sábado, 19 de agosto de 2017

Presidentes da República - Período revolucionário!

Com o 25 de Abril terminou o Estado Novo e até à eleição de Ramalho Eanes, 1º presidente da 4ª República, tivemos dois presidentes de transição, António de Spínola e Costa Gomes.
António de Spínola (1974-1974) - Talvez por ter publicado aquele livro - Portugal e o Futuro - que abriu as portas da revolução aos capitães milicianos que estavam fartos de andar no mato, atrás dos "turras", enquanto os oficiais de carreira viviam no bem bom e viam as suas contas bancárias engordar, tivesse sido a única razão que levou à sua escolha para 1º presidente pós-revolução.
Ele fazia parte da Junta de Salvação Nacional que liderava o MFA, era aliás o seu chefe, mas não estava muito de acordo com o programa que o movimento desenhara para o nosso país. A «Maioria Silenciosa», uma manifestação convocada por ele para ver quem estava do seu lado, não correu nada bem e acabou por levar à sua demissão, em Setembro de 1974. Uns míseros cinco meses como número um de Portugal souberam-lhe a pouco e sempre teve intenção de voltar.
Assim, em Março do ano seguinte, meteu-se na aventura de tomar o poder pela força, correndo com os comunistas que estavam em força no governo, até o Saramago lá estava ao lado de Vasco Gonçalves. Correu-lhe tudo muito mal e teve que dar às de Vila Diogo para salvar a pele, primeiro para Espanha (que estava mesmo ali ao lado) e depois para o Brasil.
Costa Gomes (1974-1976) - Com a demissão de Spínola tomou o seu lugar o número dois do MFA, o general Francisco da Costa Gomes.
Desde o início do conflito armado em Angola, em 1961, sempre defendeu que a solução a implementar devia ser política e não militar. Mesmo assim foi destacado para Moçambique, onde ficou durante quatro anos, e depois para Angola, onde conseguiu reduzir a actividade dos "turras" a quase nada. Diz-se que, em 1974, quando sobreveio a revolução na Metrópole, estava Angola pacificada e poderia, calmamente, ter discutido a auto-determinação com Portugal e continuar a viver em paz. Assim não quis o destino.
Durante o seu mandato celebraram-se os Acordos de Alvor que poderiam ter resolvido o problema das ex-colónias, se tivessem sido cumpridos pelas partes. Teve que lidar com o golpe direitista movido por Spínola, no 11 de Março de 1975 e com  a tentativa esquerdista de fazer o mesmo, no 25 de Setembro do mesmo ano. E foi eleita a Assembleia Constituinte encarregada de redigir uma nova constituição que substituísse a de 1933 que tinha sido feita à medida de Salazar.
Epílogo:
Já de acordo com a Constituição de 1976, foram marcadas as primeiras eleições livres, depois de muitos anos de forrobodó, desde as primeiras repúblicas ao Estado Novo, onde os paridos e os políticos que os dominavam faziam aquilo que lhes dava na real gana. Vendo bem as coisas, ainda hoje continua a ser assim e o povo vive enganado como uma criancinha a quem dão um rebuçado para lhe tirarem o biberão.
Dessas eleições saiu como presidente o General Ramalho Eanes, o salvador da Pátria, em 25 de Setembro de 1975, quando o Otelo e os seus amigos comunas se preparavam para nos entregar a Moscovo. Ele foi o 1º presidente desta a que resolveram chamar a 4ª república, exerceu dois mandatos consecutivos e todos os que se lhe seguiram fizeram o mesmo até hoje.
E por aqui me fico, nesta incursão pela História de Portugal que espero tenha servido para alguma coisa. Dos presidentes que se seguiram ao Ramalho Eanes prefiro nem falar, pois não sou fã de nenhum deles, em particular, e as coisas só melhoraram um bocadinho com a eleição do último, o Professor Marcelo que me parece menos conotado com os partidos que os seus antecessores.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Presidentes da República - Américo Tomás!

Américo Tomás (1958-1974) - Se não tem acontecido o 25 de Abril, teria lá ficado até morrer. Não vou gastar muito do pouco latim que aprendi a falar deste presidente, pois foi nosso contemporâneo e toda a gente sabe, a respeito dele, tanto como eu.
Entrou na Escola Naval e, segundo reza a sua biografia, aos 24 anos já era 1º Tenente, coisa que me custa um pouco a acreditar. Como curiosidade posso dizer que foi nomeado Ministro da Marinha, no ano em que eu nasci, 1944, e por ali se manteve até ser eleito presidente ás ordens de Salazar.
E nesse cargo viveu sossegadamente até o porem na rua, em Abril de 1974. Teve azar com o número que lhe calhou na rifa, pois ao ser o 13º presidente da república alguma coisa de mal lhe havia de acontecer. Podia ser muito pior se a revolução tivesse descambado num banho de sangue, pois poderia ser uma das vítimas.
O seu mandato ficou marcado por nada de especial ter feito, a não ser comparecer em actos oficiais e inaugurações, razão por que lhe puseram a alcunha de «Corta-Fitas».
Aquando da sua visita oficial a Moçambique, em 1963, estava lá eu também e tive que suportar horas a fio, debaixo de um sol escaldante, na indispensável Parada Militar.

Nação em declínio!


Estação Radionaval da Apúlia, onde antes se via um fuzileiro à porta, agora nem um fantasma se vê. Só plásticos e papeis a rodopiar no ar, quando sopra o vento norte. É um pouco o espelho de tudo aquilo que se passa em Portugal. Daquilo que é público, se for dinheiro metem-no no bolso, se é património edificado fica ao abandono até cair de podre.
A Câmara do concelho de Esposende propôs-se comprar aquilo para lá instalar um serviço qualquer, fez-se a avaliação - 1,5 milhões de euros - e nunca mais se soube de nada. A última vez que ouvi falar no assunto foi em 2016 e o tempo não pára. Qualquer dia o bichinho da madeira come aquilo tudo por dentro, visto que é uma construção à moda antiga, e depois só uma demolição completa servirá ao propósito futuro.
Se calhar já existe algum grande empresário da construção civil de olho naquilo e que tem algum "amigo" próximo do governo que não permite que o processo ande para a frente. A mim tudo isto me faz uma grande confusão e só me resta, cada vez que ali passo, ir olhando para a «Porta de Armas» e imaginar um fuzileiro de cinturão e pistola Walter no coldre para pôr em sentido os ladrões que por ali rondam, à espera de botar a mão naquilo que não lhes pertence.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Ena cum ...carvalho!


