quarta-feira, 9 de julho de 2025

O mais alto!

1) Entre os filhos da minha escola, o mais alto é o Sargento Carvalho, nascido e morador na Lourinhã, que devido à sua altura, bastante acima da média, recebeu a alcunha de Alturas.

2) Entre os moçambicanos mais conhecidos está o presidente da república, antigo governador de Inhambane, de seu nome Daniel Chapo que pela sua altura exagerada recebeu a alcunha de Prédio 33.

3) Almeida Santos, advogado português nascido no concelho de Seia, não ficou conhecido pela sua altura, mas sim pela sua ligação a Moçambique, ao Samora Machel, primeiro presidente da república moçambicana, e ao, acima mencionado, Prédio 33.

Nos alvores de 1974, Almeida Santos era um destacado oposicionista, mas integrava uma facção moderada da oposição. Era, apesar de tudo, um homem da elite branca da capital colonial, onde se tornou advogado de sucesso e fez fortuna em causas repartidas por Lourenço Marques, Lisboa, Joanesburgo ou Londres. Mas o seu entendimento do processo colonial recomendavam-no para estar perto do poder democrático que nasceu no 25 de Abril, até porque as colónias seriam uma das prioridades dos governos provisórios. António de Spínola chamá-lo-á para Lisboa, onde assume a pasta da Coordenação Interterritorial (o velho Ministério das Colónias ou do Ultramar) nos primeiros quatro governos provisórios.

Dizem as más línguas que Almeida Santos jogou com um pau de dois bicos, enquanto viveu em Moçambique. Fez-se amigo de Samora Machel e há quem afirme que foi seu advogado e conselheiro, no período que precedeu a independência. Como todos os advogados de renome ele ganhou rios de dinheiro e nada melhor que a construção civil, ou os negócios imobiliários para investir as suas poupanças.

Diz-se também, mas é coisa que não encontrei nas páginas da internet que consultei, ter sido ele um dos principais investidores no projecto do Prédio 33, cuja construção teve início no ano de 1970. O que se sabe e isso é público, ele regressou a Lisboa, em 1974, antes que essa obra de exagerado tamanho ficasse concluída. Se ele vendeu a sua participação, antes de regressar, ou ficou de mãos a abanar, como a maioria dos retornados, eu não sei. Mas sei que ele não era parvo e, por conseguinte, deve ter dado os passos necessários, talvez com a ajuda do amigo Machel, para vender os seus créditos, antes de rebentar a bronca.

Não tenho uma foto que evidencie a altura do «Alturas», meu camarada fuzileiro, nem isso interessa muito, pois o que me levou a fazer esta publicação foi a recente visita de Daniel Chapo a Portugal. Abaixo mostro algumas fotos de Chapo e do tal prédio, para vos fazer compreender a razão por que puseram os moçambicanos a alcunha de Prédio 33 ao seu presidente.






terça-feira, 8 de julho de 2025

A Prima e o primo de Sócrates!

 Prima era o que o meu pai chamava a qualquer valor que o patrão lhe fazia chegar às mãos, além do salário arduamente ganho com o suor do seu rosto. Felizmente, na segunda parte da sua vida escolheu um patrão que era bom nisso e o fez esquecer todos os outros patrões que conhecera nos 42 anos já vividos.

Não era ainda o tempo do "subsídio de férias" (e nem férias havia ainda, em Portugal), mas no Natal de cada ano, esse patrão que conheceu aos 42 anos de idade e foi o último a quem serviu, entregava-lhe um envelope que correspondia a cerca de um mês de salário líquido. Era a Prima que durante muitos anos alegrou os seus natais. Até que veio o 25 de Abril, a empresa foi nacionalizada e mudou tudo.

Hoje, eu e todos os outros reformados deste país recebemos a nossa Prima, a que agora se chama Subsídio de Férias e é bem vindo para acertar as contas de muita gente a quem sobra o mês e falta o dinheiro, pois este bem raro só dá para cobrir as despesas da primeira quinzena. O resto do mês vive-se de habilidades e reza-se para não acontecer qualquer imprevisto que obrigue a meter a mão na bolsa que nada tem a não ser cotão.

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Estou aqui, confortavelmente, instalado no meu cadeirão e a ver o Sócrates vender o seu peixe aos jornalistas que o esperavam no Campus de Justiça. Ele queixa-se de tudo e de todos e repete até à exaustão que todos o querem "lixar". Diz que já apresentou outro recurso no tribunal europeu e, se este for aceite, o julgamento terá que ser suspenso. Os jornalistas insistem com ele sobre assuntos que não têm o mínimo interesse, mas ninguém se atreve a perguntar se ele, afinal, é o dono da massa que tem andado a gastar ou não.

Na boca dos entendidos este recurso apresentado no tal tribunal europeu custa cerca de 70 mil "aéreos" e ele como reformado só tem direito a 2.720€ - bem, hoje foi a dobrar - e, se ele não tem essa fonte inesgotável de financiamento de que se tem falado tanto, terá que pagar em prestações. A casa onde ele vive, na Ericeira, está em nome do primo (que é um dos seus testas de ferro) e não paga renda, descontando metade do valor da reforma para os comes e bebes, ficará com uns reles 1.320€ para pagar essas prestações. Serão cerca de 60 meses a pagar, como se tivesse comprado um carro novo!

Eu estou a marimbar-me para o Sócrates, toda a gente, a começar por mim, é da opinião que ele se amanhou bem, enquanto foi governante e deu o dinheiro a guardar ao amigo Carlos e ao primo que vive em Angola. Justiça à parte, será que os juízes que têm participado no processo da Operação Marquês (e são à volta de 300) pensam como nós, ou têm uma opinião diferente.

Factos são factos e valem o mesmo para toda a gente (talvez o juiz Ivo Rosa seja uma excepção) e é um facto que ele gastou cerca de um milhão de euros no ano em que viveu em Paris. De onde veio esse dinheiro? A desculpa da mãe e do amigo "que é um homem de posses" já não pega. E outro facto indesmentível é o dinheiro que vai gastando com a Justiça e os advogados que o têm ajudado a encontrar o caminho para fugir ao julgamento. E todos sabemos que isso não dai barato.

De onde vem tanto dinheiro, devem questionar-se os juízes, em vez de procurarem saber se houve algum falhanço nas fases anteriores do processo. É hora de pôr as pintas nos ii's e não andar com rodeios a tentar descobrir o que fez este ou aquele e quem tem a culpa de quê. Tu gastas rios de dinheiro e queremos saber de onde ele vem, esta deve ser a única pergunta do juiz, quando, esta manhã, começar o interrogatório!

Um amigo

Outro amigo

O primo

O aldrabão

Os advogados

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Podia ser pior!

 

14 Obras da Misericórdia

As 14 Obras da Misericórdia

Obras Corporais:
1ª Dar de comer a quem tem fome;
2ª Dar de beber a quem tem sede;
3ª Vestir os nús;
4ª Dar pousada aos peregrinos;
5ª Assistir aos enfermos;
6ª Visitar os presos;
7ª Enterrar os mortos.

Obras Espirituais:
1ª Dar bons conselhos;
2ª Ensinar os ignorantes
3ª Corrigir os que erram;
4ª Consolar os tristes;
5ª Perdoar as injúrias;
6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;
7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos..

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Transcrevi da internet o texto acima e preferi deixá-lo tal como veio sem o reformatar, como faço a tudo.

Hoje acordei a pensar na minha namorada Isabel, a quem tratava por Belita, que por ordem alfabética foi a minha segunda namorada, depois da Alda que passou na minha vida como um foguete. Nem sei como me lembro dela de tal forma o romance foi rápido e sem muito contacto físico, como já vos contei.

A Belita foi diferente, muito diferente! Conheci-a antes de ter feito 20 anos e ela levava-me uns bons 5 de avanço, ou seja, onde eu era ainda um aprendiz que procurava aplicar-me a sério em todas as matérias, ela era uma professora que sabia despertar o interesse do aluno pela matéria, cujo ensino tinha a seu cargo.

