sexta-feira, 10 de abril de 2026

Pr'aqui stão!

 Milhões de muçulmanos que foram cidadãos britânicos, durante muitos anos, e, em 1947, se separaram do Reino Unido e também dos seus vizinhos hindús, com quem não quiseram partilhar um novo país nascido da independência. Muçulmanos para um lado e hindús para o outro, pois com muçulmanos nem para o céu. São muitos e são pobres, mas aspiram a ser alguém no mundo moderno e, no presente momento da História, estão a tentar mediar o conflito que meteu o vizinho Irão numa guerra com os americanos que está a complicar a vida a meio mundo.

Neste preciso momento devem estar reunidos, em Islamabad, representantes de vários países que tentam convencer o Irão, assim como os EUA, a pôr fim a uma guerra que está a deixar o mundo ocidental, e não só, à beira de uma crise sem precedentes. A indústria petroquímica enfrenta um problema de difícil solução com a falta de crude que está a ser retido no Golfo Pérsico pelos iranianos que não deixam os navios petroleiros atravessar o Estreito de Ormuz.

Do petróleo faz-se quase tudo e não apenas os combustíveis que aparecem como primeiro grande problema para os que dependem do seu carrinho para ir trabalhar todos os dias. A indústria têxtil, a Agricultura e até as Farmacêuticas param se lhes faltar a matéria prima de onde retiram os seus produtos. A vida já estava complicada por causa da Guerra da Ucrânia, com os países ocidentais a gastarem rios de dinheiro para ajudar o presidente Zelensky a defender-se dos russos. Esta nova situação no Golfo Pérsico veio multiplicar o problema por dois.

A cabeça de Donald Trump é como uma ventoinha, nunca sabemos para que lado está virada. E assim, a tarefa dos mediadores que pretendem acabar com o conflito não vai ser pera doce. Toda a gente ficaria beneficiada com o fim do conflito, inclusivé os americanos que estão a gastar rios de dinheiro com a guerra, mas podem existir interesses escondidos que ninguém adivinha e podem fazer gorar as negociações em curso.

Todos esperamos que não e que surja uma luz de esperança, lá do lado do sol nascente. Abrir o trânsito marítimo no Estreito, com passagem livre para toda a gente, é o que nós precisamos e assim tem sido, há muito tempo. E evitar mais bombardeamentos e destruição no Irão que não fazem a felicidade de ninguém. É hora de dar um descansozito ao Deus da Guerra!

Islamabad e a panorâmica daquela zona do planeta
que nos faz adivinhar a proximidade dos Himalaias!

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Brainstorm!

 


Na última fase da minha vida profissional comecei a ouvir esta palavra com certa frequência. As coisas não corriam bem na empresa e começaram a aparecer gurus que sabiam tudo e arranjavam solução para todos os problemas. Como a empresa acabou na falência, acredito que eles sabiam pouco da matéria que queriam impingir a quem lhes pagava as contas!

Qualquer reunião convocada para estudar o problema e a preconizada solução era um "brainstorm". Numa ocasião, perguntei ao Sr. Engenheiro que liderava a troupe de especialistas, o porquê de chamar brainstorm a uma simples reunião que servia para nós lhe explicarmos o nosso ponto de vista e eles darem a sua opinião, a partir do ponto de vista de quem nada tinha a ver com o assunto. A sua resposta deixou-me mais convencido ainda que só estávamos ali a perder tempo. Nós queremos ouvir as opiniões de todos, depois comparámo-las e tiramos uma conclusão que transmitiremos ao Conselho de Administração da empresa.

A técnica do brainstorm que eu já conhecia consiste em ouvir a opinião das pessoas sobre uma possível solução a aplicar para resolver um qualquer problema que nos afligisse no dia a dia da empresa. Só que na altura da mudança de século o problema era, praticamente, sem solução. O famosíssimo «Acordo Multifibras» que nos tinha protegido nos últimos anos, proibindo a importação de têxteis do Extremo Oriente, chegaria ao fim no dia 31 de Dezembro e as importações seriam livres a partir do dia seguinte.

Por mais voltas que dessem ao cérebro não havia solução para o problema. Nenhum especialista do mundo conseguiria inverter uma decisão que todos os grandes importadores europeus de roupa já tinham tomado, há muito tempo. Logo que as leis o permitissem partiriam para Hong-Kong, local ideal para negociar com os industriais chineses que aguardavam esse dia como se de uma lotaria premiada se tratasse.

Uma vez, já enervado com as saídas daqueles senhores engenheiros que cobravam uma fortuna para arranjar uma solução que não existia, eu disse-lhes: - eu conheço a solução para resolver o nosso problema, em vez de roupa passarmos a fabricar panelas de alumínio! Foi uma risada geral no Salão de Reuniões da nossa empresa, uma enorme sala, num 1º andar virado a sul, onde a luz e o calor do sol nos faziam ferver as ideias.

Talvez achem estranho eu estar a falar-vos disto, tantos anos depois de ter acontecido, mas é nas ocasiões difíceis em que temos que tomar decisões que podem não dar certo que o tal brainstorm se torna necessário e justificado. Quando me foi comunicado o diagnóstico da minha actual doença, juntei a família e perguntei-lhes a sua opinião. Devia submeter-me ao tratamento proposto pelos médicos ou deixar o destino cumprir-se e morrer, quando o corpo desistisse de lutar pela vida?

Penso que na cabeça deles não chegou a haver nenhum brainstorm. foram tão rápidos e unânimes a dizer "tratamento" que acho que nem tinham digerido a notícia ainda. Mas foi a decisão deles todos e eu não tinha maneira de fugir do problema, como daquela vez que disse aos entendidos em gestão de empresas que era melhor fazermos panelas de alumínio em vez de roupa, aceitei o castigo. E agora estou aqui sentado à espera que essa hora chegue ... e já não falta muito!

P.S. - Não se admirem de eu escrever muito, quando namorava e estava longe (na guerra, em África) escrevi uma carta à namorada que tinha 17 páginas!

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Alívio nos mercados!

Música para ouvirem enquanto lêem a minha prosa!

 Eu já desconfiava que as bravatas do presidente mais louco deste mundo não dariam em nada! À última hora, ele ou alguém em seu nome, arranjaria uma forma de saltar fora do comboio em andamento para não dar com os burros na água!

O preço do petróleo deu um salto de 10$ por barril e talvez alguns dos tais amigos que sempre aproveitam estes recados para ganhar algum tenham saído chamuscados. As Bolsas mundiais abriram todas a subir e alguns títulos saltaram mais de 10% para cima. Eu aproveitei também para vender alguma coisa e diminuir o risco. Ainda pensei em esperar até ao fim de semana para ver o que se vai decidir na reunião de sexta-feira, em Islamabad, mas as coisas podem voltar para trás e eu perder a oportunidade de diminuir as perdas.

