domingo, 2 de abril de 2023

Dia de Primavera!

 


Hoje, está um verdadeiro dia primaveril, acho que vou mandar rifar o blog e pôr-me ao sol, como fazem as lagartixas. Um bom passeio, não muito longo que o gasóleo ainda não chegou ao preço desejado (0.99€/Litro), papar um bom almoço, de preferência bem regado e depois ... esperar que sejam horas de ver o Benfica que joga aqui ao lado, no Estádio dos Arcos.

Não está mal o programa, pois não? Ontem, recebi a notícia de ter falecido mais uma camarada da minha Companhia e pensei, cá para comigo, goza agora que depois de seguires viagem para onde têm ido os teus camaradas de comissão, nada poderás fazer. Põem-te uma placa, à cabeceira, a dizer "Aqui Jaz" e era uma vez o Tintinaine!

Tchau, fuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!

sábado, 1 de abril de 2023

Não se deixem enganar!

 Hoje, é o Dia das Mentiras, cuidado com as notícias.

A EDP enviou-me um mail a avisar que a partir deste mês o gás vai custar menos 20%. Como chegou ontem deve ser verdade, se tivesse vindo hoje, eu ficaria na dúvida. Claro que eles não são parvos e ao ver os clientes todos a fugir para o dito Mercado Regulado tinham que tomar algumas medidas. Eu tenho dois filhos e ambos viraram as costas à EDP, eu sou um pouco mais contido, limitei-me a fechar a torneira do gás.

Hoje, acordei a pensar que ser António, neste país de trafulhas, não é lá grande coisa. E tudo por causa do António Saraiva que esta semana passou a pasta à frente da CIP. Ele foi, no seu passado distante, um humilde operário, depois decidiu estudar, tirou um curso superior, tornou.se patrão e acabou por ser o patrão dos patrões. Mas nem por vir lá de baixo, onde a vida é mais difícil, lutou por oferecer melhores condições de vida e melhores salários aos seus trabalhadores e a todos os outros que se esfarrapam no seu dia-a-dia para encher o bolso do patrão. Eu sei que nem todos podem ser como o Rui Nabeiro, mas podiam ao menos tentar. Este Saraiva era de gancho, fico feliz por vê-lo pelas costas.

E seguindo o fio dos meus pensamentos, lembrei-me que temos um António ao leme da nossa Nação e que não nos tem dado provas de lá estar para defender o nosso tacho. Ele quer é o dele sempre cheio e a ferver a toda a força para estar sempre pronto para mais uma barrigada. Pela cara dele, fome não deve passar e os aumentos na alimentação não chegam para lhe dar dor de cabeça. Os pobres, os desempregados e os sem-abrigo que se cuidem que ele não é amigo de dar esmola.

Andando uns anos para trás, encontro outro António, aquela que me mandou para a guerra, em África, donde, felizmente, regressei, mas nem todos tiveram tanta sorte como eu. O meu pai era António, o meu avô materno também, tenho um irmão e um cunhado com esse nome, é Antónios por todo o lado!

Nos provérbios que conheço, sobre o mês que hoje começa não se prevê que seja um bom mês. Em Abril águas mil ou então, em Abril queimas o carro e o carril. Mas como nada é como era dantes tudo pode acontecer, até o António passar a ser um nome bendito e não amaldiçoado como o dos Antónios que mencionei acima!

sexta-feira, 31 de março de 2023

O Padre Prefeito!

 


No colégio que frequentei até aos meus 15 anos a disciplina era aplicada por um Prefeito, assim uma espécie de manda-chuva eleito pelo Reitor para meter a canalha na ordem. A palavra canalha não deve ser entendida em sentido pejorativo, eu uso-a como sinónimo de miudagem e nós sabemos como a miudagem é rebelde e precisa de quem tome conta dela. 

E havia outra figura que tinha a sua importância na hierarquia do colégio, o Padre Espiritual. Era assim nas instituições lideradas por Jesuítas, o primeiro tratava do corpo, por vezes recorrendo à chapada para meter na ordem os mais mal comportados, enquanto o outro tratava da alma usando os conselhos, as rezas e as penitências, como ferramenta.

No dia em que abordar este tema nas minhas memórias, isso dará um capítulo de 10 páginas, hoje lembrei-me de abordar esta questão, por causa da problemática dos padres pedófilos que usam e abusam da sua posição para encontrar as vítimas para o seu desvario.

Do 1º ao 3º ano da minha vida de estudante o Prefeito era um padre (já falecido) duro como o granito e ele cedo percebeu que eu era mais teimoso que ele e fazia sempre o contrário daquilo que ele gostava ou pretendia que eu fizesse. Isto quer dizer que andámos 3 anos em guerra um com o outro e levei muito castigo que julguei imerecido, mas nunca arrepiei caminho, ele tinha a autoridade do lado dele e eu estava a construir a minha personalidade. Por bem faziam de mim o que quisessem, por mal nunca me conseguiriam dobrar, obrigaram-me a ir por esse caminho e assim continuei pela vida fora. Na Marinha aconteceu quase a mesma coisa, na primeira Companhia em que segui para Moçambique era o menino querido do comandante e era sempre chamado para quaisquer trabalhos que requeriam alguma autonomia de capacidade de decisão para evitar andar sempre a perguntar: - quer assim ou com mais molho? Na segunda Companhia fui logo metido na lista negra, pelo 2º comandante, por ter feito uma observação que eu considerava ser a mais lógica. Ele poderia ter-se rido na minha cara e seguido em frente, mas preferiu hostilizar-me, durante 24 meses, até me meter na prisão e obrigar a abandonar a Marinha. Talvez isso tenha concorrido - Deus escreve direito por linhas tortas - para eu ter tido uma vida de maior sucesso do que chegar a sargento ou oficial da Marinha.

