Há muitos anos, desde o fim da II Grande Guerra, que o presidente dos Estados Unidos da América era o paladino do mundo ocidental, contra o poder vermelho vindo do lado de lá da cortina de ferro. Era um mundo bipolar em que a China não aparecia ainda como um interessado no assunto da política global.
Agora, desde a eleição de Donald Trump, tudo mudou. A China aparece cada vez mais forte a reclamar um lugar na História e, se possível, passar à frente dos outros dois players. Cada um dos 3 líderes conta as armas que tem e os trunfos que pode jogar para ficar em vantagem. Trump, Putin e o líder chinês Xi já fizeram saber o que cada um quer e daquilo que não abdica em circunstância alguma.
O Trump já disse ao Putin que concorda com tudo o que ele quer, desde que não se meta com o que fica a ocidente do Oceano Atlântico. O Putin quer acesso livre ao Mar Bático e Mar Negro, além de mandar em tudo o que fica da Bielorrússia até ao Estreito de Béring, com tendência para que não fique nenhum país livre entre a Rússia e a China. O Xi quer Taywan e, se possível, as Filipinas para ter acesso livre ao Oceano Pacífico.
Tudo o que, hoje, conta são os recursos naturais, quem os tem, quem os quer, quem os compra ou quem os toma pela força (como está a fazer Putin, na Ucrânia, no Mar Negro e em toda a zona a leste deste mar). Hoje é o urânio, o lítio, além de uma dúzia de outros menos conhecidos, dentro de alguns anos poderá ser a água potável.
O presidente dos Estados Unidos deixou de ser o representante do mundo ocidental, está-se marimbando para a NATO, para a ONU e para a OMS, quer ficar na História Universal como o homem que alargou o seu império até ao Polo Norte, que foi à Lua e preparou o caminho para os seus governados chegarem a Marte. A Inglaterra e o resto da Europa que se danem, não é assunto que lhe roube o sono.
Hoje, dia 2 de Abril de 2025, começam a aplicar-se as tarifas alfandegárias impostas por Trump (ele não quis que começasse ontem, para não ficar conotado com o dia das mentiras), com o ferro, o aço e os automóveis, em primeiro lugar. Coisas como o queijo ou o vinho podem vir de seguida e isso afectará Portugal. Os países que se sentirem lesados tentarão fazer o mesmo e no fim todos ficarão a perder, pois a confusão e a burocracia tomarão conta das trocas comerciais tornando tudo mais caro para todos.
Estudar o assunto em pormenor e decidir qual a solução a adoptar, sempre que haja um desequilíbrio na balança de transações, seria o mais aconselhável, mas o Trump está numa de obrigar todos a pagar com língua de palmo pelo que tem acontecido num passado recente, sem pensar quem é o culpado pela situação. Basta pegar no exemplo dos automóveis, os americanos preferem os carros europeus e não pegam nos americanos. Porquê? Porque os construtores americanos não querem saber do gosto dos seus clientes, ignorando a questão do conforto, da economia, etc..
A Europa comunitária devia estar preparada para formar um quarto polo de força para se opor aos outros três, mas não consegue falar a uma só voz. A separação das Ilhas Britânicas é um problema, mas não é o único. As muitas guerras travadas nos últimos dez séculos, entre os povos europeus, cavaram fossos muito difíceis de atravessar. Os povos do Báltico ou dos Balcãs não estão em sintonia com os grandes da Europa, assim como estes não estão entre si. Pôr a Alemanha, a França, a Itália e o Reino Unido falar a uma só voz, é pouco menos que impossível.
E nomear um deles para falar em nome de todos seria um ataque à democracia, nem pensar nisso de pode. A Sr-ª Von der Leyen e o António Costa andam em bolandas, de um lado para o outro, mas ninguém quer saber (muito) daquilo que eles dizem e fazem. Parece um duelo de surdos. Lembram-se dessa anedota que conta o diálogo entre dois amigos que se cruzam na rua, em que um deles carregava um cesto e uma cana de pesca?
- Não, vou à pesca, responde o outro.
- Ah, vi-te com a cana, pensei que ias à pesca!