terça-feira, 11 de julho de 2023

Nada de novo no horizonte!


Quando viajei de Moçambique até Lisboa, no melhor paquete da nossa frota comercial, gostava de me sentar à proa e ver o caminho por onde íamos, não fosse o homem do leme errar o rumo. Para meu azar não havia pontos de referência, nem de dia nem de noite, era como se estivesse sempre às escuras. Com 20 anos de idade o homem tem a cabeça cheia de histórias e o meu grupinho de amigos mais chegados contava-as e revivia-as, ali na proa do Infante, e passávamos a ser actores dentro do mesmo filme. Bons tempos esses!

Ontem era o dia em que receberia a esmola que o Costa decidiu dar aos reformados. Pensei que poderia tirar umas férias no estrangeiro, mas nem para a viagem de ida chegava o dinheiro do aumento. Com o próximo aumento, espero atingir o valor da reforma original, aquele que me foi atribuido em Setembro de 2022 e que levou uma tremenda facada com a vinda da Troika.

Resultado, vou ficar por aqui, também já não sou amigo de grandes viagens e divirto-me mais na vossa companhia. A minha cara-metade adora aquele ditado que afirma: - boa romaria faz quem em sua casa fica em paz - portanto com ela também não posso contar. Eu só vou onde as minhas pernas me levarem, diz ele que tem horror de navios e aviões. O seu raio de acção tem como limite os 500 metros, o que só lhe permite ir à missa e ao mercado. De carros gosta pouco, de autoestradas não gosta nada, por conseguinte, o nosso destino é ficar em casa. Nem que o Costa me desse um aumento de mil euros isso viria alterar esta situação.

Estou à espera que o Benfica entre em grande na nova época, a equipa está em Inglaterra a estagiar e isso deve servir mais para mostrar os craques aos jornalistas lá da terra do que melhorar o físico dos nossos atletas. Mas isso pouco me interessa, sou apenas o treinador de bancada e só as bolas que entram na baliza contam para mim. Desde que na nossa baliza entrem menos do que na do adversário ... estamos bem. Vamos disputar uma série de jogos, antes de enfrentar o FCP para ver quem leva a Taça Cândido de Oliveira. Esse é o primeiro troféu da época e que já não vemos, há anos. Espero que Mister (em alemão diz-se Herrn) Schmitz consiga dar um novo rumo à História e levar a taça para o nosso museu..

Lá fora, brilha o sol, não está frio nem calor e nem corre uma pontinha de vento, coisa pouco comum na Póvoa, em Julho, quando as nortadas azedam as férias dos banhistas que nos procuram para passar as férias. Por isso eles preferem ir para o Algarve, mas aquilo está cheio de alforrecas e mais vale ficar por aqui para evitar umas queimaduras nas pernas que aquilo pica que se farta. Se me restasse um pouco de energia, ia até à beira-mar ver o espectáculo do costume, os biquinis pequeninos às bolinhas amarelas, como cantava aquela miúda moçambicana que era filha de um sargento da Marinha.

Mas não, vou ficar em casa a romper a televisão ou os olhos, veremos qual arreia primeiro,. O meu raio de acção está bem mais curto que o da minha parceira, da cozinha até à sala são apenas 10 metros e eu ando de cá para lá o dia todo, de segunda feira até domingo e a seguir vira o disco e toca o mesmo!



segunda-feira, 10 de julho de 2023

Que nervos!!!


Morro de ansiedade à espera que o dinheiro caia na minha conta! Já lá fui espreitar 3 vezes e ainda nada! O aumento deve ser inferior a 50€, mas nem imagino o que posso fazer com eles, se os desse a um pobre podia proporcionar-lhe um dia mais feliz na sua miserável existência. O problema é que não conheço nenhum pobre, à minha volta só vejo gente bem abonada, todos dão a impressão de viverem melhor que eu!

O aumento podia ser de 3 ou 4%, mas o Kosta gosta de complicar as contas e, em conjunto com o seu amigo e ministro das finanças, Medina, decidiu que 3,57% era a conta certa - como eles dizem cada vez que aparecem na TV e falam das finanças de Portugal. Para eles, contas certas, para nós são contas por pagar, porque aquilo que ganhámos não é suficiente para nos tirar da penúria.

Na continuação destes pensamentos "pecuniários" lembro-me de um sobrinho-neto que acabou o Curso de Enfermagem, há cerca de 2 anos, e anda a frequentar um curso acelerado da Língua Inglesa para se mudar de armas e bagagens - até a namorada vai com ele - para a cidade dos marinheiros, Southhampton. Aqui trabalha muito e ganha pouco, lá ganhará 3 vezes o que aqui ganha e o trabalho até pode ser melhor.

Desde o 25 de Abril que nos prometem uma vida melhor que aquela que o Salazar e o Marcelo Caetano nos deram, mas eu ainda estou à espera que isso se concretize. O interior do país esvaziou-se, porque era impossível viver dos rendimentos que a terra dava. Passados 50 anos vivem essas pessoas, fechadas em casas de má qualidade, à volta de Lisboa e Porto, e mal conseguem pagar o aluguer ou a prestação da casa que os bancos os convenceram a comprar. Compre que é muito melhor que dar o dinheiro ao senhorio, todos os meses, e a casa nunca será sua. Aqui paga o mesmo e ao fim de 25 anos a casa é sua. O problema é que alguns sonharam alto de mais e agora o que ganham não chega para a prestação.

O normal é as pessoas votarem no outro partido, quando aquele em que votaram não nos dá perspectivas de uma vida melhor, mas estou em crer que a maioria vai votar de novo no PS nas próximas eleições. Eu não lhe dei o meu voto e prometo que da próxima vez também não o farei. Que venha outro que faça melhor. Mesmo que nunca aconteça, eu morrerei a tentar!!!

domingo, 9 de julho de 2023

O dia antes!


Hoje é o último dia da minha velha vida! Amanhã começa a minha nova vida, como milionário, depois do aumento da reforma que Costa prometeu para o dia 10 de Julho. É sempre bom dar as boas vindas a um novo período da nossa vida, especialmente, quando se prevê que essa vida será melhor do que tudo aquilo que vivemos até agora. Com o aumento que vou receber, somado ao subsídio de férias, vou sentir-me um nababo e se derem pela minha falta não se preocupem, é porque fui para outras paragens, onde a vida é só alegria.

Será que existe um lugar assim? Na óptica dos turistas que nos entram pela porta adentro deve ser Portugal esse lugar. Se vêm para aqui aos milhares é porque se sentem melhor aqui que na terra deles. Afinal, somos nós que andamos enganados, vivemos no céu (sem nos apercebermos disso) e o Kosta é o nosso Deus a quem devemos agradecer e levar o joelho direito ao chão sempre que ele passa.