Alguns comentadores, daqueles que gostam de esticar o pescoço para que sejam vistos na fotografia, já afirmavam, ontem, que o Trump ordenaria o uso de força nuclear para conseguir aquilo que prometera, aniquilar uma civilização milenar numa única noite. A continuar por este caminho, o presidente Trump nem hipóteses terá de terminar o mandato, os seus amigos republicanos começam a não gostar da música que ele toca. Um dia destes acorda com um processo de destituição em curso!

O Irão não tem o direito de impor portagens a quem passa naquele estreito e, ao abrigo do direito internacional, deverá haver uma maneira de o proibir sem recurso á guerra. Os diplomatas que entrem em campo e comecem a estudar o problema, pois alguma solução deve haver, a guerra nunca foi solução para nada!

Ouvi nas notícias, ontem, que uma grande percentagem dos fertilizantes utilizados no mundo passam pelo Estreito de Ormuz, pois são obtidos a partir de Gás Natural e é no Golfo Pérsico que ele é extraído e transformado em grande escala. Como não estava por dentro do assunto - embora já conhecesse o Amónio desde miúdo, pois usávamo-lo para adubar a sementeira das batatas, na horta da família - fui consultar o Dr. Google que sabe tudo destas coisas.

O mundo vem-se preparando, há anos, para pôr de lado o petróleo, investindo rios de dinheiro em energias renováveis. Geradores eólicos e painéis solares têm sido espalhados por toda a Europa, envolvendo milhares de milhões de euros, mas isso resolve apenas uma parte do problema. Também a Indústria Têxtil e Farmacêutica dependem do petróleo e, como acabei de referir, até a Agricultura está pendurada no mesmo sarilho. Sem os malditos fertilizantes que vêm do Médio Oriente a população mundial corre o risco de morrer à fome.

Como podemos perceber, a Guerra do Irão é muito mais que uma simples quezília entre Trump, Netanyahu e os aiatolas. É uma situação que envolve interesses de todo o mundo e como tal tem que ser tratado. Não é coisa para deixar nas mãos de Trump nem de decisões tomadas na base de uma ameaça de uso do nuclear, nada disso. Mas acredito que deve ser a diplomacia, até que se esgote a última e mais remota possibilidade, a tratar do assunto!

terça-feira, 7 de abril de 2026

A Casa Amarela!

Como já aqui deixei escrito, mais que uma vez, eu sou natural de Barcelos, cidade onde existe uma casa da obra de S. João de Deus, vulgo, uma Casa de Tolos!

És de Barcelos, também és tolo, já ouvi mais que uma vez! Mas isso é uma refinada mentira, os tolos que vivem na Casa Amarela são de outras terras e não de Barcelos! Bem, pode ser que no meio de tantos também haja por lá algum de Barcelos, mas isso não me tira o sono.

Passei este fim de semana da Páscoa a ouvir alarvidades da boca do presidente americano e pensei que ele é um sério candidato ao internamento nesta, em qualquer outra semelhante, casa de saúde. De saúde ou de doença, não quero discutir o nome que lhe deram nem porquê, mas é um facto indesmentível que o Trump não está bom da cabeça, ou seja, está doente.

Eu fico banzado como deixam aquela criatura andar por esse mundo a fazer tropelias e a vangloriar-se disso, como se fosse um herói. Agora marcou mais uma data limite para o Irão abrir o Estreito de Ormuz ou lançará sobre eles um verdadeiro inferno. Estamos a poucas horas dessa data/hora limite e tenho quase a certeza que não vai acontecer nada. De um modo ou de outro, alguém arranjará uma desculpa para isso não acontecer.

Enquanto todo esse folclore se vai desenrolando, há muita gente por esse mundo fora a ganhar rios de dinheiro com a especulação de preços. Seja do petróleo, dos combustíveis, em geral, do ouro ou de outros bens de consumo tudo anda numa dança infernal de sobe e desce, coisa que os especuladores aproveitam para amealhar o que puderem. Até parece coisa combinada com o presidente chanfrado! Diz aí mais umas baboseiras, como só tu sabes fazer, para nós enchermos o nosso bolso.

Arrisco-me a dizer que não há um único amigo de Donald Trump que não tenha já aumentado a sua fortuna em 20 ou 30 por cento, nos últimos 40 dias! E os pobres desgraçados, como nós portugueses, que paguem a crise. O dinheiro que uns embolsam tem que vir de algum lado e quase sempre é o mais pobre a contribuir com as suas migalhas para fazer o bolo que lhe enche os bolsos.

Abram o Estreito, seus loucos, ou vão ver o que é bom! E o louco continua à solta sem ninguém que lhe vista uma camisa de forças!

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Hoje há Benfica!

 Começo por fazer uma referência aos avisos da Meteorologia para o dia de hoje. Dizem que o tempo vai arrefecer e talvez chova! Que mais queriam? Ainda vamos no primeiro mês da Primavera e, tal como diz o ditado, em Abril águas mil! Se não fosse assim como conseguiríamos aguentar até chegarem as primeiras chuvas do Outono? Água é vida e sem ela é a morte para muitas culturas de que depende a nossa vida!

Só logo à noite saberemos como será ajustada esta tabela classificativa, após o jogo do Glorioso que começa às 20.45 horas. O FCP já jogou e teve direito a um (inesperado) empate. São menos dois pontinhos no fosso que o separa dos dois mais directos perseguidores. O SCP tem menos um jogo que ainda não se sabe muito bem quando será disputado. Se o Glorioso ganhar o jogo de hoje, em Rio Maior, contra o Casa Pia, a única equipa a infligir uma derrota ao quase campeão Porto, igualará o Sporting e ficará a rezar para que este não ganhe o tal jogo que tem em atraso.

Mas mesmo assim, com 68 pontos cada, a diferença de 5 pontos para o 1º classificado é quase impossível de neutralizar, ou seja, o FCP já é, virtualmente, campeão. Nas poucas jornadas que faltam não se prevê uma hecatombe que leve o Porto a perder 5 ou 6 pontos. E além disso, para o Benfica, há ainda um jogo, em Alvalade que pode fazer desta uma das piores épocas do Benfica, se o perder.

O treinador alemão que guiou o Benfica, durante duas épocas, foi um erro da casting. E a substituição dele pelo Bruno Lage foi uma decisão medrosa do Rui Costa. Tal como foi agora a contratação do Mourinho foi um assomo de raiva e não resolverá nada. Contratar o treinador certo é a primeira necessidade para um clube que quer ir sempre no topo da tabela e o Rui Costa já falhou 3 vezes.