Se houve uma namorada que teve impacto na minha vida foi ela. Perita em observar a religião católica nos seus mais insignificantes pormenores, ela praticou comigo as obras de misericórdia, para ganhar o direito ao paraíso. Não sei nada dela há muitos anos, a última vez que me deram notícias (por altura da crise dos retornados de África) dela, soube que morava em Londres.

Eram ainda tempos do Apartheid, na África do Sul, e sendo ela mulata não sei como foi inserida na sociedade inglesa. Ela era professora de profissão e pode ter arranjado uma colocação nessa área, mas conhecendo os britânicos e o sentimento que nutriam pelos negros da África do Sul tenho as minhas dúvidas. Talvez em alguma escola particular destinada aos súbditos da rainha Elizabeth com a pele mais escura.

Mas isso agora não interessa nada, eu já era casado e pai de filhos, quando essa notícia chegou até mim, e não ia pôr-me à procura dela para reatar o romance, há tantos anos interrompido pelo meu regresso à Metrópole. Ela tinha seguido à risca o que reza o catecismo, no caso das Obras de Misericórdia - Corporais.

Logo no nosso primeiro encontro ela cumpriu a primeira - dar de comer a quem tem fome e no nosso último encontro, em Fevereiro de 1968, foi a sexta a ser cumprida - visitar os presos. É verdade, o maldito 2º Comandante da CF8 tanto tentou que conseguiu engavetar-me durante 15 dias, nas vésperas de regressarmos a penates, depois de cumprida a minha segunda comissão de serviço, em Moçambique.

Estava eu atrás das grades, quando a Belita chegou a Lourenço Marques. Eu já tinha gizado um plano para estar com ela durante essas férias de Carnaval. Aproveitando a coincidência de estar de Cabo de Quarto (serviço prestado na Marinha por um cabo que fica responsável por tudo que acontece na Unidade, entre as 8 da noite a as 8 da manhã) o meu amigo Enteiriço, alentejano de boa índole que o Criador já levou para junto dele, há mais de uma dúzia de anos, pus o meu plano em execução.

Escrevi uma carta à Belita e dei-a ao Enteiriço para ele a levar à cidade e entregar à destinatária. Ele tinha um carro comprado em 4ª ou 5ª mão que não era nenhuma máquina, mas servia para o efeito. Ele estava de serviço e teria que arranjar um camarada que o substituísse enquanto ia cumprir a missão. Ele não entendia uma única palavra de inglês e tudo teria que ser feito na base da mímica.

Hora do recolher na caserna, já tudo dormia e os sargentos e oficiais estavam recolhidos nas suas messes, onde funcionava o ar condicionado, 24 horas por dia, e um uísquesito com 3 pedras de gelo na mão, se não tivessem já decidido esticar-se ao comprido e entregar-se nos braços de Morfeu. Era hora de o alentejano-amigo entrar em acção. Últimas recomendações para que nada falhasse e carta na mão para que ele tivesse bem presente a missão a cumprir.

Ele conhecia a miúda pessoalmente e só tinha que ir à residencial, em que ela ficaria durante a semana de férias, e dizer "letter from Carlos", como bom papagaio treinado por mim. Na carta eu dizia que ela podia confiar no Enteiriço como se fosse eu próprio e que deveria segui-lo, pois ele a traria até mim.

E assim foi, correu tudo tão bem que, muitos anos depois, o Enteiriço ainda me dizia, "ela leu a carta e 5 minutos depois já rolávamos a caminho da Machava" e ainda " eu nunca acreditei que ela viesse e fiquei pasmo, quando ela saiu pela porta fora agarrada no meu braço". Aquilo parecia um filme ao jeito do 007 que estava em voga naquele tempo.

Ele retomou o lugar do camarada que o substituíra e foi buscar a miúda que ele, por gestos, mandara ficar quietinha e caladinha, dentro do carro. Meteu a chave na porta da prisão, abriu-a e enfiou a miúda lá dentro à pressa, antes que alguém o visse. Chave rodada em sentido inverso e lá foi ele para o seu retiro, sempre de pistola Walther no coldre que lhe garantia a autoridade inerente ao cargo que desempenhava.

Três ou quatro horas depois, a viagem em sentido inverso. a Belita com o coração aos saltos, seja pelo acontecido nas últimas horas, dentro daquela prisão, ou por medo de ser apanhada em infração e ficar também ela presa e entregue às autoridades de um país que não era o seu. Mas tudo correu conforme planeado e ela acordou na sua caminha na manhã seguinte.

Antes do regresso à Cidade do Cabo, ainda colocou uma carta no correio que eu recebi antes de ela chegar ao seu destino. E foi a última vez que a vi, de lá para cá ela vive apenas nas minhas recordações! Onde quer que estejas, Belita, be happy!!!

domingo, 6 de julho de 2025

Adiantado mental!

 Ontem, sábado dia 5 de Julho, acordei a pensar que era domingo e escrevi a tal mensagem sobre o Dia do Fuzileiro. Tudo por causa das festas de S. Pedro que obrigaram a uma noitada, na sexta-feira, que só terminou às 6 da matina, já o sol espreitava lá para os lados da Palestina. Com o trabalho já feito, hoje estou dispensado de escrever seja o que for.

Aliás, há uma coisa que quero dizer. Como de costume, quando acontece algo fora do vulgar todas as televisões passam as horas a martelar no mesmo até a gente (os telespectadores) já não aguentar mais. Desta vez foi o infortúnio que bateu à porta da família Silva de Gondomar, dois filhos ceifados em plena juventude por um acidente na estrada, o Diogo e o André, ambos jogadores da bola e conhecidos no mundo inteiro, especialmente, o mais velho que era jogador de clube grande e da Selecção Nacional.

Ontem saí de casa cedo e só voltei à noite, por isso não vi muita televisão, mas nos dois dias anteriores fui obrigado a mudar para a Euronews, Al Jazzera e outros canais que vão do 201 ao 212 da grelha da NOS. Só assim me vi livre da pasmaceira que é a nossa televisão quando decide marrar num assunto até já não aguentarmos mais.

Ontem, nasceu uma nova polémica neste país que é tão pequeno até na forma de pensar, o CR7 não apareceu no funeral do colega de profissão e da Selecção e caiu o Carmo e a Trindade. Que ele é o capitão da Selecção Nacional e na morte de um dos seus comandados era obrigatório que aparecesse. Talvez seja assim, mas eu concordo que ele não tenha aparecido, pois o evento seria transformado num acontecimento mundial de futebol e o recato devido à família enlutada iria para o brejo.

Dizem que foi essa a desculpa que ele deu que não sei se é verdadeira ou não, mas isso pouco me interessa. A questão é que o funeral deveria ser uma cerimónia íntima reservada à família e assim foi transformada num programa de TV transmitido em directo para gáudio das empresas donas dos canais, nomeadamente, a RTP, a Impresa, A Média Capital e a Média Livre, que viram as suas audiências subir à pala da infelicidade de outrem.

Para compor o ramalhete só me faltava ouvir o Montenegro, em Madrid, a falar castelhano como um entendido na matéria, a dar apoio aos seus congéneres ibéricos que tudo têm tentado, sem o conseguir, para meter o Socialismo na gaveta. Se o Condestável D. Nuno Álvares Pereira o ouvisse, chamar-lhe-ia traidor e, por certo, o mandaria fuzilar!

sábado, 5 de julho de 2025

Fuzileiro uma vez ...!

 ... fuzileiro para sempre!

É assim que reza o lema dos fuzileiros para que nenhum dos alunos que passou por aquela escola se auto-intitule "ex-fuzileiro". Um fuzileiro foi, é e será sempre fuzileiro até morrer!

Ontem, primeiro sábado de Julho, foi, como vem sendo hábito, dia de reunião de todos os filhos da escola na sua casa mãe. Eu e muitos mais como eu já há anos que deixaram de fazer isso, porque lhes faltam as canetas para tal prova de resistência. Depois dos 80 já é prova suficiente continuar a respirar e manter o coração a bombar o sangue para todo o corto.