Mudando de assunto, assisti, ontem, à manifestação dos badalhocos LGBT+, no Poro. Aviso já que nesse campo sou muito radical, a doença de que sofrem (quando é doença) é uma anormalidade gravíssima e deviam tratar-se, em vez de virem para a rua cantar e dançar, como se fossem as pessoas mais felizes do mundo. Se não for doença, então é muito pior, são uns anormais da ponta dos cabelos até às unhas dos pés e como anormais devem ser tratados.

Eu podia dizer, ah, isso é lá com eles, a mim não me afecta e siga a Marinha, mas quando vejo no meio dessa seita a Mariana Mortágua que está no Parlamento e é putativa candidata a Primeiro Ministro deste país que é o meu,, aí poem-se-me os cabelos em pé. Não admito que um cargo de tal importância possa ser ocupado por um/uma qualquer anormal.

Seja por vontade própria ou porque a natureza assim os pariu são e serão sempre uns anormais e com anormais eu não vou à missa. Nem à missa nem a lado nenhum, quero-os bem longe!

Ontem, choveu, hoje brilha o sol e dizem os entendidos que o calor de verão está de volta. Com o Planeta em mudança acelerada, não sei se as pessoas devem ficar tristes ou contentes com esta notícia! Divirtam-se que eu vou fazer o mesmo!

sábado, 8 de julho de 2023

Jogar à defesa!

 


Não pensem que vou falar de futebol, ou do Benfica que deixou ir o Grimaldo e agora anda às aranhas para encontrar um defesa para ocupar o seu lugar. Nada disso, a defesa a que me refiro é aquela que tinha um ministro que não agradava ao Prof. Marcelo e foi mudado para outro ministério para evitar encrenca.

E eu pergunto-me, hoje, porque será que o nosso PR não vai à bola com o dito ministro? Sendo o nosso PR o Comandante Geral das Forças Armadas Portuguesas tem a sua lógica que queira um ministro da sua confiança à frente da Defesa. O António Costa que bota remendo em tudo, mudou o ministro para os Negócios Estrangeiros, mas com base na «Tempestade Perfeita», iniciada ontem pela PGR, teria sido mais recomendável que o tivesse mandado para casa.

A bronca é tamanha nos meandros da Defesa, com o Marco, o Alberto e o Zé Miguel debaixo de olho que vai ser difícil ao ex-ministro provar que não sabia de nada e que é completamente inocente em tudo aquilo que, ontem, veio a lume. O dinheirinho do povo a mudar de bolso, os trabalhos bem pagos que nunca foram feitos, as derrapagens monumentais em obras públicas, o saltitar de cargo em cargo para rapar o tacho até ao fundo, tudo isso acontecia debaixo dos olhos do ministro Cravinho de quem o PR não gosta.

E porque será que não gosta, insisto eu? Saberia ele de alguma coisa do que se ia passando no ministério e preferiu não "botar a boca no trombone"? Mas avisou o Costa que queria o ministro fora daquele ministério. E será que lhe explicou as razões porque o fazia? Isto em política nunca se sabe onde começa nem como acaba. Espero que a PGR e a PJ puxem pelo fio do novelo e vão dobando, dobando até a dobadeira ficar cheia e nós esclarecidos de toda aquela trapalhada de que o Marco Capitão Ferreira parece ser o Padrinho. Um padrinho a fazer lembrar a Mafia Calabresa que punha a mão em todo o negócio e cobrava uma taxa altíssima pelos seus serviços de protecção.

Os tribunais já não dão conta dos processos que têm entre mãos, mas parece um bruxedo, eles continuam a aumentar todos os dias. O mundo da política mostra ser um bom alfobre, onde o mal progride como erva daninha!

sexta-feira, 7 de julho de 2023

O velho Di Maria!

 


Desculpem, mas não partilho da euforia que ontem se viu no Estádio da Luz, O Di Maria pode dar uma ajuda aos outros colegas, mas são os outros dez e não ele que devem ganhar o campeonato. Ele já não tem pernas para grandes corridas, resta-lhe a habilidade para suprir a falta de pernas para correr atrás da bola. Espero vê-lo jogar algumas vezes, para justificar o investimento, mas terão que ser os outros todos a pedalar, jogo após jogo, se quiserem chegar ao 39.

O Rui Costa tem que ser um pouco mais frio ao pensar na equipa e pôr de lado os sentimentos. Fazer um contrato de mais 2 anos ao Otamendi já me pareceu um erro, trazer o Di Maria é outro erro para juntar ao primeiro. É tudo muito bonito para puxar pelo benfiquismo das hostes encarnadas, mas com uma equipa de velhos o caminho vai ser muito penoso. O Porto também tem 2 velhos a liderar a defesa, mas isso não é exemplo para ninguém, pois recorrem a outros truques, quando é preciso ganhar os seu jogos. E só isso importa, ganhar, portanto veremos como vai o nosso treinador organizar o plantel e eu acredito que o Di Maria vai ser um suplente de luxo (pago a preço de ouro fino), mas não fará parte dos primeiros onze escolhidos para nos oferecer o título.

Jogar a última meia hora do jogo e aproveitar a sua habilidade para driblar o adversário, quando este já tem dificuldade em coordenar os músculos das suas pernas deverá ser o segredo. Espero, sinceramente, que seja assim que o treinador vê o problema e não alinhe em sentimentalismos para não sofrermos alguns desgostos. E para mostrar que o velho Benfica está de volta, há que ganhar outra vez o campeonato, menos do que isso vai saber-me a pouco! 

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Eta, velho do cacete!

 Passei os olhos, de relance, sobre as notícias desta manhã e chamou-me a atenção uma que relata a história de um velho de 71 anos que violou todas as filhas e até uma neta que está grávida e vai transformar o homem em pai, avô e bisavô dessa criançada toda que é sangue do seu sangue.


Isso fez-me voltar ao princípio do mundo, quando Deus expulsou o Adão e a sua pecadora mulher, Eva, do paraíso. E aí começa uma das, talvez a maior, partes mais mal explicadas teorias da teoria católica da origem do mundo e da espécie humana. Os filhos de Adão e Eva eram quantos? Quantos eram homens e quantas mulheres? Com quem se casaram? Como nasceram os seus filhos. A Eva acasalou com algum dos filhos homem? E o Adão tomou para si alguma ou várias das suas filhas?

Eu podia perguntar isto a um padre qualquer, ou bispo, ou cardeal, até ao Papa e vê-los-ia a gaguejar para encontrar uma resposta que não fosse contra aquilo que pregam na igreja. Mas olhando para aquilo que acontece no Reino Animal, vejo qualquer macho reclamar para si todas as fêmeas do seu bando, quer sejam suas filhas ou não. Podem ser irmãs, podem ser filhas e até netas que ele não quer saber disso. A regra é engravidar todas as fêmeas para garantir a continuação da espécie.

Afinal, o velho brasileiro, de Mato Grosso do Sul, não é mais que um animal dos que Deus criou e espalhou pelo mundo. As regras e as leis da moral vieram muito mais tarde e foram criadas pelo homem. Há alguns animais que são monogâmicos e escolhem uma parceira para a vida e para isso eu não tenho explicação, é a natureza a funcionar. Assim como também existe a homosexualidade entre alguns animais irracionais (que nos racionais a coisa vai em crescendo).

