Wall street, a praça de Nova Iorque, é a mais famosa e movimentada de todo o mundo. Mundo esse que vive e respira melhor ou pior, conforme o que ali se passa. Assumindo isto como verdadeiro temos que admitir que há por ali muitos "crânios" que sabem o que andam ali a fazer. E o presidente, por muito maluquinho que seja, tem com toda a certeza alguém que o aconselha, quando chega a hora de decidir as coisas mais importantes.
Tal como aconteceu, ontem, quando decidiu desenterrar o machado de guerra e declarar uma guerra financeira a meio mundo (o outro meio não conta para nada). A imposição de tarifas aduaneiras daquele tamanho vai deixar os maiores exportadores - União Europeia e Portugal incluídos - à rasquinha. Conquistar mercados para produtos como o queijo dos Açores ou os vinhos portugueses não é fácil e com o preço aumentado em 20% muitos clientes poderão virar-nos as costas.
Como toda a gente diz e é verdade, as tarifas têm como objectivo suavizar as diferenças de preço entre aquilo que o fornecedor quer receber e aquilo que o cliente pode pagar, para além de proteger as indústrias nacionais de cada país. O melhor seria não existirem e haver um acordo entre cliente e fornecedor para ser praticado um preço justo que não prejudique nenhuma das partes.
Desatar aos berros, afirmando que vão responder com a mesma medida, não ajuda ninguém, nem americanos, nem canadianos, chineses, russos ou europeus, sejam eles ilhéus, mais ocidentais ou orientais, como é o caso da Ucrânia, Geórgia e outros que tais. O que é preciso fazer é promover reuniões entre os países e procurar chegar a um consenso, caso a caso, produto a produto.
As trocas comerciais contam-se por milhões de euros ou dólares e tudo o que interessa é acordar num valor a comercializar sem qualquer taxa. Nós podemos comprar em petróleo, automóveis ou medicamentos o valor que exportarmos em vinho, queijo ou têxteis. Tantos milhões para cá, outros tantos para lá e todo o mundo satisfeito. Assim é que seria bom, a guerra, seja ela económica ou com fogo real, não interessa a nenhuma das partes.
E mesmo que o presidente Trump seja um cromo de primeira, ele deve ter quem o aconselhe e eu não acredito que as medidas anunciadas, ontem, tenham sido tomadas de ânimo leve ou num momento de furor. A política é, e deve sempre ser assim considerada, uma coisa muito séria e que mexe com a cabeça e a bolsa de muita gente.
Como se pode ver na imagem acima, as bolsas europeias abriram todas no vermelho. Mas será nos próximos dias, depois de uma análise mais fina sobre as empresas mais afectadas pelas novas imposições americanas, que as cotações bolsistas mostrarão a nova realidade dos mercados mundiais. Dentro de uma semana poderemos ver com mais clareza o que será o futuro imediato. A médio e longo prazo ninguém saberá, pois as condicionantes são imensas. A possibilidade de uma III Grande Guerra paira no ambiente !!!