Mas, voltando à história dos padres que é o objecto desta minha publicação, para minha grande surpresa, o padre que era Prefeito passou a Espiritual, no meu 4º ano de colégio. Estão a ver o quadro? Era assim uma espécie de lobo encarregado de tomar conta do rebanho de carneirinhos que começavam a ter as suas hormonas em ebulição. A funçao do Padre Espiritual era estudar o carácter de cada aluno e tentar guiá-lo para o caminho certo  se e quando sentissem que ele andava por caminhos errados.

Era, portanto, comum que cada aluno fosse chamado ao Padre Espiritual, de vez em quando, para aferir o estado do seu espírito, ou por haver alguém que se tivesse queixado das atitudes atitudes no relacionamento com colegas ou superiores. Eu estava habituado a isso, já conhecia a rotina.

Fiquei foi admirado, quando o novo Prefeito chamou por mim, me mandou sentar no seu joelho esquerdo e começou um questionário que ele devia ter preparado para os alunos mais crescidos e mais rebeldes que era o meu caso. Eu entrara no colégio, já a caminho dos 12 anos e era natural que começasse a olhar para as raparigas, sempre que uma me passava em frente dos olhos. As perguntas eram sempre de cariz sexual, tentando descobrir se, como e quando sentíamos algum impulso "pecaminoso". Tocar no sexo ou falar dele era um grande pecado e sujeito a grandes penitências. Estão a ver o filme comigo sentado no joelho do padre e ele a perguntar-me - mesmo que por meias palavras - se eu já sentia algum impulso sexual.

Pois, foi isso que me fez pensar se eu, algum dia, durante esse meu último ano no colégio, tinha estado em risco de me tornar em mais uma vítima dessa cambada de animais pedófilos. Felizmente, para mim, chegaram à conclusão que eu ia por mau caminho e recomendaram a minha expulsão, no longínquo mês de Maio de 1959. Talvez devesse ficar grato ao homem que teve essa ideia em vez de o criticar! 

quarta-feira, 29 de março de 2023

Genealogia!

 

Ontem, não tive tempo para o blog e, hoje, vai acontecer o mesmo. E por duas razões que passo a explicar:
1º - Já semeei feijão 3 vezes e não germinou um único exemplar. Ontem, fui comprar nova semente e, hoje vou fazer nova sementeira. Se voltar a não nascer, nunca mais me meto nisso.
2º - Vou dedicar algum tempo a pesquisar os registos paroquiais da minha freguesia para ver se consigo estabelecer uma linha de sucessão do nome ALVARES  que carrego comigo, desde que nasci.
Como podem ver na imagem, aqui ao lado, o Sr. Bento Alvares foi o avô de todos os Álvares da minha família e a avó MARIA ALVARES DA SILVA que morreu uns míseros 50 anos antes de a minha bisavó Eusébia ter nascido. Daí em diante é mais fácil seguir o caminho e é por ele que me vou meter.
Desejem-me boa sorte!

segunda-feira, 27 de março de 2023

Não está nada mal!

 

Estamos em primeiro lugar do grupo!

Não admira, pois Portugal é, sem sombra de dúvida, a mais forte das seis equipas do grupo. Acresce ainda que jogámos com as duas mais fracas, portanto nada de começar a deitar foguetes sem haver razão para tal. Só em Junho, depois de terminado o campeonato, voltaremos a ter jogos e teremos que defrontar duas das mais capazes do nosso grupo. Aí se verá se podemos atirar alguns foguetes. Caso ganhemos os dois jogos teremos razão para isso.

E talvez nessa altura o Mister Martinez esteja mais capacitado para montar a equipa. Nestes dois primeiros jogos foi alvo de muita crítica pelas escolhas que fez. Até eu que sou um fraco treinador de bancada, encontrei alguns erros nas escolhas que fez. Parece que o Danilo serve para jogar em qualquer posição, a central, a médio, à esquerda ou à direita. Por mim ficava no banco, temos melhor para todas essas posições.

O problema de ter muitos (e todos bons) avançados vai complicar-lhe a vida, pois além de querer o Ronaldo sempre em campo, ainda não descobriu quem casa melhor com ele. Na posição 8 tem dois bons, o Bruno Fernandes e o João Mário, até agora usou sempre o mesmo. Se o Pepe regressar à equipa, coisa que eu me recuso a aceitar, vai sentar de vez o melhor defesa português do momento, o Tó Silva. E por aí fora! Espero que ele estude bem o problema e as capacidades de cada um dos nossos opositores, pois só assim terá sucesso. E o sucesso dele é o nosso também !!!

domingo, 26 de março de 2023

 Hoje, os nossos pensamentos e a nossa esperança estão no Luxemburgo. Também tenho lá alguns amigos que, ultimamente, se têm esquecido de mim, portanto a esses posso esquecê-los. Espero que o seleccionador me faça a vontade e ponha o Toino Silva em campo, deixando o Danilo sentadinho no banco a coçar ... os calções!



A esse propósito queria escrever algumas palavras para vos pôr em sintonia comigo, mas não sei por onde começar. Talvez pela minha história de emigrante (nas minhas memórias haverá um capítulo inteiro dedicado a isso) que me levou até à Alemanha, numa zona próxima da fronteira com o Luxemburgo e onde se fala um dialecto, chamado KÖLSCH, que é comum ao Luxemburgo e ao povo da zona onde vivi e trabalhei. Metade dos meus colegas de trabalho eram antigos soldados do exército do Hitler e expressavam-se nesta "língua" e, raramente, em alemão clássico. O lema do Luxemburgo que podem ler na imagem acima, está escrito nesse idioma e eu traduzi-lo-ia como "eu quero ficar para sempre como sou hoje". Para completar a imagem do meu Luxemburgo, onde nunca fui, acrescento ainda que a cerveja Kolsch, ex-libris daquela região, era a minha preferida.