O Zé Pessoa, na foto ao lado, fez de tudo para me convencer a acompanhá-lo, mas tive que agradecer e declinar o convite, pois as minhas pernas não andam mais que 100 metros e os pés não aguentam o peso dos 99 kilos que ainda peso. Eu bem gostava de emagrecer mais 20 Kgs para me mexer à vontade, mas o estilo de vida que levo - 16 horas por dia sentado no sofá e as restantes 8 na cama - nunca me ajudarão a lá chegar.

O Zé, meu conterrâneo, conta uns bons 20 anos a menos que eu e, ontem, ao início da madrugada fez-se ao caminho com muitos mais que se juntarão a ele, a partir do Porto, e que depois de uma paragem para atestar o depósito - o deles e os da viatura - na área de serviço de Pombal, enfrentarão a última etapa que os porá em Vale de Zebro, um pouco antes das 8 horas.

 Serão largas centenas, talvez ultrapassem um milhar, que ontem lá estiveram e fizeram a habitual festa, não faltando quem se arme em forte e aceite fazer a prova do lodo. Os mais velhotes são cada vez menos e em breve não reatará nenhum, mas parece que o costume pegou e os mais novos que já entraram na escola depois do 25 de Abril, como é o caso do Zé, continuam a fazer de tudo por manter a ligação à Escola e aos seus filhos.

Como alguns só chegaram a casa depois da meia noite, ainda não há publicações no Facebook, mas não tardará muito que comecem a aparecer para nos mostrar como correu a festa. Espero que tenha corrido tudo bem e não tenha havido avarias na longa viagem de ida e regresso a casa!

sexta-feira, 4 de julho de 2025

O Hugo!

 


O Hugo é meu sobrinho por afinidade e faz, hoje, 36 anos!

Não há nenhum aniversário que eu recorde tão bem como este. Primeiro, por ter nascido no dia da Independência dos Estados Unidos e, segundo, por ter nascido no ano em que caiu o Muro de Berlim. De um evento ao outro decorreram 4 meses e 5 dias que na vida do Hugo não representam nada de nada.

 Isto serviu apenas para vos lembrar que estamos no dia da maior festa americana que o Trump prometeu transformar num evento especial para ficar na História. Hoje, é uma "deadline" que pode significar muito ou, pelo contrário, mostrar a Trump que o mundo é muito mais que ele e o seu ego. Ele deu um ultimato aos governantes que estão para lá dele (Congresso) para aprovarem a Lei do Orçamento de Estado e prometeu publicá-la hoje, como parte da grande festa da independência.

A outra grande questão de Trump é a das tarifas que ele diz que trará biliões para os cofres americanos e que a partir de hoje, ou amanhã, começará a fazer efeito. Quem se apresentou para negociar, muito bem, quem não o fez pagará com língua de palmo. A sua ideia é obrigar os empresários americanos a produzir dentro de portas, em vez de andar a usar mão-de-obra barata, no exterior, e contribuir para o crescimento de outras economias que não a dos Estados Unidos.

Mas quem manda nesse assunto á lei da oferta e da procura e não vai ser fácil reverter a situação que se foi criando, depois da II Grande Guerra. Por todo o mundo foi preciso reconstruir aquilo que a guerra destruiu e reactivar a indústria que durante anos esteve apenas virada para o esforço de guerra. Isso criou enormes migrações por todo o lado, os trabalhadores mexiam-se indo para onde havia trabalho e dinheiro para lhes pagar os salários.

Alguns países, como os Estados Unidos, enriqueceram rapidamente e os empresários viram-se em dificuldades para pagar aos trabalhadores os altos salários que eles exigiam. Assim foram deslocalizando as indústrias para os países com mão de obra excedentária e, por conseguinte, barata. Por exemplo, na Europa, o fluxo migratório foi do Leste para o Oeste, ou seja, dos países mais pobres para os mais ricos. E depois de esgotada essa fonte de mão de obra, foi a África e a Ásia a abastecer a Europa.

Em volta dos Estados Unidos, com excepção do Canadá, só há países pobres. Isso deu aos Estados Unidos a hipótese de usar tanta mão de obra barata quanta precisasse e, por outro lado, instalar nesses países as suas empresas que necessitavam de mão de obra intensiva e, obrigatoriamente, barata. Assim foram decorrendo os últimos 30 anos e, chegados aqui, aparece o Sr. Trump que quer mudar tudo. Eu não acredito que o consiga, mas disso faremos o balanço quando acabar o mandato de Trump.

Por lei e também pela idade que não para de avançar, ele não poderá candidatar-se outra vez e o problema terá que ser resolvido por quem vier a seguir. E, digo eu, será difícil que apareça outro cromo como este que, em vez de procurar soluções de consenso para os graves problemas da actualidade, quer impor a sua vontade e que sejam os outros a pagar o pato.

Um dos grandes problemas é a dívida americana que soma muitos triliões de dólares e cujos títulos da dívida estão, maioritariamente, nas mãos de japoneses e chineses. Olha com quem ele se foi meter! Como medida extrema, pelo lado destes dois países se sentirem atacados pelos Estados Unidos, será inundar o mercado com esses títulos da dívida o que deixaria a América em maus lençóis.

Portanto, amanhã, será um grande dia muita gente. Os que tiverem que vergar-se às tarifas de Trump verão a sua vida a andar para trás, mas serão os consumidores dos bens tarifados a pagar o preço. Se isso vai endireitar as Finanças do país de Trump tenho muitas dúvidas, pois os adversários podem ripostar da mesma forma e estão em melhor situação para sair vencedores.

Seja na produção de automóveis de armas ou outros do mundo das altas tecnologias, a China já não depende da América e pode desenvencilhar-se sozinha com sucesso. Isso é um trunfo que os países mais desenvolvidos perderam para aqueles que têm a mão de obra. Basta olhar para os chinesinhos que, além de serem muitos milhões, são capazes de trabalhar noite e dia e não são muito gastadores, ao contrário dos "ricaços" americanos ou europeus.

Por todas essas razões ... põe-te a pau com eles, oh Trump !!!

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Pinóquio, o mentiroso|

 Hoje, teremos o Sócrates nas notícias, durante todo o dia. Os canais de notícias, à falta de melhor, tipo incêndios de grandes proporções, enchentes e deslizamento de terras ou uma nova guerra mais acesa que a da Ucrânia ou Israel, enchem-nos de imagens antigas e contam-nos, mais uma vez a história dos 34 milhões que o acusado esbanjaria em pouco tempo se o deixassem.

Lembram-se do Pinóquio, o boneco do Geppetto, cujo nariz crescia cada vez que ele dizia uma mentira? E já repararam no nariz de batata que tem o nosso ex-PM socialista que ocupou o Palácio de S. Bento, antes da falência nacional e da vinda da troika? Ele mente com quantos dentes tem na boca e o seu nariz incha, em vez de crescer em comprimento, como o do Pinóquio. Ao boneco do Geppetto nós perdoamos as mentiras, afinal ele é apenas um boneco, mas a um "gajo" destes que esteve ao leme do nosso país, durante anos, nunca lhe perdoaremos.

Pelo menos eu que só posso responder por mim, mas pelas opiniões que vejo expressas nas redes sociais e na comunicação social, em geral, muito mais de 50% dos portugueses pensa como eu. No início de todo este processo, quando ele foi preso e acusado de corrupção, escrevi longas publicações sobre o assunto. Mesmo antes de ser Primeiro Ministro, ele já tinha sido acusado de meter a mão na massa com o licenciamento do Freeport, em Alcochete.



Era voz corrente que ele tinha recebido meio milhão para autorizar a construção numa zona protegida, quando foi Ministro do Ambiente. Alegadamente, o dinheiro foi depositado numa conta offshore, em Gibraltar, o qual a sua mãe foi lavar para os Estados Unidos, onde abriu vários negócios para preparar um futuro risonho para o seu filho. A coisa não deu em nada, talvez por influências políticas que conseguiram abafar o caso.

