O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende a 311, com 1,07 milhões de pessoas afetadas, desde outubro, 24.229 casas parcialmente destruídas, 11.996 totalmente destruídas e 209.219 inundadas, com um total de 304 unidades de saúde, 109 locais de culto e 764 escolas afetadas em menos de seis meses, segundo atualização de 31 de março do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Ao passar os olhos pelas notícias dei com os olhos nesta notícia sobre Moçambique, país que considero a minha segunda pátria por lá ter vivido quase 6 anos e na fase mais importante da minha vida, aquela em que se passa de rapaz a homem responsável por todos os seus actos. Preferi falar desta desgraça que, ano após ano, atinge os moçambicanos, em vez de dedicar a minha atenção à tentativa de assassinato de Donald Trump que , Deus me perdoe, parece uma encenação para lhe trazer alguns créditos públicos de que anda bastante necessitado.
Moçambique parece não ser capaz de acertar no caminho para a felicidade. Em 1962, foi fundada a Frelimo para lutar contra os portugueses e acabar com a colonização do seu (?) país. Uma Guerra Colonial que muito fez sofrer o povo, seguida de outra guerra entre irmãos que foi ainda pior que a primeira. Sim, porque nunca a tropa portuguesa fez sofrer os moçambicanos tanto quanto a Frelimo e a Renamo que tudo fizeram para se auto-promover, mas nada fizeram em favor do povo.
Eduardo Mondlane talvez tivesse sido um bom presidente e levado o país por bom caminho, coisa que Samora nunca foi capaz de fazer, porque já tinha vendido a sua alma ao diabo (entenda-se a Moscovo). Mas mataram-no antes de o poder concretizar e isso parece ter funcionado como uma maldição, pois desde esse dia até hoje tudo tem corrido mal para os moçambicanos.
Moçambique não é um país pobre, como de quando em vez se lê na comunicação social, pois tem alguns recursos naturais ainda por explorar. A sua capacidade agrícola é de assinalar e com o início da exploração do petróleo e gás na Bacia do Rovuma, a Economia deveria começar a dar alguns sinais positivos. Outros recursos minerais, como carvão, grafite, ouro e pedras preciosas estão a ser explorados aqui e ali, embora sem grandes investimentos de empresas mineiras. Recursos naturais, como madeiras e afins, estão a ser devastados pelos chineses que os levam a troco de assistência governativa.
O mal do país é a corrupção, a mesma que acabou com Mondlane e até Samora, As altas esferas do partido que se diz democrático, mas não passa de um esbirro de Moscovo e do seu actual mandante que é o nosso bem conhecido Vladimir Putin, fazem desaparecer toda a riqueza existente ou criada pelos moçambicanos distribuindo-a entre si, de modo a manter a coesão no grupo que tudo comanda e tudo decide. Como é apanágio dos regimes comunistas, para quem manda todas as benesses e para o povo nada, a não ser miséria e fome.
Ia eu dizendo que parece que foi um bruxedo, desde a fundação da Frelimo nada correu bem para os moçambicanos. De 1962 a 1964 foram ensinados, em Moscovo ou Argel, como se verem livres dos portugueses, mas esqueceram que os portugueses, mesmo sendo colonos tinham muito de humanistas e sempre trataram bem - salvo raras excepções - o povo indígena (como lhe chamavam). Eu e um grupo de amigos tínhamos uma casa alugada, em Lourenço Marques, onde guardávamos a roupa civil e dormíamos, quando fora de serviço. Para cozinhar uma refeição, lavar e passar a ferro, além de zelar pela limpeza, contratámos um moço que andaria pelos 22/24 anos, a quem pagávamos um salário e habitação.
Esse rapaz, Lourenço de seu nome, vivia feliz com tantos patrões que o tratavam bem e, de vez em quando, ainda lhe davam uma moedinha extra. Ele era da Zambézia, zona de Quelimane, e um dia veio ter comigo dizendo que tinha um problema e pedindo para o ajudar a resolver. Tinha namorada lá na terra, queria trazê-la para a capital e casar-se com ela, mas para isso teria que despedir-se e ir trabalhar noutro lado para comprar uma palhota e ir viver com ela para os arredores da cidade. A menos que ...