E para completar o quadro, devo falar nos muitos portugueses que fizeram do Luxemburgo a sua Pátria, chamem-lhes parvos (!), com um Pib per capita daqueles quem escolheria outro destino? Segundo ouvi, há momentos, na TV, os portugueses são, hoje, 20% da população do país, mas já chegaram a ser 40%. Os salários pagos são, agora, menores que antigamente e bem estão os reformados que estão a ser pagos nessa base. Alguns desses foram meus camaradas na Marinha e um deles ficou viúvo na semana passada. Como a família que lhe resta é um filho que nasceu e ficou, até hoje, no Luxemburgo, já estou a vê-lo a fazer a mala e ir juntar-se a ele.


Bem, dos actuais  95516 espero ver uma grande parte a comparecer no estádio, pois estão em confronto as suas duas selecções, a Lusa e a Luxa, a do país de onde vieram e aquela do país que os acolheu e lhes enche o bolso para viverem uma vida mais desafogada do que a que nos toca a nós, aqui no Reino do Marcelo & Costa!

Força PORTUGAL !!!

sábado, 25 de março de 2023

A minha quinta!

 Eu sou um bicho da terra, gostava de ter muita, mas, infelizmente, tenho que me contentar com uns míseros 200 metros quadrados Ainda por cima tenho que subdividi-la em três partes distintas, uma reservada como "cagatório" para o meu bicho de estimação que atesta a verdade daquele ditado - quem muito come muito ca** e as outras duas para algumas culturas que tento levar a cabo e estão devidamente vedadas para que o dito animal lá não entre.

Num dos lados semeei favas que estão com fraca cara, o tempo chuvoso e com muito vento não ajudou nada e a falta de insectos para as polinizarem fez o resto, vejo por lá meia dúzia de vagens e é um pau.

O terceiro bocado está reservado para uns pés de couve galega e para algumas experiências que decido fazer de vez em quando. Espalhei por lá uma quantidade de sementes e não nasceu nada. Então, os feijões verdes para dar vagens não nasceu um único para amostra, deve ser da semente. Tenho um canteiro com salsa que está a ficar bonita com o calorzinho dos últimos dias E acrescentei, ontem, uma dúzia de pés de pimentos verdes. Por falar nisso, perguntei à mulher que mos vendeu se não tinha dos vermelhos e ela respondeu-me que os deixasse lá ficar até ficarem vermelhos, que a planta é a mesma.

Os pés de tomate coração, comprei doze, ao plantá-los eram 13, veio um de borla, Deus queira que o número não me traga azar. Plantei-os junto das favas que dentro de um mês já terão ido à vida. O terreno depois fica vazio e só cria ervas, no ano passado atirei para lá uns grãos de milho e colhi uma cesta cheia de espigas que servem para alimentar as galinhas. Como já não tenho idade para grandes empreitadas, enchi o terreno com árvores de fruto, mas só os limoeiros e laranjeiras dão fruto, o resto é uma desgraça. Só tenho uma pereira que está a abrir flor, estou com uma fezada que vou provar as peras este ano..

Lá ao fundo do quintal, na parte das experiências, tinha duas figueiras grandes, uma dava figos pretos a outra brancos. Cá em casa, excepto eu, ninguém gosta de figos e acabavam quase todos no papo da passarada pelo que há dois anos, peguei nas ferramentas e arranquei a dos pretos pela raiz e cortei os ramos todos à outra. Mas aquilo é árvore amaldiçoada, já nasceram ramos novos e é cada um com dois metros de comprimento. Já vou comer figos outra vez este ano.

No ano passado plantei dois abrunheiros, um de abrunhos pretos e outro de brancos. Talvez já abram flor este ano, mas ainda são muito pequenos, o primeiro ano foi para se adaptarem à terra e não cresceram nada, veremos este ano como correm as coisas. Pereiras, já plantei uma dúzia delas, mas como nunca dão a qualidade que escolhi, sou obrigado a arrancá-las. Há 22 anos que ando a plantar macieiras e todas secam ao fim de pouco tempo. Maças que são a minha fruta preferida tenho que ir comprá-las à frutaria. Para me correr tão mal a vida com as fruteiras costumo dizer que ALGUMA BRUXA ME VIU! 

O dever chama!

 


Estão ver estes vasinhos? Conhecem a planta que eles contêm? Pois é, são tomateiros e eu, todos os anos, planto alguns na minha horta para ter o direito de comer alguns tomates que me me "saibam" a estufa. Tomates criados ao relento e amadurecidos com o solinho da Primavera têm um sabor muito diferente daqueles que se compram por aí e são cultivados em estufas.

Mas para os colher e saborear há que plantá-los e tratar deles durante dois mesitos, regando-os e protegendo-os das pragas. É o que vou fazer hoje, a primeira fase, plantar, por isso não tenho muito tempo para perder com as redes sociais.

Até logo !!!

sexta-feira, 24 de março de 2023

Está de volta o futebol!

 Realizou-se, ontem, o primeiro jogo da campanha Euro-2024. Sendo o primeiro e também a estreia do seleccionador Roberto Martinez, eu não poderia ficar de fora do grupo que começou as críticas, como já é habitual, achando que um devia jogar e o outro ficar fora, se o Ronaldo devia ou não continuar como capitão e até pôr em questão a táctica usada, se com 4 defesas ou três centrais. Lá diz o ditado, cada cabeça sua sentença e eu regulo-me pela minha.

Há coisas de que gostei, outras nem tanto e algumas odiei. Em primeiro lugar, gostei que o seleccionador tivesse sido trocado, já estava pelos cabelos com o Fernando Santos. Por isso, bem vindo, Roberto Martinez e que tenhas muito sucesso que será teu, será meu e será de todos nós, os doentes da bola (que os outros querem que seja todos os dias sexta-feira e pouco mais.

