segunda-feira, 5 de junho de 2023

A D. Engrácia!


 Ao longo da minha vida que já vai longa têm passado muitas mulheres. No início era a mãe, a avó e as irmão. Depois apareceram as primas, as amigas e as namoradas. Depois de seleccionar uma das namoradas para partilhar a minha vida, passou a contar mais ela e a filha que me deu. Mas a vida não para e depois dessas duas, muito importantes, vieram muitas outras para me alegrar ou infernizar a vida. De entre elas vou a escolher a D. Engrácia para preencher a minha crónica desta segunda-feira, dia 5 de Junho.

A D. Engrácia veio-me parar às mãos, quando entrou na menopausa e passava os dias com a lágrima ao canto do olho, pois não sabia como lidar com aquilo. Quando digo aquilo refiro-me às mudanças de humor e tantas coisas mais que afligem a mulher nessa fase da vida. Como ela era funcionária no departamento que eu chefiava, achei por bem chamá-la ao meu gabinete e inquirir das razões que a levavam ao estranho comportamento dos últimos tempos. No fim disse-lhe: - Tenha calma D. Engrácia, isso é natural durante a menopausa e depressa lhe passará, não se apoquente por tão pouco. Ela agradeceu a atenção, secou os olhos e foi à vida dela.

A vida dela nunca foi fácil. Aos 16 anos de idade era uma bela morena com uma grossa trança preta que lhe chegava quase à cintura. Poderia ter tido uma juventude bem mais alegre se não se tivesse cruzado com o meu amigo Manel que era um mulherengo de primeira e lhe começou a montar um cerco que acabou por fazê-la cair no anzol.

Este Manel era um daqueles rapazes convencidos que conduzia um descapotável vermelho, de óculos escuros a esconder os olhos e calçando luvas de fino cabedal, sem dedos, para lhe permitir sentir o volante. Ele trabalhava numa empresa fornecedora que eu visitava amiúde por causa dos negócios. Um dia entrou-me pelo escritório adentro anunciando, agora seremos colegas, fui contratado pelo Sr. Pereira para ser o seu braço direito.

Ele vivia um vida dupla, pois tinha a mulher em casa, mas passava a vida com a namorada, a menina Engrácia que nesta altura já era menina para ter uns 30 anos de idade. mesmo com uma namorada fora de portas e a legítima dentro das mesmas, ele ainda sonhava com outras aventuras. E assim, um belo dia, subiu ao telhado da sua casa para ver uma coisa que o andava a incomodar. À mulher disse que era uma mancha a aparecer na parede do quarto de banho, o que poderia significar uma telha partida.

Mas qual telha, qual carapuça, ele foi espreitar por uma pequena janela da casa do vizinho que dava para o quarto de banho e tentar ver a filha deste a tomar banho. Não sei como ele descobriu isso, talvez por mero acaso, mas começou a meter-se-lhe na cabeça que tinha que ver a miúda, muazinha como veio ao mundo, e lá foi ele mais uma vez encostar a escada e subir para cima do telhado. E esta foi a última vez que o fez, pois escorregou  e veio parar cá abaixo, estrampalhando-se todo no chão de cimento do seu pátio. Quebrou a coluna e ... ponto final nas aventuras de Casanova.

A notícia chegou ao nosso escritório, mas o Manel só apareceu, cerca de um ano mais tarde, a tocar uma cadeira de rodas que era agora o seu meio de transporte que substituíra o seu descapotável vermelho. E com ele trazia a, já vossa conhecida D. Engrácia que carregava a bolsa dos pertences do seu apaixonado e ajudava com as manobras da sua nova viatura. Mais tarde, alargaríamos as portas e os corredores, entre secretárias, para lhe ser mais fácil deslocar-se. A casa de banho também objecto de algumas modificações para lhe permitir entrar de cadeira de rodas e mexer-se a seu contento.

Toda a gente ficou admirada com a entrada da casal, assim de rompante, pois sabia o homem casado e ainda a viver com a sua legítima esposa. mas depressa veio a saber-se toda a história. Nos meses em que esteve hospitalizado recebia as visitas, ora da mulher, ora da amante (a partir de agora é assim que a passarei a tratar). Só que um dia, a mulher entrou na enfermaria e viu o seu marido segurar entre as suas a mãozinha (?) da querida Engrácia. E aí entornou-se o caldo.

Depois da hospitalização, passou uns meses em casa e a situação desanuviou-se um pouco, mas mal ele pôde pôr um pé na rua foi logo ter com a sua Julieta e quando isso chegou aos ouvidos da mulher pôs-se um ponto final naquela situação. Ele teve que procurar outra pousada e a Engraciazinha acompanhou-o. Pouco depois compareceu na nossa empresa para retomar as suas funções, coisa que na prática nunca aconteceu. Com as suas actuais limitações embraçava mais do que ajudava no escritório e depressa foi nomeado como encarregado da máquina de fotocópias.

Só nessa fase da sua vida, eu conheci a D. Engrácia que agora funcionava como uma respeitável senhora casada que cumpria à risca todos os deveres para com o marido paraplégico. A trança preta, há muito, tinha ido à vida e tinha agora uma farta cabeleira loira, ligeiramente ondulada. Usava roupas muito na moda e nunca descalçava os sapatos de tacões altíssimos que lhe faziam sobressair os gêmeos. Era assim uma versão de Lili Caneças com metade da idade desta.

Só que a D. Engrácia tinha um problema que lhe criou um complexo difícil de ultrapassar. Aquela famosa trança que usava na sua juventude era sinónimo de uma pujança capilar acima da média e isso fazia-a correr, amiúde, para o instituto de beleza para remover as incómodas pilosidades. Pilosidades que em pouco tempo teimavam em reaparecer, especialmente por cima do seu lábio superior. À conta disso ganhou a alcunha de Miss Bigodes e teve muitas zangas com as colegas que olhavam para ela de canto. Se calhar mais pela ligação com o Manel engatatão do que pelo bigode que teimava em voltar sempre a aparecer.

Pouco depois da viragem do milénio, saí da empresa para a reforma antecipada e lá deixei o Manel e a D. Engrácia, cada um com os seus problemas e procurando resolvê-los sem a minha ajuda. Poucos anos depois morria o Manel, depois de milhentas infecções na bexiga que ficou a ser o seu maior problema depois do acidente. A D. Engrácia, agora uma respeitável viúva, ainda deve andar por aí, pois ter-me-iam avidado se ele tivesse morrido!

domingo, 4 de junho de 2023

Luto!

 


Ontem, fiquei de luto pelo meu amigo Braulio que faleceu na terça-feira e foi cremado na sexta, no cemitério dos Olivais. Por isso não escrevi nada, sentia-me ... depressivo e não vos queria passar esse sentimento que era só meu.

O Braulio era um bom rapaz e um bom amigo, ele falava pouco, não chateava ninguém e cumpria o seu dever como poucos. Para além disso ainda me convidava a comer uns figos e beber um trago de aguardente de figo que os pais lhe enviavam de quando em vez.

Começo a acreditar que aquela conversa de só morrerem os bons é a mais pura verdade. Da maneira que vemos o mundo, com Putins e outros que tais, só pode ser por causa disso, os bons morrem e só ficam cá os maus para nos atazanar a vida.