Se ele tivesse dito aos sócios que o Mourinho seria a solução para a próxima época, para ajustar o plantel, livrando-se dos pesos mortos e escolhendo 2 ou 3 craques que pudessem fazer a diferença, talvez os sócios lhe dessem uma desculpa. Mas a esperança de Rui Costa era apenas que o Mourinho o levasse longe na Liga dos Campeões. Mas, como seria isso possível se o Benfica não consegue ganhar às pobres equipas portuguesas?

Em 27 jornadas disputadas leva 8 empates, alguns bem difíceis de digerir! Uma equipa assim não pode aspirar ao título de campeão. E se somarmos a isso o fraco desempenho das mais caras contratações da época, pior ficamos ainda. Jogadores a custar acima de 20 milhões de euros e que ficam sentados no banco são a prova mais clara de que há alguém na organização que não tem a mínima ideia do que anda ali a fazer.

Ivanovic que tem passado o tempo no banco e marcou um golo, recentemente, que evitou mais um empate à sua equipa, é um dos exemplos de jogadores que foram erradamente avaliados por quem os contratou, mas Richard Rios veio do Brasil envolto numa áurea de herói e ainda não fez um jogo que provasse o seu valor. Que decidirá o Mourinho sobre estes dois caríssimos atletas? E o grego ponta de lança que não dá uma para a caixa, sai ou fica?

O Mourinho é, ele próprio, um problema. Apareceu como o salvador da época, mas todos acreditam que não tendo conseguido os seus intentos não há razão para continuar. E depois, os interessados em levá-lo são mais que muitos. O Martinez deve abandonar a nossa Selecção logo que termine o Campeonato do Mundo e todo o mundo crê que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol convide o Mourinho para o substituir. Mas também os adeptos da selecção azurra o querem em Itália, assim como os merengues que estão fartos de ser envergonhados pelos catalães do Barça.

E o Rui Costa? O que quererá ele para o Benfica? Os sócios estão bem arrependidos de terem votado nele para seguir ao leme do clube, mas as alternativas provaram não valer, também, um caracol. Ele parece estar rodeado de gente que não percebe nada da poda e se a coisa continuar assim, a próxima época não promete nada diferente desta. O primeiro erro, segundo a minha análise, é faltarem no Benfica jogadores portugueses que são aqueles que carregam e transmitem aos mais novos a mística do Benfica.

Talvez 5 jogadores portugueses, um deles o capitão da equipa, consigam imprimir no «mundo encarnado» o fogo das vitórias que nos têm faltado. Do lado dos sócios e adeptos não tem faltado apoio e isso vê-se em todos os jogos. Seja na Luz ou longe da Catedral benfiquista, eles estão sempre lá e não regateiam o seu apoio. Mas o ponto principal é o treinador, o presidente tem que acertar na sua escolha desta vez!

domingo, 5 de abril de 2026

Verdade à La Palice!

Detalhes sobre La Palice:

Nome Real: Jacques II de Chabannes, Senhor de La Palice.

Carreira Militar: Destacou-se na tomada de Nápoles (1495) e conquista de Milão (1500), tornando-se Marechal de França em 1515.

Origem da Expressão: Após a sua morte, soldados cantaram: "Hélas, La Palice est mort... s'il n'était pas mort, il ferait encore envie" (Ainda faria inveja). No francês antigo, a escrita "ferait" (faria) assemelhava-se a "serait" (estaria), levando a ler-se "il serait encore en vie" (ainda estaria vivo), gerando a paródia de que ele dizia coisas óbvias.

Só sentimos a falta que as coisas nos fazem depois de as perdermos! Estava a pensar nisto, do ponto de vista da saúde, e acabei por perceber que isso é uma grande "La Palissada". Toda a gente concorda que sentimos a falta das coisas, depois de as perdermos, pois enquanto as temos isso seria impossível!

Quando uma pessoa está doente é que se lembra da falta que a saúde lhe faz, mas quando está de saúde nem se lembra disso. Estou cheio de saúde? É normal!

A vida pode ser curta, muito curta, longa ou muito longa e, ao longo desse percurso, mais ou menos longo vai acontecendo a falência de alguns órgãos, uns que nos fazem mais falta, outros menos, alguns indispensáveis. E neste último caso, isso representa a partida para uma vida melhor. Se é ou não melhor ninguém sabe. mas todos dizem assim, "vai desta para melhor" e por vezes acrescentam, não faz cá falta nenhuma!

Pensando naquilo que perdemos e em que medida isso nos afecta, a coisa põe-se de modo diferente para homens e mulheres. Para eles é a falência da próstata que ora os deixa impotentes ora sexualmente diminuídos. Para elas é o cancro da mama que acaba com a sua beleza física e as deixa arrumadas para um canto e nunca mais arriscam ficar nuas seja em frente de quem for.

Mas há outros órgãos que vão falindo ou perdendo qualidade e em certos casos podem usar-se próteses que os vão ajudando a funcionar e manter-nos vivos. Outras coisas perdem-se e, embora façam falta vive-se bem sem elas. Pensem no cabelo dos homens e na raiva que os carecas têm por tê-lo perdido! E os dentes, que falta nos fazem às vezes, em especial quando nos passa pela frente um petisco daqueles que nunca perdoaríamos.

Para o coração há os pacemakers - faz este mês 10 anos que uso um - para o fígado ou rins um possível transplante e próteses bem modernas para braços e pernas que se foram antes de tempo. Rins e pulmões temos um par de cada e conseguimos sobreviver se perdermos um. O pâncreas é uma dor de cabeça para os diabéticos e o baço não faz falta nenhuma.

Alto e para o baile! O baço é o meu problema do momento e ainda não sei como resolvê-lo. O meu filho, mal soube do caso, disse logo, o baço não faz falta nenhuma, tira-se e pronto! Se as coisas fossem assim tão simples bem estaríamos! Mas não são e aí é preciso buscar a solução para o problema que me afectou, ou afecta, o baço. A minha fábrica do sangue produz blastos em vez de plaquetas e glóbulos vermelhos, os quais se transformam em células malignas e se vão acumulando no baço.

O meu já vai com o dobro do tamanho e tirá-lo não foi a solução preconizada pela equipa médica que me assiste. Vou tomar uns caldinhos, especialmente estudados para o meu caso, para tentar corrigir o erro que leva à criação dos blastos. Espero, para meu próprio bem, que a equipa médica saiba o que está a fazer e seja bem sucedida!

sábado, 4 de abril de 2026

E ao 3º dia ressuscitou!

 É verdade que domingo é o 3º dia depois da sexta-feira, mas sempre me fez confusão, porque é uma forma arrevesada de pôr as coisas. De sexta à tarde até domingo à tarde vão apenas 48 horas, ou seja, dois dias e fazia-me uma enorme confusão ver os padres a celebrar a Missa da Ressureição no sábado à noite. Cristo morreu às 3 da tarde de sexta, ainda mal arrefeceu o corpo, pensava eu, e já o querem ressuscitado!

