quinta-feira, 3 de abril de 2025

Ele não pode ser assim tão parvo!

 

Wall street, a praça de Nova Iorque, é a mais famosa e movimentada de todo o mundo. Mundo esse que vive e respira melhor ou pior, conforme o que ali se passa. Assumindo isto como verdadeiro temos que admitir que há por ali muitos "crânios" que sabem o que andam ali a fazer. E o presidente, por muito maluquinho que seja, tem com toda a certeza alguém que o aconselha, quando chega a hora de decidir as coisas mais importantes.

Tal como aconteceu, ontem, quando decidiu desenterrar o machado de guerra e declarar uma guerra financeira a meio mundo (o outro meio não conta para nada). A imposição de tarifas aduaneiras daquele tamanho vai deixar os maiores exportadores - União Europeia e Portugal incluídos - à rasquinha. Conquistar mercados para produtos como o queijo dos Açores ou os vinhos portugueses não é fácil e com o preço aumentado em 20% muitos clientes poderão virar-nos as costas.

Como toda a gente diz e é verdade, as tarifas têm como objectivo suavizar as diferenças de preço entre aquilo que o fornecedor quer receber e aquilo que o cliente pode pagar, para além de proteger as indústrias nacionais de cada país. O melhor seria não existirem e haver um acordo entre cliente e fornecedor para ser praticado um preço justo que não prejudique nenhuma das partes.

Desatar aos berros, afirmando que vão responder com a mesma medida, não ajuda ninguém, nem americanos, nem canadianos, chineses, russos ou europeus, sejam eles ilhéus, mais ocidentais ou orientais, como é o caso da Ucrânia, Geórgia e outros que tais. O que é preciso fazer é promover reuniões entre os países e procurar chegar a um consenso, caso a caso, produto a produto.

As trocas comerciais contam-se por milhões de euros ou dólares e tudo o que interessa é acordar num valor a comercializar sem qualquer taxa. Nós podemos comprar em petróleo, automóveis ou medicamentos o valor que exportarmos em vinho, queijo ou têxteis. Tantos milhões para cá, outros tantos para lá e todo o mundo satisfeito. Assim é que seria bom, a guerra, seja ela económica ou com fogo real, não interessa a nenhuma das partes.

E mesmo que o presidente Trump seja um cromo de primeira, ele deve ter quem o aconselhe e eu não acredito que as medidas anunciadas, ontem, tenham sido tomadas de ânimo leve ou num momento de furor. A política é, e deve sempre ser assim considerada, uma coisa muito séria e que mexe com a cabeça e a bolsa de muita gente.

Como se pode ver na imagem acima, as bolsas europeias abriram todas no vermelho. Mas será nos próximos dias, depois de uma análise mais fina sobre as empresas mais afectadas pelas novas imposições americanas, que as cotações bolsistas mostrarão a nova realidade dos mercados mundiais. Dentro de uma semana poderemos ver com mais clareza o que será o futuro imediato. A médio e longo prazo ninguém saberá, pois as condicionantes são imensas. A possibilidade de uma III Grande Guerra paira no ambiente !!!

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Passou-se para o outro lado da trincheira!

 Há muitos anos, desde o fim da II Grande Guerra, que o presidente dos Estados Unidos da América era o paladino do mundo ocidental, contra o poder vermelho vindo do lado de lá da cortina de ferro. Era um mundo bipolar em que a China não aparecia ainda como um interessado no assunto da política global.

Agora, desde a eleição de Donald Trump, tudo mudou. A China aparece cada vez mais forte a reclamar um lugar na História e, se possível, passar à frente dos outros dois players. Cada um dos 3 líderes conta as armas que tem e os trunfos que pode jogar para ficar em vantagem. Trump, Putin e o líder chinês Xi já fizeram saber o que cada um quer e daquilo que não abdica em circunstância alguma.