O cerne da questão, no processo da Operação Marquês está nas manigâncias que o BES e as suas lideranças fizeram para lucrar com os negócios da PT e na barreira imposta ao Belmiro de Azevedo na OPA que pretendia lançar sobre a Portugal Telecom, uma das empresas mais ricas de Portugal.

Sonae enfrentou em 2006 o statu quo e foi derrotada por uma teia de poderes, onde pontuavam o banqueiro mais influente do país, Ricardo Salgado, e o primeiro-ministro José Sócrates, que ainda hoje aguardam julgamento.

Outras coisas menores, como acesso a Obras Públicas pelo amigo Santos Silva ou no empreendimento de Vale do Lobo, no Algarve, perfazem um total de 34 milhões que a Justiça conseguiu localizar, mas na opinião de muita gente, incluindo "euzinho", o rombo foi muito maior. O Plano Rodoviário com autoestradas a nascer por todo o lado era um meio de despejar dinheiro a rodos nos bolsos dos políticos. Estou convencido que os orçamentos apresentados a concurso eram multiplicados por 1,5, para permitir as gorjetas e calar as consciências mais púdicas.

 Agora veremos o que as 3 juízas encarregadas do caso conseguirão fazer com este molho de brócolos. Com as férias judiciais aí à porta, o processo poderá ter a segunda sessão marcada lá para o ano novo de 2026 e a de hoje não fará mais que conferir a identidade de réus e testemunhas. Há uma caterva de advogados, em representação dos vários réus, que tudo farão para espalhar pedras pelo caminho e tentar que a caravana não avance.

Estou cheio de curiosidade para ver como o colectivo de juízes vai afrontar esta realidade que a Justiça portuguesa atravessa. A Vox Populi acha que qualquer arguido que tenha dinheiro para pagar os advogados mais habilidosos da nossa praça nunca irá para a prisão. Se não for por outro meio será por obstaculizar o processo até os crimes prescreverem, uma vez que as nossas leis estão cheias de buracos que o permitem. Até hoje, o único que cumpriu pena foi o Armando Vara.

E o Zé Pinóquio que se diz pobre e a viver de esmolas teve 2 advogados a tempo inteiro, hoje apenas 1 por morte do outro, para o ajudarem a trocar as voltas à Justiça. Hoje começa uma nova era, o processo está em julgamento e ninguém mais o poderá parar. Tudo vai depender da atenção e prioridade que o tribunal der a este caso. Na minha opinião devia ter, no mínimo, uma sessão por semana, mas não faço a mínima ideia de como isso se irá encaixar na agenda do tribunal.

Resta-nos esperar e o Povo Português está com pouca paciência para joguinhos de poder. Desta vez teremos que dizer "ou vai ou racha" e se não for caso disso ... porrada para cima dos obstrutores!!!

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Pela minha rica saúde!

 As notícias que a televisão martela, durante as 24 horas que dura o dia, sobre nós, os nossos olhos e ouvidos, quase me obriga a fazer uma publicação sobre o assunto. Mas (esta conjunção adversativa tem muita força), não quero tornar-me uma espécie de CMTV que aparece logo a encher os ecrans, logo que acontece algum acidente ou coisa parecida que suscite a atenção do público.

No entanto, sempre quero lembrar que o culpado maior é o Primeiro Ministro e não a ministra da saúde. Foi ele quem a nomeou e insiste que ela é capaz de desempenhar o cargo. Se é ou não, eu não sei e tenho raiva de quem sabe, mas que as coisas vão cada vez pior na saúde é um facto indesmentível. Nota-se na falta de médicos de família, nas consultas e cirurgias que demoram até os doentes morrerem e nas despesas de saúde que duplicaram em poucos anos.

A questão das grávidas e dos partos dentro das ambulâncias, enquanto procuram quem os possa atender, são apenas um dos aspectos mais abraçados pelos noticiários, pois quem rege as notícias sabe o impacto que isso tem nas audiências. O cerne da questão é outro e comum a cada uma das profissões exercidas pelos meus colegas e conterrâneos, o salário que o patrão quer (não é pode, é mesmo quer) pagar a quem contrata para lhe tirar as castanhas do lume.

Abro aqui um parêntesis para lembrar a fábula do macaco que não é parvo e usa uma esperteza para tirar as castanhas do lume.

A expressão "macaco a tirar as castanhas do lume" refere-se a alguém que se aproveita do trabalho ou esforço alheio, deixando que outros assumam os riscos ou dificuldades enquanto essa pessoa colhe os benefícios. A expressão tem origem numa fábula, onde um macaco usa a pata de um gato para retirar castanhas do fogo, deixando o gato se queimar.

Assim fazem os portugueses também, aqui não encontram o que procuram, partem à procura do lugar onde isso exista. Neste caso o macaco é o Montenegro que assumiu com a maior prosápia ser capaz de governar este país melhor do que fizeram os seus antecessores e na prática só tem dado barraca. Quando ele se concentrar na discussão do SMN (Salário Médio Nacional) e esquecer o mínimo que foi inventado apenas para obrigar os patrões a pagar salário às criadas de servir e empregadas de limpeza, começará a trilhar o caminho certo.

Um salário aceitável para todos os trabalhadores com formação específica e a proibição de pagar menos de 1.500€ (a título de exemplo) para quem tenha formação superior. Sem esquecer um benefício fiscal para quem empregar trabalhadores à procura do primeiro emprego ou académicos a sair das universidades. Aí teremos encontrado metade da solução, a outra metade tem a ver com a vinda dos emigrantes de forma descontrolada.

Já todos percebemos que os portugueses não querem fazer filhos, pois não têm as mínimas condições para os criar e educar. Antigamente, fazia-se, dizem alguns comentadores, mas antigamente acontecia por não haver anti-concepcionais, digo eu, e o zé povinho aceitava isso como um merecido castigo pelo pecado cometido, cuja penitência era o trabalho que era obrigado a fazer para pôr comida na mesa. Eu vivi isso em minha casa, o meu pai teve 13 filhos e trabalhou como um escravo para não os deixar passar fome.

E que não temos trabalhadores, para fazer seja o que for, pois os nossos filhos querem todos um curso superior e depois não têm capacidade para fazer nada, exceptuando ir encher prateleiras para as grandes superfícies comerciais, também já todos percebemos. Por isso, deve ser gizado um plano para procurar na emigração aquilo que nos falta. Como o Costa e o PS fizeram na última meia-dúzia de anos é que não pode ser e este governo está demorar demais para pôr cobro a isso.

Os emigrantes continuam a alimentar as filas à porta da AIMA sem que se veja qualquer melhoria. E enquanto isso não estiver sobe controlo não vale a pena exigir a demissão da Ministra da Saúde. Que culpa tem ela se um serviço que estava dimensionado, e com falhas, para atender a nossa população, de repente recebe mais um milhão e meio de utentes? Há meia dúzia de anos, tínhamos cerca de meio milhão de emigrantes, agora estamos a chegar aos dois milhões.

Que bom para a economia, que bom para a Segurança Social, dizia o António Costa, mas sem perceber o buraco em que se estava a meter. Agora cabe ao Montenegro tirar as castanhas do lume ou inventar um macaco que o faça por ele. Deixem a Ministra da Saúde em paz!

Lupus é uma doença auto-imune
Vou começar a ser seguido no Pedro Hispano
por suspeitas de sofrer dessa doença

terça-feira, 1 de julho de 2025

Enganadores!

 O Montenegro (negra sorte ter um nome como este) apareceu-me, ontem, na televisão a dizer que, tal como prometeu, vai melhorar a vida dos portugueses. Falou de uma redução no IRS que vai de uns míseros 54€, para quem ganha o SMN (salário mínimo nacional), até uns chorudos 300€ para quem ganha 5.000€ mensais.

Eu estava a ouvi-lo, mas com a cabeça noutro assunto qualquer, olhando para o meu tablet onde uma miúda brasileira fazia umas acrobacias inenarráveis para mostrar o físico que Deus lhe deu, e pensei que se referia a uma redução mensal. Fiquei "pasmo" quando ele disse que era em termos anuais que falava. Algum pobre desgraçado lhe vai agradecer os 4.50€ de redução mensal, ou o bem sucedido da classe média os 55€ que nem sente no seu salário mensal? Não, ninguém vai sentir nada e eles, os políticos a quem nada falta e ainda se deixam corromper para levar mais uns trocos, ficam a rir-se de quem neles votou.