Para quem não é católico o assunto é mais fácil de entender, Deus pôs neste mundo um casal de cada espécie e mandou-os reproduzir-se e eles assim fizeram, até hoje. Para os católicos é um verdadeiro problema de consciência, pois ver o Adão a engravidar as filhas, os irmãos a fornicar entre si, ou a Eva engravidar de algum dos seus filhos é coisa que não podem aceitar. Mas lá que aconteceu ninguém pode negar, senão não estaríamos nós aqui a questionar-nos sobre o assunto.

O velhote vai ser julgado e quando o juiz lhe perguntar se não achava errado deitar-se com as filhas ele pode responder, simplesmente:

- O nosso pai Adão fez o mesmo e foi Deus que permitiu que isso acontecesse!

terça-feira, 4 de julho de 2023

A escrita!


 Schreiben ist ganz einfach, dizem os alemães (escrever é fácil), mas eu não estou de acordo com essa afirmação. Havia um colega no meu escritório que me perguntava:

- Silva, tu falas alemão?
- Falo, respondia eu!
- Falar alemão não custa nada, basta a gente terminar as palavras em "en". Por exemplo, essen, trinken, volkswagen, vaselinen, etc., dizia ele e punha toda a gente a rir no escritório.

Quando a gente tem tempo de sobra, deve aproveitar para ler um bom livro - por falar nisso, ando a pensar em fazer uma recolha das minhas melhores publicações e fazer uma espécie de livro a que chamaria «Crónicas da Saudade» - ou, em alternativa passar uma hora a escrever que vai dar ao mesmo.

O acto de escrever não se cinge apenas a pegar numa folha de papel e numa esferográfica e desatar a encher a dita folha de palavras. Escrever obriga a uma certa capacidade de organizar as palavras em frases que façam sentido, que exprimam uma ideia, que transmitam a mensagem que o escrito pretende que chegue ao leitor. Antes de começar a teclar - neste caso, pois papel e esferográfica é passado - já há uma frase completa, com sujeito, predicado e os complementos, organizada num único período ou vários, gravada no nosso cérebro. Teclada a primeira letra o cérebro despeja o conteúdo que já tem alinhado, tal e qual como se fosse um "copy&paste" ou, dito em português, copiar & Colar.

Era aqui que eu queria chegar para vos contar uma dificuldade que, ultimamente, venho sentindo na minha escrita. Como o nosso cérebro vai à nossa frente, organizando as palavras em sílabas, acontece-me avançar uma sílaba completa e teclar a primeira letra da sílaba seguinte. Claro que estou sempre a voltar atrás para introduzir a sílaba em falta e isso torna a coisa mais lenta. Outra coisa que me acontece com frequência é teclar a letra que está à esquerda ou à direita daquela que devia ser teclada. Outras vezes acerto na tecla de lado e saem duas letras pegadas. Depois das combinações ch, lh ou nh é raro não me aparecer um J. E o T que é uma das letras mais usadas em português, muitas vezes é seguido por um Y, por exemplo, "muityo.

Será por causa dos meus olhos que já tiveram melhores dias ou será da idade? Quando o nosso cérebro começar a perder as suas capacidades - há quem afirme que o cérebro só melhora com a idade e nunca o contrário - poderá acontecer isso? Não ser capaz de engendrar uma frase completa, memorizá-la e depois despejá-la no teclado? Parece-me raro, mas não sei explicar o que me acontece, cada vez levo mais tempo a escrever, estou sempre a voltar atrás, conferir, corrigir as falhas, apagar as letras que apareceram sem a minha autorização e por aí fora. Para escrever uma publicação de 4 ecrans do portátil gasto 1 hora inteirinha. Não é um grande problema, pois como não tenho nada que fazer a seguir até devia ficar grato.

Por falar nos 4 ecrans de tamanho da publicação, lembro de um camarada marinheiro que mergulhou a fundo no mundo dos blogs, mas não tinha jeito nenhum para escrever. Começou por publicar todas as fotografias que coleccionou ao longo da carreira na Marinha com uma legenda explicativa, mas com o tempo começou a atrever-se a uns textos mais alargados. Como a sua escrita era muito atabalhoada eu recomendei-lhe que escrevesse mensagens curtas, um ecran completo e nada mais. Dizia-lhe eu, se te alongas muito as pessoas cansam-se não lêem o que tu escreves, a mensagem deve ser curta e concisa. Agora, vejo-me a encher 4 ecrans e fico a pensar no que dirão os meus leitores. Que chatice, isto é só palha para dar ao burro!

Daqui a pouco, desligo o computador, vou até ao fundo do quintal dar de comer às galinhas - to feed the chikens, como diz o inglês - colher alguns tomates e umas vagens de feijão verde para fazer uma sopinha primaveril, e já deixo de vos moer a paciência. Ser chato e repetitivo atá a mim enjoa!

P.S. - Acabei de escrever e fui verificar o tamanho, hoje ficou-se pelos 3 ecrans de escrita!

segunda-feira, 3 de julho de 2023

O Charroco!

 


Charroco é um peixe feio com'ó caraças!

E quando se atribui a alcunha de charroco a um dos nossos camaradas, isso quer dizer o quê? Que é feio? Não sei, não me lembro da cara do meu camarada de recruta (16679), o Manel Morais, para testar essa teoria. A primeira vez que ouvi o nome foi na Escola de Fuzileiros que fica numa zona em que a maré que entra pelo rio Coina dá vida a muitos bichinhos que se comem e dão a muitas famílias a chance de ganhar alguns cobres extra. Mariscos de vária espécie e o charroco que fica enterrado no lodo, quando a maré desce, estão nessa lista.

A Escola fica na margem direita do Coina, um pouco a jusante da povoação do mesmo nome e não muito longe da confluência com o Tejo. Quando a maré estava no seu ponto mais baixo, o rio era apenas um fiozinho de água que corria pelo meio de um imenso lodaçal. Era nessa altura que os habitantes de Coina e outros vindos da margem direita, talvez da aldeia de Paio Pires, se aventuravam pelo meio do lodo à procura do famoso peixe que é feio, mas sabe muito bem no prato. Se lhe juntarmos umas ameijoas, umas conquilhas e umas lambujinhas fica um petisco de se lhe tirar o chapéu.

Petiscos aparte, o que aqui vim dizer é que o Charroco morreu. Não me lembro da cara dele e nunca mais o vi, depois do curto período que passámos na Sagres para aprender um pouco de Marinharia. Enquanto estive na Sagres ele ficou na Escola e poucos dias depois de regressar à Escola fui destacado para o Corpo de Marinheiros, com mais 80 camaradas que tinham dado o número para entrar na Companhia 2 que estava em preparação para seguir para Moçambique. O Charroco ficou para trás, não quis entrar no Curso de Especiais e passados 6 meses já estava na Guiné, na Companhia 3 e nunca mais os nossos destinos se cruzaram. Agora, recebeu a Guia de Marcha para o outro mundo e só lá nos poderemos encontrar de novo.