Era um carvalho-alvarinho aquele que caiu na Madeira, matando mais de uma dúzia de pessoas. E tal como o vinho do mesmo nome, este carvalho é originário do Minho, a província onde nasci. Quente no verão e fria no inverno, com chuva até dizer basta, água a escorrer, durante todo o ano, por vales e valetas.
Ainda ninguém sabe a razão por que caiu, mas uma delas pode ser porque estava fora do seu habitat natural e não desenvolveu as raízes necessárias para a prender ao solo como devia. Dizem os entendidos que podem durar entre 500 e 1.000 anos, mas isso são apenas cálculos para encher os compêndios de botânica. Qualquer lavradorzeco de meia tigela saberia dizer se a árvore era ou não saudável só de olhar para ela. O problema é que ninguém se deu ao trabalho de perguntar.
E aqui entra a componente política desta história. Quem manda na Madeira é o PSD que o Alberto João instalou na ilha, desde a revolução dos cravos. Como estamos em maré de eleições eles - os candidatos desse partido - querem recolher todos os créditos possíveis, na tentativa de serem eleitos mais uma vez. Aos da oposição interessa-lhes, exactamente, o contrário. E por essa razão vão aproveitar a queda do carvalho em seu favor.
A coisa funciona assim:
1) Se o carvalho caiu é porque não teve a manutenção apropriada.
2) A manutenção é da responsabilidade da Câmara do Funchal.
3) A Câmara do Funchal é do PSD.
4) Logo é o PSD o culpado da morte de todas aquelas pessoas que ficaram debaixo do carvalho.
5) Então não votem no PSD, para ver se eles aprendem a cumprir com os seus deveres.
Adivinho que os responsáveis autárquicos da Madeira vão passar a pente fino todas as árvores que estão no espaço público para ver se há mais alguma que lhe venha estragar a campanha eleitoral. Quanto aos mortos, enviam-se as condolências à família e se houver alguma indemnização a pagar, o governo - que por acaso até é socialista - que pague.


Coitadinhos de nós e do serviço público que temos! Não nos cai um carvalho em cima todos os dias, porque não há carvalhos suficientes!

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Presidentes da República - Craveiro Lopes!

Craveiro Lopes (1951-1958) - O que posso dizer deste presidente da república? Conheci-o quando entrei para a Escola Primária. Por cima do «Quadro Preto», lá estava o seu retrato, ao lado do de Salazar. Eram os dois manda-chuvas deste jardim à beira-mar plantado.
Foi militar a vida inteira e nunca quis saber de outras vidas. Desempenhou cargos em tudo que era Unidade Militar, tirou cursos uns em cima de outros, participou na I Guerra Mundial, defendendo as fronteiras de Moçambique das tropas alemãs que de tudo fizeram para nos ficar com a colónia. 
Foi para a tropa como voluntário e saiu oficial de Cavalaria, mas depois de regressar de Moçambique foi para França tirar o curso de piloto aviador e daí em diante a sua vida foi a Força Aérea. Foi ele quem negociou com os americanos o acordo da Base das Lajes, comandou a Base Aérea de Tancos e a Legião Portuguesa, tendo sido também governador da Índia.
Na política foi eleito como deputado pelo círculo de Coimbra, cargo que ocupou entre 1945 e 1951, ao mesmo tempo que desempenhava as funções de comandante da Base Aérea da Terceira. Com a morte de Carmona foi indigitado, pela União Nacional, para lhe suceder.
Não se conta nada de relevante, durante o seu mandato, pois como se sabe só o Salazar mandava e desmandava no nosso país. Ficou conhecido pela sua rectidão de carácter e por recusar receber prendas valiosas. O pouco que recebeu deixou-o no palácio de Belém, quando entregou a pasta ao seu sucessor.
Como era mais amigo dos oposicionistas do que de Salazar, em 1958, não viu o seu mandato ser renovado. Nas famosas eleições desse ano, competiram pelo cargo Américo Tomás e Humberto Delgado, com o resultado que todos sabemos.

A festa do futebol!

Depois dos 5 jogos de castigo aplicados a Cristiano Ronaldo, diz Zidade:

"Estoy muy molesto, no jodido. Al final, como siempre, no me voy a meter con los árbitros, pero cuando miras y ver lo que pasó, pensar que no va a jugar Cr 5 partidos con nosotros, buff... Ahí pasa algo y espero que el Comité lo mire bien. No sé lo que va a pasar. Es normal que esté molesto"


Os adeptos do Real Madrid vão manifestar-se, durante o jogo de hoje à noite, contra as arbitragens que, segundo eles, têm prejudicado o seu clube. O exemplo do último castigo aplicado ao seu melhor avançado parece ser uma prova clara disso. É mais que claro que o Ronaldo não simulou a queda e, depois de ver e rever as imagens, o árbitro devia reconhecer que fez asneira.

El cartel dice lo siguiente: "Saca tu pañuelo a la salida del trio arbitral en señal de protesta por los arbitrajes que está sufriendo el Real Madrid y en repulsa a la injusta sanción a nuestro jugador Cristiano Ronaldo. Los madridistas gritamos ¡BASTA YA!"

Quem quiser assistir ao espectáculo, só tem que plantar-se em frente ao televisor, logo à noite, pelas 22 horas. Eu não vou falhar!!!
E aposto todas as fichas numa vitória conclusiva do Real!!!

As «Botas de Atanado»!

Há tempos, falei nas minhas botas de atanado que me foram distribuidas quando me alistei na Marinha, nos últimos dias de inverno de 1962. Muita gente arregalou os olhos, pois nunca tinha ouvido falar neste tipo de botas, nem fazia a mínima ideia do que se tratava. Se o "espertinho" que fez a lista do material que era distribuído a cada um dos recrutas tivesse escrito "botas de couro", já ninguém ficaria admirado.


Eu também nunca tinha ouvido o termo, mas quando peguei nelas e vi que eram de couro, nunca mais me preocupei com esse nome arrevesado. Quando cheguei a Vale de Zebro, numa famosa sexta-feira à noite, fui recebido pelo mais que famoso sargento Trindade que tinha uma voz de trovão e era grande com'ó caraças. E ele foi logo avisando:
- Amanhã, formatura às 8 horas, farda de cotim e botas de atanado!
Não tinha nada que enganar, foi a farda de cerimónia que tinha vestido no dia anterior, depois de um banho de água gelada. Só tinha que guardar os sapatos pretos da ordem no cacifo e sacar as botas que ainda estavam no mesmo saco onde veio tudo o resto.
Aprender a marchar e marcar passo, convenientemente, dava muito trabalho. E a sola das botas é que pagava as favas.
- Levanta-me esses braços até à altura do ombro, dizia o sargento Bicho.
E era uma risada total, quando alguns não atinavam com o movimento correcto, quando avançavam com o pé direito e o braço do mesmo lado, parecia que iam a guiar uma bicicleta.
- Bate com esses tacões com força no chão que quero ouvi-los, dizia o sargento de novo.
E ao fim de uns dias estavam os tacões todos rotos e as solas com um buraco ao meio, por onde saíam as meias pretas. Vendo que o prejuízo era grande, depressa mudaram de estilo e começamos a fazer a «Ordem Unida» de fato-macaco e botas de borracha. E aí já não se ouviam os tacões a bater no chão, quando o Bicho, já farto de nos aturar, berrava:
- Ordinário, marche!
- Vá chamar ordinário ao seu pai, dizia o "Penconis", em voz disfarçada, lá do fim da formatura.
- Alguém disse alguma coisa, refilava o sargento.
- Não, senhor sargento, respondia, em coro, toda a formatura.
- Bem me parecia, dizia o Bicho para arrumar com o caso.
Para terminar esta minha "alembradura" matutina, quero acrescentar apenas que a palavra atanado provém dos taninos usados para curtir o couro de boi. Por conseguinte botas de atanado eram botas feitas de couro de boi curtido com taninos. A coisa mais simples do mundo, depois de bem explicada, claro!