Para que não fiquem dúvidas quanto às minhas críticas, eu não votei nele. E se teve uma maioria maior nas últimas eleições não foi culpa minha. Os dois impostos que ele deveria reduzir - e alguém vai ter que dizer-lho na cara - são o IVA e o IMI que penalizam toda a gente e que os seus antecessores foram aumentando, porque precisavam de aumentar as receitas para terem mais liberdade e poder beneficiar os amigos do partido que os iam mantendo no poder, uma vez atrás da outra. Uma espécie de Socialismo à portuguesa inventado pelo Marocas.

Antes da «Era Marocas» o IVA chamava-se IT e nunca passou de 7%, agora é só consultar a tabela abaixo e não esquecer que há ainda o escalão dos 40% (não consegui confirmar esta taxa) para os produtos ditos de luxo.

E é para quem gosta, continuem a votar nos Socialismo e depois não se queixem. O IVA (imposto sobre o valor acrescentado) foi inventado para eliminar os intermediários e proteger a relação produtor/consumidor, mas não passa de uma desculpa para penalizar todo o mundo. Sendo assim a venda do produto pelo seu produtor devia ser isenta desse imposto e só deveria incidir sobre quem o revendesse para fazer lucro.

O outro imposto que fez com que os orçamentos das autarquias subissem na ordem dos 300% é o IMI. Um autêntico roubo a quem tantos sacrifícios fez para ter a sua casinha e agora paga couro e cabelo como se continuasse a ter um senhoria. Antigamente ainda havia a prerrogativa de uma isenção na primeira habitação, agora nicles, pagas e não bufas.

Cabe na cabeça de alguém que se tenha que pagar perto de mil euros por um T3 de 100 m/2? Pois é o que qualquer jovem paga, hoje, após um curto período de isenção e um longo período de prestações ao banco que financiou o negócio. Uma dor de cabeça que dura a vida inteira e pode até passar para os herdeiros se o beneficiário do crédito morrer antes de tempo.

Era nestes dois impostos que eu gostaria de ver o nosso Primeiro Ministro concentrar-se. Iva 0% no cabaz de produtos de primeira necessidade e 6% na maioria dos produtos e serviços que não caibam na categoria de luxo. Pagar 23% sobre o custo de uma chamada telefónica parece-me uma coisa impensável. Quem teria sido o primeiro a aplicar esse tipo de imposto?

Nem me quero debruçar sobre o que se passa nas Câmaras Municipais, onde o preço dos serviços prestados ao cidadão anda pelas ruas da amargura. Além de receberem uma grossa fatia do IMI, depois de terem vendido uma caríssima licença de obras para construção das casas ou prédios de apartamentos, exploram ainda os desgraçados munícipes com pesadas taxas sobre a recolha do lixo e saneamento, calculadas pelo valor da água consumida.

E para finalizar o meu rol de queixas, há ainda o preço da água cobrada aos infelizes que nem um furo no quintal podem fazer para fugir à ditadura dos preços praticados. As autarquias venderam-se aos prestadores de serviço e agora são obrigadas a "depenar" os seus governados para encher a pança aos glutões, como a Indáqua do concelho aqui ao lado!

A água mais cara de Portugal

segunda-feira, 30 de junho de 2025

As festas do meu concelho!

 Quando a véspera é longa demais o dia da festa é para dormir!!!

Verdade inegável, a noite de S. Pedro durou até o sol nascer, resultando num deserto de gente no dia do santo. Nem uma pessoa na rua, pelo menos durante a manhã, nem carros, nem foguetes, eu que vim para a sala ver a televisão, antes das cinco da madrugada, fiquei a ser a única alma viva e acordada deste pequeno mundo poveiro. Minto, por volta das seis horas ouvi alguns pés cansados que se arrastavam a caminho de casa.

Passados que são os 3 santos populares festejados nos 4 cantos de Portugal, fica o mês de Julho reservado para o meu santo que se festeja no dia 25, Tiago filho de Zebedeu e irmão de João, o apóstolo mais querido de Jesus que depois se tornou evangelista. S. Tiago e o dia 25 de Julho tem um significado enorme na minha vida, conforme tenho afirmado a cada ano que passa.

Ainda puto na Escola Primária só conhecia duas festas. A das cruzes, no primeiro fim de semana de Maio, festa do meu conselho, enfeitadas com flores de giesta e dando as boas vindas às cerejas. E a de S. Tiago  que era festejada na minha aldeia e reunia ali metade dos habitantes das freguesias vizinhas. No S. Tiago pinta o bago, diz o ditado popular e a rapaziada mais nova, como eu, partia à procura dos primeiros bagos das uvas americanas que eram as primeiras a pintar.

Comidos à mistura com um naco de broa de milho eram uma espécie de pão com manteiga, numa altura em que a manteiga era coisa de ricos e a margarina ainda não tinha sido inventada. A alegria da juventude fazia esquecer a pobreza extrema em que se vivia nas aldeias portuguesas, no pós-guerra. O Salazar tinha dito "eu prometi livrar-vos da guerra, mas não conseguirei livrar-vos da fome" e eu que nasci antes de a II Grande Guerra terminar, vivi essa realidade.

Para os mais pobres, famílias grandes de muitos filhos, já era uma sorte ter uma côdea de pão para roer por mais dura que fosse. Havendo alguma coisa para amaciar a dureza do pão, cozido em casa de semana a semana, já ele se tornava mais tragável e deslizava melhor pela goela abaixo. De Julho até Outubro as uvas faziam esse papel.

Depois das vindimas, todos os putos da minha idade faziam uma "gancha para ir aos gaipos" e lá partíamos por baixo das ramadas de videira à procura de pequenos cachos que, por serem pequenos demais ou terem muitos bagos verdes que tirariam qualidade ao vinho, os vindimadores tivessem deixado para trás.

A gancha não era mais que uma vara comprida com uma rachadela na ponta, onde se encaixava uma farpa de madeira para a manter aberta, para enfiar no pé do cacho de uvas - quando pequeno com meia dúzia de bagos, ou menos ainda, recebia o nome de gaipo - e torcer até o libertar da videira e trazer à nossa mão.

Com as aulas da Primária a começar em 7 de Outubro, era a regra nessa altura em que não havia Ministérios nem ministros a complicar tudo que é simples, a "época dos gaipos" terminava com o início das aulas. E a fatia de broa que levávamos na sacola para matar a fome no recreio era comida em seco com a saliva das nossas glândulas como única companhia.

Estava aqui a espremer os meus neurónios para ver se me lembrava do nome que nós dávamos (lá na minha aldeia) à sacola em que só levávamos uma lousa e um lápis para lá riscar as primeiras letras e números que depois se apagavam com cuspo, mas, infelizmente, não o consegui.

A maior parte dessas sacolas eram feitas de linhagem, aproveitada dos sacos de adubo usado na agricultura, ou dos fardos de bacalhau que eram vendidos às mercearias. A minha era mais fina, feita de cotim (um pano barato de algodão que servia para fazer calças de trabalho) visto a minha mãe ser costureira e ter disso lá em casa.

E, vejam lá, tudo aquilo de que me fui lembrar por conta do santo que se festeja no dia em que nasceu o meu único filho que não foi baptisado Tiago por mero acaso. Eu já tinha escolhido um nome para ele, sem saber em que dia nasceria, e quando surgiu a ideia de lhe chamar Tiago não quis voltar atrás no nome que já me soava familiar, Marco Aurélio!

domingo, 29 de junho de 2025

Ciao, ciao, Benfica!

 

Tudo, ou quase, que podia correr mal ... correu mesmo, é a tal «Lei de Murphy» a funcionar!

