Com a crise - política, económica, etc. - na Venezuela a entrar numa nova fase, com a interferência dos EUA, achei por bem dedicar algum do meu tempo a pesquisar a situação dos cidadãos do nosso país envolvidos nessa questão. Envolvidos sim, pois voluntária ou involuntariamente, a sua vida e os seus bens estarão em risco, enquanto a crise se desenvolver. E podem sair beneficiados ou prejudicados por isso, dependendo da forma como a crise se vier a resolver.
Tanto para a Venezuela como para o Brasil emigraram milhares de portugueses, na grande maioria originários do norte de Portugal, com os distritos de Aveiro e Braga a ocuparem os primeiros lugares. As duas Grandes Guerras e a crise que lhes sucedeu foram as razões primárias destas migrações. A miséria e a falta de emprego resolvia-se, ou tentava resolver-se, procurando lugares no mundo, onde era possível encontrar emprego e melhorar de vida.
Alguns dos meus antepassados, entre 1920 e 1940, seguiram esse destino e nunca mais regressaram. Alguns foram bem sucedidos e trouxeram às suas terras de origem riqueza e desenvolvimento. A agricultura foi o primeiro destino dos minhotos, a seguir foram aqueles que conheciam o ramo do pequeno comércio a escolher o Brasil e a Venezuela como destino. Até em Moçambique, durante a Guerra Colonial, eu encontrei cantineiros portugueses que tinham deixado Portugal, durante o difícil pós II Grande Guerra.
Concordo com o Trump na necessidade de mudar alguma coisa na política da Venezuela, não sei é se ele foi pelo melhor caminho ao desencadear esta operação. O período em que o Chavez tornou aquilo numa ditadura e o Maduro piorou, a cada ano que passava, a isso levaram e se ficássemos à espera que fosse a ONU a intervir para pôr ordem na casa, morreríamos sem ver isso acontecer. Então, com o "morre ao sol" do beirão António Guterres era mais que certo.
Não imagino como a coisa irá acabar. O Trump quer aquilo sob controlo americano, tanto por causa do narcotráfico como pelo interesse no negócio do petróleo. Os russos e chineses não vão ficar quietos nem calados, pois Cuba e Venezuela tinham-se transformado num feudo comunista, desde que o Che Guevara andou por lá aos tiros. Sendo o Trump amigo do Putin, eu posso imaginar que já tenham conferenciado sobre isso, através do famoso "telefone vermelho" que cada um deles tem na sua secretária de trabalho.
Se é verdade que há provas de que as últimas eleições, as quais deram o poder a Maduro, foram fraudulentas e que o candidato derrotado (Edmundo Gonzalez) foi, de facto, o vencedor, concordo que o vão buscar, onde ele estiver, e lhe entreguem o país para ele governar. Claro que há medidas que terão que ser tomadas para proteger a sua vida e disso poderão tratar os EUA, já que da ONU não se pode esperar nada.
Se ele for aceite pelo povo teremos o problema resolvido, caso contrário ele pode assumir o governo, de forma temporária, e convocar novas eleições, a breve trecho. Nessas eleições ele poderá concorrer ou não e o povo do seu país poderá votar nele de novo, se assim o quiser. Por outro lado o restabelecimento de boas relações com os EUA só lhes trarão benefícios, coisa que perderam desde que o Chavez tornou o país numa ditadura.
Do que andei a ler, esta manhã, deixo-vos aqui (abaixo) uma amostra que poderão ler ou deixar de lado se não tiverem interesse na coisa. A mim serviu-me para relembrar algumas coisas e saber pormenores que desconhecia sobre outras.
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Com a política de imigração do general Eleazar López Contreras, Presidente entre 1836 e 1941 (???), foi aplicado um Plano Global de Modernização Económica que implicava a entrada de trabalhadores estrangeiros provenientes principalmente da Europa, com o fim de atender a procura nos sectores da agricultura e da construção com mão-de-obra especializada e com experiência nestas áreas. Mas é entre 1947 e 1957 que podemos falar de um verdadeiro boom de imigrantes.
Há registo de que durante este período entraram na Venezuela perto de 800 mil imigrantes. Duas razões são apontadas: as difíceis condições de vida na Europa do pós-guerra e a política, uma vez mais favorável à imigração europeia, do novo Governo do general Marcos Pérez Jimenes, que governou o país entre 1952 e 19586.
Entre os anos 1940 e 1960 muitos portugueses refugiaram-se também na Venezuela por motivos políticos. O mais conhecido dos exilados políticos foi Henrique Galvão, um ex-capitão português que ali se fixou em Novembro de 1959. Galvão irá protagonizar o primeiro sequestro de um navio para um protesto político, contra duas ditaduras, a de Portugal e a de Espanha7 .
A afluência de emigrantes portugueses para a Venezuela inicia-se na década de 40, prolongando-se até meados dos anos 80, por diversas razões, tais como as difíceis condições socioeconómicas, a miséria e a política de emigração favorável.
De 1950 a 1969 chegaram ao território venezuelano 73 554 portugueses, dos quais 38 737 da Madeira, 17 286 do distrito de Aveiro, 7 214 do distrito do Porto e os restantes de outros distritos do país. Num primeiro momento estes emigrantes dedicavam-se, sobretudo, à agricultura. Contudo, a partir de 1948 a grande maioria dedicou-se ao comércio – essencialmente de alimentos – e rapidamente começou a diversificar-se para a pequena e média indústria, sobretudo no setor das manufaturas.
Atualmente residem na Venezuela 53 478 pessoas nascidas em Portugal, a esmagadora maioria oriunda da Madeira. Estes imigrantes encontram-se perfeitamente integrados na sociedade venezuelana.

Oxalá que tudo se resolva a caminho da paz!
ResponderEliminarBeijos e um bom dia!
Conheci vários portugueses que nos anos 70's re-migraram da Venezuela/Brasil. Alguns da Madeira e outros da região de Viana do Castelo. Nunca lhes perguntei a razão mas acredito que vieram em busca de um imaginário El Dorado. Como curiosidade também conheci desertores da Marinha de Guerra que incentivados por compatriotas ficaram por aqui.
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