Ontem, eu tive que sair de casa, por motivos que não vem ao caso explicar, e aproveitando a oportunidade de estar vestido e fora de casa, o que é cada vez mais raro, resolvi ir provar o «Cozido à Portuguesa» que servem na Clínica!
Isto de pôr nomes esquisitos aos restaurantes não é de agora. Por alturas do 25 de Abril, havia em Matosinhos a Farmácia, um restaurante bem frequentado, onde as postas de bacalhau saíam fora das bordas do prato e o vinho tinto, em grandes pipas á moda antiga, estava ali mesmo à vista de todos, encostadas na parede de granito que nem reboco tinha.
Fui lá algumas vezes e nunca consegui comer nem beber tudo aquilo que traziam para a mesa. Bons tempos em que levava a factura ao tesoureiro da minha empresa e ele me repunha o dinheiro investido na refeição. E aproveitava sempre para me picar por causa dos preços que eu pagava. Com a empresa a pagar a conta e não sabias escolher melhor comida? Ele queria dizer mais cara, pois melhor é um conceito que está no paladar de cada um e o meu só eu conheço.
Pois ontem foi dia de ir à Clínica, restaurante de que ouvi falar há uns tempos e me garantiram que era do melhor e difícil de arranjar lugar à mesa. Aconselharam-me a ir tarde, pois há quem vá para lá fazer bicha às 11.30 horas e deixando passar a primeira grande invasão é mais fácil conseguir uma mesa. Dependendo do prato que é servido, há dias com mais gente que outros. O dia do Cozido é às quartas e talvez o de maior enchente.
E cheguei à conclusão que estou velho e acabado, já nem para comer sirvo. Tive que pedir uma embalagem para trazer as sobras, pois nem metade do que me serviram consegui comer. Tens mais olhos que barriga, costuma-se dizer, mas no meu caso já não tenho estômago para aquilo que os outros pensam que vou comer e me põem à frente dos olhos.
A Clínica fica numa freguesia meeira dos concelhos de Santo Tirso e Famalicão (são cerca de 6 kms para cada uma das cidades) e é sabido que o concelho de Famalicão é forte em carne de porco e enchidos, melhor só no Alentejo. Pois é verdade, deliciei-me a trincar aquela carne bem temperada e bem cozinhada que lá se serve. Se for preciso passar um atestado de qualidade podem contar comigo para o fazer. Numa escala de 1 a 5 estrelas, eu dou-lhe um cinco.
Há dias de bacalhau, ora assado na brasa ora à moda de Braga (frito e com cebolada), há dias de tripas e de chispe assado no forno, além de outras iguarias que encontram sempre quem goste delas. E servem à sobremesa um pão de lá de fabrico próprio que muitos aproveitam para provar e lamber os dedos depois de o comer. Sim, porque o pão de ló deve comer-se com os dedos e sendo um pouco húmido deixa os dedos açucarados e sabe melhor lambê-los que ir à casa de banho lavá-los.
Bem, espero ter-vos despertado o interesse e o apetite também para procurarem lugares como a Farmácia de Matosinhos ou a Clínica de Santo Tirso que são lugares onde se come melhor que na melhor marisqueira deste país e se paga menos de um quinto do preço de quem come lagosta, camarões ou sapateira. Isso posso eu garantir também!
Bom apetite !!!
'A Clinica'... pode ser que calhe - fica na lista!
ResponderEliminarQuando os meus irmãos do norte vinham ver a minha mãe no lar convidavam-me sempre para ir almoçar com eles pela logistca com cadeira de rodas etc.
ResponderEliminarFomos sempre ao restaurante que ela gostava muito mas caro p´ra xuxu.
Dos vários pratos eles não comiam tudo e o que sobrava metiam em caixas e eu trazia e congelava e com isso não cozinhava.
Há muito que não vou a um restaurante porque o "pilim" é curto!
Acabei agora de fazer o meu almoço em dose dupla para amãnha!
Abraços e um bom dia!
O prato tem um aspecto muito apetitoso, mas cozido com feijão manteiga - ou será catarino? - é que nunca tinha visto. Lá está, cada terra com seu uso até na gastronomia.
ResponderEliminarFaz bem de ir desopilar de vez em quando, sempre regressa a casa mais quentinho... :-))
Abraço.