1 - O treinador escolheu mal a equipa
2 - O Trubin que raramente falha foi um falhanço completo
3 - A sorte que tanto jeito dá abandonou-nos depois dos 90 minutos
4 - O Rui Costa não exerceu a sua autoridade sobre o treinador para corrigir erros crassos na escolha dos jogadores para o onze inicial
5 - Pela segunda vez, até o clima esteve contra nós

A esta hora já devem estar no aeroporto, a arrastar a mal com rodinhas, a caminho de casa. O mês de Julho que devia ser de pré-época vai ser de férias e isso não augura nada de bom para a nova época.

E é assim a vida, vamos começar ao pé coxinho, para lutar com o Sporting pela Supertaça e disputar a eliminatória de acesso à Liga dos Campeões. Esse é o caminho dos milhões que o Benfica precisa para se financiar e se lá não entrarmos há que rever o orçamento e fazer poupanças.

Este tema fica suspenso até à primeira semana de Agosto e teremos que arranjar inspiração para encontrar outros que interessem à maioria dos visitantes e seguidores!

sábado, 28 de junho de 2025

Mais uma final!

 

Esta é a equipa que ganhou ao Bayern

Foi uma equipa de recurso, por causa dos castigados e lesionados, mas saiu-se bem. Com estes jogadores e mais alguns que entraram no decorrer do jogo (caso dos dois turcos do plantel) o Benfica impôs a primeira derrota ao Bayern de Munique, um terror para quem joga contra eles.

Com esta ou outra parecida temos que, logo à noite, enfrentar o Chelsea, equipa londrina que tem tido muitos altos e baixos nos últimos anos, mas parece, agora, mais estabilizada para nosso azar. Como já estamos na fase do bota-fora, quem perder faz a mala e apanha o avião de regresso a casa. Espero que não seja o Benfica, mas o Chelsea é o mais favorito a seguir em frente.

Há jogadores que aparecem na imagem acima que já não estarão em Lisboa no dia 1 de Agosto próximo. Por aquilo que se ouve aos comentadores desportivos haverá, pelo menos 6 novas contratações e outros, como o Di Maria, por exemplo, seguirão em sentido contrário. Também os jogadores emprestados, como o Bellotti, Renato Saches e outros, podem ficar ou regressar aos seus clubes.

Mas o que me interessa é o jogo de hoje, depois logo se verá. Se conseguirmos bater o plantel milionário dos londrinos serão mais uns milhões de euros no bolso do Rui Costa para investir nos reforços. Não sei quem o Lage (treinador) vai meter em campo, mas espero que ele acerte nas escolhas e saiba fazer as substituições na hora certa.

Se nos calhar o azar de sermos nós a abandonar a prova, paciência, como diz o tal ditado, sempre evocado por quem perde, "há mais marés que marinheiros" e um dia chegará a nossa vez de sair por cima, tal como aconteceu no jogo contra o bávaros do Neuer & C.ia. Aqueles que raramente ganham também costumam citar outro ditado, "perder ou ganhar é tudo desporto", mas o Benfica é dos que ganham mais vezes do que perdem.

Carrega Benfica !!!

sexta-feira, 27 de junho de 2025

A guerra e as festas dos Santos Populares!

 Enquanto por essa europa fora há guerras, os mortos contam-se aos milhares e o sofrimento dos que ficam vivos é de arrepiar, nós por cá estamos virados para a festa, a folia, os comes e bebes tão próprios desta época a que chamamos, "dos santos populares".

Já lá vai o Santo António de Lisboa, assim como o S. João do Porto, agora é a vez do S. Pedro a quem chamam "O Pescador" e que, por conseguinte, é o patrono de todas, ou quase, comunidades piscatórias. A Póvoa não podia ser excepção e anda todo o mundo numa faina imparável para que amanhã a noitada seja melhor ainda que todas as já acontecidas no passado.

Cada pessoa diz que no seu tempo é que era bom e que isto agora não presta, mas a única coisa que se perdeu, com o passar dos anos, foi a juventude e a vontade, ou necessidade, de pinchar e dançar a noite toda e ver o sol nascer na praia. Aí reside a maior diferença, os mais jovens que não conheceram os velhos tempos são quem faz a festa e para eles é tudo uma maravilha. Lá virá o tempo em que dirão o mesmo que dizem, hoje, os seus pais e avós.

Aqui na Póvoa, o costume que impera é montar a cozinha na rua, fazer comida duas ou três vezes mais do que a família consome e convidar os amigos, ou até simples desconhecidos que passam à sua porta, para comer e beber do que há. Habitualmente são sardinhas assadas, mas também há barriguinhas ou febras de porco e em algumas casas ricas saladas de peixe seco grelhado na brasa e regado com bom azeite das nossas oliveiras.

O vinho, seja verde ou maduro, branco, tinto ou rosé, é em doses industriais e não há quem passe sede na noite de S. Pedro. Estende-se um copo ao convidado, enche-se até deitar por fora ( as pedras da calçada não se queixam do que vai por fora) e se demorar uns minutos na conversa ainda vai mais um, antes de seguir viagem até à próxima paragem.

Fogareiros a fumegar em todas as portas, cesto com broa de milho corta em fatias, cheiro de sardinhas no ar e os garrafões de tinto alinhados atrás do fogareiro, esperando que as gargantas sedentas o reclamem. Não há festa como esta, diz o povo poveiro e quem cá aparece para ajudar a espalhar a fama e cortesia das gentes do mar. E já foi muito melhor que é agora, isso eu posso garantir, pois com o desaparecimento da frota pesqueira, há menos peixe e dinheiro na comunidade.

Os mestres das traineiras eram os grandes promotores desta festa, toda a safra destes últimos dias, antes da festa do seu santo, era oferecida a familiares, amigos e vizinhos para que cada um pudesse ter a sua festa, tal e qual como eles a quem nunca faltava o peixe, o pão e o vinho. Era raro o pescador que não levava consigo o "palhinhas" (garrafão de 5 litros) cada vez que saía para o mar. Bebia-se mais do que se comia para aguentar o esforço e o frio das noites no mar.

A frota pesqueira está reduzida a um mínimo dos mínimos, a política europeia, desde os tempos de Cavaco Silva, como Primeiro Ministro, a isso nos conduziu. Para os poucos pescadores que restam, ao fim de um ano de trabalho a festa serve de desforra e também como meio de recarregar as baterias para mais um ano de luta contra o mar que tudo lhes dá, mas, por vezes, cobra uma alto tributo em vidas humanas. Mas, neste dia, esquecem-se todas as dores e lamentos, a hora é de folguedo e de gozar a vida.

 Logo que desligue esta maquineta que me mantém ligado a vós, irei verificar se não falta nada, o carvão para o fogareiro e as bebidas que calculo como necessárias, mas compro em dobro e o resto que é da minha responsabilidade. Sardinha frescas talvez não haja, mas por precaução já congelei meio cento delas para ajudar a espalhar o cheiro da sardinha assada em todo o bairro.

Hoje, é dia de ir ao talho buscar a carne de porco e os enchidos e passar pela padaria para trazer a broa e meio cento de pães para quem prefira uma febra no pão. Há sempre quem goste de sardinhas, mas não goste de sujar as mãos e então opte por uma febra dentro de um papo-seco que mastiga para depois emborcar um copo e seguir viagem.

É assim a vida, hoje prepara-se tudo, amanhã come-se e bebe-se e no dia do santo descansa-se e cura-se a bebedeira (se for o caso). Haja festa, festa é alegria!!!

 

quinta-feira, 26 de junho de 2025

A ovelha negra!

 


O Pedro Sanchez fez tudo o que pôde para não se misturar com os restantes membros da NATO. Ele foi o único a discordar da decisão de aplicar 5% do PIB em segurança e até nesta «Foto de Família» fez os possíveis por ficar de fora do grupo.

O Trump disse, no fim da reunião, que estava triste com a posição de Espanha, único país que não aceitou bem a ideia de gastar tanto dinheiro em defesa, quando há tantas coisas mais importantes que isso (???) a necessitar de dinheiro. A Espanha não está na mesma situação que a Ucrânia, senão talvez tivesse uma ideia diferente.