Morrer nesta idade, depois dos 80, não é novidade nenhuma e limitamo-nos a encolher os ombros e dizer entre dentes: - hoje tu, amanhã eu! E a vida continua. Paz à sua alma e que Deus lhe dê o lugar que ele merece!

domingo, 2 de julho de 2023

Dia do Fuzileiro!

Pista de lodo dos fuzileiros

 No primeiro sábado de Julho, comemora-se o Dia do Fuzileiro. Neste ano de 2023, foi ontem que a festa aconteceu. Reunião na Casa-Mãe, abraçar os camaradas com quem partilhámos momentos especiais, emborcar umas bejecas (alguns parece que vivem só para isso) e recordar os velhos tempos. Muitos partilham a saudade dos tempos passados na guerra em África, mas a maior parte vai lá para recordar a mocidade perdida que, por mais que a gente esprema a mente, não voltará mais. Ficou lá para trás, perdida no tempo e embrulhada na recordação dos melhores momentos vividos. Os piores mais vale esquecer para evitar pesadelos.

Durante a guerra colonial, as tropas especiais sobrepunham-se a tudo o que era tropa regular, fosse do Exército, da Marinha ou da Aviação. Embora os outros fossem aos milhares e as tropas especiais às centenas, só destas se falava, quando se discutia a guerra e os seus eventos. Os »Comandos» vão lá e partem aquilo tudo. Se a coisa está difícil chamem os «Fuzileiros» que eles resolvem. E se u lugar é num ermo, onde não entra carro nem carroça, lancem um grupo de «Paraquedistas» que esses vão a qualquer lado.

Fuzileiros, Comandos e Paraquedistas eram, por conseguinte, os heróis da guerra. Quem quiser ler alguns episódios mais marcantes dessa guerra (em que eu tive o desprazer de participar) encontrará sempre um Comando que fez a diferença, um Fuzileiro que ficou na História ou um Paraquedista que salvou a honra do convento num dia azarado em que mais ninguém encontrou a solução para o problema.

Em Moçambique, único "teatro de operações" que eu conheci, os Comandos eram chamados para resolver casos complicados, quando a tropa regular não dava conta do recado. Coitados deles, perdidos no meio do mato e a quilómetros da civilização, a sua preocupação era chegar vivo à noite, ter alguma coisa para enganar a fome e água para encher o cantil ou fazer a barba. Tudo o resto era acessório. Os turras minavam todo o terreno à volta dos lugares que eles escolheram para montar as barracas e o segredo era evitar as minas e preservar as pernas. Então os Comandos vinham, escaqueiravam aquilo tudo e recolhiam ao seu quartel felizes e contentes.

Dos páras não tenho muito que contar. Com excepção da operação «Nó Górdio», em que o Gen. Kaúlza de Arriaga envolveu todas as tropas para resolver a guerra, de uma vez por todas, acho que eles não tiveram grande papel distribuido nessa "nossa" guerra. Salvo erro estavam concentrados em Mueda, onde havia uma Base Aérea muito movimentada e davam apoio ao resto das tropas que, em Cabo Delgado, viveram o seu Cabo das Tormentas.

Já os Fuzileiros que era suposto protegeram as costas de hipotéticos desembarques do inimigo pouca coisa podiam fazer, pois o inimigo tinha apenas umas pirogas movidas a pangaia que não representavam qualquer perigo. À falta de melhor ocupação, eram enviados mato adentro para dar uma ajuda aos militares do Exército, em locais específicos, onde se sabia existirem guerrilheiros da Frelimo. Em especial, no Cabo Delgado, andavam no meio do mato, já que defender a costa era pura perda de tempo, pois não andava por ali vivalma.

Na zona do Lago Niassa, já se percebia melhor a intervenção dos fuzileiros, pois a completa ausência de estradas e o terreno muito montanhoso dificultavam e muito a deslocação do Exército. Por seu lado, os fuzileiros montavam-se numa Lancha de Desembarque, subiam ou desciam pela costa do lago até ao ponto mais próximo da operação que iam realizar e depois faziam o resto da caminho a pé. A distância de 20 a 30 Kms da costa era o seu máximo raio de acção. O resto deixavam para o Exército que tinha acampamentos espalhados por toda a província do Niassa, os tais que viam o sol nascer e pôr-se todos os dias e agradeciam por chegar vivos ao fim do dia.

Com o início da construção da Barragem de Cabora Bassa, a guerra que, até ali, só conhecia o Niassa e Cabo Delgado, mudou-se para a zona de Tete e como o grande rio Zambeze era uma espécie de autoestrada para os turras vindos do Malawi, foram camados os Fuzileiros para com os seus botes patrulharem o rio e darem cobertura aos trabalhadores da Barragem. Quem quiser conhecer um pouco da guerra que ali aconteceu pode ler um romance escrito pelo José Rodrigues dos Santos (O Anjo Branco) onde ele conta a passagem do deu pai como médico-chefe do Hospital de Tete, onde eram tratados da mesma maneira os feridos de um e outro lado da contenda. Ali se conta a história do massacre de Wiriamu, com a PIDE e os Comandos a desempenharem o papel de maus da fita e o papá do JRS no papel de anjo bom.

Em 1968, ainda a guerra não tinha aquecido muito, saí eu da Marinha e dei lugar ao meu irmão David que passou um mau bocado, pois foi logo metido na Operação Nó Górdio de onde escapou vivo e depois foi enviado para Tete, quando a coisa estava a ficar mesmo feia. També de Tete saiu sem qualquer problema e foi depois disso gramar os últimos dias na Guiné, vivendo lá o 25 de Abril e ficando prisioneiro do PAIGC. Felizmente, tudo acabou em bem e foi resgatado inteirinho.

Ontem, foi dia de recordar isso tudo, os bons e os maus momentos, os amigos presentes e aqueles que já partiram para o além e ao fim do dia, uns mais bebidos que outros, todos garantiram que no próximo ano voltariam à Escola, onde se formaram, e regressaram a suas casas.

sábado, 1 de julho de 2023

À velha moda russa!

O general russo Sergei Surovikin, ex-comandante das forças russas na Ucrânia, terá tido conhecimento prévio dos planos de rebelião de Yevgeny Prigozhin contra o Ministério da Defesa russo, avança o New York Times, citando autoridades norte-americanas. O general encontra-se neste momento em parte incerta.

Aqui, o amigo Sérgio já desapareceu! Nos tempos da velha Rússia já estaria num qualquer gulag a partir pedra ou extrair carvão das entranhas da terra para aquecer os magnatas do Kremlin. Ainda, há pouco, era o menino bonito do Putin a merecer mais uma medalha pelos bons serviços prestados, agora, só Deus sabe onde estará. Ser amigo do "Perigosinho" é no que dá!


