Já que as minhas últimas matérias não vos têm levado a escrever qualquer tipo de comentário, vou voltar ao assunto "namoradas" que tem andado esquecido.
Terminei os exames do 5º Ano do Curso dos Liceus, em Julho de 1960, na cidade onde hoje resido, e rumei à minha terra natal para gozar as férias grandes. Depois de um ano escolar muito exigente e num meio a que não estava habituado, eu precisava mesmo de umas férias para descansar o cérebro e preparar-me para um futuro ainda desconhecido, pois o meu pai já me avisara que não tinha condições financeiras para eu continuar a estudar.
A minha mãe era costureira e dirigia um atelier de costura em que havia uma meia dúzia de empregadas, entre ajudantes e aprendizas. Ela fazia a feira de Barcelos, a cada quinta-feira, e quando não tinha roupa para fazer por encomenda trabalhava para a feira, ou seja, fazia uma meia-dúzia de vários artigos que costumava vender com facilidade. Aventais, algibeiras e sacas com uma fita de correr para as fechar e uns berloques pendurados nos cantos eram artigos que tinham sempre saída.
As ajudantes eram antigas aprendizas que ainda não tinham conseguido reunir uma freguesia que lhe pagasse as sopas e vinham ajudar a minha mãe, meio por favor e meio para receber um magro ordenado que a minha mãe podia pagar. Algumas até apareciam às quartas feiras, sem serem convidadas, para dar alguma ajuda de última hora na preparação dos artigos para a feira do dia seguinte, ou para afiar a língua, simplesmente.
Nesse longínquo mês de Julho de 1960, quando entrei na sala de costura da minha mãe, caíram-me os olhos numa ruiva de grande cabeleira cacheada que, de perna traçada, como costumam trabalhar as costureiras, se ocupava de chulear umas quantas peças que tinham vindo das máquinas de costura. A minha mãe, habitualmente, só cortava e nas máquinas trabalhavam as ajudantes ou aprendizas mais adiantadas. Para as outras ficavam as operações de chulear, rematar e pregar botões, molas ou colchetes.
Fiquei de olho na ruiva e uns dias depois acompanhei-a num recado que a minha mãe a mandou fazer a casa de uma cliente que não morava longe. É sabido que os homens, quando vêem uma mulher, fixam os olhos no pormenor (ou pormaior) que mais ressalte à vista. No caso da Celina, depois da cabeleira que parecia a juba de um leão (as leoas não tem juba!), era a exuberante peitaça que espreitava através da pequena abertura da sua blusa, ou se podia adivinhar dentro dela.
Ela deveria ser 2 anos mais velha que eu e nunca tive a mais leve esperança de me agarrar a ela e testar a firmeza das suas "maminhas", mas acompanhei-a sempre que pude, naquele inesquecível verão que foi o último da minha vida em liberdade plena. E sonhava com ela todos os dias e com a possibilidade de arranjar um emprego (nessa altura sonhava ser bancário ou empregado das Finanças) que me permitisse pedi-la em namoro e depois em casamento.
Foi um sonho que durou pouco, ao fim de 3 meses a minha mãe dispensou toda a gente, encerrou o atelier para seguir o meu pai que tinha, finalmente, arranjado um emprego fixo, com salário mensal e abono de família para os filhos, na cidade grande. Adeus vida de aldeia minhota e convivência (sã e simples) com gente que vivia da lavoura. Semear e colher milho e tratar de videiras para uma boa colheita de vinho que eram as duas bases da vida daquela gente.
Com o fecho do atelier deixei de ver a Celina e depois a viagem até Vila do Conde apagou-lhe o rasto que ainda pudesse persistir na minha cabeça. Uma vez ou outra ainda pensei em viajar até à freguesia onde ela morava e fazer-me encontrado com ela, mas os meios de transporte à minha disposição eram poucos e acabou por nunca acontecer.
Nunca mais via a Celina! Dois anos depois já tinha jurado bandeira, na Marinha, e estava a ponto de seguir para a África para defender as cores da nossa bandeira e as terras a que chamávamos nossas. Angola é nossa, Angola é nossa, cantava-se nessa altura e os terroristas negros tinham feito misérias, em Angola, no ano anterior. Por sorte, calhou-me ser destacado para Moçambique, onde a guerra começaria, apenas, no último trimestre de 1964.
Nessa data, já a minha «Companhia de Fuzileiros» estava pronta para regressar a Lisboa, mas o estourar da guerra, no norte da província, fez adiar o meu regresso. Só em fins de Março do ano seguinte recebemos ordem para regressar, mas isso é outra história e a Celina, a ruiva de formas provocantes, não fez parte dela!

Sempre tive um fraco pelas Costureiras & Sopeiras que na epoca deambulavam pelas vielas da velha Lisboa mas nunca me lembro de as ver caminhar. Naquela altura para mim... elas flutuavam!!!
ResponderEliminarGostei e ainda ri com vontade!
ResponderEliminarBeijos e um bom domingo!