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Reflexos!


Como o Jorge Jesus vê o seu Sporting!

Presidentes da República - Óscar Carmona!

Óscar Carmona (1926-1928) - Além de Mendes Cabeçadas (líder dos revoltosos de Lisboa) e Gomes da Costa (líder dos revoltosos do norte) houve um terceiro militar envolvido no 28 de Maio e que, depois de os outros dois terem tentado a sua sorte, sem sucesso, aceitou o cargo de presidente da república. Este período encerrou a história das duas primeiras repúblicas, ambas muito mal sucedidas, e serviu de interregno até começar o Estado Novo.
Durou esta presidência cerca de um ano e meio, até que pudessem ser marcadas eleições e escolhido um substituto. Vivia-se, em Portugal, uma autêntica Ditadura Nacional (Militar), de modo que nada mais natural que escolher um presidente que reunisse o consenso de quem mandava, ou seja, aquele que já se sentava na cadeira do poder.
Óscar Carmona 1928-1933) - Escolhido que foi, como candidato à presidência, e não havendo nenhum outro que se lhe opusesse, acabou por ser eleito. Com a Constituição da República suspensa desde o 28 de Maio e reconhecendo que era preciso alterá-la. E foi isso que fez o governo, durante este mandato de Carmona.

«Documento fundador do Estado Novo em Portugal, o seu projecto foi elaborado, a partir de um primeiro esboço da autoria de Quirino Avelino de Jesus, por um grupo de professores de Direito convidados por António de Oliveira Salazar e por ele directamente coordenado. Marcelo Caetano, que secretariou o processo de revisão do articulado do projecto, destacou o papel técnico de Domingos Fezas Vital, professor de Direito Constitucional da Universidade de Coimbra.
O projecto foi objecto de apreciação pelo Conselho Político Nacional e publicado na imprensa para discussão pública. O texto final da Constituição foi publicado em suplemento ao Diário do Governo de 22 de Fevereiro de 1933 e objecto de plebiscito em 19 de Março do mesmo ano.
A Constituição entrou em vigor em 11 de Abril de 1933, data da publicação no Diário do Governo da acta de apuramento final dos resultados do plebiscito.»

Foi também durante este seu mandato que convidou Salazar para Ministro das Finanças, na última tentativa de pôr ordem nas contas públicas e a liberdade de actuação que foi obrigado a conceder-lhe viria a condicionar o futuro de Portugal, dali em diante, tendo sido pai e padrinho da nova constituição que vigoraria até à Revolução dos Cravos, em 1974.


Óscar Carmona (1933-1935) - Em 1933, ao abrigo da nova constituição, voltou a ser eleito e permaneceu no cargo até 1935, ano em que houve de novo eleições. Não encontrei explicação para isso, mas desconfio que foi cozinhado por Salazar, figura a que ninguém conseguia opor-se já. Nessas eleições foi mais uma vez eleito, mas por razões de saúde não pôde tomar posse, ficando Salazar a ocupar o cargo, interinamente, durante 15 dias.
Óscar Carmona (1935-1951) - Logo que se sentiu melhor de saúde Carmona reocupou o cargo e daí em diante foi sempre reeleito para mandatos sucessivos (em 1942 e 1949), tendo morrido, em 1951, antes de completar o último mandato. Dizem as más línguas que quem mandava, de facto, no nosso país, era Salazar e o Presidente da República não passava de uma figura decorativa. 

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Sabedoria popular!

Eu sou um adepto fervoroso dos ditados populares. Para cada circunstância há um ditado que se aplica e depois de ver os jogos dos nossos mais directos adversários, este fim de semana, lembrei-me daquele que reza assim:
- Quando vires as barbas do teu vizinho a arder, põe as tuas de molho!
Ao Sporting calhou o Vitória de Setúbal e por pouco não acabaram empatados a zero. Um penalty mal assinalado valeu-lhes um golo que, quase aos 90 minutos de jogo, os salvou do empate que seria uma vergonha para o JJ que continua tão orgulhoso e arrogante como sempre.
Ao Porto calhou o modesto Tondela que resistiu enquanto pôde à avalanche do ataque dos dragões. Um golo de sorte, marcado pelo regressado Buba, mantém o Sérgio Conceição, esforçado treinador que tem que provar, seja lá por que meios for, que é melhor que o Lopetegui e o Nuno do Espírito Santo. O Porto atacou muito e mal, o Tondela defendeu muito e bem e até acabou o jogo por cima do Porto. Se o árbitro tem sido um pouco mais rigoroso e tivesse expulsado o Filipe - fez, pelo menos , 3 faltas para amarelo - talvez o Tondela tivesse conseguido o empate.
Cada um à sua maneira, Sporting e Porto viram-se e desejaram-se para levar para casa os 3 pontinhos e, em conjunto com o Rio Ave, manterem-se na frente da classificação. Veremos se, logo à noite, na transmontana cidade de Chaves, o Benfica consegue fazer outro tanto, ou melhor se possível. Se tivesse alguém que pudesse levar o recado ao Rui Vitória, avisava-o para pôr as barbas de molho.

domingo, 13 de agosto de 2017

Presidentes da República - Dois em um!

A revolução do 28 de Maio pôs fim à 1ª República. Foram 16 anos de experiências, de lutas partidárias, com a I Grande Guerra pelo meio, que deixaram Portugal na ruína. O triumvirato militar que tomou conta do país depois da revolução, Gomes da Costa, Mendes Cabeçadas e Óscar Carmona viram-se e desejaram-se para pôr a coisa nos eixos e não o conseguiram.
José Mendes Cabeçadas, oficial da Marinha de Guerra Portuguesa que tinha capitaneado os revoltosos de Lisboa, aceitou o cargo de presidente, mas não chegou a aquecer o lugar. Ao fim de 15 dias foi substituído por Manuel Gomes da Gosta, o general que tinha vindo de Braga à frente dos militares revoltosos para meter os políticos de Lisboa na ordem.
A situação política e, em especial, a financeira era uma autêntica calamidade e depois de uma apressada reunião entre os revoltosos chegaram à conclusão que ele não seria capaz de controlar a situação e obrigaram-no a renunciar ao cargo.
Manuel Gomes da Costa tomou o seu lugar, mas não teve melhor sorte, o seu mandato durou apenas 10 dias. Óscar Carmona, o terceiro dos revoltosos do 28 de Maio, achou que com este presidente não se iria a lado nenhum, retirou-o do cargo e enviou-o para o exílio, nos Açores. Para não ficar como o mau da fita promoveu-o ao posto máximo do Exército Português, o de marechal.
Cerca de um ano depois, ele regressou à Metrópole e ainda exerceu algumas funções oficiais, mas de pouca importância. Dois anos depois morria em Lisboa, pobre e desligado dos círculos do poder. Triste fim para quem andou pela Índia e por África ao serviço da Pátria. Foi ainda o militar mais graduado a participar na I Guerra Mundial, como comandante da 1ª Brigada do Corpo Expedicionário Português que partiu para a Flandres em 1917.