Coisas da infância, pois claro, tempo em que não ligava grande coisa aos pormenores, pois domingo é de facto o 3º dia, depois de sexta-feira! E ao terceiro dia não é a mesma coisa que 3 dias depois. Este ano, por causa da guerra contra o Irão, a Páscoa não será como as anteriores. O profeta de uns não é o profeta dos outros e cada um dos povos acha que o seu é que é o verdadeiro e o melhor dos dois.

O mais antigo patriarca do povo judeu foi Abraão e, praticamente, começa aí a religião católica e o seu misticismo. Desde esse tempo que Deus (Jeová) prometia enviar um mensageiro do céu para guiar o seu povo pelos escabrosos atalhos da vida. Mas passaram-se muitos anos antes que isso acontecesse. Ainda sobreveio uma grande fome que levou os filhos de Jacob para o Egipto, de onde regressaram, muitos anos depois, guiados por Moisés.

E muitos mais anos passaram ainda, desde essa viagem através do deserto do Sinai até Jesus nascer, em Belém por obra e graça do Divino Espírito Santo. E outros 600 anos passaram também até ao nascimento de Maomé, o "cromo" muçulmano que veio a este mundo para azarar a vida dos cristãos. Ele nasceu em má altura, aos 6 anos de idade já era órfão de pai e mãe e sabe Deus o que terá sofrido para chegar à idade adulta e encontrar o seu próprio caminho.

Nessa altura já o Judaísmo e o Cristianismo estavam espalhados um pouco por todo o mundo e ele nunca contestou essas religiões, limitou-se a dizer (para quem o quis ouvir) que essas duas religiões tinham sido corrompidas e Alá, o único e verdadeiro Deus, o tinha enviado para corrigir esse desvio. Em vez disso, só fez piorar as coisas, espalhou o ódio contra quem não aceitasse a sua palavra e a razão por que tinha vindo ao mundo.

E assim continuam as coisas na presente data. Os maometanos (ou muçulmanos) continuam a gritar "morte aos infiéis" e em vez de os convencer que vão pelo caminho errado preferem degolá-los. O Irão é, hoje, o berço do Islamismo, embora seja Meca o sítio das peregrinações que um bom muçulmano deve fazer, pelo menos, uma vez na vida. Mas uma vez mais, como já aconteceu várias vezes ao longo da História, os sauditas desviaram-se do bom caminho e os iranianos assumiram o papel de guias do povo que adora e venera o profeta.

E estamos nessa, eles enfrentam-se e matam-se como se não houvesse amanhã. E o Irão que tem muito dinheiro, vindo do negócio do petróleo, paga aos seu vizinhos mais pobres para infernizar a vida dos judeus e outros seguidores de Cristo que se deixou imolar na cruz para remissão dos nossos pecados. Netanyahu e Trump personificam, na actualidade, esse inimigo que nega a veracidade do seu profeta que dizem ser o único e verdadeiro.

Os cristãos reaparecerão amanhã com a alma lavada e prontos a espalhar o amor por esse mundo fora, enquanto que os maometanos que não celebram a Páscoa continuarão com a sua alma mais negra que nunca e a espalhar o terror nas terras em que vivem e na dos seus vizinhos! 



sexta-feira, 3 de abril de 2026

F.E.A.R !!!

 Continuo com aquela ideia de reorganizar os países vizinhos de Israel encasquetada na cabeça! Dormir mal e passar horas de olhos fitos no tecto, mesmo às escuras, faz milagres com os nossos pensamentos a viajarem como turistas viciados em constantes viagens pelo mundo desconhecido. Sim, obrigatoriamente pelo desconhecido, pois o que já se conhece perde a maior parte da piada. Embora eu conheça pessoas que passam a vida a viajar sempre para o mesmo sítio, mas esses devem ter medo do desconhecido.

Mas, voltando à vaca fria, eu tinha pensado roubar uma fatia à Jordânia para compor o meu novo país. Mas nas minhas deambulações noturnas, achei melhor ideia juntar o país inteirinho. Os jordanos, a começar pelo seu rei e rainha, talvez até ficassem orgulhosos por fazer parte de um país tão grande e que poderia, num futuro próximo, vir a tornar-se no mais influente da região.

Cada um dos 4 países tem as suas particularidades e os seus problemas também. No caso da Jordânia tem sido um milagre como conseguem manter-se neutros em relação a toda a mixórdia política que os rodeia. Será por ser uma monarquia ou por ter no comando gente com mais cabeça que os sírios e os libaneses, sem falar nos judeus que esses são como as cobras, só fechados num açafate de verga é que estão seguros.

 Na foto acima podem ver-se os monarcas jordanos com um ar bem ocidental. Mulher de cabelos ao vento e nada de símbolos árabes por perto. O filho, já casado e com um herdeiro nascido, formou-se nos EUA, o que é uma boa recomendação para suceder ao pai na regência do reino. Ou ao comando do novo país que eu engendrei nos meus mirabolantes pensamentos e que dará pelo modernaço nome de FEAR, ou seja, Federal East Asian Republic.

Em vez do judeu Netanyahu que foi rejeitado pela maioria dos meus leitores (talvez com razão) seriam os monarcas da actual Jordânia e depois o seu filho Hussein e o neto que vai completar 2 anos no próximo verão, a presidir ao novo país que serviria para pacificar toda a região. E para terminar com as quezílias dos curdos que, actualmente, vivem espalhados por 5 ou 6 países diferentes, seria proposto que fosse finalmente criado o Curdistão,

A Turquia, o mais feroz oponente, seria o primeiro a ser convidado a assinar o tratado de cisão da área curda, onde vivem perto de 20 milhões de pessoas desta etnia. Depois o Irão e o Iraque, além da Síria, serão convidados a assinar o mesmo protocolo de libertação das áreas curdas. Há ainda pequenas comunidades curdas que vivem nos países ao redor desta zona de influência e que poderiam convergir para o novo e grande Curdistão, formando uma comunidade de aproximadamente 40 milhões de pessoas felizes.

O rei Abdullah II, por minha ordem, pode começar já a tratar do assunto e convocar todos os interessados para proceder aos aspectos legais no que respeita ao tratado de adesão à FEAR, como o da criação do Curdistão. No meu modo de ver as coisas, tudo poderá estar pronto para entrar em vigor no dia 1 de Janeiro do próximo ano. E tudo na paz de Nosso Senhor Jesus Cristo que hoje entregará a alma ao seu Criador para tornar isto possível. E nada de guerras nem armas compradas ao Trump, pois de vítimas inocentes já estamos fartos!