A acrescentar à morte e posterior cremação do Braulio há ainda o caso do meu primo Zé Risso (que vocês não fazem a menor ideia de quem seja) que nasceu no mesmo ano que eu e sofreu um AVC que o atirou para uma cama do hospital. Estava o Braulio a entrar no forno e eu a subir no elevador até ao 5º andar para ver com os meus olhos como estava o primo. Pois, não estava muito bem, todo entubado, todo picado, todo pisado e com uns olhos que olharam para mim e não me reconheceram.

Há dias assim e quando calha a uma sexta-feira soam as campainhas do alarme para nos lembrar que foi numa sexta-feira que Jesus subiu ao Calvário e foi crucificado. Também altura e nesse lugar havia um grande número de maus que gritavam: - crucificai-o! A maior parte nem sequer fazia ideia do que se passava, faz-me lembrar da quantidade de portugueses que voltariam a votar no Costa se houvesse eleições depois das férias de verão. O que nos vale é o Marcelo ser uma espécie de Pilatos que lava as mãos e evita tomar uma decisão.

Desculpem lá este arrazoado que não era minha intenção trazer para aqui, mas essa do Braulio ser cremado e virar cinza, em vez de retornar ao pó da terra de onde veio, não me sai da cabeça. Já nem me lembro muito bem qual era o tópico que tinha escolhido para a minha crónica domingueira e parece-me ser tarde para voltar atrás e começar do princípio. Ordenar os nossos pensamentos, numa altura destas, não é um exercício fácil, eles fogem ao nosso controlo por mais que o tentemos evitar.

Bem, amanhã é segunda-feira e uma nova semana começa. Pode ser que seja uma semana boa e apague os sinais de tristeza com que acabou esta!

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Visão futurista!

 


A Christine Lagarde que é a manda-chuva do BCE diz que o mais provável é os juros continuarem a subir (mais um pouquinho), vamos numa viagem que ainda não chegou ao fim. O ministro das finanças do último governo de Sócrates, aquele beiçudo que ajudou a enterrar-nos em dívidas, veio avisar que acha que os juros podem descer 25 pontos base, já na próxima mexida que se adivinha para breve. Um dos dois anda a enganar-nos e eu confio mais na francesa que no beiçudo da Maia.

Hoje, acordei a pensar como seria a década de 60 deste século por contraponto com a do século passado, época em que deixei de ser estudante e entrei no mundo real, aquele em que era preciso levantar cedo e ir trabalhar para garantir o pão-nosso-de-cada-dia. Em Julho de 1960 fiz o meu exame de 5º Ano no Liceu Nacional da Póvoa de Varzim e regressei à aldeia onde nasci e de onde tinha saído com 11 anos de idade. Algumas coisas já tinham mudado muito, havia luz eléctrica em quase todas as casas e a estrada que ligava à sede do concelho tinha sido alcatroada. Os automóveis eram raros ainda, mas havia uma camioneta da carreira que ia e vinha 2 ou 3 vezes ao dia.

Na minha visão futurista que se expandia perante os meus olhos, ainda mal abertos e embaciados pelo sono de que acabara de sair, tudo era completamente diferente. O petróleo tinha passado à História e o combustível que movia o mundo era o H2 retirado da água. Tudo o que se mexia era tocado por este novo combustível obtido através da electrólise da água. Mas, em contrapartida havia menos água que em meados do século XX e esta era guardada como se fosse ouro e traficada como é hoje a cocaína ou heroína. A conversa sobre o aquecimento global andava um tanto esquecida, já que as emissões de gases tinham diminuido significativamente.

Em Portugal, viviam-se duas realidades muito diferentes, a norte do Tejo ainda havia água que dava para os gastos, mas a sul desse grande rio que cada vez deixava mais água em Espanha do que aquela que trazia para Portugal, vivia-se em grande parte de água do mar dessalinizada para o efeito. Ainda se podia passear pelo Gerês e ver a água correr pelas valetas, como foi desde que o mundo é mundo. O nosso governo tinha regulado o uso e aproveitamento da água de forma engenhosa, construindo algumas novas barragens mais pequenas e fazendo transvases entre elas para regularizar os caudais nos períodos mais críticos e nos lugares mais afectados pela seca.

Os sonhos são como nuvens que se movem nos céus com a ajuda do vento. Num instante eu tinha saltado de Portugal para Moçambique e olhava extasiado para o Clube Naval que tinha sido fundado na baía de Thungo, perto do lugar onde, no passado colonial, existiam as oficinas de apoio às lanchas da Marinha Portuguesa. Barcos e barquinhos a perder de vista, turistas de toda a África, da Ásia e da Europa a gozar o sossego e o maravilhoso clima daquele paraíso terreal.

O Lago Niassa é um dos maiores lagos africanos e por isso mesmo um enorme tesouro que tinha calhado em sorte a Moçambique. Na televisão corria o noticiário da hora de almoço e um qualquer político anunciava que o preço da água ia aumentar 10%, pois as negociações com o Malawi e a Tanzânia não tinham terminado da melhor forma e era necessário gerir a fatia de água que coube a Moçambique com o máximo cuidado. Nos últimos 30 anos, o nível do grande lago tinha descido substancialmente e não se previa que as coisas melhorassem no futuro próximo.

Tinha sido construida uma estrada circular que ligava Metangula a Meponda e Lichinga, pelo que era possível fazer uma viagem à capital do distrito via Meponda com regresso via Maniamba. Autocarros faziam a ligação a estas cidades que tinham crescido imenso com o turismo e a viagem que totalizava 240 Kms fazia-se com apenas um litro de água. Nos carros ligeiros um litro garantia quase mil Kms e nos barcos de recreio que se espalhavam pela baía era nulo o consumo, pois uma bomba apropriada cupava a água necessária, extraía o hidrogénio de que necessitava e devolvia o excedente ao lago.

Barcos à vela também existiam, pois velejar era um hábito deixado pelos velhos colonos portugueses que ainda contavam aos mais novos como o Vasco da Gama chegou de Lisboa à Índia sem outro combustível que não fosse o vento. E também kitesurf para os mais radicais que gostavam de armar ao pingarelho e exibir os músculos para garina ver.

Todos os aumentos de preço são um problema e o da água em primeiro lugar, pois sendo cada vez mais rara ninguém podia viver sem ela. Para beber ainda havia a cerveja mas esta era feita com água e não tardaria que o preço subisse também. E para tomar banho e tirar o  cheiro a catinga a água era indispensável. Os sistemas de bombagem que existiam nas margens do Lago eram fiscalizados por uma esquadrilha de lanhas que não parava, dia e noite, e os contrabandistas que carregavam água, serra acima, para os lugares onde a não havia eram cada vez mais e mais atrevidos.

Os três países que circundavam o lago não se entendiam e cada um acusava o outro de usar mais água do que tinha sido estipulado no convénio firmado entre eles. O Malawi, ainda saudoso dos tempos da Niassalândia em que mandava sozinho em toda aquela riqueza, não via com bons olhos a água que Moçambique consumia. Tal como a velha questão das Ilhas de Likoma, eles acham que até bater nas praias moçambicanas toda a água é sua, Moçambique não teria direito nem a lavar os pés sem a sua ordem. Vá lá, vá lá que Portugal ainda conseguir resolver essa quezília, estabelecendo as suas águas territoriais, embora tendo que ceder a propriedade das tais ilhas que ficam dentro das águas moçambicanas.

