à baila desperta a minha atenção. E quando se diz que a estabilidade do país está em perigo, mais interessado fico ainda.

Turíngia é a zona circundada a vermelho

A minha zona de conforto, na Alemanha, é entre Colónia/Bona, ou seja o Reno, e a fronteira do Luxemburgo e Bélgica, em alemão designada por Nord Rhein Westfallen (Reno Noroeste).

A Turíngia não fica muito longe de Bona - que era a capital do pais, quando lá vivi, na década de 70 do século passado - mas fazia parte da DDR, nesse tempo, e por conseguinte não me era familiar. Quando ouvi dizer que os radicais de direita, seja lá o que isso for, tinham ganho as eleições regionais e punham em risco a estabilidade da maior economia da Europa Comunitária, quis actualizar a minha informação e andei pela Wikipédia a estudar o que foi a Turíngia, desde antes da nossa Era.

Mas o que mais interessa é o que se tem passado, desde que o "Muro" caiu, em 1989, e os russos foram pregar para a sua freguesia. A Turíngia tornou-se um estado da moderna República Federal da Alemanha e passou a orientar-se por políticas sociais-democratas.

O novo partido AFD (Alternative für Deutschland) veio mudar tudo. Tal como aconteceu em Portugal com o partido CHEGA, há sempre quem esteja descontente com o resultado das políticas seguidas e disposto a dar o salto e acompanhar qualquer revolucionário que apareça no panorama político. A coisa não deve ter fôlego para grandes caminhadas, mas enquanto dura pode causar grandes prejuízos.

Os europeus mais bem informados compreendem que a nova situação mundial, em que deixou de haver povos colonizados e cada um vale pelas riquezas (recursos) que tem. Isto inclui a China e a Índia que só no Século XX se viram livres da influência externa e só neste novo século estão a pôr a cabeça fora de água e respirar sem ajuda de ninguém.

A Europa, como país onde a colonização nasceu e com ela lucrou (infinitamente), durante 5 séculos, será a que mais vai sofrer para encontrar o seu caminho num novo mundo 100% livre. Ainda ontem, nas notícias, se falava na hipótese de a Volkswagen, maior empregador da indústria automóvel, despedir 10 mil pessoas e encerrar alguma fábricas na Alemanha. Isso é o reflexo do ajustamento provocado pela Índia e China a ocuparem o lugar a que têm direito na «Economia Global». A fatia que no passado pertenceu à Europa e depois aos Estados Unidos (pela influência inglesa) pertencerá, no futuro, aos países asiáticos e alguns africanos. Simples lógica, nada de anormal.

A Alemanha, a França e o Reino Unido serão os que mais têm que encolher para dar lugar aos novos participantes da tal economia que envolve todos os países do mundo civilizado. Doravante será "quem tem tem" e "quem não tem é obrigado a comprar". E quem vende (normalmente) é quem marca o preço. Um dos produtos mais valorizados, de momento, é a energia e os metais raros. Uma grande fatia do orçamento vai para a aquisição desses bens e as alterações climáticas obrigaram os países a seguir novas políticas que nem sempre ajudaram a economia dos seus países.

No caso da Alemanha foi o encerramento das minas de carvão e a mudança para o gás natural que os deixou na dependência da Rússia. Com a guerra Rússia-Ucrânia a impedir as relações entre a Alemanha e a Rússia, além do aumento com a Defesa, produção de Armamento e questões daí advindas, a economia alemã foi a que mais se ressentiu. E os políticos oportunistas, como esses que compõem a AFD, aproveitam a oportunidade para achincalhar os que estão no poder e tentar ficar-lhes com o lugar.

Li, em qualquer lado, já não recordo onde, que um político sério procura soluções, enquanto que o populista faz o máximo de ruído possível pare evitar que essa solução apareça. Deve ser essa a situação em que se encontra o actual chanceler alemão, Olaf Scholz, sem solução para o problema do arrefecimento da economia e com os "adversários políticos" e meter-lhe cascas de banana debaixo dos sapatos. Espero que o bom senso permita que a maioria do povo alemão compreenda o que está a acontecer no mundo e o ajude a sair do atoleiro.

Mas aviso já que os grandes da Ásia e África continuarão a crescer e os grandes da Europa, assim como os Estados Unidos a encolher! É a Lei da Vida!

domingo, 31 de maio de 2020

Vamos dar uma volta por aí?