A menos que o quê, Lourenço, perguntei-lhe eu. A menos que o patrão deixasse ela dormir aqui comigo, respondeu ele, de imediato. E ela cabe na tua cama? Ih. ih, isso a gente arranja, patrão! Então não vejo grande problema nisso, como pretendes fazer para ela vir? Depois desta conversa, entre mim e os outros interessados, arranjamos uma passagem gratuita para ela num navio mercante que fazia a ligação entre Lourenço Marques e Quelimane e, mais ou menos, um mês depois já tínhamos a rapariga lá em casa. Foi uma alegria para o Lourenço e nós ganhámos uma empregada grátis. Ela cozinhava, ele limpava, ela lavava as nossas fardas e ele passava-as a ferro.
Mas, esquecendo isto que era o que corria bem e não representava qualquer problema, se nos focarmos no que se passou no mato, tanto durante a guerra contra os portugueses, de 1964 a 1975, como nos 16 anos de guerra civil, entre adeptos da Frelimo (comunistas) e da Renamo (não comunistas) não encontramos nada a que nos possamos referir como bom para o povo. As populações eram espoliadas de tudo o que tinham e obrigadas a seguir os guerrilheiros para onde eles fossem para lhes servir de escravas, no trabalho e no sexo. Isto no que respeita às mulheres, pois os homens ou alinhavam na guerrilha ou desapareciam do mapa, sem ninguém saber para onde foram.
Finda a guerra civil, por volta de 1990, e com o país num completo caos, o partido no poder, sempre o mesmo até aos dias de hoje, foi obrigado a mendigar ajuda a todas as entidades internacionais e assim continuam ainda hoje, seja por causa das cheias, das doenças incontroláveis ou da falta de meios para se valerem a si mesmos. Sempre de mão estendida a mendigar uma ajuda, enquanto os seus líderes vivem à grande, na capital, depois de terem "herdado" tudo aquilo que os portugueses deixaram para trás e esbanjarem o dinheiro que ganho, oferecido ou emprestado passa pelas suas mãos.
E mais não ponho na carta, pois acho que a minha mensagem já foi compreendida. Eu gostaria muito de ver aquele povo feliz, mas enquanto a democracia plena não chegar lá, isso não será possível. Os meus dias estão perto do fim e não antevejo uma solução, antes que eu me vá deste mundo. Além de que a maneira de ser dos africanos, demasiado tribal, não augure nada de bom, como se pode ver em "quase" todos os países vizinhos de Moçambique!



Passo só para lhe deixar um abraço.
ResponderEliminarLi todo o escrito, mas nunca estive em África e é tema sobre o qual não poderia nem saberia botar faladura.
Todos os países que adoptaram o socialismo tem sempre um triste fim e nada melhor para o exemplificar como os da Africa Austral. No país do Robert Mugabe (o celeiro de Africa no tempo de Ian Smith) a inflação chegou quase a 1bilião % e lembro-me de usar notas de 100 trilion dollars que nem para uma cerveja dava. Em Moçambique embora a hyperinflation não tenha atingido a da vizinha Zimbabué o socialismo e 'o refresco' deram igualmente cabo do país. Na Africa do Sul outro vizinho de Moçambique - e outra victima do socialismo - estão neste momento a expulsar imigrantes à paulada e se os portugueses esperam ver estas noticias na Tv o lapiz azul não deixa. Samora Machel da Frelimo, Nelson Mandela da ANC, Robert Mugabe da ZANU-PF, José Eduardo dos Santos da MPLA & Mario Soares do PS entre outros serão sempre os responsaveis directos da miséria de milhões de seres humanos que a única culpa que tiverem... foi a de terem nascido em países socialistas.
ResponderEliminarPobre gente e subsescrevo os canalhas responsáveis por esta miséria!
ResponderEliminarBeijos e um bom dia!