Bem, como não podia ficar deitado na cama a olhar para o tecto e pensar nestas modernices todas, saltei da cama lavei a cara com água fresca e limpei a mente para enfrentar esta dia 2 de Junho de 2023, pois o ano de 2060 ainda vem longe e já não devo andar por cá nessa altura. A menos que alguém descubra a fonte da eterna juventude e me conte o segredo para eu ir lá beber um trago e ganhar anos de vida!

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Fim da linha!

 


Segui todas as pistas possíveis, consultei os mais conhecedores das Picadas do Niassa, encontrei o organizador dos convívios anuais do Batalhão a que pertenceu o Zé Gato e acabei de falar com ele ao telefone.

Infelizmente para descobrir que o Zé já partiu deste mundo, há alguns anos. Bem gostaria de saber se ele viveu uma vida normal, depois daquilo que lhe aconteceu na guerra, mas o meu interlocutor também não sabe. Como o Batalhão a que pertenciam saiu de Estremoz, é ali que realizam grande parte dos convívios e sendo um homem do norte (embora também não tenha descoberto onde era a sua residência) o nosso herói não era muito assíduo nesses eventos.

Falei também com o Manuel Sousa, outro membro do mesmo batalhão, que ficou ferido na mesma emboscada e vive, por causa disso, preso a uma cadeira de rodas, desde então. Um era condutor-auto, o outro especialista em transmissões e ambos foram feridos naquela picada que eu tão bem conheço, entre a missão anglicana de Messumba e a povoação de Nova Coimbra, onde estava acantonada uma das companhias do batalhão. Outro dos ocupantes dessas viaturas que foram emboscadas pelos "turras" da Frelimo era um furriel que morreu no local.

Vários escritos sobre a Guerra Colonial referem que aquela missão era um conhecido covil de turras. O padre dava-lhes abrigo e jogava com as autoridades portuguesas com um pau de dois bicos.

Os heróis da Guerra Colonial!

 Só quem por lá passou sabe o que foi aquilo. Mortos, feridos e estropiados, ora física ora moralmente. A cambada que nos governa, hoje, já nasceu depois do 25 de Abril e não sabe o que isso representou nas nossas vidas. Muitos aleijados continuam vivos e ninguém os vê como heróis, só os mortos têm direito a uma lembrança, uma estátua ou um mural, onde o seu nome foi cravado na pedra.



No meu último post falei do Zé Gato (José Augusto Tavares da Silva) que foi evacuado para a Metrópole com 5 buracos de bala no corpo. Esse ainda teve direito a um louvor e um prémio atribuido pelo governador de Moçambique, mas herói não é, porque teve a sorte de não morrer.

Não sabia nada deste amigo e camarada que vi pela última vez por volta do Natal de 1966 e, ontem, gastei o meu tempo a investigar até descobrir a que batalhão ele pertenceu e a sua identicação completa. Não foi muito difícil lá chegar, até o compadre Eduardo ajudou com um comentário em que confirmou que foi o Batalhão de Cavalaria 1879 que foi substituir o seu, em Metangula. O Zé ficou lá para o que desse e viesse e o meu compadre veio-se embora satisfeito da vida por se ter safado daquela enrascada sem mal de maior.

Ainda não descobri se o meu camarada do Exército é vivo ou morto, mas descobri a pessoa que tem organizado, ano após ano, o convívio do Batalhão e vou tentar o contacto com ela para saber o resto da história.

O Ministério da Defesa devia mandar compilar uma lista de todos os combatentes que entraram nesta guerra e guardá-la como coisa importante na Torre do Tombo. Se o não fizerem, dentro de alguns anos ninguém mais se lembrará disso, será uma memória distante, como a Batalha de La Lys, em que morreram milhares de portugueses, em defesa de uma causa que não era nossa.

Nota-se que o Exército tinha uma orgânica montada e as unidades mobilizadas estavam muito bem documentadas, algumas até com foto de perfil de cada membro. Ao contrário, na Marinha nem sabem por onde a gente andou. Saía à Ordem do Dia que íamos destacados para o Corpo de Marinheiros do Alfeite e daí desaparecíamos a caminho de África. O comandante Sanches de Baena quis publicar um livro com esses dados e os erros são aos montes, assim como as omissões. Há camaradas meus que passaram anos em África e segundo esse livro nunca saíram de Lisboa.

A esquadrilha de lanchas do Lago Niassa viu por lá passar centenas de filhos da escola, mas saber quem e quantos foram só o diabo é que sabe. E sem essas lanchas a vida dos soldados que fizeram serviço naquela área teria sido um inferno muito pior do que já foi. Sem transportes, sem mantimentos e perdidos a mil quilómetros do Oceano Índico, acontecer-lhe-ia o mesmo que a David Livingston, morreriam no caminho.

Talvez ainda volte a este assunto de novo, dependente daquilo que descobrir sobre o herói aqui referenciado!

quarta-feira, 31 de maio de 2023

O Zé Gato!

 

Pedi informações deste camarada a todo bicho careta que andou pelo Niassa nos anos de 1966 e 1967, mas ninguém soube dizer-me o que fora feito dele, depois de evacuado para o hospital de Nampula (suponho).

Quando regressei de Nampula, onde tinha passado dois meses em tratamento, disseram-me que tinha levado 5 tiros e fora evacuado. Mas ninguém sabia dizer-me se tinha sobrevivido ou morrera.

Agora, de surpresa, encontrei esta foto no Facebook que, pelo menos, me garante que daqueles tiros se safou.

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O Zé Gato com quem estabeleci uma relação de amizade pertencia à CCS (Companhia de Comando e Serviços) do Batalhão 1891 (salvo erro) que ficou estacionada em Metangula, enquanto que as companhias operacionais foram distribuidas por Maniamba, Nova Coimbra, Lunho, Cobué, etc.. Como o Exército não tinha instalações na povoação, os soldados montaram as suas tendas de campanha contra o muro da nossa Base (um muro em blocos de cimento com cerca de 1,70 m de altura) e ali permaneceram enquanto durou a comissão. A fila de tendas vinha do topo norte, em frente ao Bar do Neves, até ao portão da Base Naval.

Essa proximidade fez com que se estabelecessem relações de amizade entre soldados e marinheiros e , às vezes, convidávamos algum a jantar connosco o que era um acontecimento para eles, visto não terem instalações para dormir ou tomar as refeições, viviam como cães ao relento. Foi assim que conheci o Zé Gato, no último trimestre de 1966, e nos fizemos amigos. Depois eu adoeci, com paludismo e mais algumas complicações à mistura (acrescidas de uma boa dose de malandrice) e obriguei (?) o nosso médico a mandar-me para Nampula. Quando regressei, em Abril de 67, já tinha acontecido a emboscada em que o Zé foi ferido e evacuado para o hospital.

Normalmente, iam para o hospital de Vila Cabral, mas depois da triagem os mais graves seguiam para Nampula ou Lourenço Marques. Ele pode ter estado em Nampula ao mesmo tempo que eu e a dois passos da minha pessoa, mas não tendo conhecimento da sua chegada era impossível encontrarmo-nos. Aliás, nessa época era um entra e sai de feridos provocados pelo rebentamento de minas o que valeu ao Niassa o nome de Estado de Minas Gerais. Houve mais mortos e, especialmente, feridos nas minas que a tiro. Para os turras era mais fácil enterrar as minas e porem-se a salvo, do que enfrentar a nossa tropa a tiro em que eles saíam sempre a perder. Por piada, eu costumava dizer que eles não acertavam um tiro porque já iam a fugir quando puxavam o gatilho. A correr para um lado e disparar para o outro não é fácil afinar a pontaria.