Gostei que ele tivesse mantido o Ronaldo como capitão, além de ainda dar uma boa ajuda, ele merece-o pelo seu passado. É claro que já não é o craque que foi nos tempos do Real Madrid e é preciso ajudá-lo a criar as oportunidades de golo, deixando-o marcar os penalties, os livres à entrada da área e passar-lhe a bola, quando ele está dentro da pequena área. Ele continua em boa forma física e não envergonha o resto da equipa.

Gostei do João Cancelo que do City marchou para o Bayern de Munique, clube onde só alinham os melhores dos melhores. E, sem a menor dúvida, ele foi o melhor em campo, marcou o primeiro golo e sacou um penalty que deu o segundo, mas mais que isso, ele trocou os olhos aos rapazes da equipa contrária com dribles que os deixavam sentados na relva. Só um cego não lhe atribuiria o troféu de melhor jogador.

Gostei de ver o Bernardo Silva e o João Félix no grupo de ataque, só lá faltou o Gonçalo Ramos, mas entendo que não podem jogar todos ao mesmo tempo. O João Palhinha e o Bruno Fernandes, no meio campo, também não me merecem nenhum reparo, mas têm que aperfeiçoar os seus remates para não irem todos para a bancada.

Ah, e gostei do resultado, claro. Foram 4 golos e poderiam ter sido 8 ou 9 se a pontaria estivesse um bocadinho mais afinada e a estrelinha da sorte a brilhar sobre a cabeça dos nossos avançados.

Não sou grande fã do Danilo e custou-me vê-lo num lugar que eu acho que pertence ao António Silva. E odiei que o João Mário tivesse entrado aos 90 minutos, quando deveria, no mínimo, ter repartido o jogo com o Bruno Fernandes, um na primeira parte e o outro na segunda. A entrada do Rúben Neves era escusada, teria ficado melhor no banco.

Agora, vamos esperar que o jogo com o Luxemburgo corra tão bem como este e que possamos contar com uma vitória, pois não se sabe o que acontecerá nos próximos jogos que são adversários de mais respeito que estes dois que são que são os últimos dos últimos da Europa. Depois vamos descascar o melão do Campeonato Nacional, com o objectivo de ir passear a orelhuda para o Marquês.

Força, Portugal !!!

quarta-feira, 22 de março de 2023

Partir a loiça toda!

 


Já estamos habituados às broncas entre Presidente da República e o governo. Quem não se lembra da guerra aberta entre o Mário Soares e Cavaco Silva?

Mas do presidente Marcelo ninguém estaria à espera que, de um momento para o outro, tirasse o tapete ao Costa e o deixasse como um tolo em cima do muro. Durante toda a legislatura anterior e no primeiro ano da presente, foi tudo sorrisos e abraços, mas o ano de 2023 e fim do mandato que se aproxima fizeram o Professor Marcelo ouvir a voz do Povo que reclama alterações urgentes e significativas na forma de governar. Nós, comentadores de pacotilha que não retiramos nem acrescentamos nada a esta discussão, achamos que o PR tem razão e chegou a hora de apontar o caminho ao nosso PM. Ou ele arrepia caminho ou terá que ir procurar outro emprego, em breve.

E, se calhar, é isso que ele mais quer, arranjar uma desculpa para dar o salto para Bruxelas, não esqueçamos que 2024 é o ano da troca de tachos e tachistas, por esses lados. Todos os políticos europeus, venham eles dos países mais pobres ou mesmo dos mais ricos, ambicionam um cargo, em Bruxelas, antes da reforma cujo valor andará a rondar os 20 mil euros para lhes garantir uma velhice sossegada e um pecúlio que seja suficiente para dar boas prendas aos filhos e netos. Não que hoje sem a ajuda dos pais os filhos não vão a lado nenhum.

Nem sei (nem quero saber) se o Costa tem descendência que precise do seu apoio, ou já estão entachados em qualquer lado com a ajuda do PS, mas sempre dá mais jeito ter uma reforma de 20 que ficar com uma de 10 se se mantiver por aqui, no país dos pelintras.

Agora, o que eu sei é que o Marcelo, antigo líder do PSD, e o Costa, actual manda-chuva da tropa do Largo do Rato, não perfilham o mesmo pensamento político. E esta lei do arrendamento coercivo - medida que cheira a Marxismo-Leninisno a léguas de distância, foi a gota de água para o que manda mais dizer BASTA, ou entras nos eixos ou vais para a rua.

Mas há muitas mais queixas, além desta, os impostos não param de aumentar e o Povo cada vez mais entalado com os serviços públicos a rebentarem pelas costuras e não responderem às necessidades da população. A Economia nunca mais arranca, criando riqueza para melhorar a vida das pessoas e permitir abrandar os impostos. A Saúde é o desastre que todos conhecemos, o Ensino é só para ricos que os pobres nem os livros conseguem pagar. A Habitação regressou tempo das barracas, em volta de Lisboa. Com os alugueres a ultrapassar o ordenado médio mensal dos trabalhadores e os bancos a chularem os clientes aumentando as taxas de juro a seu bel-prazer, não poderíamos pior que isto. E se o PR o não visse seria por estar feito com o governo e deixar o Povo abandonado à sua sorte.

Se houvesse uma Direita que desse confiança e mostrasse capacidade para ir a eleições e ganhá-las, o Costa estaria condenado a fazer a mala, muito em breve. Assim, o Marcelo está como aquele condenado que estava a ser cozinhado para os canibais comerem, ou deixava-se cozer vivo ou saltava para a fogueira e morria assado. Mas eu confio que ele saberá escolher o caminho, pois deixar a situação deteriorar-se ainda mais aprofundará o buraco em que estamos metidos.

terça-feira, 21 de março de 2023

Por caminhos e carreiros. cont.!

