As fissuras na Ponte 25 de Abril que podem colocar em causa a segurança da travessia são conhecidas há dois anos, mas o presidente da Infraestruturas de Portugal disse ontem que as obras que agora deverão finalmente avançar não são urgentes e que, se houvesse perigo, a ponte estaria fechada. Apesar das garantias dos responsáveis, as reações à existência de um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) que pede intervenção imediata dão a entender que os esclarecimentos estão longe de ser suficientes.
O meu corrector ortográfico diz-me que a palavra "fissurada" não existe, mas eu insisto em usá-la. Quem faz a Língua é o Povo, foi o que me ensinaram na escola e eu acho que se a ponte tem fissuras é porque está fissurada. O brasileiro usa a mesma palavra noutro sentido. No exemplo - a Cleo está fissurada no Edivaldo - significa que a Cleo está apaixonada, ou seja, apanhadinha de todo.
Bem, segundo alguns jornalistas da nossa praça, é assim mesmo que está a Ponte Salazar (desculpem, mas foi assim que a conheci, quando, em 1968, passei por baixo dela a bordo do Vera Cruz, no regresso de Moçambique), apanhadinha de todo com tanto parafuso solto, ferrugem e fissuras em todo o lado. Mas, em boa verdade, eu já não acredito nessa gente, o que os nossos jornalistas, operadores de câmara e comentadores de televisão querem é grandes desastres, grandes incêndios, comboios descarrilados, fugitivos à polícia ou alguém a dizer mal do Benfica. Se houver mais um tornado no Algarve correm para lá todos e vamos ver desgraças de toda a espécie, durante todo o fim de semana.
Há dias, enchi-me de rir com aquele caso do macedónio que deixou o carro avariado no meio da Avenida dos Aliados e foi para o Mac Donalds comer um hamburger. Ambulâncias, bombeiros, Inem, polícia de choque, cães pisteiros e não sei quantas autoridades mais a rodear o mal tratado carro e as câmaras da TVI sempre ligadas no grande evento e a focar "coisa nenhuma", pois a polícia obrigou toda a gente a recuar para fora do ângulo de visão do carro. Mas tão insistentes foram que, enquanto focavam os prédios da avenida, abriram uma janelinha no lado direito do ecran e continuaram a passar uma imagem antiga do cão pisteiro a andar á volta do carro. E isto sem interrupção entre as 18 e as 20 horas. Santa Mãe de Deus, quem mete juízo na cabeça desta gente?
Agora é a ponte que está na ordem do dia. O Paulo Gonçalves foi libertado e o assunto E.Toupeira já não é notícia, alguma coisa teriam que arranjar para manter o Zé Povinho agarrado à televisão. O presidente Marcelo bota a sua opinião, os deputados do contra querem o Centeno no Parlamento, o Jerónimo quer que seja a Lusoponte a pagar o arranjo e eu quero que ... esta gente toda tenha um pouco de bom senso!























