Podia estar a falar do clima, mas não estou. Pior que o clima que nos afecta a todos de uma ou outra maneira, há a «porKa polítiKa» que nos transforma a vida num verdadeiro sarilho. Já não bastavam os problemas internos com que nos debatemos, desde que o Afonso resolveu contrariar a sua mãezinha e fundar este país, temos agora os problemas herdados de uma Europa pouco unida que ameaçam transformar a nossa pacata vida de cidadãos deste «Jardim à beira-mar plantado» num autêntico inferno.
Em breve entraremos no mês de Junho, mês em que os cidadãos do Reino Unido vão decidir se querem continuar connosco (os europeus), ou se vão fechar-se na sua ilha e ser apenas amigos dos outros (os americanos). Em princípio parece uma coisa que só diz respeito a eles e não nos devia preocupar, mas não é assim na realidade. Se acontecer o BREXIT (saída da Grã-Bretanha da UE), isso vai ter custos enormes para a Europa, custos esses que serão repartidos e suportados por todos.
E, como diz o ditado bem português, quando algo corre mal quem se lixa é o mexilhão. Quer dizer, para quem tem dinheiro, mais azar ou menos azar tudo se resolve, mas quem vive a crédito, como nós vivemos, ter que estender a mão de novo e pedir mais dinheiro para dar aos outros, seria a última coisa que podíamos desejar.
Mas é isso que pode acontecer e em breve, se os súbditos de Sua Majestade decidirem votar sim à proposta de afastamento. O Primeiro Ministro que já foi a favor e agora é contra, bem se farta de apregoar (para quem o quer ouvir) que é uma asneira pensar em viver de costas voltadas para a vizinha Europa, mas os velhos conservadores e fleumáticos britânicos acham que estão a pagar um preço demasiado alto para pertencerem ao nosso clube.
A última coisa que eu esperava ver, era o David Cameron a falar ao seu povo em cima de uma pobre palete de madeira. Sinal dos tempos? Talvez. Se não seguirem o seu conselho, talvez os britânicos não fiquem melhor do que estão hoje, mas nós ficaremos pior com toda a certeza. O Reino Unido que tem sido o refúgio de tantos portugueses, pode fechar as portas e tornar a vida mais difícil aos que lá ganham a vida.
Coisas que merecem a nossa atenção, penso eu, neste domingo em que um sol envergonhado, por entre nuvens carregadas de húmidos presságios, está a espreitar à minha janela.