 


Decidi acrescentar mais umas linhas às minhas memórias de infância, antes que os meus leitores se esqueçam por completo da primeira parte e depois isto não faça qualquer sentido.

As idas e vindas para a escola da freguesia vizinha, só por si, davam um romance completo, mas para isso eu teria de tirar um curso de escritor, como o Saramago, que inventa assuntos e personagens para dar corpo ao texto, onde não existe nada nem ninguém que tenha a ver com a história que se conta. A ele basta-lhe ter acabado de escrever a palavra "bois" para desatar a falar de tudo e mais alguma coisa que se refira ao tal animal doméstico que é lento no caminhar, mas chega sempre ao fim da viagem com a carga que lhe confiaram. Eu que sou um bocado mais erudito que ele (?), ao ver essa palavra, penso ser francês e ponho-me a discursar sobre bosques, madeira e dos "bichos do mato" que era um pouco como eu me sentia em criança.

De Outubro até começar a Primavera, o tempo é mais de ficar quentinho na cama, ou junto à lareira à espera do pequeno almoço que a avó - mais querida do mundo - me pudesse oferecer. Mas não, em vez disso, ainda o sol vinha em casa do Pilatos e lá tinha eu que me pôr a caminho, com a sacola ao ombro, onde levava o caderno de caligrafia, a pequena ardósia e um naco de broa de milho para comer no recreio, ao meio da manhã. Às vezes chovia, outras trovejava e o frio era prato garantido todos os dias. Por vezes, fazia o caminho a correr para aquecer um pouco ou fazer o tempo andar mais depressa.

No mês de Março, começa a Primavera e o tempo torna-se mais ameno e o passeio por entre campos e bouças é bem mais agradável. Mas mesmo que não fosse teria que o comer na mesma, pois foi a ração que me destinaram. Por falar em ração, lembro-me que a fome era a minha companheira mais fiel, nunca me abandonava. E como, lá diz o ditado, a necessidade aguça o engenho, eu batia na porta de pessoas conhecidas que mal me viam - não esqueçam que a hora de sair da escola coincidia com o almoço - adivinhavam logo ao que ia. Tens fome, queres comer alguma coisa? Essa era a pergunta daquelas lavradeiras, armadas em cozinheiras, que preparavam a refeição para a família e , por vezes, também para os trabalhadores que tinham à jorna.

Bem me lembro do meu pai, numa fase inicial da sua vida, andar ao jornal para os trabalhadores das aldeias vizinhas. O salário era 15$00 por dia, a seco, ou um pouco menos com o almoço incluído. E o pobre do meu pai, muitas das vezes, passou fome para trazer o dinheiro todo para alimentar a família que já ia grandinha, pois filhos já eram 7 e a sogra completava a conta para fazer 10 pessoas. A dieta era muito pobrezinha, pouco mais que sopa de couves galegas e broa de milho, por isso, quando ouvia a pergunta se queria comer alguma coisa, eu encolhia os ombros que era o mesmo que dizer: - se me der eu como!

Para meu azar, a única fruta que havia no inverno eram laranjas e não era raro eu deitar a mão a uma, oferecida ou roubada, para amaciar a broa que só era renovada de 7 em 7 dias e ao sétimo dia era bem dura e já tinha que se limpar o bolor, antes de a meter na boca. Em casa dos lavradores o petisco era sempre o mesmo, uma tijela de sopa, por vezes, com uma rodelinha de chouriço ou um pedacinho de toucinho a boiar lá dentro, o que era mais que suficiente para me fazer feliz.

Dos últimos 3 meses, desse primeiro ano lectivo, nem vos falo, pois além de já ter celebrado o 7º aniversário, já não estava frio nem chovia nem nada mais que me incomodasse por aí além. Ao chegar aos 18 anos, decidi alistar-me na Marinha, como voluntário, e antes de partir fui visitar essas pessoas que me tinham apoiado, quando precisei, e de todos recebi boas palavras e até uns tostões para ajuda da viagem até Lisboa.

Mas antes de isso acontecer na minha vida, ainda tive que amargar muita coisa nos 11 anos que medeiam entre esses dois acontecimentos. O primeiro amargo de boca veio logo na altura da matrícula para a 2ª Classe. A professora da Escola Primária da minha aldeia insistiu em matricular-me de novo na 1ª Classe, dizendo que o que andara a fazer na outra escola não era ali reconhecido, tinha sido apenas uma ajuda para passar o tempo. Era uma mulher de meia idade, solteira, azeda, magricela que tomei de ponta para o resto da minha vida. Não tardou muito para me oferecer uma dúzia de bolos que me deixaram as palmas das mãos em fogo e isso só ajudou a reforçar os meus sentimentos por ela.

Como já era um rapaz grandinho, foi-me distribuída uma tarefa diária para fazer nas tardes - a escola era só até ao meio-dia e meia hora, mais coisa menos coisa - que consistia em ir à procura de lenha para a lareira - a minha avó que era a cozinheira de serviço, dizia-me: - traz lenha sequinha que a verde só faz fumo - fetos e outros restos vegetais para fazer a cama das ovelhas e doa coelhos e depois ser usado como estrume para adubar as batatas na sementeira. Até bosta das vacas que a iam largando pelo caminho, eu apanhei para contribuir com a minha quota parte para o orçamento doméstico.

Enquanto a minha avó se dedicava à cozinha - e a aturar-me - a minha mãe dedicava-se à costura. A sala maior da nossa casa era um atelier de costura, com uma grande mesa - como eu mal chegava à altura do tampo, a mesa parecia-me enorme - onde a minha mãe cortava as peças de roupa que eram depois costurada por ela mesma ou pelas suas aprendizes. Havia sempre, lá nesse atelier, entre 3 e 6 aprendizes, iam umas vinham outras, ou ficavam algumas em casa, quando tinham algo que fazer e que se sobrepunha às lições de costura da minha mãezinha (que Deus tem).