O Trump já disse ao Putin que concorda com tudo o que ele quer, desde que não se meta com o que fica a ocidente do Oceano Atlântico. O Putin quer acesso livre ao Mar Bático e Mar Negro, além de mandar em tudo o que fica da Bielorrússia até ao Estreito de Béring, com tendência para que não fique nenhum país livre entre a Rússia e a China. O Xi quer Taywan e, se possível, as Filipinas para ter acesso livre ao Oceano Pacífico.

Tudo o que, hoje, conta são os recursos naturais, quem os tem, quem os quer, quem os compra ou quem os toma pela força (como está a fazer Putin, na Ucrânia, no Mar Negro e em toda a zona a leste deste mar). Hoje é o urânio, o lítio, além de uma dúzia de outros menos conhecidos, dentro de alguns anos poderá ser a água potável.


O presidente dos Estados Unidos deixou de ser o representante do mundo ocidental, está-se marimbando para a NATO, para a ONU e para a OMS, quer ficar na História Universal como o homem que alargou o seu império até ao Polo Norte, que foi à Lua e preparou o caminho para os seus governados chegarem a Marte. A Inglaterra e o resto da Europa que se danem, não é assunto que lhe roube o sono.

Hoje, dia 2 de Abril de 2025, começam a aplicar-se as tarifas alfandegárias impostas por Trump (ele não quis que começasse ontem, para não ficar conotado com o dia das mentiras), com o ferro, o aço e os automóveis, em primeiro lugar. Coisas como o queijo ou o vinho podem vir de seguida e isso afectará Portugal. Os países que se sentirem lesados tentarão fazer o mesmo e no fim todos ficarão a perder, pois a confusão e a burocracia tomarão conta das trocas comerciais tornando tudo mais caro para todos.

Estudar o assunto em pormenor e decidir qual a solução a adoptar, sempre que haja um desequilíbrio na balança de transações, seria o mais aconselhável, mas o Trump está numa de obrigar todos a pagar com língua de palmo pelo que tem acontecido num passado recente, sem pensar quem é o culpado pela situação. Basta pegar no exemplo dos automóveis, os americanos preferem os carros europeus e não pegam nos americanos. Porquê? Porque os construtores americanos não querem saber do gosto dos seus clientes, ignorando a questão do conforto, da economia, etc..

A Europa comunitária devia estar preparada para formar um quarto polo de força para se opor aos outros três, mas não consegue falar a uma só voz. A separação das Ilhas Britânicas é um problema, mas não é o único. As muitas guerras travadas nos últimos dez séculos, entre os povos europeus, cavaram fossos muito difíceis de atravessar. Os povos do Báltico ou dos Balcãs não estão em sintonia com os grandes da Europa, assim como estes não estão entre si. Pôr a Alemanha, a França, a Itália e o Reino Unido falar a uma só voz, é pouco menos que impossível.

E nomear um deles para falar em nome de todos seria um ataque à democracia, nem pensar nisso de pode. A Sr-ª Von der Leyen e o António Costa andam em bolandas, de um lado para o outro, mas ninguém quer saber (muito) daquilo que eles dizem e fazem. Parece um duelo de surdos. Lembram-se dessa anedota que conta o diálogo entre dois amigos que se cruzam na rua, em que um deles carregava um cesto e uma cana de pesca?

- Então, vais à pesca, diz o primeiro.
- Não, vou à pesca, responde o outro.
- Ah, vi-te com a cana, pensei que ias à pesca!

Que Deus nos ajude e livre destes imperadores de pataco!


terça-feira, 1 de abril de 2025

Não há Estrelas no céu!


Era nisto que pensava ontem, enquanto ia escrevendo aquelas desajeitadas quadras! Mas não me veio à lembrança quem era o autor das palavras. Assim, hoje, decidi esclarecer as coisas obrigando-me a pesquisar quem tinha dito "tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover".

E aí está ele, o mais que famoso Chico Fininho e grande músico português da actualidade, isto é, o Rui Veloso!

Espero que gostem deste seu poema à Primavera!