O meu camarada Leiria gosta de discutir política, mas ele prende-se às grandes questões internacionais e aos grandes "players" que jogam nesse xadrez, mas eu com esses não quero nada, porque eles fazem e desfazem, viram o mundo do avesso, movem biliões de dólares de um lado para o outro com um só piscar de olhos e nesse mundo nós não cabemos. E gastar o meu latim para cair em saco roto é coisa que não me entusiasma.
Já no que concerne à política local que envolve pessoas que conhecemos mais de perto, a música é outra. Eu dou-vos um exemplo. O Miguel Cadilhe é um rapaz da minha idade (uns poucos meses mais novo), nasceu em Barcelos, onde eu também nasci, estudou no Liceu Nacional da Póvoa de Varzim (agora já não se chama assim), por onde também eu passei e ...
A partir daqui é que os nossos percursos divergiram. O pai dele tinha dinheiro para o manter a estudar e o meu mal ganhava para dar de comer aos muitos filhos que pôs neste mundo. Eu fui .para a Marinha, como voluntário, e ele foi para a universidade estudar Economia e saiu de lá doutor. Já foi ministro das finanças de dois governos, pegou no BPN por alguns meses, mas não o deixaram continuar. Quem sabe teria tido mais sucesso o seu plano que o do ministro "beiçolas" da Maia que já nos levou perto de 10 mil milhões.
De vez em quando aparece numa entrevista que algum jornal publica para encher as páginas e vender o papel. Foi o caso, hoje, e ao ler a entrevista (que não era grande coisa) lembrei-me de falar-vos nele, já que o considero melhor economista do que muitos que andam por aí. O azar dele é pertencer ao PSD e os laranjinhas não têm tido muitas oportunidades de estar no poder. E, para além disso, os tachos não chegam para todos e não é fácil distribuí-los. Já se a escolha fosse feita na base da competência, outro galo cantaria.
A entrevista dele relacionava-se com as cativações (palavrão economês que significa reter uma parte do que foi orçamentado para uma certa despesa) de que o ministro Centeno é tão amigo, bem à moda do que fazia o Salazar, e ao investimento público que sofre com elas. Meter o dinheiro na gaveta com medo do amanhã é boa política, mas cria outros problemas. Como em tudo na vida, o segredo é saber até onde se pode ir, quando se envereda por um certo caminho. Toda a gente percebe que o investimento público está reduzido ao mínimo dos mínimos, mas aumentá-lo significa aumentar a dívida também e aí eu voto contra. Quando a economia crescer mais um pouco, podemos usar os ganhos para "algum" investimento público. Pedir mais dinheiro emprestado para isso, considero um erro.
Mas, como ninguém me ouve, de pouco serve a minha opinião. Se o PSD ganhar as próximas eleições (milagre em que eu não acredito) talvez o Rio convide o meu conterrâneo para ministro das finanças e com isso ganhe o meu voto. E é já no próximo ano, não se esqueçam. A partir do verão começa a campanha.