Era um tempo em que não havia o actual "prêt-à-porter" e as interessadas tinham que lá ir, escolher o tecido que mais lhe agradava e tirar as medidas para que a roupa lhes assentasse bem. Depois a costureira-chefe talhava e cortava a peça pretendida, de modo a assentar à cliente que nem uma luva. As aprendizes mais adiantadas já eram capazes de pegar nas peças, chuleá-las e coser umas às outras. A meio da operação, aparecia a cliente, vestia e provava a obra feita, procedendo-se aí aos últimos ajustes para a obra ficar a contento. Não havendo obra deste tipo, faziam-se aventais, algibeiras e, sacas para o pão e farinha, sacos maiores para o feijão ou o milho, além de outras pequenas coisas que seriam vendidas na feira de Barcelos, a cada quinta-feira.

Depois da obra feita era preciso levá-la a casa das clientes e lá entrava eu de novo em cena. Havia clientes na nossa freguesia, assim como nas duas ou três vizinhas da nossa, pessoas que conheceram a minha mãe e só queriam roupa feita por ela. Aquelas blusinhas brancas que ainda se usam hoje, a fazer de camisa, eram o prato forte. O sábado era o dia mais complicado da semana, todas as mulheres queriam a roupa nova para mostrar na missa do domingo e eu é que me lixava que tinha que correr de uma lado para o outro com o embrulhinho da roupa nas mãos.

As aprendizes aceleravam, uma pregava os botões, outra dava os últimos retoques e a minha mãe metia carvão no ferro de engomar para aumentar a temperatura e pôr a roupa a brilhar. Por vezes, enquanto esperava pela encomenda, calhou-me a tarefa de soprar no cu do ferro para avivar o carvão que, às vezes, era de má qualidade e não havia maneira de arder como a costureira queria. - O ferro está frio, põe-lhe mais um pouco de carvão e bufa-lhe até ficar em brasa! E depois a minha mãe pegava no ferro pela asa e abanava-o, para a frente e para trás, a todo o comprimento do seu braço (ainda parece que estou a ver esse filme).

Depois, embrulhavam a peça numa talha de linho que depositavam nas minhas mãos estendidas para a frente e recomendavam: - vai sempre assim, não dobres a roupa que ainda está quente do ferro e fica toda engelhada. E lá ia eu, por caminhos e carreiros, até casa das clientes. Porque é que elas moram tão longe, pensava eu. Por vezes já era noite quando saía de casa, mas era sempre quando regressava. Do medo que eu sentia nem vos falo, o vento a zumbir nas agulhas dos pinheiros, ou as folhas dos eucaliptos que pareciam bater palmas, no escuro da noite, traziam-me ao pensamento histórias de bruxas, demónios e corredores do fado que a avó nos contava, sentados à roda da lareira. Aí, eu corria e ia assobiando uma música qualquer para não ouvir nada do que se passava à minha volta.

Às vezes, uma das minhas irmãs acompanhava-me, por haver mais roupa do que as minhas mãos conseguiam abarcar, ou para cobrar o preço da obra e trazer o dinheiro a bom recato. Elas, talvez por serem raparigas e sentir outros medos que os rapazes não sentem, ainda faziam a coisa parecer pior do que era. Um metia medo ao outro, em vez de lho tirar.

Uma vez por semana, como já referi atrás, cozia-se o pão para a semana, chamava-se "cozer a fornada". E chamava-se assim, porque se enchia o forno de broas de milho, até à porta e se fechava esta com uma pedra cortada ao tamanho da porta que era, por sua vez, lacrada com bosta de boi para manter todo o calor dentro do forno. Escusado será dizer que me calhava a mim a tarefa da recolha da dita bosta. Perto da minha casa, havia um grande bebedouro que recebia a água de uma nascente e onde iam beber os gados da vizinhança, antes de recolher à corte para passar a noite. E eu não tinha mais que fazer do que sentar-me ali e esperar que as vaquinhas bebessem e largassem o presente que eu metia no cesto e carregava para casa, a tempo de a minha avá terminar a tarefa - que era bem pesada, diga.se de passagem - do seu dia de trabalho.

Para não terminar este capítulo a falar apenas de bosta, ainda vos digo que gostava de ajudar a avó a amassar a fornada, duas arrobas de milho e 5 Kilos de centeio, dando umas punhadas valentes na massa com as minhas fracas forças. A minha avó ria-se e enquanto eu o fazia ela respirava fundo duas ou três vezes para voltar a lutar contra a massa e fazer o pão com que nkos matava a fome!

segunda-feira, 20 de março de 2023

Praticamente, campeão!

 
Em teoria, o Benfica é, praticamente campeão!
Na prática, o Benfica é, teoricamente, campeão!
Um jornalista e comentador desportivo disse uma destas frases e no seu subconsciente acendeu-se uma luzinha a dizer: - erro, erro!
Vai daí, ele usou a segunda expressão para corrigir a primeira que lhe soou a erro.
Hoje, há cada vez mais cromos a debitar teorias sobre o desporto-rei, como se só eles percebessem da poda, mas saem-lhes muitas asneiras pela boca fora.
Numa certa fase da minha vida, em que já tinha deixado de ser estudante, fui submetido a uma prova que exigia uma redacção em Português de, pelo menos, 20 linhas. Claro que, como me sinto como peixe dentro de água, nessa matéria, em vez de 20 fiz uma para aí com 50 linhas. No fim, o examinador chamou por mim e mostrou-me a minha redacção com mais de meia dúzia de palavras sublinhadas a vermelho e disse: - quando alguém sente necessidade de usar tantos advérbios de modo é porque lhe faltam palavras para dizer o que pretende.
Já foi há muitos anos, mas nunca me esqueci disso e apetecia-me dizer o mesmo ao jornalista a quem ouvi as frases que reproduzi, acima. Se eliminar das frases o praticamente e o teoricamente, a coisa soa muito melhor e torna-se uma afirmação categórica que ninguém poderá desmentir e me deixa muito mais sossegado.
Entrei de fininho e do mesmo modo me retiro!

domingo, 19 de março de 2023

E acabou assim!