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Barcelos!


Barcelos - Principais Marcos Históricos

Fundação e Dinastias: A povoação recebeu o seu primeiro foral em 1166 por D. Afonso Henriques. Mais tarde, no século XV, tornou-se a sede do primeiro Ducado de Portugal, o Ducado de Bragança, sob o domínio de D. Afonso, 8.º Conde de Barcelos.
O Paço dos Condes: Construído na primeira metade do século XV, este palácio foi o símbolo do poder da família Bragança. Hoje, as suas ruínas funcionam como o Museu Arqueológico de Barcelos.
A Lenda do Galo: Segundo a tradição medieval, um peregrino a caminho de Santiago de Compostela foi salvo da forca quando um galo assado cantou para provar a sua inocência. Este símbolo foi mais tarde estilizado e promovido como ícone nacional.
Ponte Medieval: Construída no século XIV sobre o rio Cávado, ligando Barcelos a Barcelinhos, é um exemplo clássico da engenharia gótica da região.
Festa das Cruzes: Remonta ao início do século XVI e é considerada a primeira grande romaria do Minho, famosa pelos seus tapetes de pétalas e procissões.
O edifício da Misericórdia que começou a dar um ar moderno à cidade

Hoje, não tenho muito tempo para me espalhar na prosa, daqui a alguns minutos vem a enfermeira fazer a colheita de material para análise - nunca imaginei ter que levar tantas picadelas! - e depois espero um irmão que me tem acompanhado para me dar moral (!) e vai comigo até Barcelos para me ajudar numas compras e carregar com o que for comprado, pois comigo já não há que contar.


terça-feira, 31 de março de 2026

Damasco!

 Por mais que Israel e Netanyahu se estiquem Israel nunca deixará de ser um pequeno país! Pode ter muito dinheiro e amigos (americanos) poderosos, mas falta-lhe território!

Por isso o Netanyahu não admite a existência da Palestina e farta-se de construir colunatos na Cisjordânia. E, actualmente, com a desculpa de eliminar o Hezbollah, vai entrando pelo Líbano dentro como faca em manteiga aquecida!

Uma fatiazita da Síria e, quem sabe, outra da Jordânia davam-lhe jeito para compor um país mais a sério e de acordo com as suas ambições! Mas com que desculpa iria ele meter-se com esses dois países? Se os europeus colonizadores, antes de virarem as costas, lhe tivessem destinado uma fatia maior, Israel poderia ter aspirado a ser um país com mais significado na região. Mas assim não aconteceu, deixaram-no entalado entre o rio Jordão e o Mediterrâneo sem espaço para se expandir.

Eu que toda a vida fui um organizador de coisas, gostaria de eleger Damasco como capital daquele canto do mundo. Países como Israel, nascido por causa do Holocausto, a Jordânia, por causa do abandono dos ocupantes europeus, o Líbano, na sua pequenez, deviam juntar-se à Síria, ou parte desta, e formar um novo país com a capital em Damasco.

Esta cidade já existia muito antes de Cristo vir ao mundo e de os impérios, grego, romano, persa ou otomano, terem feito daquilo o seu feudo particular. Antes do Marco Polo andar por ali, à procura de um atalho que o levasse até à China, já Damasco era a capital do Oriente Próximo. Porque não devolver-lhe o seu esplendor de então? Porque acham que os apóstolos de Jesus Cristo começaram por ali a espalhar a palavra do seu mestre?

É isso mesmo, porque Damasco era a única terra, verdadeiramente, civilizada a oriente de Roma. Com o mesmo fulgor só, talvez, Constantinopla, mas nunca com uma História tão antiga e completa como a actual capital da Síria. Nunca poderia escolher outra capital para esse país que idealizo na minha cabeça. Os velhos comerciantes do Líbano a fazer dinheiro, os espertos judeus a guardá-lo e fazer render juros, enquanto os agricultores ou pastores do Vale do Jordão se encarregariam de alimentar o povo.

O mapa daquela zona do Mediterrâneo oriental poderia ser, totalmente, diferente do que é hoje e sem guerras entre árabes, judeus e cristãos. Todo o mundo a lutar por um objectivo comum, o bem da gente que ali vive e trabalha! 

segunda-feira, 30 de março de 2026

O estreito!

 


O controlo do estreito está a custar-me uns bons milhares de euros com a contínua desvalorização da minha carteira de fundos e acções!

Mas há sempre alguém a lucrar com esta situação! Penso eu!!!

domingo, 29 de março de 2026

A vingança!

 

Imagem do lixo alemão (!!!)

Há lixo por todo o lado, cada vez mais!

E as pessoas cansam-se na busca de uma solução para dar conta dele, ou seja, para que não acabemos enterrados nele até ao pescoço!

Há por aí várias soluções, umas mais engenhosas que outras, para levar o povo a separar o lixo e permitir que se ganhe alguma coisa na sua reciclagem. Lembro-me de um Ecoponto, na Maia, que abriu há muitos anos e convidava os utentes a ir lá depositar o papelão, o plástico, o vidro e o metal, em contentores separados. No princípio o povo não gostou muito da ideia, ter trabalho extra sem receber nada em troca? Isso não cola na nossa maneira de ser!

Mais recentemente, com o advento do século XXI, começaram a aparecer, um pouco por todo o lado, esse tipo de ecopontos e a televisão a martelar-nos na cabeça que isso seria bom para todos. Aqui ao lado, em Vila do Conde, os ecopontos eram mais modernos e bem distribuídos, de tal modo que a "vila" até começou a espalhar a notícia que era a mais limpa de Portugal. Talvez fosse exagero, mas isso puxou pelo amor próprio dos "vileiros" e a coisa até resultou.

Aqui, nesta terra que me adoptou, nunca ligaram muito ao lixo. Colocaram contentores "gerais", onde se despejava tudo misturado, um pouco por todos os bairros. Para fugir ao trabalho do abre e fecha, o povo começou a deixar as tampas sempre abertas e o cheiro começou a incomodar. De tal modo que ninguém os queria por perto e empurrava-os mais para o lado do vizinho. Alguns ficavam cheios e de cogulo e até com saquinhos de lixo a toda a volta.

Depois vieram os selectivos, de várias cores, uns mais modernos que outros até chegarem aqueles que são enterrados no solo e sá fica à vista a goela onde se mete aquela comida toda para quem a quiser levar (sabe Deus para onde). Apareceram as empresas, muitas vezes camarárias para arranjar alguns tachinhos para os amigos, que separam o lixo e o enviam para os locais mais apropriados e o povo viu a factura da água a aumentar com um novo item, além do saneamento, devido pelo "tratamento do lixo".

