terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Os seguidores de Che!

 


Qualquer pessoa com dois dedos de testa compreenderá que a ilha de Cuba só será feliz, quando se der bem com os Estados Unidos. Um pobre e um rico a viver lado a lado acabará sempre por se transformar numa parceria do tipo "patrão-empregado". Nada de estranhar, é a nossa sociedade (cultura) a funcionar.

Quando o Raul Castro se retirou do poder e o entregou, de mão beijada, ao Miguel Diaz-Canel, eu pensei que estaríamos a entrar numa nova era, uma era de relações amistosas com o vizinho rico que encheria a ilha de investimentos e de turistas que haveriam de melhorar a vida dos cubanos, de um modo ou de outro.

Mas não aconteceu, pelo contrário, acho que as coisas até pioraram. Os pobres cubanos a viver do cultivo da cana de açúcar e do tabaco não vão a lado nenhum e as esmolas que recebem da Venezuela ou da Rússia são meros remédios para os manter vivos e à disposição do comuna-chefe para o que der e vier. Cuba não é mais que um posto de sentinela avançado de Moscovo para manter o vizinho debaixo de olho.

Todos percebemos isso, porque não o vêem assim os cubanos? Terá a ver com repressão, como acontecia na Venezuela de Maduro? Até pode ser, mas não se tem ouvido falar disso, desde que El Comandante passou as fronteiras do Além. Havia até uma associação em Miami que ajudava os cubanos a lutar contra a repressão política e arranjava maneira de os sacar de Cuba se viam a vida deles em risco.

Já vai longe o tempo de Che Guevara, mas parece que há ali muita gente que se continua a reger pela sua cartilha. A mim parece-me um estigma da pobreza, és pobre tens que ser comunista! Mais uma vez vem-me ao pensamento aquela ideia da colonização luso-espanhola que deixou de herança àqueles povos a nossa pobreza natural. Em Portugal e Espanha só o Rei e os fidalgos da corte eram ricos, todo o resto é uma miséria franciscana. 

Já os países do norte, colonizados por ingleses e franceses, deram origem a países ricos e bem sucedidos, como os Estados Unidos ou o Canadá. Num caso usou-se o truque da miscigenação para dominar os nativos e escravos importados de África, enquanto que no outro lhes meteram bala no corpo e os eliminaram do mapa, pura e simplesmente. Não posso dizer que essa solução não venha ainda a jogar contra eles, pois já se vêem algumas manifestações dos peles-vermelhas (native americans) a reclamar o que era seu.

No entanto, não os acho uma cambada de palermas como os comunas da América do Sul, antes pelo contrário, já participam na vida política dos seus países e um dia (que não virá longe) poderão candidatar-se aos mais altos cargos da nação. A Educação e a Cultura são o caminho certo para se chegar onde se quer e os índios modernos estudam nas universidades, como qualquer outro cidadão americano.

Temos 3 a 4 gerações em cada século e já lá vão mais de dois séculos em que as américas não vivem em função dos emigrantes idos da Europa. Quer isto dizer que os novos americanos se sentem tão donos das terras em que trabalham como os peles-vermelhas que lá viviam, quando os seus avós chegaram como colonizadores.

Não sou um estudioso da História de Cuba, mas penso que a maioria do povo que habita essa ilha são netos e bisnetos de antigos escravos negros, cuja pele foi clareando com as sucessivas misturas de sangue com povos europeus de colonizaram a ilha. Aliás, um pouco como sucede em todas as ilhas do Mar das Caraíbas. A sua pele é mais clara, mas a herança de pobre mantém-se lá dentro dessa mesma pele!

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