 


Não foi um mau Dia do Pai, estiveram cá os meus filhos e uma neta, a fazer-me companhia ao almoço, o almoço apresentado pela minha cozinheira especial e exclusiva estava bom, o tinto era do Dão, como eu gosto, e para terminar o dia em beleza ... o FCP não ganhou e ficou para trás mais dois pontinhos. Agora já são 10 os pontos de atraso e chega para dar duas ou três escorregadelas e ser campeão no fim da época.

Quem podia desejar mais que isto? 

Um bom pai ...!

 ... é um bom chefe de família. E um bom chefe de família é benfiquista. Deve ter sido essa a motivação para os jogadores do Benfica, ontem, para nos oferecerem uma vitória gorda (5-1) e fazerem assim a alegria de todos os pais deste país.

Bem, todos talvez não, pois há meia dúzia de chefes de família, em Guimarães, que não torcem pelo Benfica. E uns quantos na cidade Invicta, também, mas desses não se espera grande coisa, só fazem vergonhas atrás de vergonhas, é lá com eles que se amanhem!

Pois, como eu ia dizendo, hoje é o Dia do Pai e está o país todo em festa. Mesmo com todos os problemas que afligem o país e o Kosta a olhar para o lado (mortinho por se escapar para Bruxelas, à procura de uma reforma dourada) os portugueses conseguem sempre encontrar uma razão para sorrir. Uns porque são pais e têm prazer nisso, outros porque são benfiquistas e estão mais que satisfeitos com o percurso da sua equipa nesta temporada e, para terminar, muitos vivem do comércio e alegram-se com a oportunidade de fazer os cobres nas prendas para os pais que os filhos acorrem a comprar.

Enfim, o país está de rastos, toda a gente reclama, mas toda a gente festeja. Aqui na minha zona, não se consegue entrar num restaurante sem esperar, pelo menos, uma hora na bicha. Isso, para mim, é sinal de que as coisas não estão assim tão negras como as pintam. Ou então são todos uns grandes actores que merecem um Óscar pelo seu desempenho.

Para mim nada de restaurantes, a festa é em casa com os filhos à volta da mesa. Os netos estão com os pais deles, aí eu já não meto prego nem estopa, mas sempre estará comigo a filha do meu filho, já que estará com o pai dela e ele almoça comigo. Gostaram da piadinha? Ainda bem, pois o que eu mais quero é que sejam muito felizes e tenham razões para sorrir.



Um bom Dia do Pai para todos !!!

sábado, 18 de março de 2023

sexta-feira, 17 de março de 2023

Uma desgraça pegada!

 


Esta foto não é nova, mas tenho recebido fotos e videos do Niassa que retratam as desgraças provocadas pelas cheias recentes. Estradas e pontes novas, acabadinhas de inaugurar com pompa e circunstância, pelo presidente Nyusi, estão a ser arrastadas pelas enxurradas que têm acontecido por todo o Niassa. Ontem foi em Cuamba, hoje na estrada de Marrupa.

Estradas feitas à pressa, sem um estudo prévio que garanta a manutenção das linhas de água, acaba em desastre. As chuvas torrenciais que têm caído nos últimos dias, aliadas ao efeito do furacão Freddy que atravessou Moçambique, em direcção ao Malawi, não encontrando caminho para o seu escoamento levaram tudo à frente. Linhas férreas, estradas e pontes tudo feito num oito, na zona a noroeste de Nampula.

Há já 55 anos que saí de lá, mas considero aquela terra como minha segunda pátria e dói-me ver aquilo acontecer. A Frelimo que ocupa o poder, desde 1975, não é capaz de resolver problema nenhum. As obras são entregues aos chineses que, em troca, espoliam Moçambique de todas as suas riquezas. E no fim de tudo a conta do crédito concedido não cessa de crescer, enquanto as construções desabam como um castelo de cartas. Agora que vai começar a jorrar o petróleo e Gás de Cabo Delgado, lá vão os senhores do costume levar uma fatia de leão. deixando os moçambicanos entregues à sua sorte e cada vez mais pobres.

Imagem desta semana


Realidade!

Cirurgias assistidas remotamente por especialistas com óculos de realidade mista, planeamento de tratamentos de quimioterapia com recurso a hologramas, formação de médicos e enfermeiros usando dispositivos imersivos de realidade virtual. A utilização de tecnologias de realidade estendida (XR) está a ter tanto impacto na área da saúde que já está em uso uma designação para este campo: MXR, ou Medical Extended Reality no original em inglês.


O meu neto mais velho especializou-se em Multimédia e dizem que foi o melhor do seu curso no tópico «Realidade Aumentada». Eu que sou um produto da primeira metade do Século XX, pensei que realidade só havia uma, a tal, e mais nada. Afinal há várias realidades e a aumentada já está a ser introduzida na área da Saúde. A coisa está a ajeitar-se para virem (a seguir) os robôs para nos consertarem as "avarias"!
Como o meu neto não percebe nada de medicina, estou a vê-lo como afinador de robôs. Porque se um robô desafina, pode dar uma facada ao lado e cortar um coração ao meio. E com corações não se brinca, uma vez partido não tem conserto!

quinta-feira, 16 de março de 2023

Por caminhos e carreiros!


 Este é o nome do primeiro capítulo das minhas memórias que já comecei a escrever, mas não garanto que algum dia vejam a luz do dia. 