Lixados ficamos sempre, quer a gente separe o lixo, como bom cidadão, ou o despeje em qualquer canto ou valeta e deixe os almeidas (que são pagos para isso) tratar dele como melhor lhes aprouver. O pessoal faz a campanha para as eleições, promete que vai fazer tudo melhor do que os outros fizeram e mal tomam posse só pensam em aumentar o orçamento da autarquia que o dinheiro faz falta para tudo. Tratar daquilo que nos incomoda é que é raro acontecer.

Nas últimas eleições, cá no meu burgo, elegeram, pela primeira vez, uma senhora. Não faltou quem dissesse que "agora é que vamos ver", pois elas é que sabem como se governa uma casa. A casa ou a casa de todos nós é um bocado diferente e esse tipo de conhecimentos não é garantia de que tudo corra pelo melhor. Isto tudo para dizer que ele inventou uma moda que ainda ninguém tinha inventado, um contentor fechado à chave com a dita entregue aos moradores da vizinhança.

No mandato anterior, o presidente deu início à recolha selectiva, porta a porta, mas só nos bairros históricos, aqueles onde não há prédios em altura e cada um é domo do espaço em frente da sua porta. Foram distribuídos contentores com as 4 cores da ordem e estabelecido um horário semanal para levantamento (ou despejamento) do material neles depositado. Os novos contentores, com chave, começaram a ser instalados nos bairros mais afastados do centro e eu fui logo agraciado com o primeirinho deles todos.

Quando perguntei pela minha chave, uma vez que os ditos contentores foram colocados a 20 metros da minha porta traseira, disseram-me que não tinha direito, pois já me tinham distribuído os contentores individuais que eu deveria colocar na porta da frente nos dias indicados no tal esquema. os ditos contentores ficaram arrumados, lá no fundo do quintal e nunca os utilizamos. O meu lixo biodegradável é espalhado no galinhairo e as minhas galinhas encarregam-se de o tratar. O cartão, plástico, vidro e metal, como cidadão exemplar, ia levá-lo a esses contentores que agora estão fechados á chave.

Não gostei nada da solução, quem tem um grande ecoponto a 20 metros da sua porta das traseiras, não gosta de andar a passear o lixo por dentro de casa até chegar à rua por onde passa o dito camião de recolha que nem da Câmara é, mas sim de uma empresa que deve cobrar bom dinheiro para fazer o serviço. Tudo muito bonito, muito organizadinho, muito como a senhora gosta, mas que a mim me criou um contratempo que ainda vou ter que estudar como resolver.

No tempo do António (de Santa Comba) Salazar era comes (nas fuças) e não bufas! Agora, em tempos mais modernos em que já somos guiados pela IA, é mais do género pagas e não bufas!

P.S. - Agora não tenho uma foto disponível, mas prometo ir fotografar o dito e moderno ecoponto e vir aqui publicar a foto, mais logo!

P.S.2 - Até me esqueci de explicar razão por que dei o título de vingança a esta publicação. Ouvi dizer que o povo descontente vai começar a depositar o lixo, em sacos, à volta do contentor, como forma de protesto!

sábado, 28 de março de 2026

Semear é na Primavera!

 


Também há sementeiras que se fazem no inverno, como as de favas e ervilhas, mas semear a sério é mesmo na Primavera! Por exemplo o feijão verde!

É isso, vou deixar-vos sozinhos a imaginar como isso se faz e vou pegar no meu sacho e "botar" uns feijões na terra para ver se arranjo feijão verde para fazer uns peixinhos da horta, para a sopinha e outros cozinhados.

Embirro com as pessoas que não conhecem qual é a diferença entre uma planta (com raíz, caule, folhas e flores) e uma semente como o feijão! Fui dar uma vista de olhos na net para ver o que me aconselhavam, mas quando vi "como plantar feijão" aparecer em grandes parangonas, dei meia volta e prefiro recorrer aos meus conhecimentos que adquiri de ver fazer.

O feijão, seja ele de que variedade for, é uma semente e quando se lança na terra diz-se semear. Embora também já se comprem feijões, por 10 a 20 cêntimos cada pé, desenvolvidos em viveiro, a que se pode referir como plantar. mas eu sou um pouco à moda antiga e prefiro semear eu próprio e esperar que o santo protector das sementeiras me ajude e o faça nascer. Se não ajudar não como!

Faz nascer os meus feijões, Santo Isidoro!!!

sexta-feira, 27 de março de 2026

Jantar de fuzileiros!

 Todas as últimas sextas-feiras de cada mês, é dia de reunião e jantar, ora com ora sem fados, dos fuzileiros da Póvoa. É hoje, ás 20.00 horas, mas não me sinto com vontade de ir. Já almocei fora, na Tasca do Paradela, e não me sinto com vontade de mais "comida". Aliás, o petisco do almoço não estava nada ao meu gosto e já lhe fiz uma cruz em cima, ficará fora das minhas escolhas por algum tempo.

A companhia talvez ajudasse a combater o meu mau humor, mas sinto-me cansado e sem vontade de dar mais um passo, hoje. Fiquei a pensar em quantos serão os fuzileiros da minha terra, porque nos jantares não aparecem mais que 20! Sei de uns poucos que se formaram depois do 25 de Abril que ainda não apareceram a nenhum daqueles almoços ou jantares em que estive presente. É tudo malta da pesada, do tempo da Guerra Colonial!

O tempo passado em conjunto nos dois, ou mais, anos de comissão criaram um laço diferente que não será possível repetir num ambiente normal em que cada um vai para sua casa ao fim de semana. Havia coisas que partilhávamos com o guarda-costas, quando estávamos de serviço de sentinela, que nem aos irmãos, ao pai ou à mãe coisas que se passavam nas nossas vidas.

Na segunda comissão já foi um pouco diferente, mas na primeira foram 30 meses consecutivos com um dia de serviço em cada três. E durante aquelas 24 horas, seguiam-se duas horas de sentinela, duas de guarda-costas e duas de descanso. Around the clock, como diz o inglês! Nas duas de sentinela, olhos atentos fixos no matagal, ou fosse o que fosse que nos rodeava, e os ouvidos atentos ao camarada que fazia de guarda-costas por conta de quem corria a conversa.

Ouvi histórias de bradar aos céus! Coisas alegres, coisas tristes, histórias de amor e paixão, umas bem sucedidas outras, rapidamente, esquecidas. Davam-se e recebiam-se conselhos, carpiam-se mágoas e sonhava-se um futuro risonho para depois daquele período complicado das nossas vidas. Como os serviços eram feitos sempre, ou quase, por camaradas dum mesmo pelotão (cerca de 40 homens) aquilo funcionava como uma verdadeira família em que todos eram irmãos.