O Zé Gato foi ferido com uma rajada de metralhadora e ficou com 5 buracos de bala (segundo me contaram os seus camaradas) e não na emboscada que deu origem ao louvor recebido que podem ler acima e que saiu publicado, em Fevereiro de 1968, no Jornal do Exército. Depois de passar pelo hospital moçambicano deve ter sido evacuado para a Metrópole e acabado a sua comissão um ano mais cedo que o previsto.

terça-feira, 30 de maio de 2023

Outro campeonato!

 No futebol ganhou o Benfica que é grande, enorme e GLORIOSO!

E na política ganhou quem? Não se sabe, ninguém sabe, o povinho anda a reboque dos interesses mais obscuros. Veja-se o caso Tuti Fruti, o novo anátema da nossa política. Todos feitos uns com os outros para chegar a brasa à sua sardinha e lixar o Zé Povinho de uma ou outra forma.

Aqui ao lado, na terra de nuestros hermanos, vive-se uma situação semelhante, um governo de geringonça que já se adivinhava que cairia, mais dia menos dia. Caiu este fim de semana com as eleições regionais. E agora só têm um caminho, virar à direita. Os nossos comentadores já vêem nesse facto alguma semelhança e preconizam que vamos seguir-lhes o exemplo.

O Montenegro, como surfista experimentado em política - ele nunca fez outra coisa na vida, saiu da escola para a política e lá continua - quis aproveitar a onda e aparecer aos portugueses como aquilo que o Professor Cavaco anunciou, a única mezinha para o mal português, o salvador da Pátria. Mas a coisa não lhe correu muito bem. Ele diz que não quer alianças com ninguém, porque quer ganhar as eleições e formar governo sozinho.

Ora isso, digo eu, está mais longe que nunca, o Povo não acredita em salvadores e este tem cara de charlatão. O primeiro sinal que deu foi comprar uma casinha em ruínas e construir-lhe em cima um casarão sem pagar os devidos impostos. E o Povo que não consegue fugir a nenhum deles, desde o IMI, o IUC, o IVA, sem esquecer o IRS que leva uma fatia do ordenado todos os meses do ano (e são 14) para os cofres das Finanças, fica logo desconfiado. Ele, como o Cavaco (que tem uma bruta mansão na Quinta da Coelha) fizeram o seu ninho sem pagar o devido preço, habilidades que só eles conhecem.

Mais tarde ou mais cedo, o Povo vai ser chamado às urnas e vai ser, de novo, obrigado a escolher o Costa (ou quem lhe suceder) talvez com uma aliança com a Mariana Mortágua que é a outra força de esquerda que se conhece. Desta vez, para formar a geringonça nem terão que recorrer ao PCP, pois esse partido vai a caminho da extinção, como aconteceu ao CDS. À direita um saco de gatos, formado pelo PSD, Chega e IL, cada um a achar-se melhor que o outro e sem verdadeiros políticos capazes de governar o país. A coisa está mal e vai de mal a pior.

Antes das férias anuais, o PR vai reunir o Conselho de Estado e veremos o que este órgão consultivo aconselhará a fazer. Obrigar o Costa a uma grande remodelação que passará por tirar da ribalta os Galambas, Medinas e outros que tais do governo, ou então dissolver o Parlamento e convocar novas eleições. Esta última hipótese não agrada ao Marcelo, mas talvez servisse para uma coisa, retirar a maioria ao PS, o que já seria um grande ganho para nós que estamos fartiiiiiiinhos do Costa até à medula.

O André Ventura sonha em ultrapassar o PSD nas urnas, coisa que pode acontecer. O Luís Montenegro quer governar sozinho, sem alianças, o que nunca acontecerá. O Rui Rocha, novo líder da IL, ainda está muito verde e eu diria que o partido vai retroceder nas próximas eleições. Pensar numa aliança tripartida, podo-os a ler a mesma cartilha - mais ou menos como tem acontecido na Itália - seria um modo de destronar o Costa, mas duvido que o façam.

Para mal dos nossos pecados que continuaremos a ser cozidos em lume brando, até à chegada de um novo Salazar! 

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Como será no céu?

 No verão passado morreu o meu amigo Barbosa, foi ter com o Valter que lá esperava por ele, há alguns anos. Será que se conseguiram encontrar-se no meio de tanta gente de todos os tamanhos, cores e credos? Se aquilo estiver bem organizado, não devem andar hindús e budistas misturados com cristãos e muçulmanos.

Há dias, ia eu a conduzir, com a minha cara metade sentada ao meu lado e a conversa veio não sei de onde, mas ela respondeu-me: - Nem penses, lá em cima são todos iguais e não têm sexo nem cor. E mais, acrescentou ela, ninguém conhece ninguém.

Foi como uma martelada no alto da minha cachola que já andava a imaginar como seria o nosso encontro, quando o S. Pedro me mandar a Guia de Marcha para me apresentar lá em cima. O Silveira também já lá está e seria um encontro fenomenal, tal e qual como quando estávamos em Metangula, a emborcar umas "biéres" para combater a sede e o calor, nos tempos idos da Guerra Colonial. Como andávamos sempre juntos, o S. Pedro teria essa consideração para comigo, quando eu lá chegasse e dir-me-ia: segue por aquela vereda, ali à direita, que eles estão lá ao fundo.

Mas a minha mulher garante que não é nada assim e eu fiquei sem saber se é só para me chatear ou, pelo contrário, é a verdade verdadinha e no céu ninguém se conhece nem nutre qualquer sentimento pelo colega da frente, de trás, da esquerda ou da direita, Todos branquinhos com um lençol pela cabeça e umas asinhas pregadas nas costas. Será que as asas são presas com cola, aparafusadas ou pregadas com pregos de aço inox (para não ganharem ferrugem)? Por vezes, quando não tenho nada mais importante em que pensar, vêm-me estas doideiras e fico preocupado.

Lá em cima, não há muito que fazer, não se come nem se bebe e não há latrinas para limpar. A população é composta por santos e anjos, além da família real, composta por Deus-Pai, o seu filho e a respectiva mãe, além do Espírito Santo que é invisível e não ocupa espaço. As forças da ordem são compostas por querubins e arcanjos, sendo os primeiros uma espécie de sargentos da tropa e os arcanjos são anjos promovidos ao posto seguinte, ou seja, uma espécie de cabos. Os santos são o público e os anjos cantam hossanas e tocam arpa ou corneta para os entreter e também agradecer por terem levado, na Terra, uma vida de santidade, e sacrifício, ajudando o próximo e ensinando-o a fugir dos perigos mundanos.

Ah, ia-me esquecendo que uma catrefada deles trabalha cá em baixo, pois cada um de nós tem sempre um anjo da guarda ao seu lado e estamos quase a ultrapassar a marca de 8 mil milhões de habitantes. E deve ser sempre o mesmo para cada um dos terrestres, senão seria uma trapalhada formidável para organizar esse serviço. Se a coisa corresse mal ficariam como os hospitais portugueses, onde nunca aparecem os médicos ou os enfermeiros e anda todo o mundo à nora.