Os outros dois cromos, contra quem o "Perigosinho" vociferava ameaças, continuam no bem bom e a fazer de conta que nada se passou e esperando que os olhos de Putin não se fixem neles. Gerasimov e Shoigu, na óptica do Perigosinho são os culpados de tudo aquilo que corre mal com a Operação Militar Especial, como Putin chama à invasão (pura e simples) da Ucrânia. Olhem bem para a cara deles, pois pode acontecer que desapareçam do mapa, antes que tenhamos tempo de respirar fundo três vezes.

Ainda ontem estive a ouvir parte da entrevista feita a Lavrov que é a outra voz activa nesta guerra (his master voice) afirmar que a Rússia não luta para aumentar o seu território. Pois não, esse é o ponto de vista do Putin, a Crimeia e todo o Baixo Don são e sempre foram da Rússia. Só que isso é apenas na cabeça dele e os pobres rapazes da Rússia e da Ucrânia é que estão a pagar com as suas vidas a sua ambição imperialista.

Eu entendo que ele se sinta apertado pela Nato por todos os lados, mas isso é apenas porque ele quer ser do contra. Podia ser um dos bons e fazer um contrato de amizade com o ocidente, tornando o mundo melhor e ajudando a matar a fome aos mais desgraçados que não têm acesso a um mínimo que lhes possa matar a fome. Em vez disso prefere gastar uma pipa de massa em armas e munições que, agora descarrega sobre os ucranianos, com ainda há pouco tempo descarregou sobre os sírios e, tempos antes, sobre os afegãos. Há sempre algum Cristo a levar com elas para que as fábricas que as produzem não parem.

O fim do mundo deve vir ainda muito longe, pois Jesus Cristo, quando vivia entre os homens, afirmou que só quando todas as ovelhas pertencessem ao mesmo rebanho e tivessem um só pastor o mundo acabaria. Com os chineses a puxar para um lado e adorar Buda, os indianos a recusar qualquer aproximação da China e a adorar uma catrefada de deuses, como Siva, Ganesh e outros com nomes que não consegui decorar, americanos, ingleses e franceses a teimar em ser protestantes e os latinos a dar vivas ao Papa Francisco, essa do pastor único a tomara conta de todo o rebanho deve demorar uns milhares de anos a acontecer.

Com o Putin a montar bombas nucleares na Bielorrússia e os americanos a fazer o mesmo na Lituânia e Polónia, bem pode acontecer que o mundo estoire antes do que estava previsto, mas se isso acontecer ninguém vai ficar a rir-se, mas pode ficar vivo e com o corpo a cair aos pedaços. Diz-se por aí que as novas bombinhas são mais pequeninas que a de Hiroshima, mas 50 vezes mais potentes. Cabeças sem juízo só pensam nestas merdas, em vez de trabalharem para tornar o mundo melhor.

Por cá, no nosso pequeno mundo, o maior problema é o Kosta, o Centeno e o Medina que, cada um a seu modo, nos infernizam a vida. Vem cá a chefa do BCE dizer que o caminho é aumentar os juros, os bancos esfregam as mãos de contentes e o Centeno bate às palmas e diz que assim tem que ser. Ai se eu fosse Primeiro Ministro! Outro galo cantaria, podem ter a certeza, nem a Banca ou a Galp e o resto da corja que está a encher os bolsos à custa da nossa miséria, se ficaria a rir, pois há métodos para os fazer pagar com língua de palmo aquilo que estão a fazer aos portugueses.

Quando a prestação da casa ou o aluguer mensal é maior que o SMN (salário mínimo nacional) está tudo dito. E o culpado quem é? O Kosta socialista e a cambada que com ele nos governa. E quem votou neles? Aí é que reside o problema, talvez repitam a cena na próxima ida às urnas. Oh que grandes abéculas! Dói o dedinho, dói, dói? Dá-lhe uma martelada que vês como essa dor desaparece!

sexta-feira, 30 de junho de 2023

Assim não vale!

 


Chegámos ao dia 30, último dia deste mês de Junho, e s Revista da Armada, habitualmente, publicada na primeira semana de cada mês, ainda não deu sinais de vida. Na imagem acima, do lado esquerdo, aparece a capa da revista do mês de Maio e do lado direito deveria aparecer a de Junho, mas como é bem visível o espaço está vazio.
Basta haver um qualquer evento, durante o mês, para justificar o atraso. Desta vez foi o Dia da Marinha, comemorado no Porto que serve de justificação para o atraso. Ou porque ainda não seleccionaram as fotos que têm que receber o tratamento digital para serem entregues na redação, ou por outra qualquer razão que falta inventar, a Revista continua a falhar a data de publicação. estou aqui, estou a desligar-me dessa instituição.
A Revista já não me agrada muito por ser uma espécie de auto-elogio aos oficiais (superiores e generais) e não passar grande cartão à arraia-miúda. Pois a Marinha tem mais Praças que oficiais e a Revista devia espelhar essa realidade. Se a Briosa é só para meninos ricos e com muitos galões nos ombros, eu caio fora, não estou nessa. Nasci pobre e pobre quero morrer!

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Poesia brejeira!

 Para passar o tempo, à espera que a boa disposição venha ter comigo, deixo aqui estes versos que provam que tudo serve para fazer poesia.

No cume daquela serra
Eu plantei uma roseira
O mato no cume cresce
A rosa no cume cheira

Quando cai a chuva fria
Salpicos do cume caem
Salpicos no cume entram
Abelhas do cume saem

Quando cai a chuva grossa
A água do cume desce
O orvalho do cume brilha
A floresta do cume cresce

E depois que a chuva cessa
Ao cume volta alegria
Pois volta a brilhar depressa
O sol que no cume ardia

E à hora crepuscular
Tudo no cume escurece
Pirilampos do cume saem
Tudo no cume arrefece

quarta-feira, 28 de junho de 2023

A sentir-me chateaso!


 

Hoje, não estou para modas! Ontem à tarde fui ao dentista para arranjar um dente a senhora doutora que me atendeu, depois de um rápido exame, foi logo avisando:

- Esse dente não tem salvação, tenho que lho arrancar!

E o que tem de ser tem muita força e lá deixei o dente com ela (para recordação). Só que em troca a menina doutora me massacrou com picadelas e mais amassos próprios desta coisa, uns pontinhos no fim, para ajudar a cicatrizar a gengiva e uma dor que não me deixou dormir toda a noite. Tenho a cara num bolo!

E logo hoje que é a noite de S. Pedro, há sardinhas e febras para assar - não contem comigo que não posso chegar perto do fogareiro - e copos para emborcar. Não vou conseguir mastigar nada e o vinho não vai sem comida, conclusão, vou ter que adiar a festa para o ano de 2024.

Parece que as coisas correram bem com o fuzileiro da Elvira, valha-me isso para levantar a moral!

E mais não digo, pois com as dores na boca nem consigo raciocinar!

terça-feira, 27 de junho de 2023

Mudando de assunto!



