O dia seguinte é sempre a altura certa para fazermos a nossa avaliação daquilo que acabou de acontecer. Esta noite não dormi, praticamente, nada e não foi por causa das eleições, mas por causa da minha saúde que me levou ao hospital para fazer uma biópsia necessária para determinar o tratamento que terei que fazer ao meu sangue que anda meio avariado. Deu para acompanhar os vários programas que estavam no ar nos vários canais televisivos.
E ouvindo-os falar, os comentadores, comecei a formar a minha opinião sobre o que correu mal aos 8 dos 11 candidatos. Os 3 primeiros conseguiram um resultado parecido com aquilo que eu imaginaria. Talvez uns 2 ou 3% mais para o Seguro e os mesmos 2 ou 3% a menos para o Ventura e com o Cotrim a conseguir aquilo que eu previa. Nos outros 8 é que está a encrenca!
O Almirante e o Marques Mendes espalharam-se ao comprido por culpa própria. Um começou a dizer que se revia no Mário Soares, sabendo que há muitos milhares de portugueses que consideram o Marocas um crápula que viveu à custa do erário público até morrer, depois da enorme bronca que já tinha provocado com a descolonização que pôs meio Portugal contra ele. Se juntar a isso o caso no NRP Mondego e o castigo que distribuiu por sargentos e praças da tripulação, está explicado o mau resultado.
Já o Marques Mendes tem um passado pouco glorioso, como rapaz dos recados de Cavaco Silva e pouca gente gosta dele. E depois foi fatal a história do facilitador de negócios em que ele se transformou, depois de abandonar a política activa, e que o Almirante trouxe para o debate e transformou a sua campanha tornando-a num lamaçal que os enterrou aos dois.
Os restantes 6 candidatos são um autêntico paradoxo que só em Portugal podia acontecer. São 3 comunistas e um sindicalista que eu meto no mesmo embrulho, portanto são 4 que se deveriam ter reunido no início do processo e formar uma aliança de esquerda que seria representada nas eleições pelo melhor dos 4. Não o quiseram fazer, por razões que ninguém entende e enterraram-se, vergonhosamente.
Os 2 últimos são dois não políticos, o Manel da viola e o desconhecido Humberto que resolveram concorrer para mostrarem que estão vivos e não gostam dos muitos políticos que já temos na nossa praça. Votem em nós que somos tão bons ou tão maus como todos os outros. Claro que ninguém alinha nisso, uma escolha do PR é uma coisa séria!
Em face dos resultados que já são conhecidos, eu gostaria de fazer uma sugestão ao André Ventura. Agendar uma reunião urgente com o Montenegro, o Marques Mendes, o Cotrim de Figueiredo e o Almirante e discutir o apoio que espera deles. Ou eles declaram publicamente e sem sombra de qualquer dúvida que aconselham quem votou neles a apoiar o Ventura, ou ele desiste da segunda volta e poupa tempo e dinheiro aos portugueses.
Com 8% de desvantagem para o Seguro e todas as sondagens a considerá-lo desde já derrotado, eu no lugar dele nem campanha faria, a menos que tivesse o apoio declarado de todos aquele que são supostos lutar contra o Socialismo que nos tem amordaçado, desde os tempos do Mário Soares. Acresce ainda que ele não tem a mínima vontade de ser presidente, ele quer ser o líder, cada vez mais forte, da "Direita" no Parlamento.
A luta contra o Montenegro e os arranjinhos que ele possa cozinhar com os socialistas para aprovação de leis é o que lhe vai na alma. Indo para Belém e ficar por lá perdido, durante 5 anos, arrisca-se a passar ao esquecimento na cabeça dos eleitores portugueses. Desistindo, em favor do Seguro, tê-lo-íamos de volta ao Parlamento focado naquilo que é importante agora. Há uma mudança que se exige e só com um Parlamento forte e unido a conseguiremos fazer.
Saúde, habitação e Educação requerem reformas de fundo que o governo tem que fazer. E faz falta no Parlamento um político determinado como o André Ventura para pressionar o Primeiro Ministro para que isso aconteça. Espero que ele adivinhe os meus pensamentos e entregue o cargo ao Seguro para ele ficar ainda mais inhado do que já estava, ontem à noite!

Esqueci-me de acrescentar que irá muito menos gente votar. Talvez a abstenção suba para os 55%.
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