Hoje, por ser o dia que é, escolhi falar sobre o Natal, o menino Jesus, Belém e o Bacalhau. Assim por esta ordem, ou por outra ordem qualquer, pois para o efeito tanto vale.
Em primeiro lugar refiro-me à noite de Natal e não ao dia, porque foi de noite, e continua a ser, que tudo aconteceu. Actualmente, no «Dia de Natal» curam-se as bebedeiras e curte-se a ressaca dos excessos da noite anterior. Os que não são fãs do bacalhau cozido com hortaliça, ou que não ficaram satisfeitos com a refeição da consoada, atiram-se a uma perna de cabrito, um naco de leitão ou qualquer outra iguaria mais de acordo com os seus gostos.
Na véspera de Natal vive-se a ansiedade de uma festa, talvez a maior do ano, que se aproxima, a alegria de abraçar familiares que raramente se juntam e a loucura das crianças na expectativa dos presentes que esperam receber. Depois, a grande Ceia de Natal com toda a gente à volta da mesa para provar as muitas coisas boas que a tradição portuguesa põe à nossa disposição. As crianças irrequietas que é difícil segurar até à meia-noite, hora de abrir os presentes, e o culminar de tudo com o nascimento de Jesus, na hora 00.00 do dia 25.
O Menino Jesus, Deus que incarnou para vir a este mundo e morrer pela remissão dos nossos pecados, é tão pequenino e indefeso que ninguém se lembraria de o ligar aos acontecimentos de Jerusalém, 33 anos depois, que acabaram com ele pregado na cruz, entre dois ladrões. Tal e qual como bacalhau, nascido e criado nos mares frios do Atlântico Norte que acabará, destino cruel, na mesa de qualquer português que morre de amores por lhe ferrar o dente. Jesus e o bacalhau, ambos condenados à morte, desde o dia em que nasceram, por causa dos nossos pecados.

E Belém, estarão vocês a perguntar, quando aparece Belém nesta história? Bem, Belém há dois, um que é na Palestina e os portugueses (quase todos) só conhecem de ouvir falar e há um outro, em Lisboa, onde se ergue o Estádio do Restelo, lugar onde Jesus (não o menino, mas o outro) começou, esta semana, a sua caminhada até ao Calvário. Ele não sabe, mas todos estes acontecimentos estão ligados e são sinais para quem os sabe interpretar. Antes de morrer ele vai cair três vezes e a primeira queda foi no jogo contra o Benfica. A segunda esteve quase a acontecer, anteontem, mas não deve demorar a acontecer e a terceira e mais dolorosa vai ser no fim desta época, depois de ter prometido tudo e ter falhado rotundamente, quando lhe apontarem a porta de saída de Alvalade.
O Bacalhau papamos-lo hoje e o Jesus pode esperar até à Páscoa, altura da sua cruxificação e morte.
Bom Natal para todos, divirtam-se e não pensem em coisas tristes!