quarta-feira, 18 de abril de 2018

Melros e minhocas!

Um blog serve para falar de tudo e mais alguma coisa, desde paixões, namoros, engates, receitas culinárias, pontos de crochet, má língua, e por aí fora, sem esquecer o lado erótico da coisa. Já dizia o velho poeta (que é o povo):

Menina, repreenda o seu melro
Que anda na minha horta
A depenicar-me os tomates
E à procura da minhoca

Pois, hoje, decidi falar de melros e de minhocas que é coisa que tenho aqui à frente dos meus olhos e me fazem companhia durante todo o ano. Lembrei-me de falar nisto quando vi um melro passar aqui em frente à minha janela com uma minhoca no bico para alimentar os seus filhotes que estão num ninho, cuidadosamente construído em cima de um loureiro aqui ao lado.


Melro de bico amarelo, melro preto, ou simplesmente melro, é este bichinho emplumado que me faz companhia todo ano, aqui na minha horta. Anos atrás faziam aqui os seus ninhos e quando os filhotes tentavam o primeiro voo e aterravam no meio das couves, o meu cão apanhava-os e andava com eles na boca, de um lado para o outro, até que os pobres diabos esticavam o pernil. Depressa aprenderam a lição e foram fazer os seus ninhos para outro lado.


Agora vêm até aqui caçar as minhocas que tenho aos milhares, para não dizer milhões que poderia parecer um pouco exagerado, e carregam com elas para os seus ninhos. O melro não é pássaro de engolir a comida e depois regurgitá-la no bico das crias, pelo menos com as minhocas não o faz, leva-as no bico até ao ninho e enfia-as pela goela abaixo do primeiro que abrir o bico.


As minhocas vivem comigo e eu dou-me bem com elas. Elas entretêm-se a mastigar todo o tipo de lixo que apanham e transformam-no no melhor estrume que há. Se lhe deixar um jornal de notícias inteirinho, com mais de 50 páginas, em meia dúzia de dias fazem-no desaparecer. Terra de minhocas é terra boa, costuma dizer-se. Então, a minha é mesmo boa com tanta minhoca que lá tem.


As ninhadas de melros têm muitas vezes 3 filhotes, mas a maior parte das vezes só escapam dois. Conforme vão crescendo, vão exigindo mais comida que os faz engordar e, ás tantas, o mais fraquito é empurrado do ninho para fora e estatela-se lá em baixo, acabando por morrer à fome ou na barriga de algum gato.


Olhem para este. Não vos parece também um melro que se mascarou todo para ir jogar ao Carnaval? E também canta, há quem diga que até melhor que o melro. Mas, de facto, não é melro não senhor, este passareco é um gaio e não pertence a uma espécie protegida, como o melro que os caçadores têm que respeitar e não podem disparar sobre eles.
A vida é assim, já se vêem melros nos jardins públicos que convivem com o homem sem medo nenhum e há-os por todo o lado, enquanto que o gaio é uma ave rara e foge do homem a sete pés. Gostaria de vê-lo também partilhar os nossos jardins, pois é um pássaro bem bonito, não sei é como convencê-lo a abandonar o mato, onde ele gosta mais de viver.

3 comentários:

  1. boa tarde
    já que não há grandes motivos para falar do GLORIOSO , sempre se arranja algum tema para nos entreter.
    e para continuar lembrei-me desta quadra.
    O caracol trepa trepa
    Na couve e no repolho
    E tantas volta lhe dá
    Que lhe chega a ir ao olho

    JAFR

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  2. Hoje esqueceste a águia e estás virado para outros pássaros, não imaginas como me sinto feliz ao ouvi-los cantar à minha volta! Tenho lá de tudo: Gaios, rolas, melros, minhocas aos montes, ando a cavar a terra e a cortá-las ao meio e os pescadores à linha dão bom dinheiro por isso, já pensaste vendê-las? Agora tenho que ir que se faz tarde.

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  3. Por aqui vejo muitas vezes melros, mas nunca vi nenhum gaio. E é muito bonito.
    Um abraço

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