E Fátima?


A peregrinação dos emigrantes a Fátima foi durante anos e anos a maior notícia deste dia 13 de Agosto. Procissão das velas, à noite, e missa de domingo em directo da Capelinha das Aparições. Desta vez nada, não vi nada durante o dia de ontem e hoje já vi incêndios, mas Fátima nada. As televisões encontraram coisa melhor para transmitir?
Estamos a virar todos maçónicos ou quê?

Ich bin ein berliner!



«Ich bin ein berliner» foram as palavras com que John Kennedy iniciou o seu discurso durante a sua primeira viagem à Alemanha, como presidente dos Estados Unidos. Assim como quem diz:
- Eu estou aqui, sou um dos vossos e partilho o vosso destino!
Hoje também acordei a pensar em grande, como o Kennedy, e o meu grito é:
- Eu estou aqui, sou benfiquista, sou fuzileiro, e enquanto andar neste mundo ninguém me vira!
Um fim de semana sem um jogo do Benfica é como um dia sem sol. Não há assunto para falar, penalties que ficaram por marcar para a gente discutir acaloradamente, árbitros para criticar, novos jogadores para apreciar, uma desgraça total. Mas não há nada a fazer, o remédio é esperar até amanhã. E até lá ficamos quase no fim da tabela classificativa. Mas é só por 24 horas, ouviram? Nada de abusos que o Benfica é o maior e, por enquanto, ainda é o campeão.
Se querem um conselho para este domingo, façam o que fizerem, não liguem a televisão que só dá incêndios. E de desgraças estamos nós cheios. É ou é verdade? Então digam comigo:
- VIVA O BENFICA !!!

sábado, 12 de agosto de 2017

Presidentes da República - Bernardino Machado!

Bernardino Machado (1925-1926) - Com a demissão de Manuel Teixeira Gomes, devido à enorme instabilidade social que se vivia no país, era preciso encontrar outro candidato para ocupar o lugar. Bernardino Machado, que já tinha sido presidente entre 1915 e 1917, candidatou-se e conseguiu ser eleito.
Como podem ver pela imagem, também este presidente passou pelas lojas maçónicas, aliás, isso parece ser um ponto comum dos governantes portugueses, ainda hoje. O Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, ainda está longe de lá chegar, mas já é chefe de loja, em Lisboa, eles sabem preparar o caminho.
Porém, durou pouco este segundo mandato. A revolta capitaneada por Gomes da Costa que, à frente de uma coluna militar veio de Braga até Lisboa, no fim de Maio de 1926, acabou com o seu sonho. Por toda a Europa se adivinhavam movimentos nacionalistas de raiz totalitária. Primo de Rivera, em Espanha, ou Benito Mussolini, em Itália, eram os casos mais conhecidos e discutidos em Portugal. A Junta Militar que assumiu os destinos do país, na sequência da revolução do 28 de Maio, mandou-lhe fazer a mala e, pouco tempo depois, lá foi ele de volta para o exílio, em Paris.

O «Jogo do Pau»!

Quando eu era puto - antes de entrar na Escola Primária - lembro-me de ver os homens sempre agarrados a um pau. Aos mais velhos servia para os ajudar a equilibrarem-se, aos mais novos para atacarem os seus inimigos e se defenderem em caso de ataque. Nas feiras e romarias os homens do Minho apareciam sempre agarrados ao pau, sentiam-se assim mais seguros. O meu pai tinha dois, um todo bonito e envernizado para as festas, a que ele chamava "marmeleiro", e outro mais tosco para andar pelo campo, a que dava o nome de "lodo". Não tenho a certeza, mas juraria que os nomes têm a ver com a árvore ou arbusto que estava na sua origem.
Quando o meu pai começou a trabalhar fora (e longe) de casa, deixou-os lá em casa, atrás de uma porta, e eu ainda pensei em aprender a manejá-los, mas a vida levou-me também para longe de casa e lá ficaram os paus a serem roídos pelo bichinho da madeira, sem um homem que lhe pegasse.


Bons tempos em que se resolviam as coisas à paulada. Como se costumava dizer, duas ripeiradas pela cabeça abaixo e qualquer arruaceiro ganhava logo juízo. Hoje, por dá cá aquela palha, saca-se a fusca e metem-se dois balázios no corpo de qualquer cristão que abala para o outro mundo sem perceber muito bem o que lhe aconteceu.
Vem isto a propósito do jogo de futebol disputado ontem pelo Sporting. Pensei em fazer um comentário, mas não sabia por onde começar. Mas, pensando bem, tinha a solução mesmo na ponta dos dedos. Ao ver o jogo, o facto que mais me chamou a atenção foi a "pancadaria" que os rapazes do Jesus infligiram aos que vinham da terra do carapau. O treinador dos lagartos tem ali 3 ou 4 mânfios que dão bordoada a torto e a direito e ai de quem lhes puser as canelas à frente. E não estava a jogar o Alan Ruiz, senão as coisas pioravam muito.
Vou recomendar aos rapazes do Benfica para usarem caneleiras reforçadas, quando tiverem que jogar contra eles!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Presidentes da República - Manuel Teixeira Gomes!

Manuel Teixeira Gomes (1923-1925) - Quase poderia passar por cima deste presidente, pois não encontrei nada que valha a pena relatar a seu respeito. Ainda foi estudar medicina para Coimbra, mas pouco durou a vida de estudante. Gostava mais da boa vida e os pais tinham dinheiro para lhe permitir isso.
Algarvio de nascimento, mudou-se para Lisboa depois de ter posto de lado os estudos em Coimbra. Começou a frequentar um círculo de intelectuais e a dedicar-se à Literatura, chegando a colaborar com alguns jornais e revistas.
O cargo mais importante que desempenhou, nos primeiros anos da república, foi o de Ministro Plenipotenciário de Portugal, em Inglaterra. Como presidente fartou-se do cargo em menos de dois anos e pediu a demissão. E para cúmulo, exilou-se em Marrocos, onde ficou até à sua morte, mandando a sua pátria às urtigas.
Em 1950, foram exumados e trazidos para Portugal os seus restos mortais, o que deu uma grande trabalheira ao Salazar que já era o «Mestre de Orquestra» nessa altura.

