terça-feira, 15 de novembro de 2016

Bota e vira!

Hoje, o meu sinal da cruz foi uma visita ao hospital para despistagem do cancro da pele, o famigerado Melanoma, que está a começar a ser uma dor de cabeça em Portugal. Resultado negativo. Em frente marche!


Imagem actual do porto de Luanda. Dezenas de milhar de militares portugueses passaram por baixo destas arcadas e reconhecerão com a maior facilidade esta imagem logo que a tenham em frente dos olhos. Muitos paravam aqui para um pequeno descanso, antes de continuarem a viagem até Moçambique. E a visita repetia-se no regresso a Lisboa, depois de cumprida a comissão de serviço de dois anos, às vezes um pouco mais. Eu fiz duas e foram cerca de 30 meses em cada uma.
E os que ficavam em Angola iam daqui direitinhos ao Grafanil que era o centro de distribuiçao de tropas para toda a província. E voltavam a passar por aqui dois anos depois, rumo à Metrópole, se não tivessem o azar de tropeçar numa mina ou apanhar uma rajada de metralhadora, durante esse período.


Eu passei por aqui três vezes, visto que na minha primeira viagem para Moçambique tinha ido de avião. E a última foi em Março de 1968, curiosamente no dia em que completei 24 anos de vida, quando viajava de regresso a Lisboa a bordo do paquete Vera Cruz (que podem ver na imagem).

7 comentários:

  1. Passei por baixo dessas arcadas, quando fui para Moçambique no Navio Pátria, no mês de Outubro do ano de 1963. Passei por lá, novamente, quando regressei à Metrópole, no Navio Vera Cruz, em Fevereiro do ano de 1966. E pela terceira vez voltei a lá passar, quando no mês de Maio do ano de 1968, lá desembarquei do Navio Amélia de Melo. Tendo de avião regressado a Lisboa no dia 14 de Setembro do ano de 1975. Por lá ficaram as minhas pegadas, desde Luanda, passando por Benguela, Lobito, Salazar, Bié, Huambo, Sá da Bandeira, Luso, Moçâmedes e Roçadas. As últimas pegadas ficaram no Aeroporto de Nova Lisboa, onde embarquei num avião da TAP, às 01h00 do dia 14 de Setembro 1975, com destino a Lisboa.
    Ainda se ouve por dizer que os retornados, vieram de lá com as mãos a abanar. Pois, disso eu não me queixo. Quando lá cheguei levava uma mala numa mão, a outra é que ia a abanar. Quando de lá vim, trouxe seis mulheres e alguns sacos de viagem. As mulheres que me acompanharam eram a minha mulher, duas filhas uma com dois anos e outra com um mês de vida. As outras eram a minha sogra, e duas cunhadas irmãs da minha mulher. Eram e são excepto a minha sogra que já faleceu!

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    1. Olha que podias ter sido preso por fazer contrabando de mulheres!

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  2. Ainda bem que o resultado foi negativo.
    Nunca tive a sorte de viajar num desses paquetes, Sempre fui e vim de avião. O Marido também veio de Moçambique no Vera Cruz.
    Um abraço

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    1. É verdade! Acho que também já tenho a minha dose de maleitas, mas deixa-me falar baixinho para o diabo não ouvir.

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  3. Esta publicação era para sair com mais algumas coisas que tinha em mente, mas recebi um telefonema, quando ia a meio da escrita, e tive que sair de casa a correr. Agora, prefiro deixar a coisa como está, depois de ter sido lida por alguns não me parece bem alterá-la.

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  4. Que alívio quando o médico nos diz a palavra negativo! Eu lá vou amanhã às seis da manhã apanhar mais uma dose de cavalo, mas ontem ainda vi a super-lua, a próxima já não com certeza! Estas arcadas são-me familiares, dali saí de Land-Rover direitinho à Base Naval da Ilha-do-Cabo, onde fui muito feliz naquele paraíso.

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  5. Claro que me lembro das Arcadas quando fui em direcção ao BO com alguns camaradas... Excelente foto do Vera Cruz.

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