Nem lhe sei o nome! Mas é um camarada fuzileiro e está casado com uma amiga dos blogues, quanto baste para pensar nele e no dia difícil que o espera hoje.

Hospitalizado com uma série de problemas - se a saúde não falhou até aos 80, começará a falhar a qualquer momento, pois não somos eternos - está à espera de ser amputado de uma pequena parte do seu corpo, um dedo do pé. Nos casos de amputações de que tenho ouvido falar e alguns que presenciei, começam com um dedo, depois um pé e a seguir vai a perna toda.

Espero, sinceramente, que não seja o caso do marido da Elvira e que a pequena amputação de hoje seja a única que faça. E que volte para casa com mais saúde do que tinha, quando foi hospitalizado, para junto dos seus familiares que, hoje, estão a rezar para que tudo corra pelo melhor.

A Elvira é uma mulher de armas e vai aguentar a pressão sem problema. E nós, os seu seguidores do «Sexta Feira» estamos juntos a torcer por ela e pelo maridão!

Força aí, fuzileiro, faz cara feia à doença que ela vai-se embora!

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Mais uma segunda-feira!


 Nos tempos em que eu trabalhava, cada segunda-feira era um quebra-cabeças. Havia problemas que tinham ficado por resolver ne sexta, havia problemas, do lado dos clientes ou dos fornecedores, que lhes aconteciam a eles e me infernizavam a vida a mim, havia um ou outro trabalhador que não se tinha apresentado ao serviço, de vez em quando greves e sei lá que mais. Os meus subordinados podiam faltar ou vir a cair de sono, mas eu tinha que estar a 100% para resolver os problemas que me surgissem pela frente.

Fez, no passado mês de Maio, 20 anos que abandonei o meu posto. Estava tudo tão dependente de mim que pensei que não me deixariam em paz odia todo, o telefone a tocar com mais uma pergunta, mais uma dúvida para esclarecer. Mas, para meu espanto, não aconteceu nada disso. Soube depois que foi o Director Geral que deu ordens para não me contactarem em caso algum. Eu já estava reformado, há quase dois anos, mas tinha acedido a manter-me na minha posição, enquanto achassem que isso era benéfico para a empresa.. Só que a dança das cadeiras rodou e o meu chefe passou a ser outro.

Desde há dois meses que eu estava a trabalhar apenas meio-dia, para habituar os meus subordinados a procurar as soluções sem se dirigirem a mim. Já tinha sido nomeado um substituto para trabalhar comigo e aprender os truques do negócio, mas também lhe mantiveram as responsabilidades do cargo anterior, coisa que não o deixou muito satisfeito. Assim, ele ligava pouco ao trabalho do meu departamento, enquanto eu por lá andasse estavam coisas controladas. Trabalhava todas as manhãs, excepto à segunda-feira em que tinha que preparar um relatório que só podia ser feito de tarde (limitações da Informática).

Numa famosa segunda-feira, de manhã, o meu novo chefe entrou pelo meu gabinete, viu as luzes apagadas e o computador desligado e dirigiu-se a uma das funcionárias perguntando - o Sr. Silva não veio trabalhar? Às segundas ele só vem de tarde, foi a resposta que recebeu. Deve ter ficado a pensar que a minha situação não era muito regular, nem tinha sido autorizada por ele, e logo que regressou do almoço mandou a secretária particular chamar por mim ao seu gabinete. Em meia dúzia de palavras disse-me que tinha falado com o antecessor de quem tinha tomado o cargo e que concordaram em que os meus serviços podiam ser dispensados. Vocês é que sabem, eu só estou aqui para ajudar, enquanto vocês o entenderem necessário, respondi-lhe eu. Xau, adeus!

Antes de me vir embora ainda lhe fui perguntar quem tomava conta das questões pendentes, do contencioso que havia com fornecedores e companhias de seguros, além de muitos outros problemas por resolver. Não se preocupe com isso, a partir de amanhã nada disso será da sua responsabilidade.

Vi logo que aquilo não tinha sido pacífico, ele e o seu antecessor no cargo eram sócios com 10% do capital da empresa e tinham, recentemente ajustado as responsabilidades de cada um. O outro só confiava em mim e não queria nem pensar como funcionaria o departamento sem a minha presença. Já trabalhávamos juntos, há 20 anos, e cada um sabia do que era capaz. Este tinha emigrado de director fabril para director geral e ainda não tinha percebido com quantos paus se faz uma canoa.

O caso mais caricato - dos assuntos pendentes - era um lote de tecido, de um valor acima de 3 mil contos que eu tinha devolvido ao fornecedor e ele não aceitou a devolução, pelo que tive que pedir a um amigo que me guardasse o tecido até vermos o que fazer com ele. Ninguém pegou no assunto e já depois de a firma ter falido perguntei a um dos colegas de trabalho que estava por dentro do assunto o que tinha acontecido e ele disse-me que o fornecedor exigira do seguro o pagamento da factura e depois enviaria o assunto para tribunal. Quando chegou a intimação do tribunal foi parar às mãos do gestor da massa falida.

A seguir à minha saída, alguns dos chefes de serviços que tinham o salário mais alto, na casa dos 3 a 4 mil euros, foram convidados a ir para o desemprego com a respectiva indemnização, o que tiveram que aceitar de bom ou mau grado. A empresa ressentiu-se muito da falta desses quadros e dois anos mais tarde estava fechada. Foi criada uma nova empresa para acomodar cerca de 500 costureiras, a quem a banca provisionou com 6 milhões de euros para as primeiras despesas e até a facturação começar a fluir regularmente. Era aquela velha história de pagar o cão com o pelo do cão, mas o cão ficou sem o pelo que tinha e nunca lhe nasceu outro.

Desde então deixei de ter problemas para resolver, mas ainda sonho com aquilo tudo e como poderei resolver o problema tal ou tal que me vai surgir, logo que chegue ao escritório. Ainda acordo, banhado em suor, quando o assunto em questão é mais cabeludo. E já passaram 20 anos e quase 2 meses!

domingo, 25 de junho de 2023

A Rússia está muito mudada!

 


No passado, qualquer um que abrisse a boca para dizer mal do Grande Chefe estava condenado à morte. Mais assim ou mais assado, envenenado ou enfiado na prisão mais escura, o que tinha era que desaparecer para servir de lição aos outros, para que a coisa se não repetisse. Ontem, assistimos a um novo capítulo da História da Rússia, o grande chefe de Moscovo teve que meter a viola no saco e "perdoar" o traidor. Se é traidor ou não pouco importa - cada um de nós que somos estranhos ao assunto terá a sua própria opinião - mas foi isso que Putin chamou ao chefe da Wagner e para que a tradição se cumprisse teria que o prender e mandar para a Sibéria, como nos velhos tempos.

