Li, esta semana, que há ainda quem continue a lutar pela paragem das obras no barragem de Foz Tua. A firma responsável pela marca de vinhos Esporão, ao que parece, tem vinhas plantadas na zona que vai ficar submersa e decidiu juntar-se àqueles que, com razão ou sem ela, lutam pela paragem das obras. A Unesco já aprovou a construção, impondo algumas condições, e não vejo como iriam voltar atrás depois de tanto dinheiro gasto na obra.
18 de Fevereiro de 2011 - A primeira pedra
O Zé Pinóquio que já é odiado por não sei quantos milhões de portugueses acaba por ser o culpado disto tudo. Quem o mandou meter-se no negócio das electricidades? A nível eólico deixou-nos uma conta para pagar que vai fazer crescer cabelos brancos aos meus bisnetos. A nível hídrico é o que se tem visto, barragens suspensas, barragens canceladas e sei lá mais o quê. Anda o actual Primeiro Ministro, agora, a desfazer o que o outro andou a cozinhar em 2010 e 2011.
E tanto mais estranho é isto tudo quanto mais gente aparece a dizer que a barragem não faz falta nenhuma. Já temos energia suficiente e quando acontece haver produção excessiva somos forçados a injectar a parte sobrante na rede espanhola e sem receber nada em troca. Um negócio da China para eles. E enquanto isso pagamos uma fortuna para manter os aerogeradores a trabalhar, por conta das parcerias existentes com os donos dos parques eólicos. É assim, faz parte do contrato.
Também não entendo muito bem aqueles que defendem a paragem das obras por causa de uns terrenos agrícolas que vão ficar debaixo de água. O que mais há por aqueles lados são terrenos abandonados que ninguém quer trabalhar, seja por falta de dinheiro, de mão de obra, ou tudo junto. É uma verdade que a população jovem não quer ficar ali, onde não há qualquer perspectiva de futuro e os velhos já não têm forças para trabalhar.
E ainda outra coisa, como está a acontecer no Alqueva, a grande albufeira que vai ser criada pelo vale do Tua acima, dará origem a um microclima que poderá vir a potenciar outro tipo de agricultura mais moderna e actual. Além de que o turismo também sairá a ganhar. Em vez de um comboio que era muito bonito, mas economicamente insustentável, podem iniciar um transporte fluvial até meio caminho de Mirandela e, se houver interesse nisso, reactivar o velho comboio daí para cima.
O que vai mudar com certeza é a fauna piscícola. Em vez das saborosas trutas que não se dão muito bem em águas profundas e paradas, teremos achigãs que também são muito apreciados e fazem as alegrias dos pescadores desportivos. Estou a pensar em investir nuns barquinhos pequenos (para duas pessoas) e numas canas de pesca para alugar a quem estiver interessado, logo que a albufeira comece a encher.
Um abraço e ...
Boa pescaria!!!