Ontem já estava pouco inspirado e dei-vos o Bruce Lee para disfarçar, hoje estou ainda pior e apetecia-me falar da Ucrânia, mas tanto pela ausência de notícias - as nossas televisões viraram-se todas para a desgraça que nos atingiu, mais no centro que no sul ou no norte - como para o impasse que parece acontecer, tanto nos combates como nos esforços dos mediadores para lhes pôr um fim.
Depois do encontro em Davos que o Trump transformou num circo com os palhaços escolhidos por ele, assim como do discurso de Zelensky a zurzir os europeus por falarem muito e não fazerem nada, não mais ouvi qualquer referência a essa guerra esquecida. O que está na moda é a viagem dos meios navais americanos que o presidente mandou deslocar do mar de Taiwan para o Golfo Pérsico para assustar os Aiatolas que estão armados em fortes, a fazer-me lembrar o Maduro da Venezuela.
O Maduro, num dia arengava que o povo estava com ele e que iam lutar para honrar a memória de Bolívar que parece ser o seu ídolo de estimação e no dia seguinte estava preso no interior de um vaso de guerra do inimigo americano que o raptou, algemou e levou para a Terra do Tio Sam para ser julgado, acusado de uma trintena de crimes que ele não se recorda de ter cometido.
Agora, chegou a vez dos aiatolas dizerem o mesmo. Que estão armados até aos dentes e que com eles ninguém brinca. Que o Trump não pense que somos a Venezuela, parecem dizer, aqui não conseguem entrar sem arcar com as consequências. O Trump, como fez no Mar das Caraíbas, limita-se a deslocar para ali uma força naval de respeito que inclui um porta aviões e toda a parafernália de outras unidades que lhe dão apoio e protecção.
Dizem os comentadores que o Trump não quer ficar atrás dos seus rivais comunistas (da China, Rússia e Coreia) e desatou a fazer toda a merda que lhe apetece sem respeitar as instâncias que zelam pela ordem mundial, como a ONU e a Nato, ou as leis que regem as relações internacionais. Ele já se meteu com o Canadá, ameaçando de o transformar no 51º estado da União, com a Dinamarca, dizendo que lhe vai ficar com a Gronelândia, com a Venezuela, aprisionando o Maduro, com a Síria, limpando o sarampo a quem levanta cabelo e agora quer proibir o aiatola de enriquecer urânio e prender ou matar quem se manifestar contra o regime que impuseram pela força, vai para 50 anos.
A China está de olho em Taiwan, a Rússia numa boa parte da Ucrânia e ele também quer cortar uma fatia do bolo para não lhes ficar atrás. O plano da Riviera do Oriente Próximo (que o médio fica um bocadinho mais para oriente) na cabeça de Trump está resolvido, ele já nomeou o «Conselho de Paz» que funcionará como um clube de investidores para reconstruir Gaza e a vender no mercado, como foi feito no Dubai.
Ah, o assunto era a Ucrânia, mas como vos disse não se fala muito disso nos nossos noticiários. Até aqueles famosos programas que davam pelo nome de Guerra e Paz e envolviam figuras conhecidas como Nuno Rogeiro ou Zé Milhazes, além de muitos generais que disputavam os canais e horários das nossas televisões, quase desapareceram do meu radar. O general comunista que é fã de Putin e acusa o Zelensky de ser o culpado de tudo ou o general Isidro que mudou de canal para ter uma palavra a dizer, mas colocaram num horário em que os portugueses já ressonam, cansados de tanta animação televisiva.
Antigamente, a moda era apenas na roupa que a cada estação mudava de cor ou de tamanho, ora eram as mini-saias, os shorts ou os vestidos a arrastar pelo chão, mas agora a moda também invadiu a política e o mundo das notícias. Nos últimos 3 anos temos andado entretidos com eleições e a moda é sondagens, enterrar vivos e desenterrar mortos. Esta semana calhou ao Salazar ser desenterrado por André Ventura - é uma animação este político, não sei o que será que virá depois dele - que disse serem precisos 3 salazares para endireitar o que o PS destruiu, nos últimos 50 anos.
Como já aqui afirmei, não voto em perdedores e se as sondagens, na próxima sexta-feira, garantirem que o Ventura perde, eu não me darei ao trabalho de ir votar. É muito incómodo para um resultado que não será afectado pelo meu voto, por isso prefiro engrossar o número da abstenção!