Daí que tenha ficado esta ligação forte que os faça correr aos encontros cada vez que acontecem. No caso dos fuzileiros da Póvoa é um pouco diferente, pois são todos eles de diferentes idades e quase ninguém foi camarada de comissão do outro que está sentado na cadeira do lado. No máximo fizeram o Curso de Fuzileiros em conjunto, ou talvez a recruta e Juramento de Bandeira. Os que conheço melhor são da minha idade e de 3 escolas seguidas, o Fernando de setembro/61, eu de Março/62 e o Octávio de Setembro/62.

Nós somos os verdadeiros filhos da Escola de Fuzileiros que abriu no verão de 1961 para formar gente para a guerra que tinha começado, em Angola, no princípio desse ano. E com figuras como o Maxfredo, o Patrício ou o Pascoal Rodrigues como instrutores que mais tarde acompanharam os seus formandos na guerra em África. O Maxfredo como comandante do DFE1, em Moçambique, o Patrício como comandante da CF6, também em Moçambique e o Pascoal Rodrigues como comandante do DFE4, em Angola.

Os fuzileiros mais modernos (termo usado na Marinha para designar os novatos) já foram formados em Vila Franca de Xira e seguiram, depois, para Vale de Zebro, lugar que deu o nome aos famosos botes de borracha usados pelos fuzileiros, para um curso intensivo que durava cerca de seis meses para reforçar/treinar os futuros combatentes nos diversos aspectos que mais interessavam. Com o treino de tiro, orientação e combate em primeiro plano.

Os jantares também servem para recordar estas coisas, as aventuras e desventuras vividas durante o curso e as amizades nascidas dessa convivência que servem de combustível para manter a chama acesa. Hoje, deveria lá ir para abastecer um pouco o meu depósito que está a ficar nas lonas, mas, de facto, não me sinto com forças para isso. Acabei de enviar um SMS ao organizador para levar um abraço para os "filhos da escola" e que me desejem sorte, se querem que eu volte a aparecer junto deles, num futuro próximo!

Pesadelos e boas recordações!

 


Passei a noite embrulhado num pesadelo sem fim e acordei mais cansado do que estava antes de me deitar!

Resultado, não estou de bom humor e não quero descarregar em cima de vocês que não têm culpa nenhuma. Por isso fiquem com a Gigliola que era uma catraia engraçada, quando eu tinha 20 anos!

Vou dar uma volta e ver o mar!

quinta-feira, 26 de março de 2026

Correr o fado!

 

O fadista alentejano!

Já escrevi algumas vezes sobre "correr o fado" que era uma coisa que assustava os antigos, como a minha avó que nasceu na última década do século XIX e me criou como o seu "menino de ouro"!

Histórias de lobisomens e coisas ruins, fantasias metidas na cabeças de pessoas com pouca instrução e nenhum conhecimento do mundo por párocos de freguesia que viam o diabo em todo o lado e queriam garantir o céu aos seus "fregueses" (paroquianos) a qualquer custo. O diabo era o mal que Deus permitiu que andasse pelo mundo a tentar as almas para provar que elas eram merecedoras de ir para o céu, depois da sua efémera passagem pela terra.

Um moço namorava uma linda rapariga da pescaria. Quando achou tempo de se casar, propô-lo à rapariga, para começarem a fazer os preceitos da classe. Mas ela disse em resposta: “Casar não; eu não posso casar” e deu em chorar que nem uma videira. O moço ficou admirado, tanto mais que sabia que a rapariga lhe tinha amor. Instou com ela para que lhe dissesse os motivos. E a rapariga sempre: “Não posso dizer! Não posso dizer!” E por mais que o rapaz voltasse a instar, ela confirmava: “Não posso casar! Não posso casar!” Então o rapaz perguntou-lhe se era coisa de honra. “Não há nada de honra, juro-te !”, e chorava. O moço disse que lhe tinha de dizer à força, custasse o que custasse; se era coisa que ele pudesse remediar, nem que arriscasse a vida, que o fazia. Então, ela contou: “Sou bruxa! Tenho que correr o fado!...” Ele perguntou-lhe: “Não há remédio para isso ?” – “Há. Tu podes quebrar o meu fado, mas arriscas a tua vida! Se quiseres valer-me, fazes o seguinte: Eu passo logo à meia-noite com as minhas companheiras junto do castelo. Sou a sétima. Quando chamarmos Lulu! Lulu! – que é o chamadoiro do Diabo – tu estás dentro de um S. Selimão de seis pernas, riscado no chão, enlaças-me com uma corda e arrasta-me para dentro e assim quebrarás o meu fado.” O rapaz foi uma hora antes, riscou o S. Selimão e pôs-se à espera. Quando elas vieram, contou até à sétima e enlaçou-a, arrastando-a para dentro do S. Selimão. As outras bem quiseram chegar-lhe, mas o siglo afugentou-as e assim se quebrou o fado da rapariga, que casou com o rapaz.

Esta é uma das histórias do anedotário poveiro, no que se refere a correr o fado e que vos deixo aqui para pensarem no assunto. Se acreditam nestas coisas, não saiam de casa à noite sem levar um espelho no bolso e um crucifixo pendurado ao pescoço.

Corredor é a pessoa que tem que correr o fado, quer dizer, durante a noite toda vai percorrer um caminho onde vai passar a correr por sete pontes, sete fontes, sete montes, sete encruzilhadas, sete portelas de cão. O corredor é um ser mutante, pode assumir a forma de lobo, de cão ou outro animal. Quando se encontra um, para quebrar o fado deve fazer-se sangue, isto é, fazê-lo sangrar.

Agora, mais a sério, ontem falei com a Drª Patrícia que determinou (pelos poderes que tem) que o meu fado começa no dia 15 de Abril. No primeiro dia trata-se apenas de fazer uma colheita de sangue, registar o meu peso, a minha altura para prepararem o "caldinho" que me será injectado nas veias no dia seguinte. Serão 6 horas de castigo, sentadinho no cadeirão e armado de paciência! O primeiro é que custa mais, disse ela, se correr bem (?) os seguintes serão mais fáceis!

As suas últimas instruções foram para eu gozar a Páscoa, saborear o pão de ló, enquanto ela tira duas semanas de férias e se prepara, ganha coragem, para mais um semestre de trabalho tratando os doentes contaminados pelo bicho-mau que recorrem ao hospital em que trabalha. Se calhar, vou vomitar tudo o que comer, quando começar o tratamento, e foi por isso que ela me recomendou que saboreasse o pão de lá!

quarta-feira, 25 de março de 2026

A hora da verdade!

 


Vai ser hoje, pelas 16.00 horas que a Drª Patrícia me vai ler a «Carta do meu destino»!

Longa vida? Talvez, mas de sofrimento a correr para os tratamentos de quimio! Esperava outro destino mais aliciante que este, mas ninguém tem direito a escolher a sua sorte. "Fate", dizem os ingleses, e nós chamamos-lhe destino, ninguém pode fugir àquilo para que veio ao mundo.