Turismo gastronómico!

Como já referi, na publicação de ontem à noite, o jantar de ontem foi especial e de família. E quando se come bem e todo o mundo está bem disposto, até parece que vivemos noutro país, um país onde não há políticos gananciosos nem ordenados mínimos ou reformas que para pouco mais chegam que pagar os remédios na farmácia. E depois de uma boa "comezaina" é normal combinar outra para muito breve, de modo a manter o clima de felicidade que nos inunda o corpo.
Pois, foi isso mesmo que fizemos, combinamos que antes que acabe o mês de Agosto e o tempo de férias (sim, porque nem toda a gente é reformada como eu) vamos atacar uma das especialidades da cozinha portuguesa, o cabrito assado.


Se Oleiros não ficasse tão longe, seria o «cabrito estonado» a minha escolha, assim vou contentar-me com uma viagenzinha até às serranias do Alto Minho, talvez o Gerês ou Ponte de Lima, onde são fortes a cozinhar este petisco. Estonado ou esfolado, tenho a certeza que vai escorregar pela goela abaixo e se ele se mostrar teimoso, empurra-se com uma caneca de tinto daquele que pinta as tripas de vermelho pelo lado de dentro.
Dizem que o «cabrito estonado» é um petisco do outro mundo e eu acredito. O modo como é preparado e cozinhado dá para perceber isso. Para quem não sabe, estonar um cabrito é chamuscá-lo para queimar o pelo e depois raspar a pele até ela ficar lisa e branquinha como a de um homem depois de acabar de se barbear. O calor, ao incidir sobre a pele, faz ferver as gorduras no seu interior e recoze a carne até ela ficar um autêntico veludo. Vejam o que se diz na net sobre esta especialidade gastronómica:

  • A primeira referência surge num livro de culinária do Al-andaluz medieval, que fala de um borrego estonado com óleo;
  • Em 1624, o missionário Oleirense, António de Andrade, o primeiro ocidental a escalar os Himalaias e a chegar ao Tibete, nos relatos da sua expedição e abordando os costumes daquelas gentes, realça o facto de não esfolarem os carneiros e cabras que comem, mas antes comerem-nas com a pele chamuscada, tal como em Oleiros.
  • Já no séc. XIX, Alexandre Dumas descreve, deliciado, a experiência de comer um borrego preparado à moda do deserto, na Tunísia, também assado com a pele.

Que acham? Está aprovada a minha escolha para a próxima romaria ao Alto Minho? Isto faz-me lembrar uma cantiga que o povo costuma cantar quando está satisfeito e bem disposto:
- O que se leva desta vida, é o que se come e o que se bebe, ai, ai!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Mais um dia não!

De facto, hoje foi dia de nem sequer olhar para o "computas". Saí de casa às oito da manhã para ir fazer uma coisa que deveria tomar-me não mais que meia hora, mas só cheguei a casa ao meio dia. Ao chegar encontrei a minha filha à espera para lhe dar uma ajuda nuns assuntos que ela tinha urgência em resolver. O almoço já saiu fora da hora do costume e a tarde também não correu lá muito bem. Ao fim da tarde, nova saída para um jantar em família. E estou a chegar a casa agorinha mesmo e é quase meia noite.
E, é claro, já não são horas de puxar pela cachimónia e escrever qualquer coisa que preste. Veremos se amanhã acordo bem disposto e com inspiração suficiente para escrever alguma coisa que valha a pena.
Assim, resta-me desejar-vos uma boa noite, com sonhos cor de rosa, e amanhã cá nos encontraremos, como de costume.

O Benfica ganhou!

Devia estar muito contente e escrever uma grande e bem disposta crónica, mas não me sinto com disposição para tal. Hoje armei-me em valente e fui dar um jeito na horta que mais parece um baldio abandonado. Claro que fiquei de rastos e mal me consegui arrastar até ao café do bairro onde vivo e que é o meu poiso habitual para assistir aos despiques futebolísticos. Fui e voltei e estou com vontade de me esticar ao comprido e nessa posição não consigo escrever.
Bem, o que interessa é que as sortes estão lançadas e para já Benfica, Porto e Sporting estão todos empatados no 1º lugar, temos que esperar até que um deles escorregue e deixe os outros passar à frente. No próximo domingo voltamos ao ataque, longe da Luz, e depois disso faremos de novo as contas.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Presidentes da República - António José de Almeida!

António José de Almeida (1919-1923) - Tem nome de pobre e se alguém me dissesse que tinha sido presidente da nossa república eu nunca acreditaria. Não me lembro de ter ouvido este nome alguma vez na minha vida, o que pressupõe que faltei a algumas aulas do meu 5º ano de Liceu, ano em que se estudava essa matéria.
Nasceu no distrito de Coimbra e em Coimbra estudou e se fez doutor. Como muitos outros estudantes daquela universidade, cedo enveredou pelos meandros da política e passou até pela prisão por publicação de escritos contra o rei, no jornal académico.
Depois de terminar o curso de medicina, rumou a Angola e depois a S. Tomé e Príncipe, onde exerceu a sua profissão, durante cerca de dez anos. Após esse período, regressou a Lisboa, onde montou consultório e passou a dedicar-se à política mais a sério. Aderiu a uma loja macónica - muitos dos nossos políticos o fizeram e continuam a fazer hoje - foi eleito deputado da nação e passou o tempo a dizer mal do rei D. Carlos que era o seu inimigo de estimação, desde os tempos de estudante. Por isso voltou a ir parar atrás das grades, pouco antes do assassinato do rei e do príncipe herdeiro. Depois da implantação da república, foi ministro e fundou um partido que dirigiu até ser eleito presidente.
Foi o único presidente da 1ª República que cumpriu o mandato até ao fim e empossou 16 governos durante o seu mandato. Só por isso dá para perceber a grande rebaldaria que se vivia no nosso país. É claro que a situação do pós-guerra que se vivia, o pagamento das dívidas por ela motivadas e o corte no apoio que os nossos velhos aliados ingleses nos davam, fizeram desse período um dos mais difíceis da nossa história republicana.
As «Visitas de Estado» oficiais tiveram início durante o seu mandato e a primeira visita foi ao Brasil, em 1922, para comemorar a independência dessa nossa antiga colónia. A viagem correu tão mal e as avarias foram tantas que tiveram que comemorar a data ainda a bordo, no meio do Atlântico. Mas não foi razão para desistir da viagem e esta acabou com grande aparato num baile que ficou famoso.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Há muita coisa para ver!