O Trump reclama e com razão que os EUA contribuem mais que a Europa para as despesas da NATO e exige que a Europa se aproxime mais no orçamento comum. Mas toda a gente sabe que a NATO é uma espécie de organismo criado pela América para seu benefício próprio. Para manter a Guerra Fria que durou desde 1945 a 1989 e marcar bem a diferença entre o mundo ocidental e o Bloco de Leste, os EUA precisavam desse organismo e da sua força conjunta.

Como país rico que é, eles avançaram com o projecto, desataram a fabricar armas de todo o tipo, desde navios, aviões e misseis, além das ogivas nucleares que se diz que nunca serão usadas e servem apenas para atemorizar o inimigo e mantê-lo quieto. Entretanto, o mundo foi avançando, as economias foram florescendo por esse mundo fora e hoje já existem países capazes de gastar fortunas em defesa, como a China, a Índia ou o Japão.

Chegados à Era Trump, com os EUA a perder terreno contra as outras grandes potências mundiais, foi preciso apertar as malhas do controlo financeiro, aumentar as receitas e diminuir as despesas. Todos sabemos que o fabrico de armas (de todo o tipo) é o ramo de actividade que dá mais dinheiro para o Orçamento de Estado e a NATO um dos clientes/consumidores preferenciais. Ora, não era preciso ser muito esperto para concluir que sendo os EUA a pagar a factura da Nato não entrava um dólar proveniente desse grande negócio.

Por isso, ele começou essa guerra, logo que chegou ao poder, em 2017. Nós fabricamos as armas, mas serão eles, os europeus, a pagá-las, pensou ele. Até ao fim do seu primeiro mandato não conseguiu pôr isso em prática, mas eleito de novo, neste ano de 2025, fez disso a sua primeira prioridade. A reunião de Haia, esta semana, foi o último acto desta peça. Todos, menos o Pedro Sanchez, concordaram em incluir nos seus orçamentos de estado uma verba de 5% do PIB para a NATO.

O Papá Trump, como lhe chamou o "lambe-botas" do Rutte, agora o homem forte da organização, conseguiu o seu objectivo e sai de Haia feliz e contente. Um trilião de dólares para gastar em armas que nós fabricaremos, disse ele entre dentes. A ideia da Srª Von der Leyen não vai nesse sentido, antes pelo contrário pensa que os países europeus devem investir na defesa, mas construindo aqui as suas próprias armas para ajudar a economia dos 27 países da UE.

Mas, ontem, não era o dia de falar nisso, outras coisas mais importantes requeriam a sua atenção e, no tempo certo, ela e o nosso bem conhecido Costa chamarão todos os interessados para discutir essa questão. Preocupados com o perigo que pode vir do Leste da Europa, mais do que com os que poderão vir do Atlântico, torna-se necessário reforçar a defesa das fronteiras do Espaço Schengen e a Polónia e a Ucrânia têm um papel determinante nessa área.

Por isso, eu vejo que a preocupação dos europeus está muito mais virada para criar uma barreira defensiva que vai da Finlândia ao Mar Negro, passando pelos pequenos países bálticos, Polónia, Roménia e Ucrânia. Por isso é tão importante trazer o Zelensky para o nosso lado e ela tem deixado isso bem claro em todas as suas intervenções.

E a Ucrânia com esta guerra que já dura há mais d 3 anos têm aprendido muito. Treino militar, sistemas de defesa, fabricação de drones, etc., eles poderão ser de grande ajuda se estiverem do nosso lado. Quem quer ter amigos e aliados fortes tem que fazer por isso. Enquanto o Trump hostiliza a Ucrânia a Srª Von der Leyen dá-lhe colinho.

E eu estou plenamente de acordo!!!

Pedro Sanchez a defender a sua dama

quarta-feira, 25 de junho de 2025

O Sapo a fumar um cigarro!

 


Quando era miúdo andava à caça de sapos para lhe meter um cigarro na boca e ver se era verdade o que diziam que eles rebentavam como uma castanha, depois de engolirem o fumo que não sabiam como deitar fora. Não era fácil obrigá-los a ficar com o cigarro na boca, começavam a mastigar e deitavam-no fora, por isso, nunca rebentou nenhum nas minhas mãos.

Hoje, sinto-me como o sapo, tanto é o orgulho de ser benfiquista e ter assistido, ontem à noite, a uma inesperada vitória do meu Benfica sobre um dos maiores da Europa, o Bayern de Munique. Esperava uma derrota por números que não nos envergonhassem muito e foi com a maior alegria que vi o puto, aspirante a avançado, marcar um golo aos 12 minutos.

Aí está ele, Schjelderup, o marcador do único golo

Depois, foi sofrer até ao fim, 90 com mais 8 minutos de descontos, sempre à espera de ver o adversário furar as nossas redes. Mas os minutos foram decorrendo (muito lentamente) e isso não acontecia, A partir dos 60 minutos, quando o treinador deles mandou entrar os craques da pesada que tinham ficado no banco, comecei a rezar para que não metessem mais que um golo, pois isso chegaria para nos apurarmos.

De 5 em 5 minutos ir espreitar como corria o jogo do Boca Juniors, pois se marcassem mais de 6 golos poderiam complicar-nos a vida. Isto no caso de perdermos, pois se ficássemos empatados, o que eu começava a acreditar que íamos conseguir, ficaríamos apurados na mesma e eles rumariam à Argentina para carpir a derrota.

Afinal, a minha deusa protectora tinha ouvido as minhas preces e nem o Bayern nos conseguiu ganhar nem o Boca conseguiu marcar mais golos que nós, de facto meteram apenas 1 golo e os neozelandeses outro, de modo que acabaram empatados a uma bola e foram ambos para casa, deixando o Benfica em 1º lugar do grupo, com o Bayern, grande favorito, a ocupar o 2º lugar.

Há dias assim, tudo corre bem melhor do que o esperado e faz-nos lembrar daquele ditado popular que se diz «nasceste com o cu virado para a lua» a quem mostra ter toda a sorte do mundo. Hoje sou eu o sortudo, mas tenho-me fartado de estar do lado dos perdedores, algum dia teria que chegar o meu dia da sorte. Foi ontem, dia de S. João Baptista! Quem sabe foi a invocação do santo que me trouxe a sorte!!!

A História do futebol conta-se em golos!

terça-feira, 24 de junho de 2025

O Trump sabe-a toda!

 


O Paquistão disse que ia propô-lo para o prémio Nobel da Paz e como as pessoas acharam isso despropositado, mais ainda pelo lançamento daquelas "bombocas" sobre o Irão, ele apressou-se a alinhavar com o Netanyahu e o Kamenei um acordo de cessar-fogo para provar a sua boa fé e ser merecedor do tal prémio.

Todo o acordo para parar as hostilidades é, em princípio, bom, mas eu que sou um desconfiado de primeira, vou ficar atento para ver quanto tempo levará até o primeiro quebrar esse acordo. Para mim já foi bom, pois todas as Bolsas de Valores abriram, hoje, a subir e neutralizaram algum prejuízo que a minha posição tinha sofrido na passada semana.

Outra coisa importante (para todo o mundo) é o preço do crude. O presidente Trump fez uma publicação na sua conta do Twitter (não gosto nada do X e se foi o Musk que lhe mudou o nome, foi mais uma argolada que cometeu) a pedir aos intervenientes no mercado para manterem os preços baixos, porque subir os preços só serviria para dar armas ao inimigo (Putin) para continuar a guerra. E parece que foi ouvido, pois na Europa todas as acções das companhias petrolíferas abriram a perder 3,5%.

Mas ele vai ter muito que pedalar se quiser levar o prémio Nobel, pois a situação no mundo vai de mal a pior e ele também tem contribuído para isso. Uma coisa que lhe garantiria o prémio com toda a certeza seria convencer o Xi Jimping a reconhecer a independência da Ilha Formosa. Isso talvez acabasse de vez com o enorme risco de uma guerra global que acontecerá se a China insistir no seu propósito e os Estados Unidos mantiverem a sua posição de defensores da ilha.