Há muitos humanos que morrem nos primeiros meses de vida, muitos ainda morrem nos primeiros anos e também é longa a lista daqueles que não chegam aos 50 anos de vida. Tal como aconteceu ao meu irmão mais novo que só conseguiu festejar o 44º aniversário. Cancro no estômago, foi o diagnóstico que mostrou aquele exame endoscópico. Não operável, foi a conclusão da equipa cirúrgica que lhe abriu a barriga para ir espreitar a doença e ver se era possível extirpá-la.

Eu já festejei o 82º aniversário, quase o dobro daquilo que ele viveu e talvez não venha a sofrer tanto como ele sofreu. Maldito ano de 2006, começou com a descoberta da sua doença e acabou com o seu funeral, alguns dias antes do Natal. Muito me custou a assistir ao seu fim, se calhar não custará tanto viver o meu!

O destino a Deus pertence, costuma o povo dizer, mas isso não é verdade. Pelo menos, filsoficamente, falando, Deus fez-nos livres para decidir do nosso próprio destino, o tal livre arbítrio. Podes ir a Cascais em qualquer altura e dar o salto para a Boca do Inferno que ninguém te impede. Mas, é engraçado, isso só funciona no sentido negativo! Melhor seria eu decidir que hoje quero ganhar o Euromilhões e isso acontecer!

Bem, vou armar-me de paciência e esperar pelas instruções que me irão ser transmitidas pelo telefone, até lá nada mais pode acontecer que me afecte!

Pus a tocar a música que vêem lá em cima e fui escrevendo à espera que acabasse. Pois, não acabou ainda, foi mudando de artista e de tema e chegou agora ao «Totó Cutugno» que canta Bonjurno Italia com o qual vos deixo agora!

segunda-feira, 23 de março de 2026

O que diz a IA:

Em Portugal, a carga fiscal representa, em média, entre 55% e 60% do preço final que paga na bomba.
Isto significa que, se atestar o depósito com 100€, cerca de 55€ a 60€ revertem diretamente para o Estado em forma de impostos e taxas.

A estrutura desta fatura divide-se da seguinte forma:IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado): Aplicado à taxa normal de 23% (em Portugal continental) sobre o preço base, as margens e até sobre o próprio ISP.

ISP (Imposto sobre os Produtos Petrolíferos): Um valor fixo por litro que varia entre a gasolina e o gasóleo. Em março de 2026, as taxas foram ajustadas para 0,456€/litro na gasolina e 0,285€/litro no gasóleo.

Taxa de Carbono: Um adicionamento ao ISP que incide sobre as emissões de CO2. Em 2026, esta taxa tem sofrido atualizações graduais ...

Imagem que o Ventura levou para o Parlamento

Tenho andado a evitar este assunto, mas com o novo aumento que, hoje, entrou em vigor não consigo calar o meu descontentamento. Porque tem que o nosso governo aumentar 0.23€ quando os outros países da UE se ficam pelos 5, 6 ou 7 cêntimos? Porque é guloso, aproveitador, respondo eu por vós!

Esta segunda feira o aumento foi ainda mais violente, 12 cêntimos por litro, se a coisa já era escandalosa, agora não sei como lhe chamar. Não adianta o nosso PM, Montenegro, vir com falinhas mansas dizer que já nos está a beneficiar com 3 ou 4 cêntimos que abate no preço do IVA. Grande aldrabão, o que lhe custa devolver-nos 3 ou 4 dos muitos que está a mamar por conta dum aumento de 20% no preço inicial do brent que não representa nem metade no preço final do produto que nos vende.

Eu gostaria de ver uma discussão a sério, com pés e cabeça, que todos os portugueses conseguissem compreender, no Parlamento, sobre as razões que motivam a aplicação de mais de 50% de impostos sobre um produto, reconhecidamente, de primeira necessidade. Eu não sou um grande matemático (para dizer a verdade chumbei sempre nesta disciplina em todos os exames que fiz), mas se pegarmos no preço, antes destes aumentos, que era +/- 1.60€ no gasóleo e lhe deduzirmos os 53% que assumidamente, eram o real valor do imposto, ficamos com +/- 0.75 + 0.85 de custo + imposto.

Embora eu discorde dos 53% de imposto peguemos nesse valor e mantenhamo-lo no congelador como preço máximo a aplicar a cada segunda feira, enquanto os aumentos se mantiverem (entenda-se, justificarem). O aumento real do produto petrolífero, na sua base, incidiria apenas sobre os 0.75€, somando-lhe depois os 0.85€ de imposto que guardamos no congelador, pois não há qualquer razão que justifique o governo querer aumentar esse valor.

O preço do Brent está hoje nos 113$, ou seja, um aumento de  61%. Sabendo que o aumento real sobre o produto final não ultrapassa os 50%, teríamos de somar aos 0.75€ cerca de 0.23€, ficando em 0.98€ o custo real a que somaríamos os tais 0.85€ de imposto que tínhamos congelado. Milagre! O preço ficaria nos 1.83€ que era o que deveria aparecer hoje nas bombas, mesmo sabendo que ninguém pagou ainda o crude que refinou e pôs à venda ao preço que corre, hoje, na Bolsa de Nova Iorque.

E, sem a menor dúvida, o governo estaria a facturar o mesmo valor do imposto que calculou, melhor dizendo, serviu de base para calcular os valores inseridos no Orçamento de Estado que foi discutido e aprovado, no Parlamento, em Outubro do ano passado. E eu poderia ainda acrescentar que devia ser considerado ilegal qualquer cêntimo que entre nos cofres do Estado, acima desse valor que os nossos representantes tanto trabalho tiveram em fixar (contra a vontade dos cromos que nos governam).

Como acontece na maioria dos países da Europa, comunitária ou não, a taxa de imposto anda na ordem dos 50%, ou seja, metade do preço que pagamos é custo do produto e a outra metade é imposto que aparece no OE para perfazer a verba que o governo calcula como necessária para gerir o país, durante o ano em questão.

Por cima disso tudo, vem ainda a opinião da Comissão Europeia que acha que os países membros, nesta conjuntura, deviam reduzir o preço do IVA para 10%, muito embora a decisão de o fazer caiba a cada um. Com ou sem truques que só confundem os consumidores o "nosso" IVA é de 23%!

Em Portugal continental, a taxa de IVA aplicável aos combustíveis (gasolina e gasóleo) é de 23%. Embora tenha havido propostas e ajustes temporários no ISP para simular uma taxa mais baixa, a taxa normal de IVA aplicada no consumidor final permanece na taxa máxima. O IVA incide sobre o valor do produto, ISP e outras taxas.