Não tenho falado muito deste assunto, porque as informações, venham elas de onde vierem, são um turbilhão de ... aldrabices! Dizem uma coisa hoje, outra amanhã e no dia seguinte tudo mudou de novo. Desinformação também é uma arma, mas não vejo em que isso possa ajudar-nos, a nós europeus, a resolver o problema que representa o avanço dos russos em direcção ao ocidente.
Segundo as notícias, lidas e ouvidas ontem, o presidente Zelensky pegou no plano de 28 pontos (de Putin e Trump) e esquecendo um outro que tinha apenas 19 pontos (desconheço o autor) transformou-o num novo acordo de 20 pontos e remeteu-o a Trump para análise. Aqui a palavra análise é um sofisma, pois a ideia é que o Trump convença o russo a aceitar este acordo como bom.
Não lhe conheço os detalhes, mas por alguns comentários que ouvi, depreendo que o plano consiste em congelar as posições actuais dos dois exércitos em confronto e resolver o problema pela via diplomática num futuro próximo. Ambos os mandantes, russo e ucraniano, terão que recuar um pouco nas suas pretensões cabendo a pior parte à Ucrânia, como já todos percebemos.
Haverá lugar a eleições na Ucrânia, mas não se sabe se Zelensky será candidato ou não. Só abdicando desse direito o processo poderá avançar, pois o ditador russo não lhe reconhece o direito de se candidatar e isso pode impactar, negativamente, as restantes negociações. E haverá também lugar a referendos nas regiões que Putin reclama como russas. E quem poderá garantir que essa consulta popular se realizará sem a influência (pressão) russa?
A "geopolítica" (esta palavra entrou na moda e agora tudo é geopolítica e todos os comentadores que dão ao badalo, em todos os canais televisivos, são especialistas nessa ciência) parece obrigar os EUA e o presidente Trump a fazer da Rússia um amigo para equilibrar as coisas com a China. Confesso que não entendo essa visão das coisas. Pela ideologia esses dois países seguirão sempre juntos, do mesmo modo que os EUA serão sempre um inimigo comum.
E segundo essa lógica que eu acredito acabará por prevalecer, o presidente Trumpo acabará por dar com os burros na água. Se não for antes será com o fim do seu mandato, altura em que os americanos lhe cobrarão tudo aquilo que fez de mau para o seu país. Ele está convencido e farta-se de o afirmar, a América nunca esteve tão bem como agora, desde que ele tomou as rédeas do poder. Mas há muitos que não pensam assim.
Retomando o fio dos meus pensamentos, o Trump quer fomentar os seus negócios naquela parte do mundo, seja em nome da América ou em nome próprio, pois ele não perde uma boa oportunidade de negócio. E ele não sente qualquer remorso em pôr-se ao lado de Putin e contra os parceiros europeus para conseguir os seus intentos. Aliás, isso é um primeiro passo para, mais tarde, se virar contra a Dinamarca (país da UE) por causa da Gronelândia.
Isso fará com que as regiões ucranianas da Crimeia, Donetzk e Luhansk se considerem perdidas. O recuo nas de Zaporizia e Kerson será mais quilómetro para cá ou para lá conforme os dois (Trump e Putin) considerem mais favorável. E até a fronteira norte, na zona de Karkiv, poderá estar em questão, penso eu.
No caso de este plano ir avante, tudo depende de quem se aventurar a ser candidato à presidência da Ucrânia. Se for um russófono e russófilo tudo estará resolvido, pois é isso que Putin quer. Pelo contrário, se for algum seguidor de Zelensky, estará o caldo entornado. Para o povo da Ucrânia será sempre mau, pois ficará debaixo da pata russa, no primeiro caso, ou terá que continuar a guerra, no segundo caso.
Fico â espera da resposta de Trump e muito curioso pela posição assumida pelos 3 líderes europeus, francês, inglês e alemão, os quais se puseram do lado de Zelenzky nesta peleja transatlântica. Será que eles, finalmente, decidiram assumir a sua posição de líderes dominantes dentro da União Europeia?

Temos que esperar pelos próximos episódios.
ResponderEliminarBom dia
Que cada um tire as conclusões antes do dia 18 de Janeiro... 'Washington declara a Europa em falência civilizacional'.
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