terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Dia de Reis 2026!

 Por esta é que eu não esperava! Andava eu ocupado na guerra, em Moçambique, e o Marcelo Caetano decide que o Dia de Reis deixará de ser «Dia Santo», pois o ano já tem feriados a mais e o que é preciso é aumentar a produtividade do país e a riqueza também.

Dos 365 dias do ano, só aos domingos, dias santos (religiosos) e feriados (nacionais) não se trabalhava. Se bem me lembro, nos velhos tempos, os feriados eram 22 e os domingos 52. Os domingos, para desespero de alguns patrões, ainda continuam a ser 52, mas os dias santos e feriados encolheram um pouco. Lembram-se que no governo de Passos Coelho levaram mais uma machadada? No entanto, foram acrescentados mais 52 sábados aos dias de lazer e hoje, em média, trabalham-se 222 dias por ano.

Em alguns casos voltou-se atrás, como no caso do 15 de Agosto, dia da Assunção de N. Senhora, mas outros perderam-se para sempre, caso do Corpo de Deus, em junho. Já o mesmo não aconteceu, em 1967, com o Dia de Reis. Como eu entrei no mundo do trabalho, em Novembro de 1960, e fui para a Marinha, em Março de 1962, só tive direito a gozar dois feriados desses, o do ano de 1961e 1962, embora deva referir que no de 1962 estava em casa de castigo. Quando voltei da guerra e saí da Marinha, já essa benesse tinha passado à História.

Há quem perca tempo a discutir se os reis eram mesmo magos, se eram três ou mais e de onde teriam vindo. Uma das hipóteses aventadas (termo alentejano) é ser Espanha a origem do rei branco, mas eu discordo, pois a Espanha não fica a oriente de Jerusalém e reza a história que eles eram do Oriente. Quanto ao moreno aceito que seja sírio e o negro venha dos lados da Arábia, onde já viviam muitos negros e um bem poderia ser mago, isto é, um rei sabichão.

Aqui na Póvoa, mantém-se forte a tradição de cantar as Janeiras. Andam grupos de porta em porta, cantam umas coisitas, bebem uns copitos e avançam para a próxima casa. No fim voltam a arrastar os pés, mais pelo álcool ingerido que pelo cansaço da caminhada. Eu mantenho-me fiel à Ceia de Reis que é um mini Natal e não aceito que me falte o bolo-rei, o maior símbolo deste dia!

Contexto Histórico:

Década de 1960: O governo do Estado Novo, liderado por Marcelo Caetano, implementou uma reforma nos feriados e dias facultativos, removendo datas como o Dia de Reis e a Quinta-Feira de Ascensão (Dia da Espiga) do calendário nacional.
Objetivo: A medida visava diminuir o número de feriados e aumentar a produtividade, com foco no desenvolvimento económico do país.
Situação Atual:
Não é feriado nacional: O Dia de Reis não é mais um feriado obrigatório em todo o território de Portugal.
Feriado Municipal: A data ainda pode ser um feriado em concelhos específicos, como acontece com a Quinta-Feira de Ascensão em muitos locais, mantendo a tradição local.
Tradição Cultural: Apesar de não ser feriado, a data continua a ser celebrada em Portugal com a tradição do Bolo-Rei, o canto das janeiras e o encerramento das decorações de Natal, marcando o fim das festividades natalícias.


1 comentário:

  1. Mais uns anos com social/ismo e não me admirava que cantar as Janeiras passe a ser ilegal. Exagero?! Quando eramos miúdos ninguém por mais imaginação que tivesse diria que no Natal de 2025 festejar o Natal nas escolas seria proibido... Cuidado compatriotas! A Agenda 2030 está em full swing e dia 18 podemos e devemos fazer algo para que os que cá ficam continuem a festejar o Natal.

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