Eu não sou como o Saramago que escreve tudo ao molho, nem o ponto final usa no fim de cada período, prefere a vírgula, e começa com letra maiúscula a seguir à dita vírgula. Os meus professores ensinaram-me que as histórias se dividem em capítulos, de preferência com um título alusivo ao teor da mensagem, em parágrafos que devem englobar e limitar cada tema abordado e em períodos que devem ser tão curtos quanto possível, mas contenham um sentido que se compreenda com facilidade.

Por isso, escolhi o nome «Por caminhos e carreiros» que resume os primeiros 11 anos da minha vida que foi tudo menos simples e sossegada. A narrativa começa com a minha entrada para a Escola primária, acontecida no dia 7 de Outubro de 1950, tinha eu 6 anos, 6 meses e 28 dias (parafraseando o Nogueira da Fenprof), pois que antes disso pouco significado teve e não seria capaz de o descrever. Diz a ciência que só recordaremos as coisas acontecidas depois dos 7 anos, excepção feita a acontecimentos muito marcantes que ficam gravados a fogo no nosso subconsciente.

Viram como eu respeitei as regras, usando as vírgulas, os pontos finais e dividindo os parágrafos em períodos com oração principal e subordinadas, toas com o sujeito e o predicado bem notório. Tomara o Zé da Azinhaga escrever assim, como eu o faço. Não teve quem o ensinasse, era um auto-didacta, mas escreveu tanto que convenceu a academia a atribuir-lhe o Nobel. Que bom para ele e para a Pilar que continua no bem bom à custa do que ele escreveu.

Mas voltando à vaca-fria, ou seja, a mim mesmo que sou o herói desta narrativa, entrei para a escola da freguesia vizinha daquela onde eu morava, porque a professora da minha freguesia disse que tinha alunos demais na 1ª Classe e quem não tivesse completado os 7 aninhos teria que esperar para o ano seguinte. Talvez ela estivesse cheia de razão, mas atrasou a minha vida e nunca mais a pude ver, por causa disso.

O caminho que ligava a minha casa à escola, na prática, não existia. O percurso começava com 500 metros de estrada, seguido de 500 metros de um caminho destinado a carros de bois que no inverno se enchia de água e tornava impraticável. A partir daí era um carreiro por entre pinheirais que me levava até à primeira casa da freguesia vizinha. Para atalhar caminho, atravessava um campo e tomava, a partir daí, outro carreiro que me levava até à porta do lavrador que não gostava nada de me ver por ali. Não era bem eu que provocava as suas queixas, é que havia muitas outras pessoa que faziam o mesmo que eu.

Este lavrador tinha sempre a porta aberta, de modo a facilitar o movimento de carros (de bois, claro) de alfaias agrícolas e dos animais que todos os dias saíam para o campo, fosse para trabalhar ou encher a pança. Ao lado da porta, tinha um canzarrão que fiscalizava as entradas e saídas, desconhecidos não passavam daquele ponto. Eu sabia que o cão estava preso, mas borrava-me de medo pensando na hipótese de ele rebentar o cadeado que o prendia à porta. É que os puxões eram tantos e de tal ordem que me parecia impossível que o cadeado continuasse a resistir.

Não vos vou fazer perder tempo a ler as mil e uma habilidades que eu usava para passar aquele obstáculo. Um dos filhos da casa era o meu colega de carteira e uma espécie de menino protegido da professora Delfina que morava na casa pegada à sua. Talvez por isso nunca nos demos bem e quando lhe falei em esperar por mim para seguirmos juntos até à escola, respondeu-me com um sorriso de desprezo. A única zaragata que protagonizei naquela escola foi com ele e por causa do tinteiro, onde ambos molhávamos a pena para escrever o a-e-i-o-u. Alguém se lembra ainda desses tinteiros de porcelana, redondinhos e encastoados no centro da carteira? Pois esse tinteiro acabou vazio de tinta e nós os dois a escorrer tinta das mãos e dos cadernos inutilizados.

Esqueci-me de referir que o rapaz se chamava Lícinio, o mesmo nome de um grande amigo que fiz na Marinha, muitos anos depois desses acontecimentos. A D. Delfina era também grande amiga da minha mãe - por isso tinha feito o favor de me matricular na sua escola para eu não perder um ano - e foi avisada para me dar uma reprimenda, ou melhor dizendo, umas chineladas no traseiro para me meter juízo na cabeça. Um irmão do Licínio foi estudar para o Seminário de Braga e, por essa razão, cruzámo-nos várias vezes, ao longo da vida, mas a ele nunca mais o vi, depois de abandonar aquela escola.

Neste ponto da narrativa, ainda nem aos 7 anos de idade tinha chegado, mas vou ficar por aqui, pois falta muito para o fim do capítulo e vocês devem ter coisas mais importantes para fazer do que ler o texto escrito por este fraco narrador.

Bye-bye and be happy !!!


Honrai a Pátria ...!

 


Eu pertenço àquele grupo de marujos que se consideram prejudicados (?) pela actuação dos seus superiores mais directos. Abusar de posição dominante e espezinhar os seus subalternos era prática comum, no tempo da outra senhora.

Não sei porquê, mas cheira-me que está a acontecer a mesma coisa, agora, com este caso do NRP Mondego que é uma autêntica lata de sardinhas a meter água e verter óleo por todo o lado. O primeiro dever do comandante é exigir aos seus superiores que façam as reparações devidas e nas horas certas, de modo a garantir a segurança da sua tripulação. Ao não cumprir esse dever transformou-se no culpado por este lamentável incidente que pode custar caro aos queixosos.

E já ouvi, hoje, muita asneira a este respeito, os senhores lá do topo da hierarquia já se mostram dispostos a convocar um pelotão de fuzilamento para se livrar dos traidores. Estamos em guerra, dizem eles, e uma quebra de disciplina como esta pode ser o fim, não podemos condescender com isso!

Como isto me traz à memória o que fizeram comigo, em 1968 !!!