terça-feira, 14 de abril de 2026

Os «Países de Leste!

 Ligado ao mundo dos têxteis, comecei a ouvir falar dos países de leste conforme nos íamos aproximando do fim do século XX. Ocupados pela Rússia, pobres e com mão de obra excedentária, eram aquilo que os industriais do têxtil europeu precisavam para salvar os seus negócios condenados à falência logo que terminasse o velho século XX e fossem eliminadas as peias colocadas à importação.

Quase ao mesmo tempo, aconteceu o mesmo à indústria automóvel que vinha aumentando consecutivamente a produção de carros e via os salários da sua mão de obra começarem a pesar, excessivamente, no cálculo de preço a que tinha que vender a sua produção. Tanto nesta indústria como na têxtil foram os «Países de Leste» (Checoslováquia, Hungria e Austria) os grandes beneficiados. Começou a deslocalização das unidades de produção para estes países e continuou depois pela Roménia, Bulgária e Turquia.


Depois de séculos como um poderoso reino medieval, a Hungria tornou-se parte do Império Otomano e depois do Império Habsburgo, a partir do século 16, emergindo como uma nação independente apenas depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Integrada ao bloco comunista do Leste Europeu depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Hungria permaneceria até 1989, como a República Popular da Hungria, na área de influência da União Soviética.

Em novembro de 1956, um movimento em favor de democracia foi violentamente reprimido por tropas soviéticas, após o Kremlin determinar a invasão do país e a substituição do governo húngaro por um grupo pró-Moscou.

As eleições na Hungria, com o resultado que sabemos, deream-me a oportunidade de falar, ou escrever, um pouco sobre estes países, a sua História e as ligações, tanto à Rússia como ao mundo ocidental a que, actualmente, pertencem. Embora com alguns laços ao mundo do passado, como é o caso da Hungria e as amizades mal explicadas entre Orban e Putin. Tão mal explicadas como aquelas que mantêm o mesmo Putin com Trump, dois cromos que só reconhecem o poder do dinheiro.

Aliás, gostaria de começar por fazer uma crítica ao Trump e à sua escolha de J.D. Vance para Vice-Presidente que é o mesmo que dizer, aspirante ao cargo de presidente, logo que Trump arrume as suas botas. E também ao Marco Rubio para lidar com montes de problemas que ele enfrenta com as relações, tanto internas como externas. Pôr um hispânico a lidar com problemas de emigração em que a maioria dos emigrantes são da mesma origem parece-me absurdo. Exactamente, o mesmo enviando o Vance para a Hungria para ajudar o Orban a ser reeleito.

Mas talvez o erro seja meu que não estudei Ciências Políticas nem Relações Internacionais e esteja a ver mal o problema. O Trump anda a fazer tropelias lá pelo Oriente Médio, enquanto dá descanso ao Oriente Extremo e ao problema da Ilha Formosa que a China reclama como sua e terá que ser resolvido num futuro não muito longínquo. Ao mesmo tempo que o Vance se viu reduzido a zero na Hungria e o Rubio já deve ter sido desafiado a pensar em Cuba que todo mundo aposta ser o próximo passo de Trump, antes de voltar para o Pacífico e ver a China como seu grande adversário do futuro.

É opinião das maiores cabeças pensantes do mundo da Economia que a China ultrapassará os EUA em poucos anos e aí começará a verdadeira dor de cabeça dos americanos e de quem ocupar a cadeira que Trump deixará livre, em 2029. Talvez o dólar americano que é, hoje, a moeda de troca a nível mundial ceda o seu lugar ao Yuan, como já exige o Irão para pagamento da portagem no Estreiro de Ormuz. Aliás, a criação do bloco BRICS de que o Irão faz parte é assunto que devia fazer o presidente americano pensar que MAGA é um slogan que, dificilmente, acontecerá.


E vou terminar esta minha incursão pela política moderna, relembrando que na política antiga, desde a Idade Média até ao fim da II Grande Guerra, foram as democracias (relativas) dos Países de Leste que marcaram a vida dos europeus. As grandes cidades que o Danúbio atravessa, no seu caminho para o Mar Negro, foram o centro da civilização. Praga, Budapeste e Viena (cujas fotos podem ver acima) provam que é junto da água que o Povo gosta de viver e foi aí que a História tornou a Europa moderna!

P.S. - Ia lançado e quando vi que a publicação estava ficar longa demais fui obrigado a meter os travões a fundo!

1 comentário:

  1. O meu primeiro contacto com países da então chamada 'cortina de ferro' foi por causa das viagens que a Aeroflot - na epoca sovietica - fazia ao preço da uva mijona. O Viktor Orban perdeu as eleições mas o poder ficou de novo nas mão da Direita o que prova que os húngaros não esquecerem a invasão soviética e os tempos que se seguiram.

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