Os melhores analistas destas coisas são da opinião de que foi dado um passo de gigante no sentido de o Putin ter terminado o seu período de influência. A maneira como a Wagner entrou em Rostov, com a complacência dos militares que defendiam a cidade, e depois como saiu ao som de vivas da população civil, diz muito sobre o futuro do tirano de Moscovo, o Povo Russo não o quer lá no Krenlim, o seu prazo esgotou-se.

Hoje, dia 25 de Junho de 2023 começará a escrever-se um novo capítulo e eu desconfio que o tirano não tem reservado um papel muito bonito. Se ele pensasse como um homem normal saberia que é chegada a hora de abandonar o palco e dar a vez a outros actores que esperam a sua oportunidade de brilhar. Se é tão rico como dizem não teria grande dificuldade em exilar-se em qualquer lado e viver o resto dos seus dias como um nababo. O mal é que ele chefia uma corja de corruptos que vão fazer tudo para se manter na mó de cima e se ele cair as suas vidas serão muito difíceis até reencontrarem o equilíbrio.

Não podemos esquecer que as riquezas da Rússia e as grandes empresas que eram pertença do Estado foram distribuídas de um modo pouco honesto entre os amigos do poder, sem terem pago um rublo por elas. Numa situação normal a Justiça deveria pegar nessas fortunas, hoje nas mãos dos oligarcas, estabelecer o seu real valor e obrigar os actuais donos a pagar às Finanças Públicas o seu justo valor. Valor esse que deveria ser usado para melhorar a vida dos russos que, em muitas zonas da grande nação russa, continuam a viver como antes da revolução de 1917.

Os oligarcas, com o V. Putin à frente deles, vivem à grande e à francesa às custas do Povo e vão fazer tudo para continuar a fazê-lo  Se o grupo de mercenários da Wagner tivesse chegado a Moscovo, ontem, seria a população da cidade a determinar quem venceria o confronto. Se se inclinasse para gritar vivar ao Perigosinho (vou continuar a chamá-lo assim, pois me facilita a escrita), podia ser que arrastassem os militares para o seu lado e aí o Putin só teria uma solução, dar às de Vila Diogo e salvar a pele. Pelo contrário se mantivessem amedrontados e respeitadores da ordem imposta pela força, seria o fim da revolta e dos mercenários da Wagner. Isto é tal e qual como numa «Guerra de Guerrilha», como nós vivemos em África, quem tiver o apoio da população, mais tarde ou mais cedo, acabará por vencer.

E eu tenho a convicção que a juventude russa, com o acesso que tem à informação e à tecnologia, não estará disposta a aturar os excessos do Putin e seus camaradas por muito mais tempo. Um dia destes acordam a gritar revolução e os ratos abandonarão o navio, a toda a pressa, para não irem ao fundo com ele!.

sábado, 24 de junho de 2023

Noite de S. João na Rússia!

 O Putin está a tremer!
E o Ocidente à espera de um milagre!
Se o Engénio Perigosinho chegar até Moscovo e lhe roubar o lugar outro galo cantará no poleiro!
Será melhor? Será pior? Ninguém sabe, mas para nos livrarmos do Putin tudo serve!
Putin ameaça os revoltosos com mão dura. Se o chefe dos revoltosos arranjar maneira de libertar o Navalny será ele o novo presidente e o Eugénio o CEMFA (Chefe do Estado Maior das Forças Armadas). Prefiro isso ao regime de oligarcas de Putin. De longe!
O futuro começa agora! Seja ele qual for!
Os habitantes da minha zona passaram a noite a festejar o S. João e nem fazem ideia do que se passou, lá para os lados do Donbass. O Grupo Wagner farto de ver as suas vidas sacrificadas disse "Basta" e o Putin que se cuide, pois, desta vez, é ele que se arrisca a ir parar à Sibéria!

O meu rico S. João
Como tu não há igual
Tu alegras o coração
Do norte de Portugal!

Braga

Porto

S. João da Pesqueira

Vila do Conde

P.S. - Voltei para dizer que o Major General Agostinho Costa é um grande comuna e está aqui a arengar-me aos ouvidos que esta aventura do Perigosinho vai acabar mal!

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Bis, segunda dose!

 


A receita do dia, ontem, deu mulher e, hoje, achei boa ideia repetir. Quando liguei a TV, esta manhã, estava a dar, na CMTV - ficou nesse canal, quando a desliguei, ontem à noite, depois de ver aquela desgraça de programa de futebol que eles fazem sem piada nenhuma - a história de uma estudante que foi violada na sua festa dos 18 anos. Mais que outra coisa, foi isso que serviu de percutor para o tiro de partida para a minha publicação desta sexta-feira, véspera de S. João.

Vem aí uma longa noite de festa, muita bebedeira e é natural que mais algumas mulheres sejam violadas se não se souberem proteger dos garanhões que estão sempre prontos para aproveitar uma oportunidade que se lhes ofereça. O S. João junta muitos milhares de jovens e posso garantir que os do sexo masculino pensam no sexo como a sua primeira prioridade. Portanto, já ficam avisadas as do outro sexo, o dito belo, que o melhor é jogarem à defesa.

Só falei nisso por causa do S. João que também é festa rija aqui no vizinho concelho de Vila do Conde. Eu moro na Póvoa, mas estou mesmo na fronteira, dou três passos e já estou em Vila do Conde, em consequência disso não posso alhear-me da festa. Mas o que eu vinha mesmo era falar de mulheres e é disso que se trata, a partir daqui.

Como homem, eu acordei para a vida aos 16 anos. A casa onde eu morava, num primeiro andar, tinha uma janela para a rua, onde o sol batia mal chegavam as dez da manhã. Costumava sentar-me ali com um livro na mão estudando a História de Portugal (que se dava no 5º Ano do Curso dos Liceus), a Geografia do mundo inteiro ou as Ciências Naturais - memorizando o nome das partes em que se divide uma planta ou uma flor - e, por vezes, nem para ele olhava. Mirava as raparigas que iam passando, umas mais novas, outras mais velhas, umas mais feias e outras mais bonitas e estas ia-as seguindo com os olhos até me desaparecerem da vista.

Em frente à minha janela, morava uma rapariga que se chamava Graça. Quando a via sair de casa, eu dava comigo a pensar se gostaria de, um dia, vir a namorar com ela. Ela usava óculos, tinha os cabelos pretos ligeiramente encaracoladas e não era uma daquelas mulheres que nos caem no goto à primeira vista. Dessa passei ao lado e ainda bem, pois ela está, hoje, viúva, meia cega e não se liga muito bem com o resto da família.

Terminada a época de exames, regressei à minha terra natal e logo me cruzei com a Maria que foi a minha iniciadora nas coisas do sexo, aquelas coisas que a gente com dez anos pensa, mas ainda não consegue executar, por desconhecimento e falta de preparação, além da necessária maturidade sexual, ainda não atingida. E logo me veio o pensamento: - poderá ser esta a minha primeira namorada? Acho que não, disse eu para mim mesmo e segui adiante.