Estou aqui, sentado confortavelmente, a ver os ciclistas da Volta a Portugal esfalfarem-se pedalando pelo monte acima. Ninguém lhes paga milhões, como aos artistas da bola, mas suam a camisola até mais não. Quatro ou cinco horas em cima da bicicleta é obra. E se for como anteontem através do Alentejo e com temperaturas a rasar os 40º é de se lhe tirar o chapéu. Sempre me perguntei quanto ganharão eles para se meterem em tais corridas.
Ao lado da estrada que desce até Mondim de Basto existe uma linda queda de água, a que chamam «Fisgas de Ermelo» e que o helicóptero da RTP mostrou para quem quis ver. Em tempos, quando ainda tinha pernas para isso, já lá fui fazer uma visita. É um sítio espectacular, mas é preciso pernas de cabra montesa para andar por aqueles sítios.
Aproveitem as férias e vão até lá. Há boa comida, bons vinhos e ar puro para oxigenar os pulmões.

Só para quem gosta!


Para quem for amante do desporto-rei há hoje, ao fim da tarde, um espectáculo a não perder e que vai ser transmitido pela RTP1, a disputa da «Supertaça Europeia» que vai pôr o Real Madrid e o Manchester United frente a frente.
De um lado o melhor jogador do mundo, vencedor da Liga dos Campeões 2017, e do outro o melhor treinador do mundo, vencedor da Taça UEFA 2017, ambos portugueses por sinal.
Eu não vou perder!

Como aliviar o stress?

Psicólogos e psiquiatras nunca tiveram tantos clientes como agora. Qualquer desculpazinha serve para ir ao senhor doutor que trata dos nervos. Mulher que se queixa que o marido não pára em casa, ou marido que desconfia de traição por ver a mulher sempre muito "embonecada". Putos a quem os estudos não correm muito bem, ou não encontram, durante o dia, os namoros com que sonharam, durante a noite. Tudo serve para ir à consulta e o senhor doutor agradece.
Mas há outra maneira de aliviar o stress, como se viu, ontem, no Estádio do Portimonense. Se o pessoal anda com os nervos em franja, seja por causa da política, das finanças, ou dos amores não correspondidos, não há melhor terapia que desatar à pancadaria no meio de um jogo de futebol. E quantos mais murros apanhar no focinho mais aliviado fica.


Deve ser característico das gentes do mar, pois bem me lembro de os jogos do Varzim e Leixões acabarem ao sopapo entre a assistência. Por vezes sem ninguém perceber porquê. Alguém dava um empurrão que fazia cair uns por cima dos outros e o que faziam era levantar-se e desatar à batatada a quem os fizera cair.
Ontem, foram as gentes de Portimão contra as de Matosinhos, uns e outros gente do mar que passa muito tempo confinada a um pequeno espaço e sem poder mexer muito as pernas. Assim, com a desculpa que o jogo não estava a ser tão limpo como eles queriam, puderam dar largas ao exercício físico que lhes faz falta enviando socos e pontapés a tudo o que mexia à sua volta.
Bendito futebol que serve para tudo! A uns enche o bolso de milhões, a outros o corpo de bordoada e nódoas negras!

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Presidentes da República - João de Canto e Castro!

João de Canto e Castro (1918-1919) - Não fazia a mínima ideia que a Escola de Alunos Marinheiros tinha funcionado em Leixões, mas é o que diz a biografia deste 5º Presidente da República Portuguesa e da qual ele foi dirigente nos primeiros tempos da república. Fez a Escola Naval, percorreu o Império Português de lés-a-lés, chegou a almirante e foi também governador de Moçambique. Foi também comandante da Escola de Artilharia Naval que funcionava a bordo da fragata D. Fernando, a famosa «Fragata» que estava fundeada no meio do rio Tejo, quando eu andei na Marinha, e que serviu de escola a alguns dos meus camaradas fuzileiros.
Já como Presidente da República foi tão rápida a sua passagem que quase nem se dava por ele, apenas dez meses à frente dos destinos do nosso país. Nesses conturbados tempos que sucederam à monarquia era assim mesmo, ninguém aquecia o lugar. Monárquico convicto passou o seu mandato a lutar contra os revoltosos que por várias vezes tentaram repor a monarquia, ou seja, lutando contra os seus próprios princípios. Foi membro do Parlamento, durante o reinado de D. Carlos e foi convidado para Ministro da Marinha, por Sidónio Pais, cargo que assumiu pouco tempo antes do assassinato do presidente, a quem depois sucedeu.
Procurei, mas não encontrei a razão por que durou tão pouco no cargo. Talvez tenham sido convocadas eleições por causa do assassinato de Sidónio Pais e este presidente tenha ocupado o cargo apenas enquanto estas não se realizaram e era escolhido um novo presidente. A lógica seria que ele também concorresse e, estando no cargo, ganhasse as eleições, mas nada encontrei a esse respeito naquilo que li.

Pelas estradas de Portugal!

Na semana passada, andei por estradas e autoestradas, umas melhores que as outras, passei por pontes e viadutos, ora por cima ora por baixo, lembrei-me do Sócrates e dos milhões que gastou em ferro, betão e alcatrão para lhe reservarem uma percentagenzinha, gastei muitos litros de gasóleo para enriquecer as gasolineiras, mas também contribuir para encher os cofres dos impostos que o país precisa para sobreviver.
Da falta de estradas já não podemos queixar-nos, há alguns lugares onde até é difícil escolher qual delas usar. Cruzam-se umas com as outras como os rastos de fumo deixados no céu pelos aviões a jacto. As estradas nacionais, supostamente as mais importantes do país, cederam o lugar às autoestradas e já ninguém se lembra por onde passava a EN1 ou a EN2, cuja manutenção deu tanto que falar e tanto trabalhinho a muita gente que dele precisava, durante o Século XX.

Pensando nisto, veio-me à memória a história das vias romanas que começaram a ser construídas há mais de dois mil anos e algumas, embora pouco utilizadas, ainda se mantêm no activo. Os caminheiros de Santiago de Compostela usam-nas e não querem outras, pois são mais ecológicas e livres de trânsito.
No norte de Portugal e na Galiza foi a religião católica a principal motivação para a construção dessas estradas. Enquanto que as vias principais usadas pelas legiões romanas se dirigiam aos pontos onde havia riquezas que pudessem interessar ao Império Romano, como o sul de Espanha ou o litoral sul de Portugal, as vias criadas entre Braga, o Lugo, Astorga e mais tarde Compostela foram-no para permitir a evangelização dos povos nativos. Povos que até aí só conheciam uma religião, a do estômago. A sua luta diária era para garantir o seu sustento, encher a barriguinha, e não tinham outra religião. Trouxe-vos aqui um pequeno trecho da wikipedia para corroborar as minhas afirmações:

«A Via Nova tem um traçado em diagonal que liga o triângulo político-administrativo e viário estabelecido por Augusto, com vértices nas três cidades: "Bracara Augusta", "Luco Augusto'" e "Astúrica Augusta".
A Geira iniciava-se em "Bracara Augusta", passando pela zona do atual Areal, seguindo por Adaúfe, entrava no concelho de Amares com a travessia do rio Cávado em Barca de Âncede, e seguia pelas localidade de Caires e Paredes Secas. Ao chegar ao lugar de Santa Cruz, entrava no concelho de Terras de Bouro. Neste concelho encontra-se muito bem conservada ao nível do seu traçado e dos seus vestígios arqueológicos. Nas Terras de Bouro percorre as freguesias de Souto, Balança, Chorense, Vilar, Chamoim, Covide, Campo do Gerês e chega, por fim, à Portela do Homem, seguindo depois em território espanhol.»

