terça-feira, 9 de novembro de 2021

Uma questão de justiça!


Todos sabemos que os salários, em Portugal, são extremamente baixos. Num estudo recente diz-se que 67,5% dos trabalhadores por conta de outrem ganham apenas o salário mínimo. Isto é mau, muito mau!

Se o tal estudo separasse o sector público do privado a imagem seria ainda mais confrangedora, pois o sector público tem um salário médio cerca de 300€ acima do sector privado. Mais um erro dos políticos a distribuirem os dinheiros públicos de forma errada.

Partindo do princípio que Portugal está (muito) mal e aceitando a premissa de que queremos melhorar, o aumento salarial anual deve ser sempre superior à inflação. Se a inflação prevista é de 1%, o aumento deveria ser de 2%, ou seja, 1 para neutralizar a inflação e não perder poder de compra, acrescido de mais 1 para ir melhorando a vida dos portugueses.

Não foi bem assim que raciocinou o António Costa, quando apresentou o OE para 2022 e, por essa mesmíssima razão, deixou cair o governo. Vou esperar para ver como este assunto será encarado na campanha eleitoral e quais as propostas de cada partido a este respeito.

Por outro lado, os patrões desataram logo a berrar que aumentar o salário seria condenar muitas empresas à falência. Mal, muito mal, pois empresas baseadas em salários baixos não têm qualquer futuro. Para isso estão cá os chineses e os indianos que representam metade da população mundial e ainda não sabem como garantir um mínimo dos mínimos aos seus habitantes. Por isso é vê-los rumar aos Estados Unidos ou à Europa para viver uma vida com alguma decência.

Um outro ponto de vista é o IRC pago pelas empresas grandes que deveria ser calculado segundo uma fórmula nova, na base do volume de negócios por cada trabalhador. Há empresas, como a EDP, que têm cada vez menos trabalhadores e facturam cada vez mais. O segredo deles é comprar serviços, em vez de assumirem a responsabilidade de ter trabalhadores e pagar os seus custos sociais. Empresas assim deveriam pagar uma taxa social (retirada dos seus lucros) para patrocinar os trabalhadores que não empregam. Eles defendem-se, dizendo que dão o trabalho a terceiros, mas não confessam que ficam com a maior fatia dos lucros, enquanto as empresas sub-contratadas para os servir pagam apenas o salário mínimo aos seus trabalhadores. Se assim não fizerem, nunca ganham os concursos para as obras propostas a concurso. Mal, muito mal! Culpa do nosso governo por permitir uma situação dessas.

As maiores empresas do mundo têm a sua base em Nova Iorque ou Londres, mas a sua capacidade de produção está sedeada no Médio oi Extremo Oriente. Os governos não têm mais que taxá-los em função disso. Basta calcular o IRC em função da facturação e não dos lucros que ficam pelo caminho, perdidos numa qualquer offshore, em nome de um qualquer Tio Patinhas.

Portugal tem que melhorar o seu nível de vida e cabe ao governo procurar os meios para isso acontecer. Distribuir dinheiro pelas empresas (ditas em dificuldade) e não querer saber dos trabalhadores que são quem cria a riqueza está mal, muito mal! E é nesse dinheiro do PRR (a tal bazuca) que os patrões mais desonestos estão filados. Muita atenção a isso, durante a campanha! 

2 comentários:

  1. O socialismo leva à ruína qualquer país que tenha o azar de seguir a sua ideologia - é um facto que ninguém pode negar... A vida sempre funcionou como a Feira da Malveira: compra-se e vende-se e vende-se e compra-se. Qualquer taxa para subsidiar o sakana que ficou na cama é rebentar com um sistema que remonta aos primórdios da humanidade. Neste momento já nem um Estado de Direito somos: a corrupção está totalmente fora de controle e até os empregados dos CTT nos inúmeros bairros sociais - tem que ir acompanhados por elementos da PSP para fazerem a distribuição de cartas. Teoricamente já estamos perto de uma 4 bancarrota. Aguardemos e oremos para que o 'peido mestre' não afecte as vida dos portugueses.

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  2. Enquanto dinheiro há,
    a pandega continua
    remédio nunca haverá
    para curar doença sem cura!

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