A minha mãe tinha um atelier de costura com meia dúzia de aprendizas e os meus olhos caíram numa ruiva de cabelos ondulados, mulher capaz de encher o olho a qualquer homem e muito mais a mim que andava ainda à procura da minha primeira experiência. Andei de olho nela, durante alguns dias, ainda me fiz encontrado com ela na hora da saída, esperando uma oportunidade de a acompanhar até casa e explorar o terreno, mas ao fim de algumas tentativas abandonei o plano, pois ela era mais velha que eu uns bons 2 anos e nessa idade essa diferença nota-se muito..

Já nos meus tempos da 4ª Classe, eu tinha escolhido uma namorada, a Lurdes. Quando os outros rapazes perguntavam: - Quem é a tua namorada? Todos gostavam de ter um nome para dar e eu escolhi a Lurdes, porque não morava muito longe de mim e via-a todos os dias, quando ia ou vinha da escola. Lembro-me do Serafim, colega que emigrou para Angola, mal fez o exame da 4ª e lá ficou para sempre (morreu no ano passado e lá ficou enterrado, sem descendência) que um dia respondeu à tal pergunta da mesma maneira que eu. Ambos tínhamos escolhido a Lurdes e tivemos que disputá-la a soco para gáudio da turma inteira que assistiu à faena, do princípio ao fim.

Antes do fim desse ano, e antes de ter chegado aos 17 anos, voltei à Póvoa e dei com os olhos numa miúda magrela que eu costumava ver a passar debaixo da minha janela, mas que nunca atraíra a minha atenção. Como andava na tal fase de escolha, olhei para ela com os olhos e interessado e não me pareceu uma má escolha. Bonita ele era, rabina que baste e com umas maminhas que timidamente empurravam para cima a camisola que trazia vestida. Foi tiro e queda, terminaram ali os meus esforços na procura da mulher certa. Ainda dei umas voltas pelo mundo, passaram-se 7 anos, mas acabei por casar com ela e có nos vamos aturando um ao outro o melhor que podemos e sabemos.

Gostaram do filme? Ainda bem, visto que estou aqui para voa alegrar a vida e nunca vos viria chatear com uma história de arrancar lágrimas e soluços!

quinta-feira, 22 de junho de 2023

E Deus criou a mulher!

 Enquanto a guerra continua na Ucrânia (e noutros lugares menos falados) e os americanos continuam à procura do Titan, o pequeno submarino construído de propósito para espiolhar o que resta do Titanic, eu vou concentrar os meus esforços em falar-vos da mulher que nasceu de uma costela do homem. O Adão foi o primeiro, mas cada um de nós, homens casados, ficámos sem uma costela para ter direito a uma companhia feminina. Diz-se por aí que a mulher é complicada, porque Deus escolheu o osso mais curvo e mais duro que temos no esqueleto. São opiniões e cada um tem a sua!


A mulher, aos 15 anos, é como um botão de rosa que todo o mundo acha formosa e uma autêntica gracinha. Depois começa a corrida de fundo que é a nossa (de todo o homem e mulher) vida e as transformações começam a aparecer. Na mulher os primeiros anos são um abrir das pétalas e aumentar ainda mais a beleza que o botão tinha e todos amam essa fase da vida. Elas incham de vaidade e rompem os espelhos da casa de tanto se olharem neles. Eles arregalam os olhos e sonham em colher essa rosa que a todos agrada, mas que só um colherá.

Agora nem tanto, mas nos velhos tempos a mulher queria casar aos 18 anos e libertar-se da disciplina familiar - entenda-se, ser independente, ser livre e responsável pelas suas decisões - e viver a sua vida junto do seu amado. E com essa decisão começava o desfolhar dessa bela rosa. Engravidar, dar à luz e amamentar os seus filhos fará cair algumas das pétalas e pisando outras que por vezes é preciso arrancar para preservar a beleza do conjunto.

A mulher de cinquenta anos já é uma rosa meio depenada que precisa de muitos cuidados para justificar a sua permanência na jarra lá de casa. Será muito bom que a mulher tenha aprendido alguns truques para manter a união da família, senão, a partir dessa altura, a vida tornar-se-á um inferno. O homem com quem partilharam metade da sua vida começa a deitar os olhos aos jardins da vizinhança e admirar as rosas e os botões que lá existem. E os ciúmes começam a roer a alma dessa mulher que agora já não se olha ao espelho com tanta frequência.

Ser homem nessa altura da vida também não é fácil. Tanta rosa linda ao alcance da nossa mão e a nossa rosa toda murcha na jarra lá de casa. Alguns, aqueles não aprenderam a amar outros aspectos da relação matrimonial, tendem a pegar na rosa e, simplesmente, deitá-la no lixo. Os outros, como eu, penduram-se nos filhos e nos netos que a mulher lhes deu de presente para encontrar uma nova razão de viver.

É quinta feira, abram os olhos e admirem a vossa rosa, quer ela esteja ainda em botão ou já meio desfolhada. Há feira em Barcelos e eu talvez vá até lá para visitar as minhas raízes!

quarta-feira, 21 de junho de 2023

Viva o verão!

 


Tinha pensado em escrever algo sobre «A Mulher e a Rosa», um olhar masculino sobre a questão mais complexa que existe, entender as filhas de Eva. Mas fui obrigado a mudar de planos por causa do dia especial que hoje vivemos e que merece que eu lhe dedique meia dúzia de palavras.

Hoje, é o solstício de verão, ou seja o primeiro dia da nova estação que agora começa e que é também o dia mais longo do ano. Aproveitem-no bem pois amanhã já os dias começarão a encolher, até ao Natal.

Toda a gente gosta do verão - bem, toda, toda não, há quem tenha que trabalhar a dobrar esse período - porque é tempo de férias, os dias são maiores e há tempo para tudo e mais alguma coisa. Romarias, concertos musicais em altos berros, noites com muito salero com as mulheres cheias de calor e com pouca roupa, além da cerveja fresquinha que, nos velhos tempos, era só deles, mas que agora também elas apreciam.

Lembro-me dos meus tempos de estudante, à espera que começassem as férias grandes. Escolas fechadas de 15 de Junho até ao fim de Setembro eram mesmo, mesmo umas férias de sonho. Mal começava o mês de Junho e a gente se remexia na carteira, incomodado pelo calor crescente, todo o mundo ansiava pelo início das férias grandes.

Agora que estou no inverno da vida - não há outra estação depois desta - já não anseio por férias, um bocadinho de energia para mexer as pernas já está bom para mim. Nesta idade, só podemos optar entre o sofá da sala ou a cama que está no quarto de dormis, por conseguinte mexer as pernas, de vez em quando, é uma espécie de férias na vida quotidiana. Ir até ao jardim ver os reformados, 500 metros para lá, outros tantos para regressar a casa, isto é o resumo resumido da vida de um velhote.

Não liguem ao que acabei de escrever, eu falo de contente! Vivam este dia como se fosse o último da vossa vida e amanhã ... repetem!