A minha mulher tem outra teoria e, embora eu não lhe tenha perguntado, ela foi-me logo informando que no céu não há ninguém, a alma de uma pessoa que acabou de morrer entra no corpo da uma criança que está a nascer, naquele momento, em qualquer parte do mundo. Uma renovação constante que só me deixa uma dúvida, quem faz companhia à família celestial? Se estão e ficarão sozinhos por toda a eternidade aquilo deve ser uma seca de todo o tamanho.

E nessa situação para onde foram os meus amigos e camaradas da guerra? Cada um para seu lado e sem nunca estarem juntos, ou incarnaram em crianças da sua cidade e continuam próximos da família e amigos com quem partilharam a vida? A dúvida vai ficar comigo até ao dia que lá chegar acima e o S. Pedro me contar como funcionam as coisas no Reino de Deus!

domingo, 28 de maio de 2023

Balanço Final!

 


E decorridas as 34 jornadas ficaram assim ordenadas as 7 primeiras equipas.
As 4 de cima com mais de 70 pontos e as 3 de baixo com menos de 60 ontos.
E com os 2 primeiros destacados com mais de 80 pontos.

No fim da lista os 3 menos bem sucedidos da época.
O Marítimo da Madeira que ainda vai disputar a hipótese de se manter junto dos grandes disputando uma eliminatório com o 3 º classificado da II Liga.
Os últimos 2 já estão na lista da II Liga para a época 23/24.

The day after!

 

O golpe de Estado de 28 de Maio de 1926, Revolução de 28 de Maio de 1926, ou Movimento de 28 de Maio de 1926, também conhecido pelos seus executores por Revolução Nacional, foi um golpe de Estado protagonizado por militares e civis antiliberais que resultou na queda da Primeira República Portuguesa e na instauração da Segunda República Portuguesa, e por fim transformada, após a aprovação da Constituição de 1933, em Estado Novo.


Uma vez, li em qualquer lado que o bom é esperar pela festa e não a festa em si. A ansiedade com que se espera o acontecimento e a azáfama com que se prepara tudo são as coisas que dão interesse e nos mantêm em brasa. Depois da festa, fica uma sensação de vazio, como se não houvesse mais nada que nos dê alegria.

É um pouco assim que me sinto, hoje, depois de uma longa caminhada com altos e baixos, felizmente mais daqueles que destes, até chegar ao título de campeão nacional. Ontem, durante o jogo do título, apetecia-me mais malhar no Porto que dar vivas ao Benfica. Os trafulhas do Pintinho sabem a música toda e bem sei os riscos que corremos, ao longo de toda a época.

Nomear um árbitro, reconhecidamente portista, para arbitrar o jogo do título foi mais um golpe que, por sorte, não deu os resultados esperados. Começar o jogo com uma expulsão aos 2 minutos de jogo e obrigar o Vitória a jogar com 10, do princípio ao fim, foi como cortar um dos braços a um espadachim. Se a ideia era ganhar e por muitos golos de diferença, também aqui a estimativa lhes saiu defraudada.

O Benfica, por diversas razões, teve momentos em que quase foi abaixo (moralmente falando), mas sem dúvida alguma foi a equipa que melhor futebol praticou, ao longo dos 9 meses que durou a prova. Assim, somos campeões e com todo o mérito. Os inimigos (como eles próprios se consideram) que fiquem a lamber as feridas para, em Agosto, se apresentarem ao público em melhor forma do que fizeram na época que ontem terminou.

Comecei esta publicação com um texto sobre a primeira revolução nacional que tivemos no Século XX e era disso que queria falar-vos, mas o bichinho do futebol arrastou-me para outro lado. Podias ter deixado isso para uma outra publicação, dirão vocês que talvez não sintam estas coisas como eu. Pois podia, mas não seria a mesma coisa (como dizia o outro).

A I República, a que substituiu a Monarquia, em Outubro de 1910, foi um desastre e levou o país a uma situação parecida à que vivemos hoje, um pântano político em que não autoridade no Estado e o Povo reclama por mudança. A panela de pressão já estava ao lume, há quase dois anos, e a pressão atingiu os seu limite neste dia que hoje comemoramos.

Claro que o resultado foi trazer-nos o Salazar e o Estado Novo, mas, como diz o Povo, para grandes males grandes remédios. E em Abril de 1974, outra revolução reporia a situação anterior, com algumas diferenças significativas, mas que nos levou de volta ao ano de 1926. Estamos de novo na lama e precisamos que alguém nos tire de lá. Será o André Ventura uma espécie de Gomes da Costa que tome a dianteira e corra com os corruptos e rebaldeiros que hoje nos governam? Falta-lhe a força das armas, mas o resto ele tem!

sábado, 27 de maio de 2023

É hoje!

 


Que vou pôr a paranoia clubística para trás das costas. Quando a gente quer ganhar tem que pôr de lado todas as outras hipóteses e pensar apenas que a vitória está garantida.

Sieger, sieger Heil! Isto gritam os alemães e deve ser o mesmo que vai pela cabeça do treinador benfiquista, ou não fosse ele alemão! Viva o campeão!

Durante toda a semana, os comentadores desportivos teceram os mais diversos cenários, incluindo uma vitória do FCP por uns tremendos 15 a 0 sobre o Guimarães. E que tal se o Benfica empatar? Chega ou precisa de mais alguma coisa? Engraçado, mas nenhum colocou (a sério) a hipótese do Porto perder ou sequer empatar o jogo, o que será mais plausível do que ver o Benfica perder, em sua casa, com a equipa que já foi despromovida.

É assim a porka da vida, tudo a puxar pelo clube dos mais corruptos e aldrabões do nosso futebol. E o velho presidente que ficaria melhor em casa, instalado no conforto da sua sala de estar, com um ecran gigante para bem poder apreciar as trapaças dos seus "apaniguados". É que eles fazem tanto teatro, rebolam-se pelo chão com tal habilidade que merecem uma salva de palmas. E aquele truque do Taremi, dando um salto para a frente das pernas do defesa para este o fazer cair e ganhar mais um penalty, também está no cardápio para a exibição desta tarde de sábado.

Depois, por volta das 20.00 horas, tudo terá terminado, uns chorando a sua desdita, os outros vangloriando-se da sua conquista. E a polícia, em Lisboa, fechando todos os caminhos que vão dar ao Marquês para estragar a festa aos adeptos da águia. Mas nada os impedirá, pois lá chegarão, nem que seja preciso ir a voar, pois o espírito da águia está com eles.

Dos fracos não reza a História, soe dizer-se, e assim será mais uma vez. Glória aos vencidos só em Roma, antes de atirar os gladiadores aos leões! Aqui, os derrotados têm que resignar-se à sua sorte e tentar fazer melhor para o ano.

Hoje é o dia de levantar a taça e gritar CAMPEÃO, CAMPEÃO, CAMPEÃO !!!

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Eu, poeta!

Contrariamente ao que afirmou a Janita, no seu comentário, a minha mão piorou e estou cheio de dores. Assim fiquem-se com esta pobre amostra dos meus dotes para a Poesia que eu vou-me recolher!


Hoje há feira em Barcelos
Vendem-se toalhas de linho
Galos pintados tão belos
E móveis de pau de pinho!

quinta-feira, 25 de maio de 2023

O Portugal das Mulheres!

Filha do conde Diogo Fernandes e da condessa Onega ou Onecca, possivelmente tia do rei Ramiro II de Leão, foi uma célebre e rica mulher, a mais poderosa no Noroeste da Península Ibérica, é reconhecida por várias cidades portuguesas devido ao seu registo e acção.