Talvez o Trump não seja grande fã de blogs, por isso peço que alguém lhe faça chegar o meu recado. Basta ter conta no X e o Trump como amigo!!!

segunda-feira, 23 de junho de 2025

O estreito estreitou-se mais ainda!

 


Não é assim tão estreito, mas em tempo de guerra torna-se estreito demais. O Irão decidiu que será encerrado e só lá passará quem eles autorizarem. Parece que Omãn e os Emirados não têm direito a uma palavra neste assunto, pois repartem o direito ao "canal" de passagem dos petroleiros com o vizinho da frente. Ou estão de acordo ou têm medo de se manifestar.


A Marinha de Guerra dos Estados Unidos já ali está em força e acredito que serão eles a ditar as regras, em breve ficaremos a saber os pormenores desse negócio. Uma boa parte do petróleo que passa pelo estreito destina-se às refinarias americanas e essas não podem parar. Não sei o que poderão fazer os iranianos contra o poderio naval e aéreo dos americanos, estou convencido que ali imperará a lei do mais forte-

E os petroleiros com destino à América continuarão a navegar protegidos pela força naval americana. Com 3 porta-aviões na zona e um sem número de outras unidades que lhes dão protecção, para além dos muitos caças-bombardeiros que vão a bordo, o Irão não tem a mínima hipótese de se opor à passagem dos petroleiros. Quem "levantar cabelo" leva logo com umas ameixas incandescentes que os calarão para sempre.

Isto, claro está, é a minha visão do problema, mas não creio que possa ser muito diferente. Os líderes do Irão, o melhor que têm a fazer é sentarem-se à mesa das negociações e acordar num compromisso que não os deixe ficar muito mal. Qualquer outra decisão será um autêntico suicídio. Ainda por cima com a Força Aérea israelita a controlar o espaço aéreo do Irão, ou seja, estão amarrados de pés e mãos e só lhes resta a esperteza para se safarem.

Na boca dos comentadores internacionais há um movimento interno no Irão que tende a substituir o regime teocrático que governa o país, desde a revolução de 1979 que depôs o Xá Reza Pahlevi. A gente mais jovem, cá como lá, pouco acredita em céu e inferno, quer é saber de melhorar o seu nível de vida e ver o governo preocupar-se com o bem-estar dos cidadãos. E isso é terra fértil para provocar a saída do velho Khamenei que sucedeu ao também barbudo Khomeini e juntos dominaram aquele país, nos últimos 46 anos.

Acredito que a população iraniana ficaria muito beneficiada com essa mudança, mas não é ainda conhecida uma cara que queira, ou possa. assumir esse desafio. Gastar o dinheirinho que vem do negócio do petróleo em prol do povo, em vez de comprar armas e patrocinar grupos rebeldes para lutar contra os inimigos do Islão, seria um passo acertado (do meu ponto de vista). 

A decisão é deles, eu estou para aqui a gastar o meu Latim para nada, pois sou apenas "uma voz que clama no deserto"!

  

domingo, 22 de junho de 2025

Foi esta noite!

 O Trump estava mortinho por mostrar o que vale - ele e o seu país que ele quer que volte a ser grande outra vez - e isso aconteceu esta noite. Mandou levantar os tais bombardeiros invisíveis para irem despejar umas toneladas de trotil em cima da cabeça dos iranianos.

Fez-me recordar o Jorge Coelhone que um dia afirmou: - quem se mete com os socialistas leva! Leva na cabeça, queria ele dizer no seu arrevesado modo de falar, à moda da Beira Alta.

O Trump nunca o disse abertamente, mas sempre deu a entender que quem se metesse com os judeus (da city novaiorquina e de Israel) levaria o justo castigo. Há dias, tinha ele afirmado que nas duas próximas semanas decidiria o que fazer. Passou apenas uma semana e já deu na cabeça ao Aiatola e seus apaniguados fiéis. Toma lá trotil e vai ter com o S. Pedro!

Ainda não se conhece a extensão dos estragos causados, mas os bombardeiros continuam a postos para repetir a dose se preciso for. Os comentadores têm apenas umas fotografiazitas via satélite para nos mostrar e todos se deitam a adivinhar o que aconteceu e o que se seguirá. Eu que não tenho pressa nenhuma ... limito-me a esperar!

sábado, 21 de junho de 2025

Solstício de verão!

 

É hoje que começa o verão! Os últimos dias foram mais quentes do que os próximos que aí vêm, o que parece um contrassenso, mas não temos que refilar com quem governa estas coisas do clima, é aceitar e cara alegre!

Uma noite mais curta e um dia mais longo são as características do solstício de verão, exactamente o contrário daquilo que acontece em 21 de Dezembro, data em que ocorre o solstício de inverno. Daqui até lá os dias começarão a encolher, primeiro apenas uns segundos e depois uns minutos a cada sol pôr.

Eu, como já convivo com isso há mais de 80 anos, estou habituado e não me faz grande diferença. O vento e a chuva sim, foram os meus adversários, quando tinha que pedalar numa bicicleta (sem mudanças) a caminho do meu primeiro emprego, aos 17 anos.

Até ali, eu tinha sido um estudante habituado às maiores mordomias e foi um choque considerável para enfrentar um modo de vida que até essa idade ainda não tinha conhecido. O segundo embate, tão ou mais violento que esse de entrar na vida profissional, foi o meu alistamento na Marinho, um ano depois.

O meu primeiro emprego foi, como não poderia ser de outro modo para quem mora no Vale do Ave, na indústria têxtil. Arranjado por favor através de uma cunha metida ao chefe de escritório, eu fui integrado na Casa do Pano, como aprendiz de apontador. Aquilo não tinha nada que saber, bastava saber escrever e em pouco tempo eu já deitava o emprego pelos olhos.

O problema é que não era fácil arranjar outro e assim a minha decisão foi voluntariar-me para a Marinha. No ano anterior, tínhamos ficado sem Goa, Damão e Diu e começara a Guerra Colonial, em Angola. Já adivinhava que o destino mais provável seria a África, mas nunca vi isso como um problema, antes um meio de ir conhecer o mundo. Como turista não tinha grandes hipóteses, era filho de pai humilde e dinheiro era uma raridade lá em casa.

Além disso, o meu pai que sempre sonhara ter uma casa de sua, onde não tivesse que pagar aluguer, tinha contraído uma dívida de 25 contos de reis para pagar a um mestre de obras seu vizinho que lhe tinha garantido ser capaz de construir uma casinha habitável, onde caberia toda a família, por esse valor.

Entre o fim da minha vida de estudante e a de apontador da Casa do Pano da Valfar, em Vila do Conde, ainda tive tempo de ser o ajudante de pedreiro na construção da tal casinha, onde o meu pai viveu até ao dia em que foi chamado à presença do Criador. Sem ter a certeza, imagino que essa foi uma das condições do contrato celebrado com o tal mestre de obras, amigo da família. Fiz algumas bolhas nas mãos, mas não perdi nada com isso, serviu para esquecer a boa vida que tinha vivido nos últimos 16 anos.

Já que estamos a falar de solstícios aproveito a narrativa para dizer que no solstício de inverno, do ano de 1962, fui enviado de avião para a capital de Moçambique e aterrei lá em pleno solstício de verão. Isso é que foi um choque! Saí do aeroporto de Figo Maduro com uma chuvinha gelada e vestido com um uniforme de lã de ovelha e passado umas horas estava a passar o Equador e a suar como um preto!

Passei por Bissau, por Luanda e pela Beira e o calor parecia ir sempre aumentando. Quando, finalmente, aterrei no aeroporto de Lourenço Marques, o tal uniforme feito em tecido de lã tinha tanto suor acumulado que foi preciso uma autêntica barrela para o pôr em forma e meter no fundo da mala, durante os 30 meses seguintes em que não pôde ser usado.

Bem, gozem o verão que sempre é melhor que o inverno. A vida é uma sucessão de verões e invernos que só acaba quando Deus quiser. Eu começo, hoje, a viver o meu 82º verão, coisa que muita gente não conseguiu fazer !!!