Quando estamos a saborear uma grossa fatia de pão com manteiga e ela nos cai da mão, é certo e sabido que ela cai com a manteiga para baixo ficando grudada na manteiga toda a porcaria que possa existir no local onde caiu!
Hoje, à noite, teremos um debate entre os dois candidatos a Presidente da República, o Seguro e o Ventura, assim por esta ordem que é aquela que os órgãos noticiosos consideram que será o que as eleições vão confirmar. Quem tem medo de Ventura, apetece-me perguntar? Porque querem tanto que o Seguro ganhe se ele foi sempre um Zé Ninguém no mundo da política? Palavra de honra que não compreendo!
Será por ele ser novo demais, por ser imaturo, ou haverá outras razões que eu desconheço? Que ele é um desbocado, eu reconheço, por tudo e por nada lá está ele a botar a boca no trombone! Mas não será melhor assim do que ouvir e calar, mesmo que não concorde com aquilo que ouve? Fartos de gente que assiste à passagem da procissão sem nada fazer para que as coisas mudem para melhor estamos nós. É preciso que apareça alguém, na política, que seja capaz de atirar uma pedra para o charco e ver o que acontece.
O Ventura parece-me homem para isso, o Seguro não, de modo nenhum. O Seguro é o menino bem comportado, bem vestidinho, bem penteadinho que quer ser um modelo de virtudes neste país de gente mal comportada, mal vestida e cheia de fome. Se não de comida terá fome e muita de outras coisas que fazem a felicidade das pessoas.
O mundo está transformado num bordel, onde só os interesses de cada um importam, viu-se isso em Davos com a reunião do Conselho de Paz do Trump que mais parecia um congresso de agentes imobiliários à procura de boas oportunidades de negócio. O "poleiro de Belém" não é, propriamente, um pódio de homens de negócios bem sucedidos, mas sempre pode dar uma ajudinha para lá chegar.
Na minha opinião o André Ventura não é o homem indicado para colocarmos em Belém, ele é uma espécie de D. Sebastião de espada em punho e pronto a partir para a luta por aquilo em que acredita. E neste momento, ele acredita que o Socialismo, nas suas mais diversas formas, não é bom para Portugal. Se tivéssemos, em Portugal, um sistema presidencialista, como em França, no Brasil ou nos Estados Unidos, então sim, ele seria o homem indicado para tomar o leme e guiar-nos a um bom porto.
Ao contrário, Seguro não seria o homem indicado nem num sistema, como o actual, ou naquele que eu gostaria mais de ver implantado, em que o presidente é quem manda e tem no Primeiro Ministro um assessor para pôr em prática as suas políticas. Ele é cinzento demais e não o vejo a lutar contra ventos e marés para impor (no bom sentido) a sua vontade. Ele é mais de deixar andar e esperar que o tempo se encarregue de fazer as coisas acontecer.
O meu cérebro dá voltas dentro do crâneo e corre o risco de explodir, quando tento compreender as razões que levam gente como o Cavaco, o Paulo Portas e outros que tais a afirmar que a escolha certa é o socialista Seguro. Ele é bem comportado e muito educado, disse alguém tentando justificar a sua escolha. O que estou a adivinhar é que eles querem um presidente que "coma calado" para continuarem a fazer as suas negociatas, como têm feito, nos últimos 50 anos.
As sondagens que, na melhor das hipóteses, dão um resultado de 60/40, a favor de Seguro, vão fazer com que eu me abstenha nesta segunda volta. No Seguro não voto (nem morto) e votar num candidato que está destinado a perder, não justifica que eu abandone a comodidade do meu lar para depositar na urna uma espécie de voto em branco. Ou seja, aquele que traduz a nossa não concordância com qualquer dos candidatos, mas não quer participar na terceira opção, a da abstenção.
Prefiro esta última hipótese, vou abster-me !!!

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