Mumadona casou entre 915 e 920 e antes de 23 de fevereiro de 926 — altura em que aparecem juntos pela primeira vez - com o conde Hermenegildo Gonçalves, passando, porém, a governar o condado sozinha após o falecimento do seu esposo entre 943 (quando o conde aparece pela última vez) e 950, o ano quando Mumadona, já viúva, fez a partilha com seus filhos dos bens herdados. O conde Hermenegildo deixou-a na posse de inúmeros domínios, numa área que coincidia sensivelmente com zonas que integrariam os posteriores condados de Portucale e de Coimbra.

Entre a segunda metade de 950 e começo de 951, por inspiração piedosa, fundou, na sua herdade de Vimaranes, um mosteiro sob a invocação de São Mamede (Mosteiro de São Mamede ou Mosteiro de Guimarães), onde, mais tarde, professou. Pouco depois de 959, para a proteção desse mosteiro e das suas gentes contra as incursões dos normandos, determinou a construção do Castelo de Guimarães, também chamado Castelo de São Mamede, à sombra do qual se desenvolveu o burgo de Guimarães, vindo a ser sede da corte dos condes de Portucale.


Às quintas-feiras o pensamento foge-me para Barcelos, a minha terra natal. Talvez seja por causa da feira - a mais importante e mais frequentada de todo o Minho - ou seja a  voz dos meus antepassados que clama por mim e exige a minha presença para lhes prestar as honras devidas. O mais provável é que daqui a um par de horas me faça ao caminho e vá feirar um pouquinho e deixar os meus pensamentos recuar no tempo, até ao século X.

A História de Portugal começa com o jovem Afonso Henriques e a sua mãe D. Teresa que era a reconhecida dona do Condado Portucalense, ou seja, a primeira mulher que detinha o poder sobre a terra onde eu, 10 séculos mais tarde, viria a nascer.

Mas uns bons duzentos anos antes dela, já essas terras eram dominadas por outra mulher que é, de facto e de direito, a primeira "mulher mandona" que consta da nossa história. Ainda o futuro pequeno país que hoje somos era apenas um Condado e a Condessa Mumadona era quem riscava (dava as ordens) por estas bandas.

O primeiro parágrafo desta minha publicação conta um pouco da sua história e foi transcrito do Infopédia, para que não digam que eu sou um inventor e nada do que eu digo tem qualquer valor histórico. Quando eu era pequenino ninguém me perguntou nem eu saberia responder, mas se a pergunta me fosse feita hoje, eu responderia que queria ser historiador. Não há nada que me dê mais prazer do que escrever sobre factos históricos. Se eu vivesse em Lisboa passaria o meu tempo livre a folhear documentos antigos, na Torre do Tombo, para descobrir alguma pista que outros ainda não conseguiram vislumbrar e me desse a chance de escritos inéditos.

Como vivo muito longe, tenho que limitar-me a falar de ouvido, ou seja, puxar pela cachimónia e tentar lembrar conversas que ouvi aos mais velhos, aqueles que nasceram no século XIX e nunca aprenderam a ler nem escrever. Hoje parece um contrasenso dizer isso, mas não ser letrado deu a essas pessoas a capacidade de transmitir a sua História por via oral. E felizes daqueles que a ouviram e têm boa memória, onde coube essa informação e assim a transportaram até ao século XXI em que vivemos.

Gabo-me de ser uma dessas pessoas, o meu cérebro tem uma capacidade quase ilimitada de guardar dados e poder transmiti-los em letra de forma, sempre que isso seja necessário ou útil. Foi assim que hoje me deu para abrir o livro das minhas memórias e com a ajuda das ferramentas mais modernas ( O Sr. Google, os computadores e a Wikipédia - e sacar a página referente à Condessa Mumadona (ou seria Dona Muma?) Dias que era quem mandava em Barcelos, onde já deveria funcionar a feira semanal, tal e qual como funciona hoje, embora só produtos agrícolas, artigos de olaria ou tecidos de linho e ferramentas em ferro forjado enchessem os escaparates.

Venham a Barcelos comigo (nem que seja só em pensamento)!

O lar de Mumadona Dias

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Que ricos anjinhos!

É uma parábola humorística na qual o protagonista, Calisto, um fidalgo austero e conservador, encarna de maneira satírica o povo português. Ao ser eleito deputado, Calisto vai para Lisboa, onde se deixa corromper pelo luxo e pelo prazer que imperam na capital. Torna-se amante de uma prima distante, Ifigénia, nascida no Brasil, uma relação reprovada pela sociedade puritana portuguesa. Outra atitude que provoca os princípios portugueses é a transição do personagem da posição política miguelista (e de oposição) para a do partido liberal, no governo. Ironicamente, a esposa de Calisto, Teodora, uma aldeã prosaica, imita-o na devassidão e é igualmente corrompida. Ao ser ignorada por Calisto, sucumbe ao prazer da modernidade juntamente com um primo interesseiro com quem passa a ter um relacionamento.

O meu professor de Português, no 5º Ano do Curso dos Liceus, achava-se um escritor com mérito. Tinha escrito apenas um pequeno livro que contava uma passagem da vida de Camões. Camões na Índia se chamava a obra que ele vendia como se fosse um Nobel da Literatura Portuguesa. Mas não era, acho que até eu seria capaz de escrever coisa semelhante. O nome do professor era Augusto Dias, mas ficou mais conhecido pela alcunha de "Chico Pipa" que era devida ao seu aspecto rotundo, tal e qual como uma pipa daquelas que o povo do Minho usa para guardar o vinho. Há pipos e pipas, sendo os primeiros se ficam pela capacidade de meia pipa e a pipa corresponde a 500 litros, ou seja, muita vinhaça.

Mas isso das pipas e do vinho não vem ao caso, pois o tema é Literatura e da boa. O Chico Pipa e outros professores que tive antes dele ensinaram-me muitas coisas, a começar pela nossa Língua-Mãe, o Latim que nos ensina a origem das palavras e nos ajuda a escrevê-las sem erros. Mas coube ao Chico Pipa explicar-me a História da Literatura Portuguesa - grande seca! - e dar-me a conhecer escritores como o Eça, o Camilo, o Júlio Dinis ou o Antero de Quental. Na altura estava mais interessado em frequentar os cinemas, no inverno, ou ir para a praia, no verão, mas fui guardando na minha bagagem aquilo que me ensinava e quando tive a oportunidade comprei os livros e li-os todos com sofreguidão, talvez sonhando em ser, um dia, como eles e ter quem me lesse no futuro.

Engano meu, estou quase a chegar ao fim dos meus dias e tudo que consegui foi ser escritor de blogs (que quase ninguém lê). E nos blogs tenho escrito centenas, talvez milhares, de páginas sobre os mais diversos assuntos. Na actualidade, o tema mais abordado é a política, por razões óbvias, e a minha publicação de hoje vai por esse caminho. O último livro do Camilo Castelo Branco que adquiri foi «A Queda de um Anjo» e trata de política que me remete para a actualidade do nosso Parlamento e seus parlamentares.

