Tinha 3 figueiras que davam esta variedade de figos e cortei-as todas. E bom trabalho me deram, pois já tinham troncos de uma certa envergadura e eu apenas um machadito para lutar contra elas. Os figos não são grande coisa, abrem-se todos e num instante começam a apodrecer. As vespas e toda a espécie de insectos metem-se pelas rachadelas e fica tudo estragado.
As outras já tinham marchado no ano passado, a última foi cortada durante o inverno, depois de ter perdido a folha. Quem vai ficar triste com esta minha decisão vão ser os estorninhos que enchiam a pança com estes figuinhos, sem ergonha nenhuma, aqui a meia dúzia de metros dos vidros da minha marquise. Ainda eles estavam apenas inchados, longe de estar maduros, e lá apareciam aquelas almas negras para os papar todos.
É engraçado como funcionam os estorninhos. Aparece um, apenas um, pousa na figueira, aprecia o estado de maturação dos figos e vai-se embora. Um ou dois dias depois, aparece de novo, fica por ali a saltitar de ramo em ramo, durante alguns minutos e depois desaparece. Pouco depois, aparece um bando deles e atiram-se aos figos com vontade. A partir daí, pouco depois do sol nascer e também antes de ele se pôr, aparecem todos os dias e depenam a figueira como se ela fosse propriedade sua.
Este ano, quando cá aparecer o estafeta para ver se os figos já estão maduros, vai ter uma surpresa do caraças, nem a figueira encontra!





