Como se vê o César Augusto era um homem organizado. Além de abrir estradas, marcava-as com os famosos marcos miliários (que ainda hoje existem) e dava-lhes números como têm, hoje, as nossas autoestradas. Via XVII, Via XVIII, Via XIX e por aí fora, em vez das A22, A23 ou A24. Se quisesse viajar, no tempo de César, tantos quilómetros como andei agora, tinha que ser a cavalo e demoraria várias semanas. E corria o risco de ser assaltado por algum lusitano, celta, ou mouro que se sentisse atraído pela minha bolsa ou me quisesse roubar a montaria.

domingo, 6 de agosto de 2017

O respeitinho é muito bonito ...!

... e eu gosto!
Se for apenas por razões motivacionais, ainda vá que não vá, mas dizer à boca cheia que é para ganhar, sem o mínimo respeito pelo adversário que se tem pela frente, eu não aceito. A conversa certa é dizer assim:
- Eu sei que o Benfica é melhor que nós, mas vamos lá fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para levar a taça para Guimarães. E se não conseguirmos, não ficaremos nada diminuídos com isso.
Já o Bruno de Carvalho também tem a mania de aparecer em frente aos microfones e garantir que desta é que o Sporting vai ser campeão. E então o Benfica? Não conta para nada? Não tem respeito pelo campeão? Não se pode prometer uma coisa que não está nas nossas mãos dar. O presidente do Sporting tem que aprender a pronunciar a palavra "tentar", vamos tentar, vamos esforçar-nos ao máximo por conseguir, essa é que é a abordagem certa mostrando respeito por quem detém o ceptro do poder, a coroa de rei, o título de campeão.
No jogo de ontem o Benfica entrou a todo o gás, tal como eu gosto, mas foi sol de pouca dura. Ao fim de meia hora de jogo já a chama se tinha apagado e a equipa não fazia mais que defender-se dos ataques repetidos dos vimaranenses. Jogadores como o Grimaldo - que gosta muito de partir à desfilada em direcção à baliza adversária - que estouram a meio do jogo, não são uma boa garantia para o nosso sucesso. A utilização do Filipe Augusto que é um brutamontes, por troca com o Salvio que é um artista, não recolhe a minha aprovação. Se não tem entrado o Raúl para meter um golo, como ele sempre tem feito em momentos de aflição, eu ficaria desanimado com a actuação da nossa equipa.
E nem quero falar nos erros da equipa de arbitragem, ou na fiscalização feita pelo video-árbitro, pois teríamos muito que falar e a nossa equipa ainda sairia mais desfocada na fotografia. Vamos esperar com calma pelo início do campeonato, ver o que os adversários fazem que ainda é muito cedo para começar com as preocupações.

O Luisão está velho, mas ainda consegue levantá-la.

O Pizzi continua a ser o homem-chave do jogo.

Raúl, o homem certo, no sítio certo, à hora certa.

Esta é minha, vocês esperam mais um ano para tentar de novo.

Rui, o treinador de sucesso.

Ganhar é a coisa melhor do mundo!!!

Esta já cá canta!


Aí está a foto da equipa que entrou em campo. E entrou bem, a toda a velocidade, e em três tempos pôs o resultado em 2 a 0. Depois deixaram o Guimarães jogar quanto quis e marcar um golo. Veio o intervalo com o resultado favorável ao Benfica, mas no regresso tudo o que os nossos artistas conseguiram foi fazer os adeptos sofrer a bom sofrer. Até que o Jonas, que tinha marcado o primeiro golo, deu o seu lugar ao Raúl Jimenez e este, como já por diversas vezes aconteceu, sancionou o jogo marcando o terceiro golo do Benfica.
E, no fim do jogo, meteu a bola debaixo do braço e guardou-a como recordação. Pode ser que no próximo mês já cá não esteja, mas, enquanto cá está, aproveitou para pôr a sua assinatura na conquista deste troféu e já faz parte da história do Glorioso. Há muita gente que não gosta dele e anseia vê-lo pelas costas, o que não é o meu caso. Aceito que o LFV o venda, por razões económicas, mas também fico contente se o não fizer.
Agora, vamos esperar com calma, até quarta-feira, para ver como corre a primeira jornada. Jogamos em casa, somos favoritos e ninguém pensa noutro resultado que não seja ganhar. Mas eu só deito os foguetes, se tiver direito a isso, depois do jogo acabar.
Força, campeão, rumo ao PENTA!!!

sábado, 5 de agosto de 2017

Hospital da Luz!


Acabei de ler que o Benfica já tem 5 lesionados. O Júlio César que começa a dar sinais de velhice, o Mitroglou que também já não vai para novo e deve sentir saudades da Grécia (que é uma espécie de Alentejo e dá sorna ao pessoal), o Carrillo que nos dois últimos anos pouco jogou e se prepara para continuar pelo mesmo caminho, o Zivkovic que está cá há um ano, mas só se aproveitou meio e, por fim, o André Horta que se fala vai emigrar para o Funchal e, por vingança, pediu baixa médica.
Isto é um martírio! Faz-me lembrar os tempos da tropa em que andávamos sempre a inventar desculpas para não entrar de serviço. Senhor doutor, doí-me aqui, senhor doutor, dói-me ali. E o doutor bem desconfiava da malandrice, mas por vezes deixava-se levar. Eu conheci um que começou a queixar-se da coluna, mal chegamos a Moçambique, e andou assim até ao fim da comissão. Depois de levar baixa, trabalhou que se fartou, passou pela emigração em diversos países e tudo. Deu-lhe forte e feio até ao fim da vida que, infelizmente, já terminou há algum tempo.
Se eu estivesse no lugar do Rui Vitória mandava-os bugiar e arranjava outros novos. E ensinava-lhes aquele ditado que os mais velhotes da minha geração gostavam de repetir:
- Na casa daquele home quem não trabalha não come!

Voltei!

O D. Sancho I de Portugal foi um homem e tanto. Diz a História que ele foi um grande administrador e granjeou grande fortuna para o nosso país. Alguém deve ter ficado com ela, pois não chegou aos nossos dias e, tanto quanto ouvi dizer, nos finais do Século XIV já estava tudo teso e foi preciso partir para os Descobrimentos de modo a garantir a bucha para o povo.