O primeiro parágrafo desta minha publicação foi transcrito da Wikipédia e é uma espécie de sinopse do livro. E não é difícil de nos fazer lembrar algumas personagens da nossa vida política actual, como o Costa, o Medina, o Pedro Nuno Santos e outros que tais. Eles vieram cheios de ideais (socialistas) e de muito boas intenções para melhorar a vida do seu Povo, mas habituaram-se ao bem-bom e depressa se esqueceram do ideal que os guiara até à Política e da felicidade do seu Povo por que deviam lutar com todas as suas forças e capacidades.

Hoje, basta-nos ligar a TV para assistir à queda de anjos que parecem estrelas cadentes numa noite de Lua Nova e sem nuvens no céu. Ontem, à noite, a CNN Portugal encarregou-se de abrir o livro sobre a corrupção em alta escala, organizada pelos boys do PSD com a ajuda dos outros boys, este do PS, para dominar as Juntas de Freguesia da capital e interferir nos orçamentos, adjudicação de obras, emissão de licenças de construção e por aí fora. E com dois ministros do actual governo ao comando das operações. Mais dois anjos que se precipitaram no abismo.

Se me sentisse um Camilo, começaria hoje mesmo a escrever a história e no título só teria que mudar as palavras "Um Anjo" para "Dois Anjos". Não sei se algum dos artistas implicados é transmontano, mas isso pouco interessa, pois vieram para Lisboa e depressa aprenderam o que é libertinagem e se deixaram enredar nos seu vícios.

Divirtam-se que os dias só continuam a crescer até 20 de Junho, já pouco falta, e depois é sempre a encolher, até ao Natal!

terça-feira, 23 de maio de 2023

A política e os políticos!

 


Hoje, deu-me para pensar em política. E no facto de o velho Jerónimo ter desaparecido de cena como se tivesse morrido e anonimamente enterrado em qualquer lado. Desde o dia em que entregou o cargo ao Raimundo, mais ninguém lhe pôs a vista em cima.

Já, em contraponto, temos a múmia algarvia que continua a aparecer sempre que tem ocasião e vem assombrar o sono dos portugueses que não gostam dela, nem um bocadinho, assim do tamanho da unha do dedo mindinho.

Os rapazes do PS mostram-se bem comportados e obedecem às ordens do chefe que vai distribuindo cargos e benesses entre eles, pois sabe que eles são o seu suporte no pódio da política lusa.

Já os rapazes do PSD roem-se todos por um lugarzinho ao sol, mas escolheram mal o seu líder que mal visto como o mafarrico. Com o Louis Montnoir não vão a lado nenhum, pois o nosso povinho não engraçou com ele e nem com a ajuda da "Múmia" lá vai.

A rapariga do PAN quer também representar os Verdes de Portugal, mas estes estão encostados aos comunas do Jerónimo, perdão, do Raimundo, desde há muitos anos e ainda não decidiram desinscrever-se de um e inscrever-se no outro partido. Talvez por acharem a rapariga está um bocadinho gorda demais para defender a Ecologia e um modo de vida saudável.

A Catarina dos olhos redondinhos e cor indefinida, entre o verde e o azul, decidiu que 10 anos de política já são suficientes e quer retirar-se. Eu já o teria aconselhado há muito, pois a política "fede que tolhe", como se diz na terra que me viu nascer. Aguardo com ansiedade essa mudança, pois o BE foi muitas vezes o meu refúgio para evitar dar o voto aos comilões do costume que não largam a gamela.

E a Mariana, filha do Camilo de má fama, pretensa nova líder do BE, é uma barra em Economia, mas auto-excluiu-se da Comissão de Investigação à TAP para deixar entrar o Ventura do Chega. Juro que não percebi a estratégia!

E este rapaz, o líder do Chega, ganhou fama por ser benfiquista e arrasar os adversários do Porto e Sporting na velhinha TVI24.. Agora dizem que ele é da Extrema Direita e não sei mais o quê, mas ele apenas disse que «chega deste forrobodó socialista» a que o PSD não consegue pôr termo. Nisso e no amor pelo Benfica estou com ele. Fora com esta cambada de corruptos que cobram impostos altíssimos e depois deixam escapar o dinheiro por entre os dedos, como se fosse areia da praia. E, pelo caminho. vão aproveitando todas as negociatas que lhes aparecem pela frente para meter uns cobres ao bolso. As Obras Públicas são um manancial inesgotável, desde o Poder Central ao mais pequeno e insignificante município do território português. Uma rotunda, um chafariz ou um fontanário, os pavimentos e as escolas são uma infinidade de maneiras de ir buscar uns trocos.

E se este descontentamento popular continuar pelo caminho que tem vindo a seguir, até pode acontecer que o Chega ultrapasse o PSD nas próximas eleições. E não é mérito do Ventura, mas demérito de quem lidera os outros partidos.

E o Prof Marcelo anda por aí a dar beijos e fazer selfies!!!   

domingo, 21 de maio de 2023

Temos pena!

 


Hoje, não vai haver crónica, tenho tantas dores na mão que nem consigo pensar!

Ainda por cima o Gil perdeu (já depois dos 90 minutos) e o Benfica só não perdeu por milagre!

Espero bem que no próximo fim de semana possamos fazer a festa, é a nossa última chance.

Amem.se uns aos outros, como Cristo aconselhou. Se fizerem isso viveremos no céu!

K ganda seca!


 Hoje, é o dia que eu mais procurei evitar, durante os meus 6 anos de Marinha. Passar o dia numa espera sem fim, apanhar sol ou chuva pela cabeça abaixo sem refilar, fazer apresentar armas várias vezes e ouvir aquele toque da requinta que parece gritar : ena cum car#?!*. A esse toque de ordem um militar bate os tacões, junta as pernas e estende os braços ao longo do corpo, ficando imóvel como uma estátua. A rapaziada a quem calhar essa ração, hoje, estará dentro em pouco, junto ao rio Douro, sempre em formatura, à espera que soe o toque de "ordinário marche" para marchar em direcção à tribuna, onde os cabeças grandes do Porto, da Marinha e da Nação os verão passar sem dar o menor valor ao que passaram, desde o toque de Alvorada até ao momento em que obedecem à ordem de: Companhia, olhar à direita!

Só depois disso, já perto das duas da tarde, ficarão livres do imbróglio e poderão descansar e pôr de lado a G3 (talvez agora seja a FN) para ir confortar o estômago num qualquer lugar que a Marinha pôs ao seu dispôr. Os cabeças grandes , além de terem passado o tempo sentados na tribuna e abrigados por um toldo para lhes proteger a cabeça do sol inclemente, ainda terão direito a um almoço melhorado que o dinheiro dos contribuintes pagará sem hesitar.

Gostava de ir até lá recordar os velhos tempos, mas acredito que o trânsito estará cortado em toda a zona e a pé não consigo lá ir. É preciso cerca de um quilómetro para dispor as forças em parada, enquanto esperam pelo desfile, ou seja, um quilómetro de distância da Alfândega em direcção à Foz. Vão estar milhares de pessoas alinhadas na margem do Douro, à espera que as tropas comecem a marchar, portanto, até a pé será difícil uma pessoa mexer-se ali.

Está dito e escrito, fico em casa e verei na TV aquilo que as televisões acharem por bem transmitir!!!

sábado, 20 de maio de 2023

O Sr. Roskopf!