Hoje é domingo, já estou farto de ficar em casa, querem vir comigo dar uma volta e provar um copo de vinho que é diferente do Douro, Dão, Alentejo, Terras do Sado ou Bairrada. Atenção que não escrevi melhor, escrevi diferente.
Vou contar-vos um segredo, fui até lá duas vezes e ambas guiado por uma amiga do peito que me fez companhia e tocou o copo comigo. A primeira era uma amiga virtual que morava em Trier e que conheci no BLOG.DE, onde andei a fazer uma perninha, durante alguns anos. A segunda era uma amiga da vida real que dividiu comigo a cama e a mesa, durante um certo período da minha vida.


Mas, a conversa é sobre vinhos e paisagens deslumbrantes, vamos lá a ter tento na língua. O Eifel não tem nada a ver com o Sr. Engenheiro que construiu a famosa Torre Eifel ou as não menos famosas pontes de ferro da Cidade Invicta. É antes o nome da região alemã, onde vivi nos meus tempos de emigrante, muito linda, por acaso, e cheia de atractivos que justificariam a visita de qualquer um. Fica entalada entre o rio Reno, a nascente, e a fronteira franco/luxemburguesa, belga, a poente.


A parte do Eifel mais a sul é atravessada, de oeste para leste, pelo rio MOSEL que nasce em França, atravessa o Luxemburgo e corre até se fundir com o grande RENO, no triângulo de Koblenz. Nos vales por onde deslizam as águas do rio e nos socalcos de uma e outra margem, existem vinhedos que fazem lembrar o nosso Douro.


A primeira amiga de que vos falei era alemã e morava em Trier, junto à fronteira com o Luxemburgo e tinha uma série de manias que, por vezes, me irritavam. Numa coisa ela tinha razão, o vinho Mosel era um néctar dos deuses e valia bem a pena a longa viagem para ir até lá e prová-lo. Foi o que fiz e não me arrependi.


A minha segunda amiga morava muito mais a norte, onde a paisagem começa a mudar e se transforma numa planície sem fim, onde se cultiva o trigo e a beterraba, esta para a indústria açucareira que é forte naquela zona. Ela trabalhava numa fábrica de automóveis, quando a conheci, e devido à falência da mesma mudou.se mais para o sul, indo viver bem lá no alto do montanhoso Eifel.

Confluência dos rios Mosel e Reno - Koblenz

Cidade de Trier, primeira grande cidade alemã do curso do Mosel

Num domingo, como hoje, em que estávamos para ali estendidos sem nada de interessante para fazer, desafiou-me para ir até ao rio mais famoso da zona, almoçar, beber um copo  do famoso néctar e passar por ali a tarde. Não vi razão para recusar tal convite e ... ala que se faz tarde.



Estradas de montanha, cheias de curvas e povoadas de motociclistas em altas velocidades foram a minha companhia durante os perto de 100 Kms que percorremos até chegar à margem do rio. Pelo caminho que descia até às margens do Mosel viam-se vinhedos, em socalcos, a imitar o nosso Douro. Lá em baixo, a estrada corria plana acompanhando o curso do rio. De um lado água, do outro casas especializadas na prova e venda do produto da região, vinho, pois claro.



As pequenas localidades onde parei mais tempo foram Zell e Cochem. Numa delas almoçámos e no fim, de pança cheia, apanhámos um dos barcos que andam por ali a passear turistas. Navegámos cerca de 10 Kms para montante, fizemos uma paragem de cerca de 1 hora, para atestar mais um copo, e regressamos à origem. No caminho apanhámos uma eclusa, para vencer o desnível do rio, que fez a alegria de quantos iam a bordo e nunca tinham vivido aquela experiência.


E pouco mais tenho para vos contar. Não comprei nenhuma garrafa de vinho, pois aquilo era uma exploração do caneco, montada para depenar os turistas que por ali andavam. Num qualquer negócio da cidade grande, uma garrafa do mesmo vinho custava menos de metade. Mesmo aquele que bebi ao almoço custou-me os olhos da cara e, se não fosse pela companhia, sentir-me-ia roubado e arrependido de ali ter posto os pés.
Pronto, espero que tenham gostado da viagem e apreciado o Prosit que fiz convosco, com um copo (também este virtual) de vinho da «Região de Mosel». Vão até lá, quando passar isto da Covid-19 !!!