Ficou conhecido como «O Povoador» pois criou cidades e deu foral a muitas terras do interior norte de Portugal. A cidade mais alta de Portugal, Guarda, bem o reconhece e mandou erguer grande estátua junto à catedral para que ninguém se esqueça disso.
Nas minhas andanças, nestes últimos dias em que não vos fiz companhia, passei pela aldeia de Sortelha, no concelho do Sabugal, uma das tais povoadas por D. Sancho. Era um posto avançado na defesa do nosso território e muito próximo da fronteira com Castela que estava sempre de olho a ver se reconquistava o território que o Afonso I de Portugal - pai de D. Sancho - lhes tinha surripiado uns anos antes.


As minhas pernas já não dão para grandes corridas, mas ainda me atrevi a subir uns quantos degraus para tirar a fotografia e vos mostrar por onde andei. Por onde andei eu e andou o segundo rei de Portugal, há muitos anos atrás. Tantos que já ninguém se lembra disso. A memória de alguns portugueses não vai além do tempo em que a troika veio cá para injectar algum juízo na cabeça dos nossos governantes que têm vindo a fazer, exactamente, o contrário do que fez esse nosso rei, ou seja, empobrecer o país.
D. Sancho era beirão de nascimento e foram as terras das Beiras que mais beneficiaram com o desenvolvimento que imprimiu ao país. Viveu em Coimbra e em Coimbra morreu e foi sepultado. Ele teve muitos filhos, da sua mulher que era espanhola e das outras que lhe passavam por perto. Foi esse o seu contributo para o povoamento do território, o que me remete para o assunto da natalidade que, na actualidade, é um dos grandes problemas de Portugal. A rapaziada nova não quer filhos, só pensa em gozar a vida e andar nos copos. Quando chegar a idade da reforma, se não houver quem trabalhe e desconte para a Segurança Social é que eles vão ver o erro que cometeram. Mas aí vai ser tarde para voltar atrás. Cada minuto da nossa vida passa e nunca mais volta. E o que deixamos de fazer nesse minuto não poderá ser feito nunca mais.
Ai se o arrependimento matasse!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Presidentes da República - Sidónio Pais!

O mês de Dezembro de 1917 foi marcante na vida da jovem república portuguesa. A participação do Corpo Expedicionário Português na I Grande Guerra não poderia estar a correr pior e as Aparições de Fátima, entre Maio e Outubro desse mesmo ano,  vieram acrescentar um aspecto mais surreal à situação política portuguesa que já era um autêntico desastre. Não admira, portanto, que tivesse acontecido a Revolução de Dezembro de 2017, capitaneada por Sidónio Pais, que demitiu e exilou o Presidente da República em exercício, assumiu o poder em Portugal e convocou eleições, nas quais viria a ser eleito no mês de Abril do ano seguinte.

Sidónio Pais  (1917 - 1918) - Nascido em Caminha, em 1872, estudou um pouco por todo o lado até acabar em Coimbra, onde se formou e acabou por ser professor também. Antes da Universidade de Coimbra tinha já feito a sua formação militar na Escola do Exército e enveredado pela carreira política.
Para chegar onde chegou com apenas 46 anos de idade, temos que admitir que era um gajo teso. Depois de ter demitido e exilado o anterior presidente, suspendeu a Constituição de 1911 que ele próprio tinha ajudado a redigir e aprovar, por discordar de alguns dos seus pontos e achar que ajudavam à grande rebaldaria em que a política se tinha tornado.
Em meados de 1918, conseguiu ser eleito presidente e iniciou aquilo a que chamou «República Nova», por causa das alterações introduzidas por ele. É claro que as tricas internas e as guerrinhas entre partidos nunca acabaram e não lhe faltavam inimigos. O desastre acontecido com o Corpo Expedicionário Português, na batalha de La Lys, em Abril de 1918, foi a gota de água que fez acabar o estado de graça em que vivia desde a revolução de Dezembro e levou a tentativas de assassinato que acabaram por ter sucesso, no fim desse ano.
As esperanças que o povo depositou nele para conseguir mudar o estado de coisas que se vivia no nosso país, desde a implantação da república, desapareceram com a sua morte e o país entrou numa rotação de governantes cada vez mais mal sucedidos que só terminaria com o início do Estado Novo e instauração da ditadura por António de Oliveira Salazar.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Olá!


Não se admirem pela minha ausência! Ando por fora de casa e não tenho acesso fácil à internet. Na realidade também estava a precisar de férias e de vos livrar da minha presença, por conseguinte veio tudo a calhar. Se não for antes, espero estar de volta a casa (e ao vosso convívio) no sábado que é dia de ir a Aveiro buscar mais um troféu para expor no museu do Benfica.
O Benfica é uma nação! Viva o Benfica!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Revista da Armada

Saiu hoje a Revista da Armada, do mês de Agosto, e traz lá uma notícia que me interessa. O tal convívio onde me desloquei (um tanto inesperadamente) em que se reuniram alguns dos filhos da minha escola. Tradicionalmente organizada por marujos da Escola de Alunos Marinheiros, nunca conseguiu reunir muitos fuzileiros e este ano não foi excepção.
E a publicação não apareceu por milagre, mas porque eu me dei ao trabalho de mandar a foto, e o texto, para a redacção da revista. É assim a vida, para as coisas acontecerem é preciso trabalhar!

Tempo de asneiras!

Entramos no mês de Agosto, o mês de férias por excelência. O pessoal dos órgãos de informação chama-lhe a «silly season» que em tradução livre se pode entender como «tempo de asneiras», aquele tempo em que, por falta de notícias que tenham algum valor, se fala de parvoíces sem qualquer interesse que servem apenas para manter o sistema a andar.
Seguindo essa moda, vou falar de algo que não tem qualquer interesse, que não me dá dinheiro a ganhar, nem me paga as contas ao fim do mês, mas que serve o meu intento de ter este blog a bombar com publicações diárias e, se possível, mais que uma em cada dia do calendário. Para escolher o assunto atirei uma moeda ao ar e adivinhem o que me saiu na rifa, Cristiano Ronaldo, pois claro.
Ontem, em frente ao tribunal onde ele tinha que ir prestar declarações, juntou-se a maior troupe de jornalistas e outros profissionais da comunicação social, como se fosse esperada a eclosão de uma nova guerra mundial. Mais um ou menos um pouco importa, por isso juntei-me a eles para espalhar a notícia que afinal não aconteceu. Ele entrou pelos fundos, mandou uma boca à juíza, desagradado pela perseguição de que se acha alvo, e ela respondeu-lhe com outras duas que o fizeram calar e regressar a casa, à espera que o processo evolua.


Para ilustrar o acontecimento alguém escolheu esta foto que eu aproveito também para enfeitar as minhas "asneiras" que espero me perdoem. Família bonita, ouvi alguém dizer. Família de ovelha, dizem lá pela minha terra, quando querem caracterizar um caso como este, em que ninguém sabe quem é o pai, nem a mãe e os filhos não sabem de onde vieram.
Inspira, expira! Respira que o ar faz-te falta nos pulmões!