 


A exemplo do que aconteceu com os automóveis, em que nasceu o Volkswagen para gente de poucas posses, também na  relojoaria se passou coisa idêntica. Os relógios suíços, sem dúvida nenhuma, eram e continuam a ser umas máquinas impecáveis que não tem comparação no mundo. Só que não estavam ao alcance de qualquer bolsa e aí o Sr. Roskopf que podem ver na imagem aqui ao lado, apareceu para solucionar o problema. Com a sua arte e os seus conhecimentos conseguiu construir uma réplica do relógio suíço que era muito mais barato e funcionava a contento do povo.

Aí os homens da massa que não gostaram nada que desvalorizassem aquilo que eles usavam (para armar em ricos e demarcar-se dos pobres) lançaram uma grande campanha contra a marca nova para a desacreditarem. Não foram bem sucedidos, pois quem não tinha dinheiro para um verdadeiro "Suiço" comprava um Roskopf e tinha também as horas certas.

Mesmo assim, a marca ganhou um mau nome, por causa do preço e não da qualidade, de modo que essa marca ficou associada a um produto de baixo preço que é sinónimo de baixa qualidade. A mesma coisa acontece, agora, aqui em Portugal, com a roupa chinesa. Há uma loja de roupa, aqui ao lado, que vende blusas de senhora a 35€. Se não se importar de levar a chinesa leva 3 por 36€. É assim a modos que roupa da marca Roskopf.

Há um porto de mar, na Bretanha, que tem o mesmo nome e, em tempos que já lá vão, inventaram um relógio que só funcionava durante 24 horas, pois não tinha máquina, tinha apenas uma corda que fazia andar os ponteiros, enquanto a corda ia desenrolando. A ideia era vendê-los aos marinheiros que demandavam aquele porto e se iam embora no dia seguinte. Ficaram também conhecidos por «Relógios de Roscofe» (nome da terra, e deram mais má fama aos verdadeiros Roskopf da Suíça.

Ainda existem e são vendidos como uma raridade nas casas de leilões. A talhe de foice, quando passei nas Canárias, em 1965, era costume comprar relógios ao Kilo, de tão baratos que eram. Só que alguns eram como os da Bretanha, depois de uma noite de sono, pegavas nele para ver as horas e já estava parado. Como fui avisado a tempo, gastei o dinheiro em garrafas de uísque e esqueci os relógios e essa história toda ... até hoje!

N.B. - Na minha aldeia, como não falam nenhuma Língua estrangeira, nem conhecem a história do Sr. Roskopf, abreviaram a coisa para «marca rosca» para designar aquilo que não presta (como o presidente dos morcões).

O Pintinho é marca rosca!

 Então a Covid-19 já passou à história e ele arranjou maneira de os jogadores do Famalicão serem infectados para não irem a jogo, hoje à noite! O homem é de mais, se não existisse tinha que ser inventado! O Porto joga mais que o Famalicão e em condições normais ganhará sempre o jogo, mas nunca fiando, vendo como correram os últimos jogos mais vale prevenir que remediar.

Ele sabe os truques todos e para tudo tem solução! E começou, este mês, a comprar todas as acções do FCP que aparecem no mercado, quando essa empresa é um buraco cheio de dívidas. Isso não vos faz desconfiar de nada? A PJ foi para lá, outra vez, ver se encontra alguma evidência de crime, mas esse rato é mais fino que o dito cujo e não deixa nenhuma ponta solta.

Enquanto há vida há esperança e o Porto vai tentar armar ratoeiras em todos os cantos e esquinas para ver se o Benfica tropeça e lhe deixa cair o troféu nos braços. Mas o Benfica para ser campeão só tem que ganhar os seus dois jogos e mais nada, campeão que é campeão não tem medo de enfrentar qualquer adversário.

Carrega BENFICA!

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Notícias na hora!

 

Só vim aqui para vos dizer que a crise está quase debelada. A mão já reduziu de tamanho uns tantos por cento e já estou a teclar com mais facilidade. Só agora descobri quantas vezes se usa o "ç" na escrita em português, assim como o acento circunflexo, sem a mão direita para ajudar é quase impossível usar estas teclas. Neste momento, estou a teclar com as duas mãos e já tenho esse problema resolvido.

Mesmo assim, tenho que continuar com o braço na tipoia para evitar que a mão volte a inchar como estava há 3 ou 4 dias atrás, mais parecia um presunto alentejano!

Queria muito ir ao Porto ver o desfile do Dia da Marinha, mas é um sonho que será difícil, para não dizer impossível, de realizar. Conduzir não posso, mas mesmo com um chauffeur às ordens será difícil. As ruas vão estar todas fechadas com cancelas de ferro e a polícia a vigiar para ninguém as ultrapassar, ou seja, é preciso ter pernas para andar quilómetros. E isso é o meu maior handicap, há anos que não consigo andar mais de 500 metros de cada vez e descansar horas pelo meio.

E depois há outra coisa que me irrita nestas cerimónias, passam-se horas à espera que "as altas individualidades" cheguem e depois muito tempo para ouvir os discursos vazios com que nos presenteiam. Chega a hora do almoço e a gente com o sol a fazer-lhes ferver os miolos continua impávida e serena, à espera que Suas Excelências de dignem mandar avançar as tropas. E essas tropas sofrem tanto como eu, desde manhã cedo armadas e vestidas nas suas melhores roupagens estão ali, debaixo do sol inclemente que as vai assando sem piedade. Enquanto estive no activo, sempre me consegui safar dessas enrascadas, só em 1963 participei para recebermos o Américo Tomás, em Lourenço Marques. Só passei, em Lisboa, dois Dias de Portugal, num deles não fui destacado para essa cerimónia, em Belém, e na outra houve um cromo que me pediu para ir em meu lugar. Só tive que lhe dizer obrigado e fui passar o dia para outras latitudes.

Visitar a Sagres também gostava, uma vez que ela faz parte da minha história. Em 1962, veio ela do Brasil e foi preciso transformá-la para substituir a velha Sagres que estava amarrada ao cais da Base Naval para não ir na corrente do Tejo para fora da barra. E parte dessa tarefa calhou aos grumetes filhos da minha escola. A mim e mais uma dúzia de camaradas calhou-nos a parte de retirar o lastro do navio que é constituido por areão e tijolos burros ensopados em óleo queimado e água salgada que tinham acumulado no porão da quilha ao longo de muitos anos e em muitos mares. Dormíamos na velha Sagres e dávamos o corpo ao manifesto na Guanabara, assim se chamava o navio oferecido pelo Brasil, durante o dia. O trabalho era muito e as alegrias eram poucas.

É desta pequenas coisas que se faz a nossa História e assim quem entrar a bordo para visitar o lindo Navio Escola deve saber que aqui o marinheiro Carlos foi um dos andou a preparar a noiva para a poderem apreciar. Devia mandar gravar o meu nome na amura de estibordo para não passar ao esquecimento, o que é mais que normal neste mundo que vive a 100 à hora. Afinal já passaram 61 anos e morreu muita gente que passou pela Sagres e deu o seu contributo para a manter a navegar.

Outra coisa que queria mencionar aqui é o número de fuzileiros que juraram bandeira, há alguns dias. Foram 40 (?), apenas 40 o que compara com a minha escola que formou 300 (ou perto disso). E nos anos mais quentes da Guerra Colonial andava na ordem dos 600 fuzos formados em cada uma das duas incorporações. A partir de 65 passaram a ser 3 incorporações e mais tarde ainda foram 4 por ano, havia necessidade de formar muitos combatentes para ir para África.